Pré-candidatos à Presidência debatem propostas em evento no RJ


Encontro em Niterói, na Região Metropolitana, foi promovido pela Frente Nacional de Prefeitos. Presidenciáveis discursaram sobre quatro temas pré-definidos: segurança, educação, emprego e saúde.


Por Henrique Coelho e Matheus Rodrigues, G1 Rio

 

Presidenciáveis durante encontro em Niterói, RJ (Foto: Henrique Coelho e Matheus Rodrigues/G1)Presidenciáveis durante encontro em Niterói, RJ (Foto: Henrique Coelho e Matheus Rodrigues/G1)

Presidenciáveis durante encontro em Niterói, RJ (Foto: Henrique Coelho e Matheus Rodrigues/G1)

Onze pré-candidatos à Presidência da República participaram nesta terça-feira (8) de debate promovido pela Frente Nacional dos Prefeitos em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

Os temas foram definidos na Carta de Niterói, firmada antes do 73º encontro da Frente Nacional dos Prefeitos: segurança, educação, emprego e saúde.

Representantes do PT entregaram uma carta do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba. No documento, Lula citou que o “aumento da violência tem a ver com a crise econômica e dificuldades para os jovens na educação e emprego”.

Sem citar uma ação militar específica, disse que o país “não pode jogar suas Forças Armadas em aventuras mal planejadas, porque não é o papel delas a função de polícia, de segurança urbana”.

Lula também exaltou o programa Mais Médicos e disse que a situação estaria “muito pior sem os médicos cubanos”.

Rodrigo Maia

O primeiro a falar no evento, por 25 minutos, foi o deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, pré-candidato pelo DEM. Maia defendeu a diminuição da participação do governo federal na arrecadação.

“Estados vivem seu pior momento fiscal, o que também impacta nas prefeituras, principalmente da região metropolitana. Precisamos reduzir o tamanho do governo federal, que tem uma estrutura de gastos 100% comprometida”, disse, ressaltando a necessidade de criar parcerias com o setor privado.

Rodrigo Maia (Foto: Henrique Coelho/G1)Rodrigo Maia (Foto: Henrique Coelho/G1)

Rodrigo Maia (Foto: Henrique Coelho/G1)

Na entrevista coletiva, Maia afirmou que se define como “centro-direita”, mas que seu trunfo como candidato seria a capacidade de lidar com políticos de todos os espectros do campo ideológico.

“Tenho capacidade de dialogar com todos. Entendo que a polarização gera mais passivos que ativos, e o Brasil não precisa disso”, declarou, acrescentando que o governo federal, hoje, quer uma candidatura que olhe para o passado. “Uma candidatura vitoriosa se constrói olhando para a frente”, ressaltou.

Geraldo Alckmin

Na sequência, falou o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que frisou a necessidade de descentralizar as decisões políticas de Brasília e dar poder aos estados e municípios.

“O caminho é descentralizar competências e recursos. Nós temos uma cultura centralizadora. Temos que descentralizar. Quem ganha é a população”, disse Alckmin.

Geraldo Alckmin (Foto: Henrique Coelho/G1)Geraldo Alckmin (Foto: Henrique Coelho/G1)

Geraldo Alckmin (Foto: Henrique Coelho/G1)

Após defender as reformas política e tributária em um eventual governo, Alckmin defendeu a união dos poderes para a segurança pública.

“Falta o governo das cidades. O governo municipal precisa participar, com recursos e afiação nos territórios, e atuação integrada”, afirmou o presidenciável, que considera ainda ser cedo para definir alianças e candidaturas – as convenções partidárias serão em julho.

Guilherme Afif Domingos

O pré-candidato do PSD, Guilherme Afif Domingos, foi candidato à Presidência em 1989, a primeira após a redemocratização do país. Em sua participação no painel do evento em Niterói, Afif se concentrou na questão do emprego e da reforma política.

Segundo ele, há um divórcio entre representados e representantes: “Precisamos de uma reforma que atue no sentido de cortar privilégios e punir a corrupção”, argumentou ele, que diz pensar em uma reforma radical no sistema.

Guilherme Afif (Foto: Henrique Coelho/G1)Guilherme Afif (Foto: Henrique Coelho/G1)

Guilherme Afif (Foto: Henrique Coelho/G1)

“Defendo um plebiscito para convocar uma assembleia constituinte para reforma política e instituir o voto distrital. Eu defendo a ideia da eleição majoritária para representantes.”

No campo do emprego, Afif defendeu novas regras para jovens acima de 14 anos nas micro, pequenas e médias empresas nas favelas do país: “São empregos para jovens acima de 14 anos nas favelas para tirar esse jovem do tráfico”.

Manuela D’Ávila

A pré-candidata do Partido Comunista do Brasil, Manuela D’Ávila, foi quarta a falar no evento e afirmou que as fiscalizações do Ministério Público e do Tribunal de Contas precisam ser revistas pelos novos gestores. “É como se toda e qualquer relação entre o poder público e o investimento privado fosse promíscuo. Não é e não precisa ser. Precisamos pensar em quem nos fiscaliza.”

Manuela D'Avila (Foto: Henrique Coelho/G1)Manuela D'Avila (Foto: Henrique Coelho/G1)

Manuela D’Avila (Foto: Henrique Coelho/G1)

D’Ávila ainda ressaltou que o quadro sócio econômico do Brasil atual inclui 13 milhões de desempregados, 1,2 milhões de pessoas sem acesso a gás e 700 mil pessoas apenas em São Paulo vivendo com R$ 733 por mês.

“Precisamos combater fortemente as desigualdades sociais. A construção de um projeto de desenvolvimento é capaz de combater isso.”

O combate à crise econômica, segundo Manuela, também tem de ser uma prioridade, incluindo uma reforma na economia brasileira. “O centro das saídas passa pela recomposição da capacidade de investimento do Estado, mas sem concentrar os recursos”, pontuou.

Ao ser perguntada sobre as eleições, afirmou que não pensa em unir as candidaturas de esquerda antes do segundo turno. Além dela, estão Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL). “A tendência hoje não é uma aglutinação. Acho que o tempo nos ajudará. Num segundo turno, estaremos todos juntos.”

Marina Silva

A candidata da Rede, Marina Silva, foi a quinta a se pronunciar no evento. Ela concorre ao cargo pela terceira vez e já foi vereadora, deputada e senadora.

Marina Silva deixou claro que suas alianças permanecerão as mesmas que ocorreram em 2014.

“As coligações não são pragmáticas, são programáticas, continuamos caminhando com os partidos que caminhamos em 2014, com as mulheres, com os jovens, com os empresários, com os trabalhadores”, afirmou, ressaltando que prefeitos não serão punidos por serem de partidos diferentes do dela, caso se torne presidente. “Serão relações republicanas.”

Marina Silva (Foto: Henrique Coelho/G1)Marina Silva (Foto: Henrique Coelho/G1)

Marina Silva (Foto: Henrique Coelho/G1)

A reforma tributária, ponto citado por todos os pré-candidatos, também foi citada como fundamental por Marina.

“Primeiro: não regressividade, os que ganham menos não podem pagar mais. Centralização e neutralidade também. A reforma tributária que queremos não irá aumentar, mas também não vai diminuir impostos.”

Álvaro Dias

O candidato Álvaro Dias, do Pode, atualmente senador, também falou no evento em Niterói. Dias focou seu discurso em números da economia, citando o déficit público de R$ 800 bilhões entre 2014 e 2020.

Álvaro lamentou a saída de Joaquim Barbosa da disputa, mas não descartou chamá-lo para ser seu eventual vice na chapa.

“É evidente que seria uma honra tê-lo como vice, mas não creio que ele esteja disposto a participar da atividade pública. Se quiser contribuir, será bem-vindo. Já tenho conversado com ele.”

Álvaro Dias (Foto: Henrique Coelho/G1)Álvaro Dias (Foto: Henrique Coelho/G1)

Álvaro Dias (Foto: Henrique Coelho/G1)

Álvaro avaliou esta eleição como a mais importante desde a redemocratização.

“É um momento de refundar a república. Ou escolhemos bem ou estaremos trilhando o caminho do infortúnio por tempo indeterminado. O grande desafio é vencer a descrença da população.”

Ciro Gomes

O primeiro presidenciável a falar no turno da tarde do evento foi o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes. Ele abordou temas como desemprego, recuperação fiscal e crise política e econômica.

Gomes afirmou que há soluções para o país, mas que elas seriam difíceis de serem implementadas. O Brasil, segundo ele, deve crescer mais de 5% ao ano.

“É preciso estabelecer um amplo diálogo e buscar soluções. Porque soluções há, mas elas serão doídas, sofridas. O Brasil, se quer voltar a crescer, tem que usar a única circunstância que é dar oportunidade aos quase 2 milhões de garotos, rapazes e moças que por ano chegam ao mercado de trabalho. Nós precisamos sair dos 2% líquido de crescimento para algo não inferior a 5%”, disse.

Ciro Gomes (Foto: Matheus Rodrigues/G1)Ciro Gomes (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Ciro Gomes (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Ao ser questionado sobre uma possível aliança com o PT, Ciro Gomes disse que o partido tem candidato próprio e ele não quer “intrigas” na disputa eleitoral. O pré-candidato foi um dos que lamentaram a desistência de Joaquim Barbosa na corrida para o planalto.

“Ele não tinha se posicionado. Não devemos celebrar [a não disputa de Joaquim Barbosa]. Ele era uma figura importante que tinha uma agenda importante de combate à corrupção” (…) “O PT tem candidato, afirmaram repetidamente que tem candidato. Eu respeito com minha alma, meu coração, com minhas palavras, minhas intenções, sonhos e, portanto, chega de intriga.”

Aldo Rebelo

O pré-candidato do partido Solidariedade (SD), Aldo Rebelo, negou que haja incoerência em sua filiação ao novo partido. Antes ministro dos governos Lula e Dilma, do PT, Rebelo representa um dos partidos que fez campanha pelo impeachment da ex-presidente.

“Eu participo do Solidariedade exatamente buscando manter os meus compromissos, as minhas convicções e ideais. Luto pelo desenvolvimento do Brasil, pela redução das desigualdades sociais e pela democracia. Foi dessa forma que se deu a minha filiação e é isso que eu vou procurar fazer.”

Aldo Rebelo (Foto: Matheus Rodrigues/G1)Aldo Rebelo (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Aldo Rebelo (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Ao ser questionado sobre a ausência do ex-ministro Joaquim Barbosa, Rebelo lamentou a decisão e disse que a não participação do pré-candidato não pode ser festejada.

Ele comentou ainda sobre a influência do poder Judiciário na política brasileira.

“Eu lamento a ausência. Ele iria enriquecer o debate sobre os desafios do Brasil. Eu acho que a ausência dele não pode ser legal e nem festejada” (…) “O Brasil vive um momento de desorientação. Nós vivemos uma anarquia ou pré anarquia entre os poderes. Não sabemos quem manda mais no país se um juiz de primeira instância ou o presidente da república”.

Guilherme Boulos

Guilherme Boulos, pré-candidato do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), afirmou que mesmo tendo candidatura própria pelo seu partido, defende a pré-candidatura do ex-presidente Lula (PT). Boulos disse que a condenação do ex-presidente foi injusta e sem provas.

“Temos candidatura própria à Presidência da República por diferenças e características do nosso projeto e pelo que a gente tem a apresentar ao Brasil. Ao mesmo tempo defendemos o direito do presidente Lula de ser candidato à Presidência da República, já que entendemos que sua condenação foi injusta e sem provas. Indulto é uma prerrogativa democrática que existe em vários países do mundo para se corrigir erros do judiciário. No nosso governo, todos aqueles brasileiros comprovadamente injustiçados, sim, receberão [o inulto]”, disse.

Guilherme Boulos (Foto: Matheus Rodrigues/G1)Guilherme Boulos (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Guilherme Boulos (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Ele afirmou ainda que a forma de governabilidade exercida no país, a partir de uma lógica de troca de favores, está falida e “chegou ao limite”.

“Nós acreditamos que a forma de governabilidade do Brasil está falida, chegou ao limite. Não é mais possível governar com a maioria de parlamentares. Aliás, se nós olharmos como foram formadas as maiorias parlamentares nos últimos governos no Brasil, foi sempre em cima de balcões de negócios, de troca, de apoio parlamentar em troca de cargos no executivo. Essa lógica não nos contempla e nem contempla a maioria do povo brasileiro. Queremos construir uma governabilidade respeitando o Congresso, mas acima de tudo o povo. Voto não é cheque em branco.”

Paulo Rabello

O representante do Partido Social Cristão (PSC) na corrida eleitoral de 2018, Paulo Rabello, afirmou que não acha que a rejeição do presidente Michel Temer possa refletir em sua candidatura.

Rabello foi presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (Ibge) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) durante o governo Temer. Ele propõe o crescimento do país a partir de 20 metas pré estabelecidas.

Paulo Rabello (Foto: Matheus Rodrigues/G1)Paulo Rabello (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Paulo Rabello (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

“Eu fiz parte de duas equipes extraordinárias, uma delas é o Bndes que é um extraordinário banco de desenvolvimento. Eu espero que permaneça, se fortaleça e se aperfeiçoe na sua gestão. Como também do Ibge, tão extraordinário quanto o banco. Isso dentro de uma administração cheia de problemas políticos e nós passamos por cima disso tudo. A nossa administração vai ser de entregar o que tínhamos prometido. Estamos esperando um Brasil que execute as 20 metas que nós estamos propondo”, declarou.

Em uma eventual gestão, Paulo Rabello pretende fazer com que o Brasil cresça 5% anualmente.

“Eu costumo até brincar que eu prefiro estar mais perto de Jesus, que é uma arma secreta do nosso partido. O Partido Social Cristão (PSC) tem os valores que dizem ao coração de 90% dos brasileiros, que é a defesa da família, defesa da vida em todos os sentidos, a não violência, a segurança pública e principalmente o fim do desemprego em massa. O Brasil vai começar a crescer pelo menos 5% ao ano, eu acho que isso vai ser a grande resposta.”

Henrique Meirelles

Último a discursar, o pré-candidato do MDB à presidência da República, Henrique Meirelles, afirmou que observa um possível crescimento de sua candidatura para as eleições de 2018 com a desistência do ex-ministro Joaquim Barbosa de participar da disputa eleitoral.

“(…) Boa parte das pessoa que declaram suas intenções de votos no ex-presidente do Supremo Joaquim Barbosa o fazem pela sua participação, nos julgamentos do Supremo, por sua posição firme de defesa da justiça, na luta contra os malfeitos da corrupção. Eu acho que é o movimento natural em que os candidatos do centro cresçam com a retirada do Joaquim Barbosa”, avaliou.

Henrique Meirelles (Foto: Matheus Rodrigues/G1)Henrique Meirelles (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Henrique Meirelles (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Além disso, Meirelles afirmou que a preferência para disputar as eleições ainda é do presidente, Michel Temer. Caso ele queira representar o partido, Meirelles disse que a vaga estaria disponível por se tratar de um líder histórico da legenda.

“Não há dúvida que se ele [presidente Michel Temer]decidir ser candidato à presidência da República, ele terá todas as condições de ser o candidato do partido. Ele é o grande líder histórico e é o presidente. Caso ele decida não ser o candidato, temos a convicção de que seremos o candidato do MDB”, afirmou Meirelles.

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