Por que a economia chinesa está em desaceleração


 

José Roberto Castro 04 Jan 2016 (atualizado 19/Jan 10h38)

O gigante asiático se volta para o mercado interno, passa a crescer menos e atinge em cheio países emergentes

 

A economia chinesa já não cresce como antes. E nem voltará a crescer nos próximos anos. O gigante asiático vive uma nova realidade distante da expansão na casa dos 10% ao ano que vigorou na década passada. A China passou as últimas décadas comprando matéria prima de países como o Brasil, transformando a um custo baixo graças à abundante mão de obra barata e exportando os produtos industrializados para o mundo todo. Agora o país mudou de tática. Tenta se voltar para o gigantesco mercado interno. A abundante mão de obra barata que deu competitividade aos produtos chineses no exterior está sendo convertida em um mercado consumidor. RITMO MAIS LENTO   A opção do gigante asiático tem relação com a crise nos países desenvolvidos, que agora compram menos da China do que em décadas anteriores. Vendendo menos, a China não tem motivos para focar em aumento de produção de produtos de exportação. Por isso, o plano do governo é reduzir gradativamente ao longo dos próximos anos a dependência econômica do apetite desses países. “É um processo longo e que no fim da década vai representar crescimento abaixo de 6%, uma taxa ainda elevada para os padrões internacionais”, disse ao Nexo o professor do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da Fundação Getúlio Vargas Lívio Ribeiro, especialista em China. Impacto no Brasil Em artigo publicado no primeiro dia do ano na “Folha de S.Paulo”, a presidente Dilma Rousseff apontou causas externas para a crise brasileira. Segundo ela, o necessário ajuste de contas no Brasil coincidiu com a “queda vertiginosa do valor de nossos principais produtos de exportação” e “desaceleração de economias estratégicas”. Quando diz isso, a petista fala principalmente da China. A China é o maior comprador dos principais produtos de exportação do Brasil. Portanto, se eles compram menos é possível deduzir que nós venderemos menos ou por um preço muito mais baixo. MAIOR PARCEIRO COMERCIAL O minério de ferro, por exemplo, custa hoje cerca ¼ do que custava em 2011. Isso afeta os países exportadores de matéria prima, inclusive o Brasil. DEPENDENTES   Apesar do impacto que o crescimento menor da China certamente terá no Brasil, nem tudo está perdido. Entre os grandes produtores de commodities, há países mais vulneráveis, pelo menos na avaliação de Lívio Ribeiro. “O Brasil ainda tem um leque de produtos mais diversificado, em teoria deve sofrer menos que o Chile, mais dependente da exportação de metais. A China vive um novo momento, temos que saber entrar no novo jogo”, avalia.

Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/01/04/Por-que-a-economia-chinesa-est%C3%A1-em-desacelera%C3%A7%C3%A3o

© 2018 | Todos os direitos deste material são reservados ao NEXO JORNAL LTDA., conforme a Lei nº 9.610/98. A sua publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia é proibida.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s