Sofismas reproduzidos pelos vendedores de Marketing Multinível, reforçados por seus “treinamentos” e scripts


“Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar.” Carl Sagan

02/11/2007

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by Fernando (Augusto)

Este post visa falar um pouco sobre as várias falácias que são cometidas pelos distribuidores/consumidores dos MMNs agressivos. É mais ângulo de percepção a ser utilizado para iluminar a dimensão e a natureza da blindagem à qual eles estão submetidos. Sua estrutura está baseada no trabalho de Stephen Downes sobre falácias. Sintam-se à vontade para complementá-las. Abaixo um sumário com a exibição das falácias:

1) Argumentum ad antiquitatem (Argumento de antiguidade ou tradição)

2) Argumentum ad hominem (Ataque ao argumentador)

3) Argumentum ad ignorantiam (Argumento da Ignorância)

4) Non sequitur (Não segue)

5) Argumentum ad Baculum (Apelo à Força)

6) Argumentum ad Populum (Apelo ao Povo)

7) Argumentum ad Numerum (Apelo ao número)

8) Argumentum ad Verecundiam (Apelo à autoridade)

8.1) Falácia da autoridade anônima

9) Generalização Apressada (Falsa indução)

10) Falácia de Composição (Tomar o todo pela parte – falácia da amostra limitada)

11) Falácia da Divisão (Tomar a parte pelo todo)

12) Falácia do homem de palha (espantalho)

13) Post hoc ergo propter hoc (correlação de coincidência)

14) Cum hoc ergo propter hoc

15) Petitio Principii

16) Circulus in Demonstrando

17) Falácia da Pressuposição

18) Ignoratio Elenchi (Conclusão sofismática, ou Falácia da Conclusão Irrelevante)

19) Anfibologia

20) Ênfase

21) Falácias tipo “A” baseado em “B” (Outro tipo de Conclusão Sofismática)

22) Falácia da afirmação do conseqüente (outro tipo de falácia non sequitur)

23) Falácia da negação do antecedente (mais outro tipo de falácia non sequitur)

24) Bifurcação (Falsa dicotomia ou falso dilema)

25) Argumentum ad Crumenam

26) Argumentum ad Nauseam

27) Plurium Interrogationum (falácia da interrogação)

28) Red Herring (Falácia do avião)

29) Reificação/Hipoestatização

30) Tu Quoque (Você Também – outro tipo de falácia ad hominem)

31) Inversão do Ônus da Prova

32) Apelo a Preconceitos/Desqualificações (linguagem preconceituosa)

33) Evidência Anedótica

34) Argumentum ad Novitatem

35) Declive Escorregadio (derrapagem)

36) Apelo à Piedade (Argumentum ad misericordiam)

37) Apelo às Conseqüências (Argumentum ad consequentiam)

38) Estilo sem Substância

39) Inconsistência

40) Causa genuína, mas insignificante

41) Falácia Ad Hoc

42) Argumentum ad Lapidem

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1) Argumentum ad antiquitatem (Argumento de antiguidade ou tradição):

Definição: Basicamente consiste em afirmar que algo é verdadeiro ou bom só porque é antigo ou “sempre foi assim”.

Ex.: “A Herbalife é uma excelente empresa porque está a 30 anos no mercado” ou

“Essa forma de recrutamento é legítima, pois sempre foi assim”.

2) Argumentum ad hominem (Ataque ao argumentador):

Definição: Ataca-se pessoa que apresentou um argumento e não o argumento que apresentou. A falácia ad hominem assume muitas formas. Ataca, por exemplo, o caráter, a nacionalidade, a raça ou a religião da pessoa. Em outros casos, a falácia sugere que a pessoa, por ter algo a ganhar com o argumento, é movida pelo interesse. A pessoa pode ainda ser atacada por associação ou pelas suas companhias.

Há três formas maiores da falácia ad hominem:

(1) ad hominem (abusivo): em vez de atacar uma afirmação, o argumento ataca pessoa que a proferiu.
(2) ad hominem (circunstancial): em vez de atacar uma afirmação, o autor aponta para as circunstâncias em que a pessoa que a fez e as suas circunstâncias.
(3) ad hominem (tu quoque): esta forma de ataque à pessoa consiste em fazer notar que a pessoa não pratica o que diz.

Ex: “A afirmação da Maria é falsa, pois ela é uma pessoa perdedora, com pensamentos negativos”.

“A Milena está acima do peso. Logo ela não tem moral para falar de uma atividade que traz o bem para as pessoas”. (que tristeza de argumento….)

“É natural que aquele ex-distribuidor diga que a TIENS não presta porque ele é um ressentido e fracassado”.

Prova: Identifique o ataque e mostre que o caráter ou as circunstâncias da pessoa nada tem a ver com a verdade ou falsidade da proposição defendida.

3) Argumentum ad ignorantiam (Argumento da Ignorância):

Definição: Ocorre quando algo é considerado verdadeiro simplesmente porque não foi provado que é falso (ou provar que algo é falso por não haver provas de que seja verdade). Notem que é diferente do princípio científico de se considerar falso até que seja provado que é verdadeiroIsto é um caso especial de bifurcação (falsa dicotomia), já que assume que todas as proposições têm de ser atualmente conhecidas como sendo verdadeiras ou falsas (Manitoba, 1998).

Ex: “Michael Johnson (CEO da Herbalife) diz a verdade, pois ninguém pode provar o contrário”.

“É certeza que posso ficar rico trabalhando na Forever Living, pois não há provas de que isso seja mentira”.

“Pablo disse que a Dinastia era uma pirâmide, mas não o provou. Portanto, isso deve ser falso”.

Prova: Identifique a proposição em questão. Argumente que ela pode ser verdadeira (ou falsa) mesmo que, por enquanto, não o saibamos.

4) Non sequitur (Não segue):

Definição: Tipo de falácia na qual a conclusão não segue as premissas.

Ex: “Seria bom acabar com as deficiências nutricionais neste país; seria bom minimizarmos os efeitos do desemprego neste país; portanto, vamos experimentar Herbalife (ou AGEL, ou Forever, ou Noni etc), uma empresa bem posicionada na indústria do bem-estar”! (parafraseando Pedro Cardoso).

5) Argumentum ad Baculum (Apelo à Força):

Definição: Utilização de algum tipo de privilégio, força, poder ou ameaça para impor a conclusão.

Ex: “Uma vez que você esteja dentro da AMWAY, acredite nela, senão você entrará para a turma dos fracassados”.

Prova: Identifique a ameaça e a proposição. Argumente que a ameaça não tem relação com a verdade ou a falsidade da proposição.

6) Argumentum ad Populum (Apelo ao Povo):

Definição: É a tentativa de ganhar a causa por apelar a uma grande quantidade de pessoas.

Ex: “O sucesso existe porque a esmagadora maioria dos distribuidores da Herbalife acredita nele”.

7) Argumentum ad Numerum (Apelo ao número):

Definição: Semelhante ao “ad populum”. Afirma que quanto mais pessoas acreditam em uma proposição, mais provável é a proposição de ser verdadeira.

Ex: “Todos os distribuidores da AGEL podem ter sucesso na empresa, pois a quase totalidade deles ACREDITA nela. Não podem estar todos enganados. Temos que ser persistentes e consistentes, não desistir nunca que os resultados virão”.

8) Argumentum ad Verecundiam (Apelo à autoridade):

Definição: Argumentação baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida para comprovar a premissa. Uma variante da falácia do apelo à autoridade é o “ouvi dizer” ou “diz-se que”. Um argumento por “ouvir dizer” é um argumento que depende de fontes em segunda ou terceira mão.

Ex: (1) “Se o Prêmio Nobel Louis Ignarro disse isto, é verdade” ou

(2) “Ouvi dizer que o Roberto Shinyashiki afirmou que o MMN não possui nenhum problema, logo isso necessariamente é a verdade”.

(3) “Se o Charles King diz que o MMN é um mar de rosas, então deve ser necessariamente verdade”.

Prova: Mostre uma de duas coisas (ou ambas): (1) a pessoa citada não é uma autoridade no campo em questão; (2) mesmo entre os especialistas não há consenso sobre o assunto discutido.

8.1) Falácia da autoridade anônima:

Definição: A autoridade em questão não é nomeada. Isto é uma forma de apelo à autoridade porque quando a autoridade não é nomeada é impossível confirmar se se trata de um perito. Esta falácia é tão comum que merece uma menção especial. Uma variante desta falácia é o apelo ao rumor. Como a fonte do rumor é, em regra, desconhecida, não é possível verificar se o rumor merece crédito. Rumores falsos e caluniosos são lançados muitas vezes intencionalmente com o objetivo de desacreditar o oponente.

Exemplos: “(1) Um membro da Nu Skin disse hoje que basta ser ensinável e seguir os conselhos das lideranças sem mudar muita coisa que o sucesso virá (não importa se daqui a 20 anos ou 500.000 anos!!)”.

”(2) Os peritos em assuntos nutricionais dizem que a melhor maneira de prevenir doenças é tomar suplementos alimentares, como aqueles da Forever, da Herbalife, da Monavie etc”.

”(3) Diz-se por aí que o Pedro Cardoso vai formular outro modo de trabalho infalível para distribuidores alcançarem o sucesso”.

Prova: Argumente que pelo fato de não conhecermos a fonte e a base da informação, não temos maneira de avaliar a fiabilidade da informação.

9) Generalização Apressada (Falsa indução):

Definição: Ocorre quando uma regra específica é atribuída ao caso genérico. A amostra é demasiado limitada e é usada apenas para apoiar uma conclusão tendenciosa

Ex: “(1) Todo distribuidor Herbalife que é ensinável, persistente e consistente é feliz”.

“(2) Perguntei a quatro dos meus amigos o que eles pensavam dos líderes da Herbalife à empresa, e eles concordaram que se trata de uma boa empresa. Portanto é uma empresa acima de qualquer suspeita”.

Prova: Identifique as dimensões da amostra e a população em questão.Depois mostre que a amostra é insuficiente. Note: uma prova formal requer cálculo matemático porque está em jogo a teoria das probabilidades. Mas em muitas situações podemos confiar no bom senso.

10) Falácia de Composição (Tomar o todo pela parte – falácia da amostra limitada):

Definição: É o fato de concluir que uma propriedade das partes deve ser aplicada ao todo. Esse todo pode ser tanto um objeto composto de diferentes partes, como uma coleção ou conjunto de membros individuais.

Ex: “(1) O shake da Herbalife é composto em sua maior parte por componentes naturais; logo, ele também é natural”.

“(2) Os distribuidores que foram no evento da GDI e deram seu testemunho pareciam sinceros e animados. Então, todos os distribuidores da GDI são sinceros e animados”.

Prova: Identifique o todo e as partes em questão. Mostre que, em geral o todo não têm de ter as propriedades das partes, ou, podendo ser mais específico, mostre que o todo em questão não tem as propriedades das partes.

11) Falácia da Divisão (Tomar a parte pelo todo):

Definição: Oposto da falácia de composição. Assume que uma propriedade do todo é aplicada a cada parte. O todo em questão pode ser tanto um objeto como uma coleção ou conjunto de membros individuais.

Ex: “(1) Você deve ser rico, pois anda numa BMW”, ou

“(2) Os Presidentes da Herbalife são pessoas que chegaram ao topo na hierarquia dos vendedores da empresa. Logo, qualquer distribuidor também pode chegar a esse topo”.

Prova: Mostre que as propriedades em questão são propriedades das partes mas não do todo. Se for preciso, descreva as partes para mostrar que elas não têm as propriedades do todo.

12) Falácia do homem de palha (espantalho):

Definição: Consiste em atribuir falsas idéias e comportamentos ao oponente ou tentar manipular a opinião do ouvinte defendendo um ponto de vista reprovável ou fraco.

Exs: (1) “Deveríamos todos consumir suplementos nutricionais (dado que, segundo premissas dos STSs, os alimentos atuais possuem agrotóxicos e as pessoas não tem tempo de plantar seus alimentos e criar seus bichos em casa). Só assim teríamos uma saúde de verdade” ou

(2) “Quem critica o MMN são pessoas negativas e fracassadas, ou indivíduos que não conhecem-no. Portanto, é certo que não devemos escutar essas pessoas”.

(3) ”Os autores do blog Indústria da Decepção são notadamente anti-MMN (MMN é a sigla para Marketing Multi Nivel) e tentam, de todas as formas, acusar – muitas vezes sem provas ou base nenhuma – a Herbalife e seus Distribuidores de atividades ilícitas” (by Herbalóide Eduardo).

Prova: Mostre que o argumento oposto foi mal representado, mostrando que os opositores têm argumentos mais fortes. Descreva um argumento mais forte.

13) Post hoc ergo propter hoc (correlação de coincidência):

Definição: O nome em Latim significa: “depois disso, logo, por causa disso”. Consiste em dizer que, pelo simples fato de um evento ter ocorrido logo após o outro, eles têm uma relação de causa e efeito.

Ex: “Os distribuidores que não escrevem metas, que não sabem o que querem para sua vida, que não possuem direção ou sonhos e estão confusos e perdidos fracassam. Por causa disso, fracassaram por culpa única e exclusivamente deles próprios”.

Prova: Mostre que a correlação é coincidência, mostrando: (1) que o “efeito” teria ocorrido mesmo sem a alegada causa ocorrer, ou que (2) o efeito teve uma causa diferente da que foi indicada.

14) Cum hoc ergo propter hoc:

Definição: Similar à Post Hoc. Afirma que apenas porque dois eventos ocorreram juntos eles estão relacionados.

Ex: “As pessoas que tomarem o shake de forma correta terão os resultados almejados, pois o shake possui todos os nutrientes que o corpo precisa, e até agora todos que tomaram o shake de forma correta tiveram resultado”.

15) Petitio Principii:

Definição: Ocorre quandoa verdade da conclusão é assumida pelas premissas. Daí as premissas se tornam tão questionáveis quanto a conclusão alcançada. Nos casos mais sutis, a premissa é conseqüência da conclusão.

Ex: “Pedro Cardoso venceu na vida vendendo shake, e devemos ouvir sempre quem teve sucesso; logo, é justo homenageá-lo comprando seu livro”.

Prova: Mostre que para acreditarmos nas premissas já teríamos de aceitar a conclusão.

16) Circulus in Demonstrando:

Definição: Ocorre quando alguém assume como premissa a conclusão a que se quer chegar.

Ex: “Sabemos que aquele amigo da FFI diz a verdade, pois muitas pessoas dizem isso. E sabemos que aquele amigo da FFI diz a verdade, pois nós o conhecemos”.

Prova: Identifique o termo que está a ser definido. Identifique as condições da definição. Mostre que pelo menos um termo usado nas condições é o mesmo que o termo que está a ser definido.

17) Falácia da Pressuposição:

Definição: Questiona um fato assumindo um pressuposto verdadeiro.

Exs: (1) “Quando vocês vão parar de acusar o sistema da Forever Living sem provas?” ou

(2) “De onde você tirou a idéia que Herbalife NÃO É a maior empresa de nutrição do mundo?”, ou

(3) “Você fracassou pelo fato de que não esteve realmente sério sobre ter sucesso ou não acreditou no nosso programa de trabalho”.

18) Ignoratio Elenchi (Conclusão sofismática, ou Falácia da Conclusão Irrelevante):

Definição: Consiste em utilizar argumentos válidos para chegar a uma conclusão que não tem relação alguma com os argumentos utilizados.

Ex: “Segundo o DIEESE e o IBGE, o desemprego estrutural no país (decorrente das inovações tecnológicas, substituindo a força de trabalho humana pela máquina) cresce a pequenas taxas positivas, e sua presença é inexorável no arranjo institucional vigente do capitalismo moderno. ENTÃO, é um processo natural que formas de trabalho baseadas no marketing multinível (especialmente os agressivos) ganhem corpo e rivalizem com o mercado formal, pois a flexibilidade e os graus de liberdade proporcionados pelo MMN são superiores ao do mercado formal, para aqueles que desejam ser ‘empreendedores’ sérios, honestos, corretos, persistentes e consistentes”.

Prova: Mostre que a conclusão apresentada pelo argumentador, com a qual até pode concordar, não é a conclusão que ele pretendia tirar.

19) Anfibologia:

Definição: Ocorre quando as premissas usadas no argumento são ambíguas devido à má elaboração gramatical.

Ex.: Mariana retirou o bótom de Luis (não está claro aqui se ela estava usando o bótom de Luis e o retirou de si mesma, ou se ela retirou o bótom do próprio Luis).

Prova: Evidencie a ambigüidade da frase, mostrando que ele pode receber diferentes interpretações.

20) Ênfase:

Definição: É uma forma de falácia devido à mudança de significado pela entonação. O significado é mudado dependendo da ênfase das palavras.

Ex: comparem: “Não devemos falar MAL dos nossos amigos!” com “Não devemos falar mal dos nossos AMIGOS!”.

21) Falácias tipo “A” baseado em “B” (Outro tipo de Conclusão Sofismática):

Definição: Ocorrem dois fatos. São colocados como similares por serem derivados ou similares a um terceiro fato.

Ex.: 1. “O sucesso é baseado na fé.”

  1. “A felicidade é baseada na fé.”
  2. “Logo a felicidade é similar ao sucesso”

22) Falácia da afirmação do conseqüente (outro tipo de falácia non sequitur):

Definição: Esta falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não está nem do Modus ponens (afirmação do antecedente) nem no Modus Tollens (negação do conseqüente). A sua forma categórica é:

Se A então B. B / Então A.

Ex: “Se há persistência então há felicidade. Há felicidade. Logo, há persistência”.

Prova: Mostre que, mesmo sendo as premissas verdadeiras, a conclusão pode ser falsa. Em geral basta mostrar que B pode ser conseqüência de outra coisa que não A. Por exemplo, a morte dos peixes pode ser provocada pela aplicação de pesticidas e não pela fábrica.

23) Falácia da negação do antecedente (mais outro tipo de falácia non sequitur):

Definição: Esta falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não está nem do Modus ponens (afirmação do antecedente) nem no Modus Tollens (negação do conseqüente). A sua forma categórica é:

Se A então B. Não A / Então não B.

Ex: “Se há persistência então há felicidade. Não há felicidade. Logo, não há persistência”.

Prova: Mostre que a conclusão pode ser falsa mesmo que as premissas sejam verdadeiras. Em particular, mostre que o conseqüente, B, pode ocorrer mesmo que A não ocorra.

24) Bifurcação (Falsa dicotomia ou falso dilema):

Definição: Também conhecida como “falácia do branco e preto”. Ocorre quando alguém apresenta uma situação com apenas duas alternativas, quando de fato outras alternativas existem ou podem existir (em PNL isso receberia o nome de mapa da realidade limitado). Colocar as questões ou opiniões em termos de “ou sim ou não” gera, com freqüência (mas nem sempre), esta falácia.

Ex: “Se você não está a favor de mim como distribuidor da Herbalife, então você está contra mim. Você é um ladrão de sonhos”.

“Herbalife: ou você ama, ou não conhece”

Prova: Identifique as opções dadas e mostre (de preferência com um exemplo) que há pelo menos uma opção adicional.

25) Argumentum ad Crumenam:

Definição: Esta falácia diz respeito a acreditar que dinheiro é fator para se estar correto. Aqueles mais ricos são os que provavelmente estão certos.

Ex: (1) “Se o Sérgio Buaiz diz isso então é verdade” ou

(2) “Se Roberto Justus diz que o Presidente George W. Bush estava certo ao invadir o Iraque para acabar com a ameaça terrorista, então a atitude do Presidente dos EUA estava correta”, ou

(3) “Se o Mark Hugues diz que pra se ter sucesso na Herbalife é só trabalhar duro e não desistir nunca, ele então está certo a esse respeito”.

26) Argumentum ad Nauseam:

Definição: É a aplicação da repetição constante e a crença incorreta de que quanto mais se diz algo, mais correto está.

Ex: “Se dizem que o shake possui todos os nutrientes de que o corpo precisa, então é porque ele tem mesmo esses nutrientes”.

27) Plurium Interrogationum (falácia da interrogação):

Definição: Ocorre quando se exige uma resposta simples a uma questão complexa.

Ex: “Como devemos analisar os resultados de quem não está mais na TIENS? Como fracassados ou como vencedores?”.

Prova: mostre que o dualismo contido na interrogação é simplista e está mascarando a realidade.

28) Red Herring (Falácia do avião):

Definição: Falácia cometida quando material irrelevante é introduzido no assunto discutido para desviar a atenção e chegar a uma conclusão diferente.

Ex: “Diz a boa prática empresarial que devemos estudar um negócio e planejá-lo antes de entrar no mercado. Você, caro distribuidor, não foi ENSINÁVEL, e achava que sabia tudo. Não seguiu os conselhos dos grandes distribuidores. Por isso, fracassou na empresa”.

Prova: Identifique a causa significativa e o material irrelevante inserido.


29) Reificação/Hipoestatização:

Definição: Ocorre quando um conceito abstrato é tratado como coisa concreta.

Ex: “As expectativas grandiosas de Pedro foram culpadas pelo seu fracasso no Marketing Multinível”.

Prova: mostre que aquilo que o interlocutor considera coisa concreta é na verdade uma abstração.

30) Tu Quoque (Você Também – outro tipo de falácia ad hominem):

Definição: Falácia do “mas você também”. Ocorre quando uma ação se torna aceitável, pois outra pessoa também a cometeu.

Ex: 1. “Você reclama demais” 2. “E daí? Você também reclama”.

“Dizes que eu não devo levar a sério os líderes da AGEL, mas você também sempre foi influenciável e já se deu mal algumas vezes”.

31) Inversão do Ônus da Prova:

Definição: Quando o argumentador transfere ao seu opositor a responsabilidade de comprovar o argumento contrário, eximindo-se de provar a base do seu argumento.

Ex.: “Por favor, senhor distribuidor da AGEL, dados os eventos e vídeos que nós vimos, você pode me explicar como a estrutura desse MMN agressivo não tende ao comportamento piramidal, se a base da atividade é o recrutamento?”; daí, o distribuidor AGEL responde: “Se a estrutura tende ao comportamento piramidal, então prove-me”.

Prova: mostre que o interlocutor desviou do assunto, e peça a ele para provar a base de seu argumento.

32) Apelo a Preconceitos/Desqualificações (linguagem preconceituosa):

Definição: Termos carregados e emotivos são usados para ligar valores morais à crença na verdade da proposição.

Exemplos:

  1. a) “Os distribuidoresbem intencionadose trabalhadores estarão mais próximos da realização de seus sonhos”.
  2. b) “Aspessoas razoáveisconcordarão que este é um negócio de pessoas. Portanto, pode existir tanto bons distribuidores quanto maus distribuidores”.
  3. c) “Os críticos da Monavie e dos MMNs agressivostêm aveleidade de pensar que suas idéias de fracassados condizem com a verdadeira realidade da empresa”. (O uso do termo “têm a veleidade de pensar” sugere, sem argumentos, que os críticos da Monavie estão enganados).
  4. d) “Eu convido as pessoas de quemgostopara estarem ao meu lado no meu negócio de MMN, para curtirmos juntos, e sinceramente é muito bom ter irmã, sobrinho, amigos de longa data juntos neste negócio. Fazemos reuniões, brincamos, trabalhamos sério, vamos a eventos juntos, conheci pessoas maravilhosas graças a esta oportunidade, falamos de coisas positivas e de pensamentos positivos, de melhorar como pessoa em todos os sentidos e de agirmos sempre com a verdade. Por isso, a cada dia que passa acredito mais nesse negócio, pois assim estarei fazendo o bem às pessoas; esse é meu pensamento, e vou continuar assim”. (é uma explanação com carga cinestésica: as sensações e as emoções dão o tônus da estrutura das orações).

Prova: Identifique os termos preconceituosos usados: (por ex.: ” bem intencionados” ou “pessoas razoáveis”). Mostre que discordar da conclusão não é suficiente para dizer que a pessoa é “mal intencionada” ou “pouco razoável”.

33) Evidência Anedótica:

Uma das falácias mais simples é dar crédito a uma Evidência Anedótica. Por exemplo:

“Há abundantes provas de que a Forever Living quase faz milagres. Semana passada eu li sobre uma senhora que estava morrendo de câncer, então compraram o shake pra ela e sua família inteira foi para uma igreja rezar; resultado: ela foi curada em uma semana”.

Prova: É bastante válido usar experiências pessoais como ilustração; contudo, essas anedotas não provam nada a ninguém. Um amigo seu pode dizer que encontrou a Angelina Jolie na farmácia, mas aqueles que não tiveram a mesma experiência exigirão mais do que o testemunho de seu amigo para serem convencidos.

Evidências Anedóticas podem parecer muito convincentes, especialmente se queremos acreditar nelas.

34) Argumentum ad Novitatem:

Definição: Esse é o oposto do Argumentum ad Antiquitatem; é a falácia de afirmar que algo é melhor ou mais verdadeiro simplesmente porque é novo ou mais recente que alguma outra coisa.

“A Herbalife possui, de longe, um sistema de marketing e um plano de compensações superior ao da AMWAY, pois esse plano é bem mais novo e atual”.

35) Declive Escorregadio (derrapagem):

Definição: Para mostrar que uma proposição P é inaceitável, extraem-se conseqüências inaceitáveis de P e conseqüências das conseqüências. O argumento é falacioso quando pelo menos um dos seus passos é falso ou duvidoso. Mas a falsidade de uma ou mais premissas é ocultada pelos vários passos “se-então” que constituem o todo do argumento.

Exemplo: Se eu abrir uma exceção para ti bancando a compra de seus produtos AGEL, terei de abrir exceções para todos.

Prova: Identifique a proposição, P, que está a ser refutada e identifique o evento final, Q, da série de eventos. Depois mostre que este evento final, Q, não tem de ocorrer como conseqüência de P.

36) Apelo à Piedade (Argumentum ad misericordiam):

Definição: Pede-se a aprovação do ouvinte na base do estado lastimoso do Autor.

Exemplo: Esperamos que aceitem as nossas recomendações para serem distribuidores da Herbalife. Passamos os últimos três meses trabalhando de forma desalmada nessa maravilhosa empresa, e por isso contamos com o seu cadastramento.

Prova: Identifique a proposição e o apelo à autoridade e argumente que o estado lastimoso do argumentador nada tem a ver com a verdade da proposição.

37) Apelo às Conseqüências (Argumentum ad consequentiam):

Definição: o argumentador, para “mostrar” que uma crença é falsa, aponta conseqüências desagradáveis que advirão da sua defesa.

Exemplos: (1) “Não podes aceitar que as notícias sobre casos de hepatotoxidade, decorrentes do consumo dos produtos da Herbalife em diversos países, seja verdadeira, porque se ela fosse verdadeira alguma autoridade em algum dos 70 países em que a Herbalife atua já teria tomado uma providência”.

(2) “Deves acreditar que é um vencedor, porque de outro modo seu sucesso na FFI estará comprometido”.

Prova: Identifique as conseqüências e argumente que a realidade não tem de se adaptar aos nossos desejos.

38) Estilo sem Substância:

Definição: Pretende-se que o modo como o argumento ou o argumentador se apresenta contribui para a verdade da conclusão.

Exemplos: “(1) Rex Maughan sabe como dirigir seus distribuidores. Ele deve estar certo”.
”(2) Porque não aceitas o conselho daquele líder da AMWAY experiente, elegante e fino?”

Prova: É um fato que o modo como o argumento é apresentado, influencia a crença das pessoas na verdade da conclusão. Mas a verdade da conclusão não depende do modo como o argumento é apresentado. Para mostrar que esta falácia está a ser cometida, mostre que, neste caso, o estilo não afeta a verdade ou a falsidade da conclusão.

39) Inconsistência:

Definição: O argumentador avança pelo menos duas proposições que não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Em tais casos as proposições podem ser contrárias ou contraditórias.

Exemplo: “Os Presidentes da Herbalife ganham mais do que os Millionaires, e os Millionaires ganham mais do que os World Team’s, enquanto os World Team’s ganham mais do que os Presidentes”.

Prova: Assuma que um dos enunciados é verdadeiro e use-o como uma premissa para mostrar que o outro enunciado é falso.

40) Causa genuína, mas insignificante:

Definição: O objeto ou evento identificado como sendo a causa de um efeito, é uma causa genuína – mas insignificante quando comparada com outras causas desse evento. Note que não se trata desta falácia quando todas as outras causas são igualmente insignificantes.

Exemplo: Não ter metas em um negócio de MMN pode causar um mau resultado (é de certa forma verdade, mas o efeito da falta de metas é insignificante comparado com o efeito de limites externos à atividade do distribuidor do MMN, como preço dos produtos elevado, mercado saturado, configuração estrutural que faz com que mais de 90% das pessoas que entram nesses esquemas percam dinheiro, dentre outros fatores).

Prova: Identifique uma causa mais significativa.

41) Falácia Ad Hoc

Definição: A falácia Ad Hoc é dar uma explicação pós-fato que não se aplica a outras situações. Freqüentemente essa explicação ad hoc estará vestida para parecer um argumento. Por exemplo, se nós assumimos que os produtos da Herbalife funcionam para todas as pessoas igualmente, então a seguinte explicação é uma ad hoc:

(1) “Eu fui curada de uma gastrite”.

(2) “Siga Tim-tim por Tim-tim o programa da Herbalife, então. Ele é seu curador”.

(3) “Então, os produtos curarão todos os outros que têm gastrite?”.

Prova: mostra que a afirmação, se for aplicável, está circunscrita a determinada situação.

42) Argumentum ad Lapidem

Definição: Falácia lógica que desqualifica uma afirmação acusando-a de ser um absurdo sem, contudo, dar uma explicação. É uma estratégia do tipo ad hominem.

(1) João afirma que a Forever Living é um sistema piramidal. Uma distribuidora da Forever, Carla, responde que “A Forever é uma empresa maravilhosa, só ajuda as pessoas, e jamais trabalharia com um sistema que prejudicasse alguém”.

(2) Paulo, acusado de promover o recrutamento massivo de distribuidores para a Polishop (e para piorar a situação, sem o mínimo de critério), se defende dizendo:  “Essa acusação é um disparate, uma mentira”.

Algumas fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fal%C3%A1cia

http://ateus.net/artigos/ceticismo/logica_e_falacias.php

http://br.geocities.com/objetivismobr/falacias.html

Stephen Downes. Guia das Falácias Lógicas do Stephen, Brandon, Manitoba, Canada, 1995-1998. http://www.str.com.br/Scientia/falacias2.htm

http://www.ceticos.com.br/falacias.php

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