Processo de ex-distribuidores contra a Herbalife nos Estados Unidos


08/06/2010

Tradução do artigo postado no Pyramid Scheme Alert, intitulado “Pyramid Scheme Charge Filed by High Level Ex-distributors”, de Robert FitzPatrick

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Um juiz federal determinou que as acusações de ex-distribuidores do alto escalão da Herbalife, de que o marketing multinível (MMN) da Herbalife International é um esquema ilegal de pirâmide, são dignas de um julgamento. Um julgamento da legalidade da Herbalife é esperado para um futuro próximo.

A Herbalife solicitou que a acusação fosse indeferida. A decisão é um revés legal enorme para o MMN. O resultado pode ser devastador tanto para a Herbalife quanto para toda a indústria de MMN.

A Herbalife é uma das maiores e mais antigas empresas de MMN, um membro fiel da Associação de Vendas Diretas (Direct Selling Association). Se a Herbalife for considerada por um júri como um esquema de pirâmide, a maioria dos membros da DSA estaria em grave perigo legal.

Se existe um MMN que se ajusta perfeitamente à imagem de um “esquema de pirâmide baseado em produtos” é o marketing da Herbalife:

  • Despesas dos consumidores para aderirem ao plano de compensação da pirâmide Herbalife. Os distribuidores, que são recrutadores ativos e ao mesmo tempo consumidores, para se tornarem supervisores deverão comprar cerca de R$10.000,00 de produtos da empresa de uma só vez ou fazer 2500 pontos (R$6.250,00) em 2 meses consecutivos. A exigência de uma grande compra de produtos é o “investimento piramidal”.
  • Para recuperar os seus gastos, os novos recrutas são incitados a pagarem para expandir a pirâmide – em uma cadeia interminável. A única maneira viável para um supervisor “novo” ganhar dinheiro na Herbalife é recrutar novos supervisores. O recrutamento é a base do negócio piramidal da Herbalife.
  • A Herbalife paga mais para aqueles que recrutam mais. O plano de compensação paga sempre mais para aquele que está num degrau superior da hierarquia do sistema de distribuição da pirâmide, com o recrutamento contínuo sendo a única forma possível de ascensão.
  • O dinheiro é transferido da base da cadeia de distribuição para aqueles que estão no topo (os pioneiros). 85% de todas as comissões pagas pela Herbalife são transferidos para menos de 1% (0,76%) de seus distribuidores, que se encontram na parte superior da pirâmide.
  • Não há nenhuma “fonte de receitas externas.” A Herbalife possui um “sistema” fechado. Os seus vendedores são os únicos compradores e vendedores, e os preços são fixados pela Herbalife. Praticamente todo o dinheiro que a Herbalife paga em “comissões” vem das compras dos últimos distribuidores (distribuidores recrutados). Curiosamente, os relatórios de vendas dos produtos Herbalife apontam para pequena movimentação no varejo. O negócio é baseado na indução de gastos/compras dos distribuidores da base do sistema.
  • A pirâmide funciona em um estado de “contínuo colapso.” A cada ano, em virtude da grande rotação de distribuidores, a empresa reconstrói a base de sua cadeia de distribuição com os gastos de novos distribuidores (recrutas), ano após ano. Os novos recrutas estão condenados desde sua adesão ao plano de marketing da empresa.
  • 60% de todos os supervisores, depois de sofrerem perdas financeiras, saem do esquema a cada ano por terem “falhado”. 90% daqueles que não são supervisores (aqueles que fazem um menor investimento inicial, dentre eles os construtores de sucesso) encerram as atividades no horizonte máximo de um ano. Globalmente, 80% de todos os distribuidores da Herbalife saem do esquema a cada ano.
  • Os 88% dos distribuidores que pertencem à parte inferior da cadeia de distribuição não recebem sequer um centavo sobre todas as comissões pagas (bônus de recrutamento na primeira compra do distribuidor, royalties, bônus por fazer parte da liderança).
  • A faixa inferior da cadeia de distribuição (99,24%), no que tange às vendas de todos os distribuidores da Herbalife, auferem uma renda média de R$3,00 por semana, isso sem que todas as despesas comerciais e de compras de estoque tenham sido deduzidas. (Nota do autor: ou seja, na realidade os distribuidores PAGAM para trabalhar)

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