Participantes de empresas investigadas reunem-se para buscar “legalização” do MMN


15/07/2013

Abaixo outra matéria relativa aos recentes problemas jurídicos sofridos por empresas que se qualificam como de marketing multinível, quando, em realidade, remuneram (quase que exclusivamente) por recrutamento de pessoas e não possuem produto competitivo no mercado. Reparem a contradição entre as palavras do investidor da Telexfree Heráclito Noé (“muito trabalho”) e da professora que optou por largar a carreira e trabalhar “apenas um turno” como investidora (ou divulgadora??? ou recrutadora???) de Telexfree. Após a Ação Civil Pública, divulgadores tentam agora dar ao “trabalho” proposto pela Telexfree um peso maior. O blog sempre foi partidário de uma legislação rigorosa sobre Marketing Multinível. Com certeza, eventual regulamentação não poderá admitir que esquemas puros de recrutamento sejam legalizados. Torcemos para que negócios como os propostos por Telexfree e BBom não sejam admitidos como são praticados atualmente pois apenas quem não tem noção mínima de matemática vai defender que negócios de recrutamento e sem foco em vendas para consumidor final são sustentáveis. Aproveito para deixar um recado aos investidores mais exaltados de Telexfree…internet não é terra de ninguém. Repudiamos ameaças e tomaremos as providências cabíveis para que estes “anônimos” sejam identificados e punidos. A baderna feita internet afora não terá eco neste blog.

 

EMPRESAS DE MULTINIVEL SE UNEM NO RN

Alvo de investigações por parte do Ministério Público do Estado as empresas de marketing multinível se unem no Rio Grande do Norte para lançar campanha de legalização do segmento. A informação foi repassada pelo executivo da BBom e dono de franquia da Unepxmil, que vende rastreadores, Victor Hugo Noé. “É importante ter  investigações para que possa dar maior clareza e conhecimento as atividades do marketing multinível, ainda pouco conhecido no país. Nem a justiça sabe bem como lidar o negócio MMN”, disse Victor Hugo. O MPE/RN instaurou inquérito civil para  apurar as atividades da  TelexFree, BBom, NNEX, Priples, Cidiz e Multiclick Brasil.

Na última semana, a Justiça Federal decretou a indisponibilidade dos bens da  BBOM, pertencente ao Grupo Embrasystem, bem como dos bens dos sócios proprietários dessas empresas. O Procon/RN abriu ação para apurar irregularidades na relação entre um investidor e empresa, que denunciou prejuízo com o não repasse de pagamentos. A Telexfree permanece impedida de realizar pagamentos e ter novas adesões, em todo o país As empresas são investigadas por indícios de pirâmide financeira.

Para o consultor do Sebrae, Carlos Von Sohsten, esse é um tema complexo. Os conceitos de  empresas de marketing direto,   vendas diretas com empresas de marketing multinível ou pirâmides são comumente confundidos. É preciso separar cada segmento e atentar para os detalhes da oportunidade oferecida, quem está por trás e quais são as “promessas”. “Em geral, os esquemas de marketing multinível têm causado mais prejuízos do que bons resultados, para a maioria dos participantes”, diz o consultor de negócios do Sebrae.

No marketing multinível, o faturamento é calculado sobre as vendas de produtos ou serviços que  sustentam o negócio. Já no esquema denominado “pirâmide financeira”, considerado crime no Brasil, os participantes são remunerados somente pela indicação de outros indivíduos para o sistema, sem levar em consideração a real geração de vendas de produtos.

A modalidade, segundo o  economista e coordenador do curso de Gestão Financeira da Universidade Potiguar (UnP), Janduir Nóbrega, não se sustenta por não haver uma relação comercial ou de consumo. “Diferente das demais relações, não há um produto sendo fabricado, comercializado e mesmo um consumidor final. Não atende, teoricamente, as leis comerciais”, afirma. Um dos principais investidores da empresa Telexfree no Estado, o delegado e professor de direito Heraclito Noé, pondera que há muito desinformação  em relação ao novo tipo de negócio, que é lícito. “As pessoas tendem a ver o novo, o desconhecido, como algo que cheira mal. Mas esta é uma nova oportunidade de negócios, em um novo ambiente: a internet, com melhor geração de renda e com muito trabalho”, afirma.

A rede mundial de computadores é usada como mecanismo de divulgação e vendas, que permite os divulgadores a trabalharem com maior flexibilidade de horários e em ambientes diversos. “Há uma cultura de se achar justo somente o dinheiro que vem suado, do cabo da enxada, mas há outras formas honestas. É um novo momento”, observa. Noé admite que hoje a principal renda vem do MMN, mesmo se dedicando à noite e finais de semana.

Divulgadores trocam de carreira

Levados pela comodidade de estabelecer os horários de trabalho e manter uma empresa a menores custos é cada vez maior o número de pessoas que aderem ao formato de negócio em marketing multinível. A professora de Letras, Raianne Bispo, de 26 anos, abriu mão da carreira de professora para se dedicar as atividades de consultoria na Telexfree. Trabalhando apenas um turno, em escritório montado com outros nove amigos, para dar apoio e consultoria a rede estabelecida com mais de 9 mil pessoas, ela conta que conseguiu ganhos que a profissão não permitiria e em curto tempo. “Somos remunerados proporcionalmente a produção, ao trabalho que fazemos. Enquanto como professora, o trabalho é mais desgastante, e a remuneração não é boa”, disse Raianne.

Em 3 meses de atividade e com uma rede de 2 mil pessoas,   o executivo da Bbom Victor Noé, de 26 anos, tem umajornada maior de trabalho, entre consultoria a novos integrantes e viagens para divulgação, do que quando se revezava nas funções de administrador de um escritório de advocacia e sócio numa loja de acessórios automotivos. “Com um investimento de R$ 600,00, eu consegui triplicar minha renda mensal, mas em compensação dobrei a quantidade de trabalho”, disse.

O advogado Renato Rodrigues, presidente da Comissão de Advogados Trabalhistas da OAB/RN, afirma que não há relação de trabalho entre a empresa Telexfree e seus divulgadores. O contrato não estaria qualificado na CLT, que rege as relações e trabalho. “Não existe para o divulgador, quem aderiu a empresa, relações trabalhistas a serem reclamadas junto à empresa”, observa

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