Método de Custeio por Absorção (Custeio Integral)


Até aqui foi fácil, certo? Afinal, calcular o Custo Variável é simples, não é mesmo? Se sabemos que precisamos de 30g de chocolate para produzir uma trufa, que o chocolate custa R$ 30 o quilo e que vamos vender 10.000 trufas, fica fácil calcular que vamos gastar R$ 9.000 em chocolate para produzir as 10.000 trufas. Mas quando falamos do Custeio por Absorção, o buraco é um pouco mais embaixo!

Custeio por Absorção, também chamado Custeio Integral ou Custo Integral, recebe esse nome exatamente por absorver os Custos Fixos no custo final de cada produto vendido.

Ou seja, o Custo por Absorção tem como premissa debitar ao Custo dos Produtos Vendidos todos os custos da área de fabricação, sejam esses custos definidos como custos diretos ou indiretos, fixos ou variáveis, de estrutura ou operacionais. O próprio nome do Método de Custeio por Absorção deixa claro o que precisa ser feito: garantir que cada produto absorva uma parcela dos custos diretos e indiretos, relacionados à fabricação.

E o fator fundamental para a utilização do Método de Custeio por Absorção está na correta distinção entre Custos e Despesas. Apenas os desembolsos relativos aos produtos vendidos (sejam eles diretos ou indiretos) deverão ser alocados no Custo dos Produtos Vendidos. Todas os demais desembolsos (Despesas Administrativas, Despesas Financeiras, Investimentos, etc.) devem ficar de fora da composição.

Vale aqui o mesmo tratamento em relação a “ativação dos custos”. O Custo por Absorção só acontece no momento da venda dos produtos. Do contrários os custos relativos aos produtos em elaboração e aos produtos acabados que ainda não tenham sido vendidos devem ser tratados como Estoques de Produtos em Elaboração ou Estoques de Produtos Acabados.

Exemplo de Cálculo de Custo por Absorção (Custo Integral)

A exemplo do que fizemos com o Método de Custeio Variável, vamos entender na prática como aplicar o Custo por Absorção. Para isto, vamos imaginar que nossa pequena fábrica de chocolate tenha R$ 18.500 de Custos Fixos, conforme imagem abaixo:

custo por absorção

Veja que estamos falando de Custos Fixos, mas todos ainda são relacionados à produção. Não há nenhuma Despesa Administrativa listada na imagem. Estes Custos, como o próprio nome diz, são fixos. Acontecendo ou não a venda dos produtos, eles continuarão a existir.

O que precisamos agora é achar uma forma de cada um dos produtos vendidos pagar um pedacinho destes Custos Fixos. Para isto, precisamos de um “driver de custeio”. Este “driver”, em tradução literal, é exatamente um direcionador dos Custos Fixos para cada produto vendido. O driver de custeio mais comumente utilizado é o tempo de produção de cada item.

Neste sentido, vamos imaginar que cada trufa leve 5 minutos para ser produzida, enquanto cada bombom precisa de 3 minutos. Quando multiplicamos este tempo pelo volume total de trufas e bombons produzidos no mês, chegamos a conclusão que vamos precisar de 80.000 minutos para confeccionar as 10.000 trufas e os 10.000 bombons.

Agora ficou fácil. Temos o tempo necessário para cada trufa e cada bombom, o tempo total de produção dos 20.000 itens e também os Custos Fixos. Basta fazer uma regra de três e encontrar o quanto cada unidade deve absorver dos Custos Fixos. Veja na imagem abaixo como ficaria nosso exemplo:

método de custeio por absorção

Custo por Absorção NÃO é Rateio!

Aqui na Treasy somos defensores ferrenhos do não uso dos rateios. Entre uma série de motivos, os rateios, em geral, geram muito trabalho administrativo, não impactam o resultado final da empresa e geralmente não possuem um critério único e que atenda todas as possibilidades, gerando discussões longas e pouco produtivas. Inclusive já falamos disto no artigo Centro de Serviços Compartilhados (CSC) – Um manifesto pelo fim dos rateios, onde sugerimos o uso de um CSC como alternativa mais eficaz aos rateios.

Quando estamos falando do Método de Custeio por Absorção, nos referimos a alocação dos Custos Fixos Produtivos, nunca das Despesas Fixas Administrativas (Despesas Operacionais).

Veja que nos exemplos as Despesas que fizemos as alocações são todas relacionadas a produção. Despesas Operacionais como salários do pessoal administrativo, despesas de marketing, etc., não devem ser absorvidas pelo custo.

Ignorar esta premissa pode levar a calcular indicadores importantes como a Margem de Contribuição, Ponto de Equilíbrio e EBITDA incorretamente e comprometer completamente as informações utilizadas pela diretoria para tomada de importantes decisões. Vamos aproveitar o gancho e entender um pouquinho dos impactos da correta apuração de custos nestes indicadores.

Os impactos dos Métodos de Custeio na Margem de Contribuição Bruta, Margem de Contribuição Líquida, Ponto de Equilíbrio Econômico e EBITDA

Para fechar nosso exemplo, agora que temos todas as variáveis na mão, podemos calcular facilmente a Margem de Contribuição Bruta e Margem de Contribuição Líquida de nossa fábrica de chocolates:

métodos de custeio

OBS: Por não ser o foco deste artigo, simplificamos o cálculo dos impostos, pressupondo que a empresa está no regime de tributação Simples Nacional.

Vale lembrar que os Custos Variáveis Unitários vão sempre acompanhar o volume de produção. Como vimos um pouco mais acima, se precisamos de 30g de chocolate para produzir uma trufa, para produzir 1.000 trufas vamos precisar de 30 Kg de chocolate. Para produzir 10.000 trufas vamos precisar de 300 Kg de chocolate. E assim por diante.

Claro que com um volume de produção maior, podemos negociar melhor com fornecedores e conseguir melhores preços de compras das matérias-primas. Mas quando falamos de Custos Variáveis, os ganhos de escala são marginais.

Já os Custos por Absorção Unitários diminuem conforme o volume de produção.  Ou seja, como é feito um “racha” dos Custos Fixos pelo volume de itens produzidos, uma vez que o volume de produção cresce, temos mais produtos “entrando no racha” e ficando mais barato para cada um. Então quando falamos em Custos por Absorção, os ganhos de escala são bastante consideráveis.

Claro que há um limite. Por exemplo, vamos imaginar que com 5 funcionários a empresa consiga produzir as 20.000 unidades de chocolates. Talvez, com os mesmos 5 funcionários seja possível chegar a 30.000 unidades produzidas, mas para produzir 31.000 unidades, seja necessário a contratação de mais 1 pessoa. Sendo assim, é preciso sempre realizar Simulações de Cenários antes de tomar qualquer decisão de aumentar o diminuir o volume de produção e venda.

Ou seja, os Custos Variáveis e Custos por Absorção influenciam diretamente a Margem de Contribuição (Bruta e Líquida) de sua empresa. Infelizmente não temos como abordar em mais detalhes este ponto para o artigo não ficar muito grande, mas separamos alguns posts sobre Margem de Contribuição que vão ajudar com isto:

E uma vez que chegamos a Margem de Contribuição, estamos a poucos passos de conseguir entender dois outros indicadores importantíssimos: o Ponto de Equilíbrio Econômico e o EBITDA (também conhecido por LAJIDA).

De forma bem resumida, se você conhece a Margem de Contribuição, basta levantar quais serão as Despesas Operacionais (ou Despesas Administrativas) e facilmente saberá se a empresa para de pé (atinge o Ponto de Equilíbrio) e se gera resultado operacional (EBITDA positivo).  Mas infelizmente, a exemplo da Margem de Contribuição, não vamos ter como entrar em detalhes sobre estes dois indicadores aqui. Por isto separamos alguns posts complementares para enriquecer sua leitura. Confira abaixo!

Artigos sobre Ponto de Equilíbrio Econômico:

Artigos sobre o EBITDA

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