MARTIM LUTHER KING


Em Agosto último, milhares de pessoas concentraram-se junto ao monumento a Abraham Lincoln, em Washinton, para celebrar os 50 anos da marcha da liberdade, em Montgomery, no Alabama, no ano de 1958, na qual Luther King pronunciou a famosa frase “I have a dream”. King, um pregador negro de uma igreja nos Estados Unidos, figura importante no movimento dos direitos civis que dirigiu a partir dos anos 50, seria vítima de um brutal assassínio a tiro em1968.

Luther King, fruto da sua consciência religiosa e das ideias pacifistas que conhecera de Gandhi, tinha nos seus ideias pela liberdade lutar sem recorrer à violência. Mesmo quando foi preso, continuou a não incitar à violência, procurando uma solução pacífica para resolver as questões relacionadas com a injustiça, valendo-lhe a simpatia e o apoio dos liberais brancos e negros, quem em número de 200 mil se reuniram em redor da sua causa junto ao monumento de Lincoln. Tinha também que lidar com os opositores, aqueles que odiavam os seus esforços pela igualdade de direitos, que acabariam por vitimá-lo. Em 1964 ser-lhe-ia atribuído o Prémio Nobel da Paz.

King era uma esperança para os milhões de negros nos Estados Unidos, vítimas de segregação racial, não obstante a emancipação dos negros americanos ter sido concedida, depois da guerra civil, em 1865. À semelhança do que aconteceu naqueles dias, em que continuaram as perseguições e descriminações, nomeadamente nos estados de escravatura do Sul, alguns interrogam-se ainda hoje se o sonho não estará ainda por concluir.

Trazer à memória Luther King e a sua luta pela igualdade de direitos civis, é relembrar igualmente as injustiças que se praticam por esse mundo fora, em que liberdades e direitos fundamentais continuam a ser sonegados às pessoas. Veja-se o caso da liberdade religiosa. De acordo com o Artigo 18 da Declaração Universal de Direitos Humanos, de 1948: “Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular”. No entanto, e de acordo com o site Portas Abertas Internacional, que trabalha nos países com maior perseguição aos cristãos, existem pelo menos 50 países que estão entre os mais opressores ao cristianismo e à liberdade religiosa.

Vivemos num tempo de grandes conquistas, avanços em termos tecnológicos e na área da medicina, particularmente, mas há questões na sociedade actual que ainda não conseguimos resolver, para as quais não encontramos um antídoto. Falo do preconceito, por exemplo, que alguns de nós já enfrentaram, no seu local de trabalho, na escola, fruto da sua ligação partidária, da confissão religiosa a que pertence, entre outros aspectos. Como poderemos vencer o preconceito que existe e que continua a fazer diferença e a cavar fosso em grupos diversificados na nossa comunidade, no nosso país, não obstante a multiculturalidade que o constitui? Não será uma tarefa fácil, mas possível se passarmos a ver-nos uns aos outros pelo prisma do Evangelho, através dos olhos de Deus. Vendo nesta perspectiva, encontramos valor/dignidade uns nos outros, e saberemos como proceder uns para com os outros, porque todos fomos “criados à imagem e semelhança de Deus” Leia Génesis 1:26 e Mateus 25:31-46). Seguindo o exemplo de Jesus, o Mestre em derrubar barreiras de preconceito racial, religioso e social, também Ele vítima de preconceito numa ocasião em que um dos seus conterrâneos colocou a seguinte questão sobre o lugar de onde procedia: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré”? (João 1:46). É sabido que os judeus desprezavam os samaritanos, mas Jesus através do seu ensino deliberadamente rejeitou e derrubou a barreira racial que se levantava contra estes últimos, que devem ser considerados como nosso próximo (Lucas 1029-37; João 4). Como responderia hoje se fosse vítima de alguma atitude preconceituosa contra si?

Abel Tomé

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