Escolas de Contabilidade – Controlista


Escola Controlista

Para Fabio Besta (1880) a contabilidade representava a ciência do controle econômico. Este autor considerava que o controle econômico se compunha de duas partes: uma responsável pelo registro contábil dos momentos da administração econômica e sua efetivação por meio de escrituração e a outra representava a revelação das partidas dobradas dos fatos administrativos em conexão com os critérios organizacionais articulados de acordo com os mecanismos de controle inerentes à escrituração contábil.

Na visão dos controlistas, os balanços, as contas, os orçamentos, as demonstrações de resultados, etc., representavam uma forma de controle da riqueza dos organismos econômicos.

Besta entendia que a contabilidade tinha a missão de atender as seguintes três fases: primeiro estabelecer um ponto de partida para tornar possível a análise dos resultados da gestão; em segundo lugar acompanhar a gestão evidenciando os fatos ocorridos que julgar-se o trabalho administrativo e a terceira fase demonstrar os resultados finais da administração econômica para a devida aprovação ou rejeição da gestão.

Igualmente considerava que o patrimônio deveria ser representado por uma grandeza mensurável e variável, isto é, demonstrado por uma soma de valores positivos e negativos.

Besta classificou as funções de controle econômico (ou de contabilidade) conforme o momento em que ocorriam com referência aos fatos administrativos e de acordo com a sua natureza. Segundo o momento de ocorrência, as funções de controle são: antecedentes, concomitantes e subsequentes.

Antecedentes são os contratos, estatutos, regulamentos, atas, inventários, etc.
Concomitantes são os controles que se caracterizam pela vigilância das tarefas determinadas para cada pessoa. Esta deve ser feita por quem exerce a autoridade direta, pelos administradores ou outras pessoas indicadas para tal fim, visando a proteção da entidade. Para tal, podem ser utilizados cartões, apontamentos, medidores, etc.

A função subsequente é o exame dos fatos em seus aspectos jurídicos e econômicos, ou seja, o confronto entre o que foi realizado com o que deveria ter sido feito. Os instrumentos usados são os documentos referentes aos dois controles anteriores, os registros contábeis, os balanços, as prestações de contas, o exame destas prestações e sua aprovação ou rejeição.
O controle econômico pode ser considerado com uma das finalidades dos sistemas de escrituração, não abrangendo, contudo, em sua totalidade o objeto da contabilidade. Aspectos relativos à formação dos custos, realização de receita, equilíbrio financeiro e outros que provam variações patrimoniais, são objeto de operações de controle, porém, a contabilidade não se limita unicamente a esses aspectos. O controle é apenas um instrumento de apoio e não um fim ou objeto da contabilidade.

As contribuições desta escola à comunicação contábil foram:
1. o controle significava um melhor estudo substancial das operações da entidade para estabelecer se as mesmas estavam sendo desenvolvidas de acordo com critérios de conveniência econômica que devem guiar a conduta de uma entidade.
2. A informação contábil servia como uma base para a análise da gestão passada e como instrumento de informação para previsões futuras.
3. O desenvolvimento sistemático de princípios que informavam sobre o patrimônio das entidades, sobre seus inventários, avaliações de bens, orçamentos e demonstrações contábeis.
Os principais personagens desta escola foram: Besta, Alfieri, Ghidiglia, D’Alvise e Lorusso

Fábio Besta e a Escola de Veneza

Autoria: Nelson Trus Cabral

Assim como os personalistas fizeram oposição aos contistas, os controlistas fizeram oposição aos personalistas.

A escola personalista, situada em Toscana, tinha grande força e prestígio, porém com o aparecimento da Escola de Veneza (controlista) encontrou contestações.

Tudo começou no discurso de inauguração do Ano Acadêmico em Veneza, em 1880, feito por Fábio Besta, que falava de debates que já haviam sido processados em público.

Com a divergência dessas idéias contribuiu-se positivamente para o pensamento humano.

Na Contabilidade, os debates entre os três grandes da época: Cerboni, Rossi (personalistas) e Besta (Controlista), fizeram história, principalmente no 1º Congresso Italiano de Contabilidade, realizado em Roma, em 1879, no confronto entre as escolas científicas, o que fez Besta à fazer o seu discurso já citado anteriormente.

Fábio Besta, afim de criar novas formas de estudos da Contabilidade, contribuiu muito para o desenvolvimento da ciência Contábil.

Besta causaria influências nos pensamentos dos estudiosos do Século XX.

Sua obra mais importante é La Ragioneria, em três volumes.

Com os pensamentos de Besta formou-se a Escola de Veneza, a qual mais tarde contribuiu para o conhecimento contábil destacando Vittorio Alfieri, Pietro Rigobon, Francesco de Gobbis, Vincenzo Vianello, entre outros com obras muito importantes publicadas.

Não se pode excluir os pensamentos dos personalistas os quais auxiliaram, também, muito o desenvolvimento da Contabilidade.

A obra de Fábio Besta e suas Razões Científicas – Fábio Besta admitiu a importância do “controle da riqueza aziendal”.

Besta afirmava : “a riqueza pertinente a uma azienda forma a substância ou patrimônio àquela legado e todo azienda possui substância, seja pequena ou grande”. Com isso ele queria dizer que a dinâmica da riqueza, afirma que a satisfação das necessidades através dela gera um sem número de fenômenos e que é necessário uma ciência específica para estudá-los.

Com essa afirmativa Besta expõe sua primeira diferença ao pensamento personalista que defendia que pelos direitos ou obrigações só ocorrem quando as mesma é dinamizada. Através do pensamento de Besta, fica bem claro o ponto de vista sobre a riqueza, sobre a necessidade de considerá-la como ela mesma.

As afirmativas de Besta rebatem com os pensamentos de Cerboni, os axiomas.

Besta enfatizava a preocupação dos estudos, na Contabilidade, que não deviam estar relacionadas com o direito, mas sim naquela de utilização, para a satisfação das necessidades. “O direito de possuir alguma coisa por si só de nada vale. O legitimo proprietário conserva todos os direitos sobre as coisas, ainda quando lhe são roubadas; se não tem possibilidade de recuperá-las, aquelas coisas para ele de nada valem.”

Recusa a definição de patrimônio enunciada por Cerboni e Rossi, ou seja, não aceita o patrimônio sob a defesa de direitos e obrigações, mas, sim, como um agregado de valores, como “grandeza comensurável”. “O valor de uma coisa se refere a disponibilidade e ao seu livre uso, em suma a sua posse e esta jamais será plena se não lhe é assegurado isto no presente e no futuro, sem limite de tempo, ou seja, enquanto durar.”

As convicções de Besta sobre o valor levou o mesmo a implantar o raciocínio de que as contas não se abrem para pessoas, mas para valores, e segundo Masi, tal forma de pensar deu origem a um Neocontismo que se desenvolveria, inclusive, fora da Itália.

Ao tratar da Classificação dos elementos patrimoniais, consagra uma metodologia de classificação por funções dos elementos da riqueza.

Considera os bens como “forças verdadeiras e próprias das aziendas” e admite o lucro ou a perda como comparação de dois estados da mesma riqueza em determinado tempo.

Atribui à Administração o grande relevo que possui em face dos estudos contábeis, mas é nas funções de controle que mais se empenha em situar como principal.

Afirma que é pelo controle que tudo se torna relevante e que o estudo das causas e dos efeitos de tais funções são os básicos.

Classifica os Controles em: antecedentes, concomitantes e subsequentes, afirmando que tudo deve ser registrado e que o objeto dos registros são os fatos ocorridos com a riqueza.

Para Besta, de nada vale a própria certeza do direito de uma coisa se nada podemos fazer com ela e se sua posse só se dará em tempo futuro e incerto.

A Ciência Contábil, nessa fase áurea do início do século, já havia alcançado sua maioridade e plenitude de grandeza como acervo de doutrinas.

Sobre as “Contas” não só discorre sobre todas as suas teorias em vigor, como apresenta razões profundas de raciocínio quando afirma: “A natureza das contas depende manifestamente da índole do seu objeto, de seu registro e dos fatos e mutações que se refere, e tal índole não varia apenas porque variou o critério do registro; disto deduz-se que a teoria das contas não depende de métodos de registro.”

A importância, pois, do que representou para a Contabilidade a obra de Besta é deveras muito grande e merece todo o destaque como uma das mais expressivas produções da era Moderna científica.

Sua grande reação ao Personalismo, no entender de Masi, tão veemente se fez que deu lugar a uma nova corrente, que seria a neocontista, das “correntes abertas a valor”, como já nos referimos, mas, em verdade, pode-se tomar tal posicionamento mais como uma veemente postura de defesa de um materialismo que Besta herdara de Villa que mesmo a disposição de criar uma escola de pensamentos.

Carlo Ghidiglia, o gênio do Conrolismo – Aderiram ao pensamento de Fábio Besta ilustres estudiosos, mas poucos com a qualidade de Carlo Ghidiglia, sobre o qual Bertini admite que “entre os estudiosos da Contabilidade da segunda metade dos anos do oitocentos e os primeiros decênios do novecentos ocupa uma posição de relevo”.

Ghidiglia defendia sua escola através do Controlismo ao contrário de Rossi que defendia a escola de Toscana através do Personalismo, ou seja, tão ilustres e fiéis seguidores e discípulos de uma escola que sem dúvida se tornaram expoentes nelas.

Ghidiglia foi um dos maiores defensores do Controlismo em uma época que Bertini considera a da máxima maturidade da Contabilidade Científica na Itália e que foi de 1883 a 1888.

Sob o título La Ragioneria nel passato, nel presente e nell’avvenire, publicou importante trabalho que ofereceu o panorama histórico, a realidade e a prospeção dos estudos contábeis.

Para Ghidiglia, a Contabilidade, como ciência, tem a seu cargo regular todas as ações que se relacionam com a riqueza e com as necessidades humanas, o que também está absolutamente correto, somente a somatória da prosperidade das células sociais pode levar à prosperidade global de uma nação e da própria humanidade.

O que eles denominaram, naquela época, de econômico, todavia, não tinha a conotação que hoje possui; baseava-se na estreita visão de que a obtenção do lucro, do suprimento das necessidades materiais, fosse exclusivamente estudo da área da economia.

As razões lógicas nas quais Ghidiglia se apoiou para encontrar a definição da Contabilidade, foram as seguintes:

1-o homem tem deficiências intelectuais e morais que impedem que a ação administrativa se desenvolva em cada caso segundo o postulado hedonístico;

2-em decorrência, torna-se conseqüência natural que o homem se esforce por suprir as referidas deficiências;

3-surge, por isso, naturalmente, alguns fenômenos ou fatos pelos quais se venham a colmar essas deficiências;

4-esse fenômenos ou fatos têm todos uma mesma causa e, em sua forma de operar, são dirigidos por um só sistema de leis;

5-esse sistema de leis constitui uma ciência orgânica pertinente, que é a Contabilidade.

Essas relações lógicas ou premissas que formam suas bases para definir-se a Contabilidade ele as produziu em 1902, ou seja, bem no início do século XX, seguindo uma atmosfera que também cada vez mais se adensava no campo do social e que se formara com vigor a partir do positivismo de Augusto Comte.

Como razões fundamentais da Contabilidade ele aceita as seguintes:

1-necessidade de conhecer o estado de uma substância ou de uma parte dela, no seu complexo ou em seus singulares elementos de composição;

2-necessidade de conhecer as mutações que ocorrem por efeito da obra administrativa sobre a mesma substância, considerada em suas partes e em seu todo;

3-necessidade de determinar, antes que ocorra, qual será a ação administrativa no seu todo e em seus elementos, assim como os efeitos prováveis dessa mesma obra;

4-necessidade de conter ou de estimular a obra administrativa, seja qual for o caso, para que particularmente atenda a cada condição necessária;

5-necessidade de determinar como foi concluída a gestão, que efeitos produziu, que relações ocorreram entre a determinação administrativa e os seus efeitos pertinentes.

O ponto alto de sua teoria, a visão extraordinária que tem, centraliza-se na hierarquia que estabelece para o estudo dos fenômenos, ou seja:

a-estudo da riqueza;

b-estudo das funções da riqueza;

c-estudo dos agregados da riqueza (organismos que explicam as funções ou fenômenos patrimoniais).

O estudo das obras de Ghidiglia nos dá a plena satisfação de observar uma obra verdadeiramente científica, de altíssima qualidade, superior, inclusive, a muitas que se editam na atualidade.

Outros eméritos controlistas e suas obras – Pietro D’Alvise – Foi dos mais queridos e valoros discípulos de Fábio Besta. Produziu um dos grandes tratados clássicos da Contabilidade, Principii e precetti di ragioneria, cuja segunda edição é de 1934.

Francesco De Gobbis – O primeiro a divulgar a doutrina de Besta, em 1889 em sua obra “Ragioneria Generale”, obtendo nada menos de 21 edições em 50 anos, emitiu preciosas definições e um ataque ferrenho às concepções cerbonianas.

Vincenzo Vianello – Historiador emérito da Contabilidade, especialista em Contabilidade Pública. Também foi mestre exemplar, tendo produzido diversos trabalhos e uma obra de sucesso, que foi Istituzioni di ragioneria generale, cuja primeira edição é de 1906.

Pietro Rigobon – Foi um grande especialista na área Contábil bancária e um professor de renome, tendo participado com Fábio Besta da segunda edição de sua La ragioneria (junto também com Vittorio Alfieri e Carlo Ghidiglia).

Vittorio Alfieri – Aluno dileto de Besta e um dos mais fieis intérpretes do pensamento do seu Mestre. Publicou diversos trabalhos, mas sua obra mais importante foi a Ragioneria Generale.

Benedetto Lorusso – Era colaborador de Fábio Besta, editou muitos trabalhos, como La Partita Doppia, Ragioneria Generale basata sulle funzioni di controllo economico, Aggiunte alle nozione di ragioneria generale, Commercio di importazione e di esportazione, etc.

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