Teoria da Contabilidade: Aula 3: Objetivos da Contabilidade


Aula 3: Objetivos da Contabilidade

Ao se indagar sobre a profissão contábil como uma das mais antigas que existe; poderia dizer que  estereótipo da imagem  desse profissional em nossa sociedade não é o melhor possível (aparentemente não muito criativo, talvez um pouco tímido e, em alguns casos extremos,  até com suspeita de ausência de  idoneidade profissional). A despeito de qualquer juízo já concebido, não olhando basicamente o momento que vivemos, mas projetando uma nova realidade que é emergente, inquestionável e irreversível…

Em primeiro lugar, precisamos entender que a imagem dessa profissão no Brasil ou em países subdesenvolvidos (ou em desenvolvimento) está muito aquém que nos países desenvolvidos. A certificação do contador na Inglaterra é dada pela rainha. Nos Estados Unidos, se você perguntar qual a vocação que alguém quer para  seu filho, aparecem as profissões de médico, advogado e contador. Em alguns estados americanos o contador é o mais bem remunerado entre as profissões liberais. Lá, os auditores são uma classe privilegiada, ganham uma fortuna, jogam golfe e são muito respeitados. Isto acontece em outros países desenvolvidos.

A contabilidade foi aos poucos se transformando em um importante instrumento para se manter um controle sobre o patrimônio da empresa e prestar contas e informações sobre gastos e lucros tanto ao ambiente interno como externo.

Encontra-se atualmente dividida entre contabilidade de custos, gerencial e financeira, mas todas se direcionam para um mesmo fim, que é manter a saúde da empresa, proporcionando segurança em suas ações presentes e futuras.

Ela é fundamental dentro de uma empresa, direcionando seus negócios e monitorando seus custos e despesas além de fornecer informações ao ambiente externo, principalmente aos órgãos reguladores, como o Estado, com a qual as empresas precisam prestar contas.

 Para saber mais sobre “Novo perfil do Contador“. Marion, USP.

Aula 3: Objetivos da Contabilidade

Hoje, qualquer apresentação sobre contabilidade inicia sempre abordando as novas configurações que estão acontecendo nas organizações e a necessidade do profissional que atua na área se adaptar aos processos de mudança para que seja possível fazer alterações de rumo na vida das organizações.

Leia a citação: “O olhar para o futuro constrói os passos do presente”. Essa frase é muito boa – poderia fazer parte do nosso dia-a-dia – e nos transfere para a Era da Tecnologia, em que as novidades vão acontecendo numa rapidez inenarrável.

Aula 3: Objetivos da Contabilidade

Antes do aparecimento da informática, os processos manuais foram substituídos pelos métodos mecanizados, que de certa forma, trouxeram maior dinamismo aos profissionais. Depois, com o surgimento do software, os meios mecanizados se tornaram obsoletos e foram prontamente descartados.

Os colaboradores deram lugar aos computadores e as demonstrações contábeis foram elaboradas em tempo aceitável.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leia agora os artigos Expectativas da Profissão Contábil no Brasil” e “Contabilidade: A profissão do futuro.

 Tendências da Contabilidade
Essa modificação de forma de entender, de necessidades de informação, também exigiu mudanças
doutrinárias, em face dos modernos estudos da Contabilidade.
Inspirado no social, no humano, na grande visão que precisa ter a análise das relações que são
responsáveis pelo fenômeno contabilístico, edifiquei a minha Teoria das Funções Sistemáticas .
Entendi não ser mais possível encarcerar o pensamento em análises apenas econômicas,
financeiras, patrimoniais de estrutura apenas (ver sobre a matéria os meus livros, Teoria Geral do
Conhecimento Contábil, edição IPAT-UNA, Belo Horizonte e o de Teoria da Contabilidade, edição
Atlas, São Paulo) .
Para mim, também, o termo “azienda”, “entidade”, seja o que desejassem atribuir a essas unidades,
foi concebido e aceito sob um novo conceito, ou seja, o de “célula social” .
Idéias novas , novos enfoques, exigem novos conceitos .
Entendi, em minha teoria, que a empresa poderia ser examinada como se fosse algo digno de objeto
de estudos, mas, sem isolar a mesma dos ambientes que eram os seus continentes (aqueles internos
e também os externos como a ecologia, a sociedade, o mercado, a tecnologia, a ciência, a politica,
etc.) .
Sabíamos que não é só a informação dos fatos do patrimônio, da riqueza, do capital, que, com o
correr dos séculos, passara a ser objeto de natureza contabilística, mas, especialmente,
substancialmente, como evolução e progresso racional, o entendimento do que representam os
acontecimentos, do que significam esses movimentos da riqueza em um ambiente especifico.
Preocupei-me mais com os aspectos científicos porque esses realmente são os que mais dignificam
qualquer ramo de conhecimento e especialmente porque a modernidade exigia outra forma de
enfocar a matéria de nossos estudos.
Os empresários, o acionista, deixaram, há muito de ser os exclusivos interessados nos movimentos e
efeitos transformadores da riqueza, mas, também, um número expressivo de outros interessados e
que se inserem nesse grande complexo social.
A nova face da Contabilidade, aquela que tende a mostra-se no futuro, em meu entender, é, pois,
eminentemente a da observação dos fenômenos patrimoniais, mas, sob a ótica das relações amplas
e não aquela restrita, de séculos anteriores.
O UNIVERSO DE INTERESSE SOBRE A COGNIÇÃO DOS FENOMENOS
CONTÁBEIS
O interesse cognitivo sobre os fatos da riqueza das células sociais alcança, em nossos dias, um
expressivo universo de grupos de interesses, dentre os quais se podem distinguir:
1. O do que aporta capital à empresa (investidores);
2. O que tem responsabilidade de gerir a empresa (administradores);
3. O que tem responsabilidade de executar as tarefas delegadas (pessoal executivo e diretivo
executivo).
4. O do que cede bens para que a empresa mantenha sua atividade (fornecedores) ;
5. O do que cede dinheiro para que a empresa o aplique em seus negócios (Financiadores);
6. O do que recebe contribuições da empresa (Fazendas Federal, Estaduais e Municipais, Entidades
mantidas, Fundações etc.);
7. O do que consome os produtos da empresa ou que possui contrato de prestação de serviços ou
fornecimento de bens (Consumidores);
8. O do que tem ação política de proteção de direitos de pessoal (Associações, Sindicatos,
Federações);
9. O do que estuda e pesquisa (Centros de Pesquisas, Institutos de Pesquisas, Centros de Estudos,
Universidades etc.);
10. O do que zela pelos interesses de classes de atividades (Sindicatos patronais, federações
patronais etc.);
11. O do que controla preços e monopólios (Órgãos específicos do Estado);
12. O do que lida com o mercado de capitais (Bolsas de Valores, Comissões de Valores etc.):
13. O do que lida com o mercado de bens (Bolsas de Mercadorias)
14. O do que controla o meio ambiente (Órgãos governamentais, associações de defesa de meio
ambiente etc.);
15. O do que realiza cadastro e proteção ao crédito etc. etc.
Há um número expressivo de interessados em conhecer diversos aspectos da movimentação do
capital em uma empresa, mas, não exclusiva e unicamente os de ordem financeira e econômica.
O que hoje representa a atividade de cada célula é importante para toda a sociedade, em razão do
comprometimento cada vez maior que se estabelece entre tais unidades e o todo.
A Contabilidade necessita, pois, situar-se em outra posição, deixando o campo restrito, até então
delimitado para seu objeto e transcendendo nas óticas de exames e de interpretações.
Essa a metodologia fundamental da escola Neopatrimonialista que se inaugurou com a minha “Teoria
das funções sistemáticas do patrimônio das células sociais”.
Parti de axiomas importantes, como macro – regras de Teoremas, para formar o conjunto de minha
Teoria e que visa, exatamente, a romper os limites da Doutrina Restrita, fundamentada em “Conceitos
Restritos”, para atingir a uma Doutrina holística, fundamentada em Conceitos Holísticos.
Isto porque, também vasto, holístico, é hoje o número de interessados não só na informação, mas,
também e substancialmente na formação de juízos sobre o comportamento das empresas perante a
sociedade. De pouco vale a informação se não se sabe o que fazer com ela, se não se entende o que
ela pode significar.
DIVERSIDADE DE AMBIENTES E DE VALORES DA RIQUEZA
No balanço tradicional, de aspecto apenas financeiro e patrimonial estrutural, o valor preferencial
adotado é o monetário.
A moeda, todavia, não é instrumento exclusivo de medida para evidenciar as transformações da
riqueza.
Quase todos os fenômenos são tradicionalmente registrados apenas em razão de pagamentos a
fazer ou feitos, como por exemplo, o pagamento dos salários.
A função do capital, todavia, esgotar-se-ia nisto?
O fato da empresa admitir, demitir, valorizar seus empregados não seriam fenômenos defluentes do
exercício da riqueza?
A mensuração da força de emprego de uma empresa não está em razão da movimentação de seu
capital?
Cada capital não tem a expressão que lhe dá a sua própria célula social?
Se uma empresa paga a educação de seus funcionários seria isto, apenas, como pagamento, o
término da ocorrência e da evidência do evento?
Tais interrogações são lícitas quando se deseja examinar os fenômenos que ocorrem na esfera
empresarial e que dimanam da influência mista dos atos administrativos, das circunstâncias externas
e da força do capital que se movimenta.
Existem formas de maior amplitude, pois, para a análise do fenômeno contabilístico e que deixaram
de ser examinadas, no âmbito contabilístico, em razão da prisão metodológica a aspectos somente
jurídicos e financeiros.
Tudo o que deflui da função da riqueza, todavia, pode ser objeto de indagação no campo da
Contabilidade.
Basta que se considere o aspecto ambiental, ou seja, da interação que o patrimônio possui com os
seus continentes diversos para que uma imensa riqueza de fatos venha a ser objeto de indagação.
Existe um continente próximo e que é o da gestão, do pessoal, a influir e receber influências da
riqueza e um ambiente exógeno à empresa e que é o ecológico, o mercadológico, o social , o político,
o cientifico, o tecnológico etc.
São muitos os fatores de interação entre a riqueza e seus continentes ou ambientes.
A avaliação, entretanto, dos elementos que se evidenciam como “ambientais”, pode não ter como
tradução de valor a moeda, mas, sempre terá valor a evidenciar.
Não se deve confundir valor com moeda e nem valor monetário com valor contabilístico.
Quando uma empresa evidencia a movimentação de emprego, demissão e baixa de pessoal, em
geral não usa moeda para traduzir tais valores, mas, são, efetivamente, elementos ponderáveis e
avaliáveis.
Se uma empresa admitiu 200 pessoas e demitiu 50, em um periodo, de fato aumentou sua força de
trabalho em 150 agentes sobre a riqueza.
Há uma inequívoca correlação entre essa força ambiental e os fenômenos que podem ocorrer em
relação ao patrimônio.
Há uma evidência que mostra a utilidade social da empresa em aumentar as possibilidades de
emprego; há uma perspectiva de maior movimentação de elementos patrimoniais.
O estudo, o objeto de conhecimento, no caso, está em mostrar como o capital influi e que influência
passa ou poderá vir a passar em relação do componente pessoal e que é a parte integrante de seu
continente interno.
Minha teoria não penetra, ainda, na questão de como se considera o assunto, mas, ostensivamente
acusa tais fatos como relações ambientais que merecem ser analisadas e precisam ser conhecidas
para que se entenda os problemas da eficácia.
O aumento de pessoal representa aumenta de custo, mas, tende, também, a aumentar o beneficio,
ampliando a probabilidade de funções praticadas com a riqueza.
A tradição, a legislação, os costumes, adotando posição extremamente conservadora, aferrolharam
os registros e os estudos contábeis no campo exclusivamente financeiro, mas, não conseguiram deter
a marcha evolutiva que se acentuou, especialmente na Europa, para a esfera social (as escolas
alemãs e a italiana da economia aziendal são responsáveis e pioneiras por esses passos à frente).
A denominada Contabilidade Multidimensional, lançou interrogações sérias no nosso campo de
estudos e tende a ampliar-se, especialmente considerando-se a fragilidade da medida monetária.
Entendo que um manancial inesgotável abre-se com a consideração de outros aspectos de
mensuração das transformações da riqueza, especialmente se considerarmos que os efeitos da
movimentação patrimonial não se limitam ao próprio patrimônio.
A teoria circulatória, do professor Moisés Garcia Garcia, da Universidade Autônoma de Madri, por
exemplo, deixa notórias perspectivas para uma associação dos estudos dos fenômenos patrimoniais
em face de suas interações nos continentes que encerram a riqueza e enseja valorimetria distinta.
Há uma notória preocupação doutrinária com a visão holística da Contabilidade e a minha Teoria das
Funções Sistemáticas trata da questão com destaque, embora não se tenha preocupado ainda com a
avaliação.
A DOUTRINA NEOPATRIMONIALISTA
O Neopatrimonialismo, como enfoque moderno da ciência contábil, distingue-se pela ampliação da
visão do fenômeno do patrimônio, oferecendo uma ampla forma de estudar a riqueza aziendal,
competente para garantir um futuro promissor ao conhecimento.
Apoia-se nas teorias modernas que rompem o ambiente restrito de exame, a iniciar pela concepção
da azienda como uma célula social, apoiando-se em uma classificação especifica de relações lógicas
para o estudo.
Entendo que os estudos dessa nova corrente, baseados na “Teoria das funções sistemáticas do
patrimônio”, seja competente para dar suporte a uma nova forma de pensar em Contabilidade.
Tal teoria, resultado de estudos que idealizei nos fins na década de 70, mas que só na de 80
materializei, em exposições feitas aos professores da Universidade de Sevilha, em 1987, tem
características próprias, apoia-se em axiomas importantes e em muitos teoremas.
São os seguintes os pontos peculiares dessa nova Teoria, distinguindo-as das demais:
1. Apresenta a azienda como célula social, para efeito de metodologia de exame;
2. Grupa as relações que determinam a ocorrência do fenômeno patrimonial em três distintas
relações lógicas:
Essenciais
Dimensionais e
Ambientais
3. Estabelece as equações fundamentais que envolvem os axiomas principais de sustentação da
doutrina: o do Movimento, o da Transformação e o da Eficácia Patrimonial.
4. Organiza o estudo das funções em sistemas e apresenta sete sistemas e os classifica em Básicos,
Auxiliares e Complementar.
5. Como Básicos admite os da Liquidez, Resultabilidade, Estabilidade e Economicidade; como
Auxiliares os da produtividade e Invulnerabilidade e como Complementar o da Elasticidade.
6. Enuncia os axiomas da Autonomia e Concomitância e Interação dos Sistemas de Funções
Patrimoniais.
7. Acena para os campos de fenômenos o que enseja a criação de modelos de comportamento da
riqueza a partir dos teoremas e para uma nova valorimetria.
8. Oferece as bases para uma Teoria da Prosperidade da célula social.
9. Rompe com a ótica restrita de observação do fenômeno patrimonial e apresenta a oportunidade de
uma visão holística.
10. Apresenta como enfoque a responsabilidade da eficácia das células para que através da mesma
seja obtida a eficácia social.
Tais linhas mestras são as que hoje sustentam a escola Neopatrimonialista, a partir da Teoria das
Funções Sistemáticas do patrimônio das Células Sociais.
BIBLIOGRAFIA
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CAMBARERI, Giuseppe – L’unitá del mondo, attraverso le federazioni continentali e il governo
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janeiro, Setembro de 1997.
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