Teoria da Contabilidade – Aula 2


Aula 2: Abordagens da Contabilidade

Diversos pesquisadores da historia da contabilidade perceberam que a teoria contábil pode ser encarada sob varias fases e, certamente, a concepção de uma delas em separado, não se conseguiria definir todo o modelo contábil.

A seguir vamos avaliar cada uma dessas abordagens no estudo da contabilidade.

A abordagem ética

Nesta abordagem, a Contabilidade deveria apresentar-se como justa e não enviesada para todos os interessados. Deveria repousar nas noções de verdade e fairness. Ao mesmo tempo em que todos concordam que a Contabilidade deveria ser “verdadeira”, “justa” e “não enviesada”, é muito difícil, como afirma Hendriksen, definir, objetivamente, o que vem ser “justo”, “verdadeiro” ou “não enviesado”.

Contadores diferentes poderiam ter diferentes idéias sobre tais conceitos. Por exemplo, alguns poderiam conceber que todos os usuários seriam bem servidos se a base de avaliação fosse a custos históricos, na premissa de que são objetivos e, portanto, verdadeiros, justos e não enviesados. Para outros, todavia, o custo histórico pode ser enviesado em algumas circunstancias, no sentido de que não fornece uma avaliação do custo de reposição dos fatores de produção, na data dos balanços.

Aula 2: Abordagens da Contabilidade

A abordagem comportamental

Nesta abordagem, as informações contábeis deveriam ser feitas “sob medida”, de forma que os usuários reagissem para tomar a decisão correta. Esta ênfase atinge os campos da Psicologia, da Sociologia e da Economia. É dada abordagem a forma pela qual os relatórios contábeis são utilizados mais do que ao desenvolvimento lógico dos demonstrativos. Em outras palavras, é melhor um procedimento empírico que leve a decisões corretas do que um procedimento contábil conceitualmente correto que possa levar a uma decisão ou a um comportamento inadequado.

Esta abordagem repousa no julgamento subjetivo do que é bom ou mau comportamento ou reação. Muita pesquisa será necessária, ainda, no campo da teoria do comportamento, antes que esta abordagem possa ser aplicada, com maior intensidade, na Contabilidade. Desempenha, por enquanto, um papel não relevante, embora a tendência pareça ser a de seu uso crescente, principalmente na pesquisa.

A abordagem macroeconômica

A abordagem macroeconômica é semelhante a da teoria do comportamento, porém fixa-se em objetos econômicos definidos. Utiliza-se do approach da teoria do comportamento para atingir determinados fins macroeconômicos.

Por exemplo, durante períodos de recessão, os relatórios contábeis poderiam ser elaborados obedecendo a um conjunto de princípios que favorecessem uma retomada do processo econômico, por meio da distribuição de mais dividendos ou de maiores gastos de capital. Observe, todavia, que, quem toma as decisões para distribuir mais dividendos ou gastar mais em termos de expansão, são os administradores, tomadores de decisão.

A contabilidade apenas favoreceria esse tipo de política. Por outro lado, o inverso poderia ocorrer em períodos de expansão exagerada e de conseqüente inflação, de forma que as praticas contábeis desfavorecessem os investimentos

A abordagem sociológica

A Contabilidade, nesta abordagem, é julgada por seus efeitos no campo sociológico. É uma abordagem do tipo “bem-estar social” – welfare, no sentido de que os procedimentos contábeis e os relatórios emanados da Contabilidade deveriam atender a finalidades sociais mais amplas, inclusive relatar adequadamente ao publico informações sobre a amplitude e a utilização dos poderes das grandes companhias.

Na Inglaterra e Grã-Bretanha, a abordagem  tem uma aplicação parcial quando se obrigam as sociedades anônimas a evidenciarem, claramente, eventuais contribuições para entidades de caridade e para organizações políticas. São bastante complexas a definição e a aplicação precisa desta abordagem, pois, muitas das vezes, os aspectos sociológicos podem inferidos apenas na analise dos procedimentos que estão sendo utilizados. As inter-relações de interesses afetados pelo uso dos poderes e recursos das grandes sociedades são inúmeras e, às vezes, contrastantes.

A abordagem sistêmica

Esta parece ser uma base profícua para a Contabilidade, que, de fato, pode ser conceituada como o método de identificar, mensurar e comunicar informação econômico-financeira, física e social, a fim de permitir decisões e julgamentos adequados por parte dos usuários da informação. Este processo de comunicação implica o reconhecimento dos tipos de informação necessária para cada principal usuário da informação contábil e a avaliação da habilidade dos usuários em interpretar a informação adequadamente.

Não parte de posições doutrinarias sobre qual é o tipo de decisão que leva a resultados adequados e não entra em critérios de julgamento tanto sobre a ética de determinado procedimento como sobre o uso dos poderes societários, mas procura entender as necessidades expressas de cada usuário e fornecer uma resposta adequada, com a única ressalva de que envolve, por parte do contador, um entendimento sobre as restrições do usuário, para utilizar uma grande gama de informações, e sobre as restrições de mensuração da própria Contabilidade.

Dedução e indução

Qualquer que seja a abordagem ou a composição de abordagens escolhida para a Contabilidade, poderá utilizar, no estabelecimento dos princípios e dos procedimentos que irão reger a disciplina, dois tipos de raciocínio: o dedutivo e o indutivo.

Na verdade, em ciência, vivemos utilizando os dois, como descrevemos a seguir de forma sumarizada:

De acordo com as pesquisas de Hendriksen, Eldon S., o raciocínio dedutivo em Contabilidade é o processo de iniciar com objetivos e postulados e, destes, derivar princípios lógicos que provêem as bases para as aplicações praticas ou concretas. Assim, as aplicações praticas são derivadas do raciocínio lógico.   Ainda, de acordo com o pesquisador citado, a estrutura do processo dedutivo deveria incluir alguns dos seguintes passos, por exemplo:  A formulação de objetivos gerais ou específicos dos relatórios contábeis; A declaração dos postulados de Contabilidade concernentes ao ambiente econômico, político ou sociológico no qual a Contabilidade precisa operar.

processo indutivo em Contabilidade consiste em obter conclusões generalizantes a partir de observações e mensurações parciais detalhadas. Muitas descobertas no campo da Física e em outras ciências foram possíveis pelo uso do processo indutivo. Em Contabilidade, por exemplo, a aplicação da indução, seria feita pela observação e analise de informações financeiras relativas a empresas e entidades.

Se pudermos localizar relacionamentos recorrentes, poderemos realizar generalizações e formular princípios. Entretanto, algum tipo de raciocínio dedutivo sempre esta implícito no raciocínio indutivo; pelo menos no que se refere à escolha do que observar, esta evidenciando noções previamente concebidas do que é ou não relevante. Assim verifica-se que, em ciência, sempre utilizamos os dois raciocínios, embora, para uma disciplina chegar ao “status” de ciência reconhecida, o dedutivo devesse constituir a base formal de sua apresentação. Isto ainda esta longe de acontecer na Contabilidade, e talvez a mais arrojada (e não devidamente apreciada) tentativa neste sentido tenha a realizada por Mattessich, Richard (1964).

 

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