Ativista da paz, neto de Gandhi critica enfrentamento da crise no Brasil: ‘Crime prospera na pobreza’


Arun Gandhi, quinto neto de Mahatma Gandhi, esteve em Campinas para participar de fórum e discutir a paz e a não violência. Ele segue os passos do avô e ressalta que a pobreza precisa ser erradicada.


Por Patrícia Teixeira, G1 Campinas e Região

 

“Infelizmente ninguém quer resolver o problema. Todo mundo quer que o problema desapareça”, alerta Arun Gandhi, neto do ícone da luta pela paz Mahatma Gandhi, ao criticar o enfrentamento da crise que assola o Brasil. Em visita a Campinas (SP), ele conversou com o G1 sobre o cenário de violência e crise política do país, e defende que a pobreza precisa ser erradicada.

“Quanto mais pobreza um país tiver, mais esse país sofrerá com as consequências da criminalidade. O crime prospera na pobreza. Ou erradicamos a pobreza ou a pobreza erradicará a humanidade”, diz Arun Gandhi.

Arun Ghandi é jornalista, escritor e o quinto neto de Mahatma Gandhi. Dos 12 aos 14 anos, morou e conviveu intensamente com o líder indiano até ele ser assassinado, há 70 anos. Com o avô ele aprendeu a importância e o sentido de lutar pela não violência, difundir a paz e não temer os problemas que surgem, mas combatê-los.

“Se temermos os problemas e nos escondermos, eles não vão desaparecer. Os problemas vão crescer e se tornarem mais e mais ameaçadores. A sociedade civil e o governo devem trabalhar juntos para erradicar a pobreza e garantir que todos desfrutem de uma vida e de uma segurança dignas”, afirma.

Militares fazem a segurança no Rio de Janeiro que vive realidade de medo e violência (Foto: Foto: Janaina Carvalho/G1)Militares fazem a segurança no Rio de Janeiro que vive realidade de medo e violência (Foto: Foto: Janaina Carvalho/G1)

Militares fazem a segurança no Rio de Janeiro que vive realidade de medo e violência (Foto: Foto: Janaina Carvalho/G1)

Atualmente, Arun mora em Nova York (EUA) e veio ao Brasil para participar do Fórum Campinas pela Paz – cidade que também criou um conselho para trabalhar ações da cultura de paz no município. O fórum começa nesta sexta-feira (23) e vai até domingo (25), e será protagonizado por um intercâmbio de ideias, com a contribuição de Arun.

“A vida é o que fazemos dela. Se continuarmos a ser gananciosos, egoístas, agressivos e odiosos, então alimentamos a violência e, eventualmente, nos destruiremos. Mas, se aprendemos a viver com compaixão, respeito, compreensão, apreciação e generosidade, criaremos uma atmosfera de paz e de segurança para todos”, acredita.

Quinto neto de Mahatma Gandhi, Arun morou e conviveu intensamente com o líder indiano dos 12 aos 14 anos (Foto: José Braz/EPTV)Quinto neto de Mahatma Gandhi, Arun morou e conviveu intensamente com o líder indiano dos 12 aos 14 anos (Foto: José Braz/EPTV)

Quinto neto de Mahatma Gandhi, Arun morou e conviveu intensamente com o líder indiano dos 12 aos 14 anos (Foto: José Braz/EPTV)

Ganância e imoralidade

Intervenção federal no Rio de Janeiro, denúncias de corrupção e desvio de dinheiro público por todo o território nacional, negligência dos governos na saúde e na educação. Feridas sociais que, na opinião de Arun, precisam de vontade política e social para serem cicatrizadas.

Segundo o ativista, o Brasil não é o único país a passar por dificuldades econômicas e ser manchado pela violência. O princípio “olho por olho, dente por dente” não deve ser a base para a justiça, mas, sim, deve ser feito um trabalho de humanização, de recuperação do indivíduo que cometeu um erro.

Sobre a nossa situação política, que culmina em uma população cheia de medos – do desemprego, da saúde pública, da violência -, Arun defende que “a ganância leva à imoralidade”.

“A ciência tornou possível dispensar o trabalho humano. As pessoas são dispensáveis, os lucros não são. Então os ricos obtêm o que precisam, enquanto a classe pobre e média tem de sobreviver de migalhas”, diz.

Em meio a investigações de corrupção, placa de sinalização do Congresso Nacional, em Brasília, é vista com mensagem de protesto (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)Em meio a investigações de corrupção, placa de sinalização do Congresso Nacional, em Brasília, é vista com mensagem de protesto (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)

Em meio a investigações de corrupção, placa de sinalização do Congresso Nacional, em Brasília, é vista com mensagem de protesto (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)

Mais moral e mais ética

A moral e a ética estão sendo consideradas de forma errada, na avaliação do neto de Gandhi. Um caminho para melhorar as condições de vida da sociedade como um todo, recuperar a confiança, a autoestima da população brasileira, é ter mais ações éticas na prática.

“Devemos criar uma sociedade sem classes e castas. Os seres humanos devem aprender não apenas a avaliar a moral e a ética, mas praticá-las na vida. Não basta ler a Bíblia, as pessoas devem viver os ensinamentos do Sermão da Montanha”, conclui.

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