Síndrome de Asperger


Em 1944, Hans Aspe

– Apego a rotinas e rituais, com dificuldade de adaptação a mudanças e fixação em
assuntos específicos;
– Atraso no desenvolvimento motor e freqüentes dificuldades na coordenação motora
tanto grossa como fina, inclusive na escrita;
– Hipersensibilidade sensorial: sensibilidade exacerbada a determinados ruídos,
fascinação por objetos luminosos e com música, atração por determinadas texturas
etc.;
– Comportamentos estranhos de autoestimulação;
– Dificuldades em generalizar o aprendizado;
– Dificuldades na organização e planejamento da execução de tarefas;
Por um lado, dizer que alguém é portador da Síndrome de Asperger, mesmo que de
alto funcionamento, parece mais leve e menos grave do que ser portador de Autismo
— embora isto seja provavelmente uma ilusão.
As principais características que distinguem a Síndrome de Asperger e o Autismo são
as habilidades normais (ou próximas à normalidade) da inteligência e da linguagem. A
preservação destas habilidades pode mascarar déficits no desenvolvimento social e na
flexibilidade cognitiva, o que faz com que o diagnóstico seja tardio nestes pacientes,
como enfatizam White, Hill, Winston e Frith (2006).
Uma interação social eficaz depende de atribuições causais bem feitas e de um
processamento da informação íntegro. Assim, os déficits na Teoria da Mente e nas
funções executivas, presentes nos indivíduos com Transtornos Abrangentes do
Desenvolvimento, acabam ocasionando interação social inadequada, negativa e,
muitas vezes, ineficaz.
Os problemas enfrentados por estes pacientes na manutenção das relações sociais
podem se exemplificados pela dificuldade em interpretar pistas sociais sutis. Tal
prejuízo, causado pelo déficit na Teoria da Mente, influencia, significativamente, no
modo como os indivíduos com Asperger explicam as situações sociais. Atribuições
causais, nesta população, têm sido investigadas por clínicos, os quais sugerem que
ilusões persecutórias e paranóia aparecem como um problema clínico nestes pacientes
(Blackshaw, Kinderman, Hare & Hatton, 2001; Hare, 1997; Tantam, 1989).
Dentre os prejuízos sociais também documentados nos pacientes com Asperger,
recebe destaque a mentalização de problemas, que envolve déficits nas atribuições de
estados mentais. A responsividade e a regulação emocionais também são áreas
deficitárias nestes pacientes, assim como a memória para reconhecimento de faces e o
entendimento das expressões emocionais. Por outro lado, alguns aspectos do
conhecimento social mostram-se preservados, como a aprendizagem e a aplicação de
regras sociais, achados evidenciados em literatura biográfica.
No estudo, anteriormente citado, de White et al. (2006) sobre a capacidade de os
pacientes com Asperger estabelecerem estereótipos, foi verificado que eles têm esta
habilidade preservada. Como conclusão, os autores sugerem que a cognição social tem

diferentes componentes cognitivos e que há aspectos desta cognição social que não
estão prejudicados nestes pacientes. Já Golan e Baron-Cohen (2006) assinalam que o
reconhecimento de emoções básicas está relativamente preservado nos indivíduos com
condições do espectro autista e que eles mostram maior dificuldade apenas no
reconhecimento de emoções e estados mentais mais complexos.
Esta dificuldade em acessar estados mentais e emoções mais complexas pode estar
relacionada à incapacidade de assimilar pistas emocionais corretas e/ou à dificuldade
de integrá-las, déficits explicados pela fraca coerência central, em nível cognitivo
(Frith, 1989), e pela baixa interconectividade entre as regiões cerebrais, em nível
neurobiológico (Belmonte et al., 2004).
A hipótese de fraca coerência central é um modelo cognitivo de explicação para alguns
déficits observados nos Transtornos Abrangentes, incluindo a tendência destes
pacientes a focar em partes dos objetos, a extrema sensibilidade para pequenas
mudanças no ambiente, os interesses restritos, e as ilhas de alto funcionamento em
algumas habilidades. De acordo com os proponentes deste modelo, estes aspectos
podem ser explicados por um declínio ou pela ausência de uma tendência normal, no
processamento da informação, de integrar estímulos num “todo” coerente (Frith,
1989).
Os pacientes com Asperger, diferentemente dos autistas, tendem a ter maior
consciência de suas diferenças e a apresentar maior sofrimento devido a isso. Assim,
na vida adulta, costumam apresentar sérias dificuldades psicológicas (Tantam, 1989).
Intervenções clínicas em indivíduos adultos com Asperger tendem a focar o treino em
habilidades sociais, entretanto, precisam ser desenvolvidas intervenções mais
apropriadas para este grupo de pacientes (Hare, 1997).
A terapia cognitivo-comportamental tem se mostrado a mais eficaz no tratamento de
pacientes com Asperger, a despeito de alguns problemas clínicos, como a forma que estes pacientes vêem a relação cliente-terapeuta e a natureza rígida de suas
interações (Hare, 1997).
Intervenções grupais, com foco no treino de habilidades sociais, também têm sido
propostas como formas eficazes de tratamento para este tipo de paciente. Além disso,
estruturas visuais e rotinas previsíveis são essenciais para o sucesso do mesmo,
segundo sugerem Krasny, Williams, Provencal e Ozonoff (2003).
Assim, verifica-se que pouco tem sido estudado sobre o tratamento de pacientes
adultos portadores de transtornos abrangentes, embora o número de pesquisas tenha
aumentado nos últimos anos. Em seguida, será apresentado um estudo de caso de um
paciente adulto com síndrome de Asperger, baseado na terapia cognitivo comportamental.

A terapia cognitivo-comportamental tem se mostrado a mais eficaz no tratamento de
pacientes com Asperger, a despeito de alguns problemas clínicos, como a forma que
estes pacientes vêem a relação cliente-terapeuta e a natureza rígida de suas
interações (Hare, 1997).
Intervenções grupais, com foco no treino de habilidades sociais, também têm sido
propostas como formas eficazes de tratamento para este tipo de paciente. Além disso,
estruturas visuais e rotinas previsíveis são essenciais para o sucesso do mesmo,
segundo sugerem Krasny, Williams, Provencal e Ozonoff (2003).
Assim, verifica-se que pouco tem sido estudado sobre o tratamento de pacientes
adultos portadores de transtornos abrangentes, embora o número de pesquisas tenha
aumentado nos últimos anos. Em seguida, será apresentado um estudo de caso de um
paciente adulto com síndrome de Asperger, baseado na terapia cognitivo-comportamental.

A hipótese de fraca coerência central é um modelo cognitivo de explicação para alguns
déficits observados nos Transtornos Abrangentes, incluindo a tendência destes
pacientes a focar em partes dos objetos, a extrema sensibilidade para pequenas
mudanças no ambiente, os interesses restritos, e as ilhas de alto funcionamento em
algumas habilidades. De acordo com os proponentes deste modelo, estes aspectos
podem ser explicados por um declínio ou pela ausência de uma tendência normal, no
processamento da informação, de integrar estímulos num “todo” coerente (Frith,
1989).
Os pacientes com Asperger, diferentemente dos autistas, tendem a ter maior
consciência de suas diferenças e a apresentar maior sofrimento devido a isso. Assim,
na vida adulta, costumam apresentar sérias dificuldades psicológicas (Tantam, 1989).
Intervenções clínicas em indivíduos adultos com Asperger tendem a focar o treino em
habilidades sociais, entretanto, precisam ser desenvolvidas intervenções mais
apropriadas para este grupo de pacientes (Hare, 1997).

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