Sociedade 5.0


“Sociedade 5.0”, talvez já tenha ouvido este conceito, embora de forma mais discreta do que sucedeu com a “Indústria 4.0”. Isso acontece porque esta é uma revolução silenciosa, que parte do Japão para o mundo e que pode mudar muito mais do que a anterior, por uma razão simples, é que esta mudança promete revolucionar a sociedade por um bem maior, a humanidade. Ou seja, enquanto a Indústria 4.0 se centra, essencialmente, no fabrico, a “Sociedade 5.0” procura posicionar o ser humano no centro da inovação e transformação tecnológica. A nova era da “Sociedade 5.0” passa pela compreensão de que tudo no futuro estará conectado e que a sociedade terá que ser adaptável. E o Japão quer dar já passos nesse sentido para estar preparado antes de todos os outros, com planos concretos para uma profunda integração da tecnologia, onde se inclui a inteligência artificial, a robótica, o Big Data, os camiões autónomos ou as entregas com drones. No entanto, a “Sociedade 5.0” pressupõe muito mais do que isso: a base desta revolução é aproveitar a tecnologia para fazer frente a um dos grandes dilemas no Japão: o envelhecimento da população. O primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, já falou do tema em vários momentos importantes ao longo de 2017, e a presença do país na edição da CeBIT 2017 foi clara, com o slogan “Vamos criar um novo mundo com o Japão”. O Japão quer ser o precursor deste movimento, porque é também o país onde o envelhecimento da população é mais alarmante, com 27% da sua população com mais de 65 anos. Mas a ele já se começa a querer juntar também a Alemanha e seguramente que atrás desta irá a restante Europa. A ideia de “Sociedade 5.0” vai além da busca por maior produtividade e eficiência dos processos com o auxílio de redes de internet, sensores e microchips. Trata-se sim da convergência de todas as tecnologias com o objetivo de melhorar a qualidade de vida. Ou seja, os sistemas inteligentes não são considerados “inimigos” do ser humano, mas, sim, aliados para resolver problemas como: envelhecimento da população, limitação de energia elétrica, desastres naturais, segurança e desigualdade social. Yoko Ishikura, consultora independente do Fórum Económico Mundial, alerta para esta revolução tecnológica e garante que a iniciativa “Sociedade 5.0” pretende “posicionar o ser humano no centro da inovação e transformação tecnológica”. A consultora, que desempenha funções de diretora não-executiva no Shiseido Group e na Nissin Foods Holding, e também membro do Global Future Council, esteve no Porto para participar na conferência GPA ‘Cidadania e o Futuro da Sustentabilidade’, onde abordou este tema. Embora haja estudos que indicam que metade dos empregos atuais desaparecerão devido à revolução tecnológica, Yoko Ishikura acredita que a maioria das tarefas atuais sofrerão, apenas, alterações. Mas é essencial que nos preparemos para diferentes formas de trabalho. Chegou a altura de os filmes futuristas passarem a ser uma realidade e de colocar os avanços que conseguimos na tecnologia com a “Indústria 4.0” ao serviço da sociedade. Será uma vantagem inigualável para trabalhadores, empresas e para cada país que implementar este conceito. O Japão será seguramente um caso a seguir de perto, embora como sabemos, os resultados demográficos não possam ser visíveis no imediato. Aos restantes, sobretudo os que têm problemas demográficos de população envelhecida, vale a pena seguir o exemplo. Tentar este futuro, pelo nosso presente. José Manuel Costa, Consultor

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s