Auto-imagem


por Elisabeth Cavalcante
A imagem que temos de nós mesmos é fundamental para definir como nos direcionaremos na vida. Mas, de modo geral, nossa auto-imagem é formada pelo mundo exterior, ou seja, passamos a definir quem somos a partir da impressão que as outras pessoas nos transmitem, ou dos ideais que a sociedade nos impõe.

Um exemplo bastante comum é o das pessoas que sofrem de anorexia. Apesar de possuírem um corpo patologicamente magro, ao ingressarem numa terapia e serem solicitadas a desenhar o próprio corpo, estas pessoas geralmente desenham um corpo obeso. Esta distorção é a forma mais dramática que pode atingir a incapacidade do ser humano em perceber a si mesmo de forma verdadeira.

Mas existem muitas outras. Filhos de pais excessivamente críticos e severos, que não admitem qualquer tipo de erro, costumam crescer acreditando-se burros e incapazes, pois a critica dos pais acaba se tornando uma crença muito forte em suas mentes e eles terminam assumindo-a como uma verdade.

Construir uma auto-imagem positiva, aceitando nossas falhas e limitações, mas valorizando nossos talentos e capacidades, é o primeiro passo para que alcancemos a realização interior.

Nesse sentido, o mapa astrológico tem um papel importante. Tenho testemunhado a surpresa das pessoas quando, ao analisar o mapa, eu aponto os talentos e as qualidades que lhes são intrínsecos. Muitos afirmam jamais ter se dado conta destes atributos, outros dizem sentir intimamente este potencial mas, influenciados pelas opiniões alheias, acabam por permitir que elas prevaleçam e desenvolvem uma falta de confiança em seu valor.

Conhecer os principais desafios que nos propusemos a enfrentar na presente encarnação, também é útil para que compreendamos que as dificuldades não acontecem por nossa culpa, mas que, muitas vezes, são parte essencial de nosso processo evolutivo.

O conhecimento profundo sobre quem somos, de fato, é a única ferramenta capaz de fortalecer nossa identidade e nos ajudar a formar uma auto-imagem real, sem ilusões ou fantasias, mas também libertos dos falsos conceitos que nos foram impostos pelo mundo exterior.

Querido Osho,
Eu sempre estou com medo de estar só, porque quando estou só, começo a querer saber quem eu sou. Parece que se eu investigar mais fundo, irei descobrir que eu não sou a pessoa que acreditei ser nos últimos vinte e seis anos, mas um ser presente no momento do nascimento e talvez também no momento anterior. Por alguma razão isso me assusta completamente. Parece um tipo de insanidade e faz com que eu me perca nas coisas externas a fim de me sentir mais segura.
Osho, quem eu sou, e por que o medo? 

Surabhi, não é apenas o seu medo, é o medo de todo mundo. Porque ninguém é aquilo que deveria ser pela própria existência. A sociedade, a cultura, a religião, a educação, todos têm conspirado contra inocentes crianças.
Eles têm todo o poder – a criança é indefesa e dependente. Assim, tudo o que querem fazer com ela, eles dão um jeito e fazem.
Eles não permitem que criança alguma se desenvolva para o seu destino natural.

… A falsa identidade é um substituto. Mas esse substituto é útil apenas na mesma multidão que deu essa falsa identidade a você. No momento em que você está só, o falso começa a se desmontar e o que é verdadeiro e foi reprimido começa a se expressar. Por isso o medo de estar só.

… Surabhi, é sobre isto que você está perguntando – porque por vinte e seis anos você acreditou ser alguém, e então, de repente, num momento de solidão, você começou a perceber que você não era aquilo. Isso cria medo: então quem você é?
E vinte e seis anos de repressão… Levará algum tempo para que o verdadeiro se expresse.

O intervalo entre os dois tem sido chamado pelos místicos de ‘a noite escura da alma’ – uma expressão muito apropriada. Você não é mais o falso, e você ainda não é o verdadeiro. Você está no limbo, você não sabe quem você é.
Particularmente no Ocidente – e Surabhi é ocidental – o problema é ainda mais complicado, porque eles não desenvolveram nenhuma metodologia para descobrir o verdadeiro, o mais cedo possível, de modo que a noite escura da alma possa ser encurtada. O Ocidente nada conhece a respeito de meditação.

E meditação é apenas um nome para o estar só, silencioso, esperando pela manifestação do verdadeiro. Não é um ato, é um relaxamento silencioso – porque qualquer coisa que você faça tem sua origem na sua falsa personalidade. Tudo o que você fez por vinte e seis anos teve sua origem ali; este é o seu velho hábito.
Hábitos são duros de morrer…

… A multidão é essencial para o falso ‘eu’ existir.
No momento em que ele está só, você começa a ficar nervosa.
É aqui que se deve compreender um pouco a respeito de meditação.
Não fique preocupada, porque aquilo que pode desaparecer, merece desaparecer. Não faz sentido agarrar-se àquilo – aquilo não é seu, aquilo não é você. Quando o falso tiver ido, você é aquele ser fresco, inocente e puro que crescerá em seu lugar.

Nenhuma outra pessoa pode responder a sua pergunta ‘Quem sou eu?’ – Você saberá. Todas as técnicas de meditação são uma ajuda para destruir o falso. Elas não lhe dão o verdadeiro – o verdadeiro não pode ser dado. Aquilo que pode ser dado não pode ser verdadeiro. Você já tem o verdadeiro; apenas o falso tem que ser jogado fora…

…. Meditação é apenas uma coragem para estar só e silenciosa.
Aos poucos, você começa a sentir uma qualidade em si mesma, uma nova vida, uma nova beleza, uma nova inteligência – que não é tomada de empréstimo de ninguém, que cresce dentro de você, que tem raízes na sua existência.

E se você não for uma covarde, começará a fruir, a florescer.
Somente o bravo, o corajoso, as pessoas que têm firmeza, podem ser religiosas…
…. Você nasceu. Você veio ao mundo com vida, com consciência, com uma tremenda sensitividade. Apenas olhe uma pequena criança – veja os seus olhos, o frescor. Tudo aquilo foi coberto por uma falsa personalidade. Não há necessidade alguma de ter medo.

Você pode perder apenas aquilo que tem que ser perdido. E é bom que perca logo – porque quanto mais tempo ficar, mais forte aquilo se torna.
E ninguém sabe coisa alguma a respeito do amanhã.
Não morra antes de realizar o seu autêntico ser.
Somente umas poucas pessoas são afortunadas, aquelas que viveram como ser autêntico e que morreram como ser autêntico – porque elas sabem que a vida é eterna e que a morte é uma ficção.
Osho – Beyond Enlightenment

CURSO BÁSICO DE TARÔ – dia 24/11/07, no Espaço Yki, em Moema.
Informações e inscrições pelo e-mail.

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