Gestão Estratégica em TI: uma abordagem conceitual de Supply Chain Management


 

Guilherme Ferrari (FAHOR) gf000596@fahor.com.br

Édio Polacinski (FAHOR) edio@fahor.com.br

Resumo

Atualmente as empresas estão competindo em mercados globalizados, com
concorrentes altamente capacitados e com tecnologia de ponta. É impossível pensar
em temos de mercados exclusivamente domésticos, com um conjunto de
concorrentes conhecidos e comparáveis facilmente. O Supply Chain Management
(SCM) é uma metodologia que busca alinhar todas as atividades de produção de
forma sincronizada, visando reduzir custos e minimizar tempo de ciclo. Tudo isso de
forma estratégica integrada, maximizando o valor percebido pelo cliente final. A
gestão ou gerenciamento da Cadeia de Suprimentos pode ser definido como uma
integração dos processos-chave de negócios desde o usuário final até os
fornecedores originais que provêem produtos, serviços e informações que agregam
valor para os consumidores e demais interessados no negócio. Neste sentido, o
artigo discorre sobre o SCM apresentando conceitos, características, contribuições
para as empresas e importância dos sistemas de TI através de um ensaio teórico
baseado em consulta bibliográfica. O conceito é complexo, são muitos os desafios,
mas mais ainda são as oportunidades de implementação nas empresas brasileiras,
o que certamente aumentará a produtividade e a lucratividade das empresas que
saírem na frente.

Palavras-chave: Supply Chain Management, Empresa, Integração, Oportunidades.

1. Introdução

Com a crescente transformação tecnológica, as empresas estão buscando
vantagens competitivas. O SCM vem como uma ferramenta, que se implementada
corretamente, pode aprimorar a desempenho de longo prazo das organizações, visto
que, abrange toda a cadeia produtiva de forma estratégica integrada.

Nadler apud Ferreira (1998) argumenta que forças surgidas na década de 80 vêm
pressionando as empresas, fazendo com que estas repensem suas estratégias
competitivas. Primeiro, a crescente aceleração da transformação tecnológica
levando a modificação de competências que são essenciais para a manutenção de
uma vantagem competitiva e a valorização na competição baseada no tempo.
Segundo, a competição aumentou e intensificou-se. Terceiro, a globalização tornou-
se uma realidade. As empresas, hoje, competem em mercados globais, contra
concorrentes globais. Isso significa ser impossível pensar em mercados com
concorrentes conhecidos e comparáveis facilmente. E quarta, exceder as
expectativas dos consumidores em termos de preço, qualidade e serviços dos

produtos é a principal meta das empresas para a sobrevivência nesse novo cenário.

Como resultado dessas mudanças, as empresas que não procuram se adaptar à
nova realidade veem sua lucratividade despencar violentamente. Com isso, as
empresas estão adotando novas práticas gerenciais para obter produtos e serviços
diferenciados da concorrência. Hoje trabalhar sob os conceitos da logística e do
Supply Chain Management pode ser consideradas com uma vantagem competitiva
(FERREIRA, 1998).

No Brasil o Supply Chain Management (SCM) começou a ser reconhecido no final
da década de 90, empurrado pelo movimento da logística integrada e também pela
revolução da tecnologia da informação, que deu condições excelentes para a
implementação de processos eficientes de coordenação. O SCM ficou conhecido por
este esforço de coordenação em canais de distribuição, por meio da integração de
processos de negócios que uniam seus integrantes (CAIRES, 2010).

Esta pesquisa tem objetivo de apresentar através de um ensaio teórico uma
abordagem conceitual sobre Supply Chain Management (SCM) destacando os
conceitos, definições de processos envolvidos, características e contribuições da
SCM na geração de valor nas empresas e sucesso nos negócios, bem como mostrar
quais são os sistemas de TI utilizados.

Justifica-se a realização desse artigo uma vez que ele poderá ser utilizado por
acadêmicos de engenharia de produção ou mesmo de cursos afins, bem como
profissionais que possam ter interesse acerca do tema.

2. Revisão da Literatura

2.1 Conceitos de SCM

O conceito de gestão da cadeia de suprimentos pressupõe a integração de todas as
atividades da cadeia mediante melhoria nos relacionamentos entre as diversas
organizações de diferentes tipos, interagindo em busca da construção de vantagens
competitivas sustentáveis para a cadeia como um todo. A cadeia de suprimentos
deve ser vista como uma rede de empresas independentes que agem em sintonia
de forma a criar valor para o usuário final através da distribuição de produtos. Essa
sintonia é exatamente o objetivo do Supply Chain Management (BATALHA apud
BATALHA; SCRAMIM, 1999).

De acordo com Swaminathan et al. Apud Eulalia, Bremer e PIres (2000), pode ser
definida como uma rede de empresas autônomas ou semiautônomas, coletivamente
responsáveis pelas atividades de obtenção, fabricação e distribuição, associados
com uma ou mais famílias de determinados produtos.

A gestão ou gerenciamento da Cadeia de Suprimentos pode ser definida como uma
integração dos processos-chave de negócios desde o usuário final até os
fornecedores originais que proveem produtos, serviços e informações que agregam
valor para os consumidores e demais interessados no negócio (LAMBERT apud
SOUZA JUNIOR, 2010). Para Cooper et al. apud Batalha e Scramim (1999), o
escopo original de uma cadeia de suprimentos tem sido a integração entre as firmas.

É interessante também observar a definição dada por Souza Junior (2010) para o

Sem título
Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, sendo este uma coordenação
estratégica e sistêmica das funções de negócio tradicionais bem como as ações
táticas que perpassam essas funções numa companhia e através de negócios
dentro da cadeia logística com o propósito de aprimorar a performance de longo
prazo das companhias individualmente e da cadeia de suprimento como um todo.

Na Figura 1, é apresentado um modelo referencial de uma cadeia de suprimentos
apresentando sua relação com o macro ambiente institucional, organizações
concorrentes, canal de parcerias e a definição de rede de empresas.

Figura 1: Macro ambiente de cadeia de suprimento. Fonte: Adaptado de Roos apud Batalha e
Scramin (1999).

Figueiredo, Fleury e Wanke (2003), afirmam que a definição mais frequentemente
encontrada e difundida nos meios acadêmicos e empresariais é aquela segundo a
qual o gerenciamento das cadeias de suprimentos seria uma gestão de fluxos
correlatos de informações e de produtos que vão desde o fornecedor até o cliente,
tendo em contra partida os fluxos financeiros.

Chopra e Meindl apud Guarnieri, Hatakeyama e Dergint (2006), afirmam que o
objetivo de toda a cadeia de suprimento é maximizar o valor global gerado. O valor
gerado por uma cadeia de suprimentos é a diferença entre o valor do produto final
para o cliente e o esforço realizado pela cadeia de suprimento para atender o seu
pedido.

O gerenciamento da cadeia de suprimentos ou gerenciamento logístico integrado é
entendido como a gestão e a coordenação dos fluxos de informações e materiais
entre a fonte e os usuários como um sistema, de forma integrada. A ligação entre
cada fase do processo, na medida em que os produtos e materiais se deslocam em
direção ao consumidor, é baseada na otimização, ou seja, na maximização do
serviço ao cliente, enquanto se reduzem os custos e os ativos detidos no fluxo
logístico (CHRISTOPHER apud GUARNIERI; HATAKEYAMA; DERGINT, 2006).

Conforme Abml (2011), a SCM é o esforço de coordenação nos Canais de

Figura 2: Cadeia de Abastecimento. Fonte: Marins (2009).

Descrição: C:\Externo\Naomi_E\TRABALHO\APOSTILA\e-Supply Chain\cap3_26.jpg
Distribuição, integrando os processos de negócios que interligam seus diversos
participantes, desde o usuário final até os fornecedores originais, proporcionando
informações, produtos e serviços que agregam valor para o Cliente. Salientando que
os Canais de Distribuição são conjuntos de unidades organizacionais, instituições e
agentes internos e externos que executam as funções de apoio ao marketing de
produtos e serviços de uma empresa.

2.2 Características do SCM

Como sistemas abertos, as empresas estão cada vez mais trazendo para junto de si
os seus clientes e seus fornecedores. Em outras palavras, as fronteiras do sistema
empresarial estão se desvanecendo no sentido de eliminar limites ou barreiras ao
ambiente externo. Fornecedores e clientes estão envolvidos no processo de
fornecimento, enquanto a empresa se torna o núcleo básico dessa nova abordagem
em uma cadeia capaz de agregar valor a todos os envolvidos (CHIAVENATO, 2005).

De acordo com Guarnieri, Hatakeyama e Dergint (2006), as atividades logísticas em
uma cadeia de suprimentos podem ser divididas em atividades-chave e atividades
de apoio ou suporte. As atividades que mais geram custos para as empresas são as
atividades-chave. Dentre essas se destaca a administração de estoques e
transportes, que absorve de um a dois terços dos custos logísticos totais.

Na Figura 2, observa-se a movimentação na cadeia de suprimentos, desde o
fornecedor da matéria-prima até o consumidor final.

Vale notar a contribuição de Marins (2009) no que diz respeito a algumas
características que contribuem para se obter resultados positivos com a

implementação do Supply Chain Management (SCM):

– Estabelecer objetivos e metas em áreas-chaves: tempo de entrega e entrega no
prazo, índices de disponibilidade, giro de estoque;
– Papel de cada elo na busca dos objetivos;
– Estabelecer estratégia de implementação – comum acordo dos elos;
– Estabelecer indicadores de desempenho;
– A seleção dos parceiros é fundamental: devem ser excelentes em termos de
produtos e serviços, sólidas e estáveis financeiramente – viabilizar acordo de longo
prazo;
– Necessidade de canal de informações conectando todos os elos da cadeia de
suprimentos;
– Visibilidade das informações do PDV (ponto de venda), em tempo real, para
todos os elos – redução do estoque na cadeia de suprimentos.

2.3 Contribuições do SCM nas empresas

De acordo com Fleury (2006), o SCM já está na agenda da maioria dos gerentes das
grandes empresas internacionais. Artigos na imprensa especializada estão
anunciando o SCM como a nova fonte de vantagens competitivas. O enorme
interesse pelo tema é totalmente justificado em função tanto nos exemplos de
sucesso já conhecidos, quanto do nível de complexidade e descoordenação da
grande maioria dos canais de distribuição hoje existentes.

O autor ainda ressalta que uma série de estudos realizados no EUA nos últimos
anos tem confirmado as oportunidades de ganho com a adoção do SCM. Um estudo
da Mercer Consulting mostrou que as empresas que conseguem implementar as
práticas de SCM tendem a se destacar em relação à redução dos custos
operacionais, melhoria da produtividade dos ativos e redução dos tempos de ciclo.
Outro estudo recente realizado pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts)
identificou como principais benefícios do SCM, a redução de custos de estoque,
transporte e armazenagem, melhoria dos serviços em termos de entregas mais
rápidas e produção personalizada, e crescimento da receita devido à maior
disponibilidade e personalização. As empresas analisadas no estudo indicaram
ganhos impressionantes:

– Redução de 50% nos estoques;
– Aumento de 40% nas entregas no prazo;
– Redução de 27% nos prazos de entrega;
– Redução de 80% na falta de estoques;
– Aumento de 17% na receita.

Pires (2005) enfatiza que práticas eficazes no SCM têm sido implementadas em
todo mundo, as quais têm visado a simplificação e obtenção de uma cadeia

produtiva mais eficiente. Resultados positivos têm sido obtidos principalmente
através de procedimentos como os listados abaixo:

– Reestruturação e consolidação do número de fornecedores e clientes: Significa
reestruturar (geralmente através de redução) o número de fornecedores e clientes,
construindo e aprofundando as relações de parceria com o conjunto de empresas
com as quais, realmente, se deseja desenvolver um relacionamento colaborativo e
com resultado sinérgico;
– Divisão de informações e integração da infraestrutura com clientes e
fornecedores: a integração de sistemas de informações/computacionais e a
utilização crescente de sistemas como o EDI (Electronic Data Interchange), entre
fornecedores, clientes e operadores logísticos têm permitido a prática, por exemplo,
da reposição automática do produto na prateleira do cliente (Efficient Consumer
Response). Tais práticas têm proporcionado, sobretudo, trabalhar com entregas just-
in-time e diminuir os níveis gerais de estoques. Também, a utilização de
representantes permanentes (In plant representatives) junto aos clientes tem
facilitado, dentre outras coisas, um melhor balanceamento entre as necessidades do
mesmo e a capacidade produtiva do fornecedor, bem como uma maior agilidade na
resolução de problemas;
– Desenvolvimento conjunto de produtos: O envolvimento dos fornecedores desde
os estágios iniciais do desenvolvimento de novos produtos (Early Supplier
Involvement) tem proporcionado, principalmente, uma redução no tempo e nos
custos de desenvolvimento dos mesmos;
– Considerações logísticas na fase de desenvolvimento dos produtos: Representa
a concepção de produtos que facilitem o desempenho da logística da cadeia
produtiva, geralmente também envolvendo a escolha de um operador logístico
eficiente para administrar a mesma;
– Integração das estratégias competitivas na cadeia produtiva: Implica na
compatibilização da estratégia competitiva e das medidas de desempenho da
empresa à realidade e objetivos da cadeia produtiva como um todo.

2.4 Importância dos Sistemas de TI no SCM

As últimas duas décadas assistiram a um espetacular desenvolvimento e
disseminação das chamadas Tecnologias da Informação (TIs) no ambiente das
organizações de todos os portes. Recurso caro e escasso há poucos anos, o
computador tornou-se presença obrigatória no ambiente de trabalho atual. Nessa
busca por competitividade e melhoria no desempenho organizacional, uma das
estratégias adotadas por diversas empresas consiste em focar seus esforços na
adoção de soluções que viabilizem a integração dos processos empresariais (IKUTA
e KATO, 2005).

Chopra e Meindl apud Guarnieri, Hatakeyama e Dergint (2006), salientam que, em
uma cadeia de suprimento, a troca de informações entre fabricantes e fornecedores
é essencial, principalmente no que tange a informações sobre demanda, pois assim
é possível que o fabricante não mantenha ou reduza níveis de estoque. Informando
seus fornecedores sobre a demanda em tempo real, podem-se atender pedidos de

matéria-prima rapidamente, sem nenhum atraso na produção e sem estoques.

Ainda segundo os autores, assim, todos os elos da cadeia de suprimentos procuram
atingir uma situação em que haja benefícios e oportunidades de crescimento para
ambos, o que consequentemente aumenta o nível de serviço logístico, agregando
valor ao produto final perceptível aos clientes e aumentando a lucratividade da
cadeia.

Os sistemas tais como o Enterprise Resource Planning (ERP), são capazes de
integrar toda a gestão da empresa, agilizando o processo de tomada de decisão
(WOOD Jr apud IKUTA e KATO, 2005). Podem ser aplicados, com adaptações, a
qualquer empresa, permitindo o seu monitoramento em tempo real. As expectativas
sobre seu impacto são enormes e os investimentos que implica são gigantescos.
Eles surgiram da confluência de fatores, tais como integração de empresas
transnacionais, tendência à substituição de estruturas funcionais por estruturas
ancoradas em processos e integração dos vários sistemas de informação em um
único sistema (SANTOS apud IKUTA; KATO, 2005).

A Tabela 1 apresenta as principais tecnologias, sua descrição e aplicação no SCM.

TECNOLOGIA

DESCRIÇÃO

Sistemas legados

Sistemas baseados em mainframe que funcionam em nível operacional em apenas um estágio.
Foram os primeiros sistemas utilizados na SCM.

Código de barras

Tecnologia de alocação de códigos legíveis por computador em itens, caixas e contêineres, sendo
empregada para melhorar a precisão da informação e velocidade de transmissão de dados.

Smart labels

Etiquetas que armazenam informações sobre o produto, podendo ser lidas à distância por rádio
frequência. Esta tecnologia é considerada substitutiva das diversas técnicas de código de barras.

Computer Aided Design
(CAD)

Permite a realização de desenhos industriais na tela do computador que podem ser armazenados,
manipulados e atualizados eletronicamente.

Business Inteligence (BI)

Conjunto de aplicações que organiza e estrutura os dados de transação de uma organização,
facilitando a análise de modo a beneficiar as operações e o suporte às suas decisões.

Eletronic Data
Interchange (EDI)

É a transferência eletrônica de dados. Divide-se em duas categorias: o EDI tradicional, que utiliza
serviços da VAN (rede de valor agregado), e a WebEDI, cujo acesso é pela Internet.

Rastreamento de Frotas

Baseada em transmissão via satélite ou pela telefonia celular para rastreamento e
monitoramento de veículos. Os dados gerados por esse sistema alimentam o TMS e WMS.

Autmated Quality
Control (AQC)

Responsável pelo monitoramento dos processos de garantia da qualidade, procedimentos de
inspeção, especificações e calibração dos instrumentos de medição.

Manufacturing
Execution System
(M.E.S)

Sistemas de planejamento de utilização de recursos. Suporta o intercâmbio de informações entre
o planejamento da produção e o controle do processo de produção através do monitoramento e
acompanhamento da matéria-prima, equipamento, pessoal, instruções e instalações de
produção.

Transportatio
Management System
(TMS)

Responsável pelo controle do transporte de cargas, determinando o modal, gerenciando a
consolidação de fretes e coordenando os esforços de transporte.

Product Development
Management (PDM)

Gerencia as informações relacionadas aos produtos, também servindo como uma ferramenta de
integração, conectando diferentes áreas de desenvolvimento de produtos.

Supply Chain Planning
(SCP)

Auxilia no planejamento, execução e mensuração dos processos, incluindo módulos de previsão
de demanda, planejamento de inventário e distribuição.

Warehouse
Management System
(WMS)

Otimiza atividades do processo de armazenagem, rastreando e controlando o movimento do
inventário no depósito. Sua utilização se restringe a decisões operacionais.

Customer Relationship
Management (CRM)

Unifica as informações sobre os clientes, centralizando as interações e antecipando as
necessidades dos clientes. Proporciona o controle de atividades promocionais e seus impactos na
demanda, assim como o controle de atividades de garantia de produtos.

Radio Frequency (RF)

Facilita a comunicação, disponibilizando informações sobre os produtos. Ferramenta de suporte
que automatiza processos e melhora a gestão das operações, eliminando falhas humanas.

Demand Forecasting
System (DFS)

Utiliza métodos matemáticos que manipulam dados históricos e dados externos para previsão de
demanda por produtos e serviços. Em geral, integra outros sistemas, tais como ERP e SCP.

Web-based Information
System (WIS)

Facilitam os processos internos e externos das empresas, integrando sistemas empresariais de
informação. Na SCM, os WIS mais presentes são o e-procurement e o e-market place.

B2B

Mercados eletrônicos onde fornecedores e compradores interagem para conduzir transações.

Enterprise Resource
Planing (ERP)

Sistema unificado de informação que integra os departamentos e funções da empresa. Melhoram
o fluxo de informações da cadeia em tal grau que se tornaram um padrão de operação.

Fonte: Adaptado de Bandeira e Maçada (2007).

O grande desenvolvimento e avanço da tecnologia de informação (TI) vem sendo
utilizado como uma ferramenta para construir e sustentar novos relacionamentos
com fornecedores e clientes e, como resultado, obter uma vantagem competitiva
significativa (FERREIRA, 1998).

Segundo Albertin apud Ferreira (1998), a aplicação da TI no mercado eletrônico
pode ser entendida através dos conceitos de:

– Comunicação eletrônica: troca eletrônica de informação entre duas ou mais
partes;
– Intermediação eletrônica: disponibilização de informação de fornecedores para
clientes e vice-versa;
– Integração eletrônica: permite que todos os participantes da cadeia de
suprimentos estejam conectados eletronicamente.

Ainda segundo o autor, a TI pode ser utilizada para eliminar canais intermediários e
ligar diretamente os clientes finais, simplificando a complexidade dos produtos,
aumentando a participação no mercado e expandindo oportunidades para criar
relacionamento de parcerias entre compradores e vendedores. Através do tempo, o
escopo da integração evoluiu de simples sistemas ligando compradores e
vendedores para uma rede de relacionamentos eletrônicos, integrando
fornecedores, produtores, canais intermediários e clientes, isto é, o comércio
eletrônico (CE). O CE envolve mais do que apenas comprar e vender. Ele inclui
esforços de pré-vendas e pós-vendas, assim como um conjunto de atividades
auxiliares.

Segundo Nazário (2008), existe softwares voltados para a integração da cadeia de
suprimentos. Este tipo de software agrega um conjunto de ferramentas, tais como:
previsão da demanda, otimização da rede logística, planejamento de transporte,
planejamento e sequenciamento da produção, entre outras. É uma evolução de
sistemas de apoio à decisão. São comumente chamados de Supply Chain
Management applications, ou seja, ferramentas para o gerenciamento integrado da

cadeia de suprimentos. Sua principal função é possibilitar ao usuário o controle de
diversas funções logísticas simultaneamente, permitindo com isso, analisar os trade-
offs existentes. Além disso, possui uma abrangência que ultrapassa os limites da
empresa, ou seja, integra-se também aos outros membros da cadeia de
suprimentos, tais como: indústrias, atacadistas/distribuidores e varejistas, além de
prestadores de serviços logísticos. Isto torna-se possível graças a conectividade
oferecida pelas tecnologias EDI (eletronic data interchange) e a Internet.

2.5 Desafios e alternativas de solução na implementação do SCM

Considerando os enormes benefícios que podem ser obtidos com a correta
utilização do conceito de SCM, surpreende verificar que tão poucas empresas o
tenham implementado. As razões para tanto são basicamente duas. A primeira
deriva da relativa novidade do conceito, ainda em formação e pouco difundido entre
os profissionais; e a segunda com a complexidade e dificuldade de implementação
do conceito (FLEURY, 2006).

Existem alguns fatores críticos na implementação do SCM, dentre eles cabe citar:

– Complexidade do conceito e visão estratégica integrada – Para Fleury apud
Carneiro e Araújo (2003), a complexidade da implantação do conceito SCM é um
dos fatores que explica o fato de poucas empresas o terem implementado até hoje.
Os desafios que se apresentam são tanto internos quanto externos. Internamente é
preciso “quebrar barreiras” organizacionais para que se adote uma visão sistêmica
em que o resultado do grupo seja mais importante do que os resultados das partes;
– Gerenciamento das expectativas dos investidores. À complexidade gerencial
envolvida na implantação do SCM, soma-se o fato de que o SCM requer
investimentos significativos de tempo e dinheiro e que o retorno deste investimento
não se dá automaticamente. Isto acaba por se tornar mais um problema a ser
gerenciado, uma vez que é preciso administrar as expectativas de curto prazo dos
acionistas e investidores quanto ao retorno do investimento realizado (CARNEIRO;
ARAÚJO, 2003);
– Reengenharia da cadeia de suprimentos – Para Cooper et al. Apud Carneiro e
Araújo (2003), o processo de integração da cadeia de suprimento deve ser feito em
três passos: (i) identificar o tipo de parceiro que é crítico nas atividades que
adicionam valor na cadeia e determinar um número gerenciável de parceiros para os
recursos disponíveis; (ii) entender a dimensão estrutural da rede para analisar e
modelar as ligações da cadeia de suprimento. A redução do número de participantes
diminui a complexidade da cadeia e facilita a integração; (iii) entender as
características das ligações entre processos na cadeia de suprimento. Identificam
quatro tipos na cadeia de suprimento: ligações gerenciadas; ligações monitoradas;
ligações não-gerenciadas; ligações entre não-membros;
– Gerenciamento interno do processo – Lambert et al apud Carneiro e Araújo
(2003) identificaram alguns componentes gerenciais que devem receber especial
atenção por parte das empresas que enfrentam o desafio da implantação do SCM.
Os componentes foram divididos em dois grupos: componentes técnicos e físicos,
mais fáceis de serem mensurados, e componentes gerenciais e comportamentais,

mais intangíveis e difíceis de serem mensurados e controlados. Dentre os
componentes técnicos e físicos, os autores citam: (i) Planejamento e controle das
operações: quanto mais integrado for o planejamento, maiores os benefícios
percebidos da integração. O controle pode ser implementado através da definição de
indicadores de performance globais; (ii) Estrutura de trabalho e de atividades: indica
como a empresa realiza suas tarefas e atividades. O nível de integração das
atividades numa cadeia é um importante fator de sucesso na integração da cadeia;
(iii) Estrutura organizacional: pode se referir à organização da empresa e à
organização da cadeia. A utilização de equipes multidisciplinares ou de equipes
compostas por pessoas de várias empresas da cadeia é um fator de estímulo à
integração da cadeia; (iv) Estrutura do fluxo do produto: estrutura da rede de
obtenção, produção e distribuição ao longo da cadeia; (v) Estrutura do fluxo de
comunicação e informação: o tipo de informação que é compartilhada e a frequência
de compartilhamento são fatores que têm forte influência na integração da cadeia.

Dentre os componentes gerenciais e comportamentais, os autores citam: (i)
Métodos de gerenciamento: que englobam a filosofia da empresa e as técnicas de
gerenciamento utilizadas. Estruturas diferentes são difíceis de integrar; (ii) Estrutura
de poder e liderança: tanto a falta de poder como a concentração de poder podem
afetar o nível de comprometimento dos membros da cadeia e consequentemente o
processo de integração da cadeia; (ii) Estrutura de riscos e recuperação: a divisão
dos riscos e dos custos de recuperação pode afetar o comprometimento dos
membros da cadeia; (iv) Cultura e atitudes: diferentes culturas e atitudes
organizacionais dificultam a integração.

Segundo Fleury (2006), dentre os processos de negócios considerados chave para o
sucesso de implementação do SCM, os 7 mais citados são:

– Relacionamento com os clientes;
– Serviços aos clientes;
– Administração da demanda;
– Atendimento de pedidos;
– Administração do fluxo de produção;
– Compras/ Suprimento;
– Desenvolvimento de novos produtos.

De acordo com Copper et al. apud Carneiro e Araújo (2003), os resultados buscados
pelo SCM não serão completamente alcançados se cada empresa pretender
otimizar seus próprios resultados, em detrimento da integração de seus objetivos e
atividades com os das organizações parceiras.

Outro grande desafio na implementação do SCM é superar resistências às
mudanças tanto de comportamentos há muito tempo estabelecidos quanto das
formas de trabalho individualistas. Para se gerar e manter uma cadeia de
suprimentos eficiente é necessário, além de políticas de treinamento adequadas, o
gerenciamento do conhecimento dentro das empresas. Esta tarefa vai além do
investimento em tecnologia de informação e envolve criar organizações que

aprendem onde novas e mais amplas formas de pensar são encorajadas e as
pessoas estão continuamente se aprimorando e aprendendo (TRACEY; SMITH-
DOERFLEIN apud CARNEIRO; ARAÚJO, 2003).

Fleury (2006) ressalta que a cadeia de suprimento estendida necessita de um canal
de informações que conecte todos os participantes. A maioria das grandes
empresas possui os requisitos tecnológicos para fazer a extensão. O problema é
que elas os estão utilizando de forma incorreta. A informação que se torna
disponível quando o consumidor efetiva a compra deveria ser imediatamente
compartilhada com os demais participantes da cadeia, ou seja, transportadoras,
fabricantes, fornecedores de componentes e de matéria-prima. Dar visibilidade às
informações do ponto de venda, em tempo real, ajuda todos os participantes a
gerenciar a verdadeira demanda de mercado de forma mais precisa, o que permite
reduzir o estoque na cadeia de suprimento de forma substancial.

3. Métodos e Técnicas

A metodologia utilizada para elaboração do estudo foi um ensaio teórico, onde
inicialmente identificaram-se dados secundários por meio de pesquisa bibliográfica a
partir das obras dos autores considerados de interesse do tema de pesquisa. A partir
disso, foi possível discutir os conceitos relacionados ao Supply Chain Management,
apresentando as nomenclaturas e abordagens encontradas na literatura pertinente,
e caracterizando suas relações.

Neste sentido, convêm destacar conforme Cervo e Bervian (2002), os seguintes
procedimentos de pesquisa definidos para desenvolvimento deste ensaio teórico:
visão sincrética – leitura com o propósito de identificar fontes que possuem
assimilação com o tema, ou seja de interesse de SCM; visão analítica – leitura crítica
e reflexiva dos textos escolhidos, ou seja com base na fase anterior buscou-se
analisar e definir as informações de SCM pertinentes a temática de pesquisa; visão
sintética – tem função de interpretação e resumo, ou seja, a partir das duas fases
anteriores fez-se a interpretação necessária e consolidou-se o presente artigo.

4. Resultados e discussões

A partir das atividades de pesquisas realizadas, destaca-se as principais definições
do tema de pesquisa:

A gestão ou gerenciamento da Cadeia de Suprimentos pode ser definida como uma
integração dos processos-chave de negócios desde o usuário final até os
fornecedores originais que proveem produtos, serviços e informações que agregam
valor para os consumidores e demais interessados no negócio (LAMBERT apud
SOUZA JUNIOR, 2010).

Chopra e Meindl apud Guarnieri, Hatakeyama e Dergint (2006), afirmam que o
objetivo de toda a cadeia de suprimento é maximizar o valor global gerado. O valor
gerado por uma cadeia de suprimentos é a diferença entre o valor do produto final
para o cliente e o esforço realizado pela cadeia de suprimento para atender o seu
pedido.

No que se refere a importância da TI no SCM, Ferreira (1998) afirma que o grande
desenvolvimento e avanço da tecnologia de informação (TI) vem sendo utilizado
como uma ferramenta para construir e sustentar novos relacionamentos com
fornecedores e clientes e, como resultado, obter uma vantagem competitiva
significativa.

É possível afirmar com base nas atividades de pesquisa que as principais
tecnologias utilizadas para apoio do Supply Chain Management são o Enterprise
Resource Planing (ERP), código de barras, Rádio Frequency (RF), o Eletronic Data
Interchange (EDI) e o Customer Relationship Management (CRM).

O SCM envolve todos os processos de controle, integração e coordenação das
informações desde o fornecedor de matéria prima até o consumidor ou cliente final.
Tem como objetivos focar a satisfação dos clientes finais, formular e integrar
estratégias para obtenção e retenção desses clientes e aumentar a eficiência e
eficácia na cadeia como um todo.

5. Considerações Finais

A complexidade do conceito de Gerenciamento da Cadeia de suprimentos, ou
simplesmente SCM, é um dos fatores críticos para o sucesso nas empresas, bem
como a necessidade de reestruturação da cadeia de suprimentos, uma visão
estratégica por todos os envolvidos e a expectativa de clientes e acionistas em curto
prazo.

O SCM é um tema atual que as empresas estão começando entender e dar a devida
importância. O enorme interesse pelo SCM se dá com base nos casos de sucesso
que já existem e também pela necessidade de tornar a cadeia produtiva mais
eficiente, organizada e coordenada, aumentando o lucro e agregando valor ao
cliente.

As grandes empresas estão trazendo seus fornecedores cada vez mais para “perto”,
buscando minimizar custos e barreiras externas. Neste contexto a empresa se torna
o núcleo e cabe a ela a implementação de um SCM eficiente e eficaz facilitando a
troca de informações entre a empresa e seus fornecedores.

Deve-se destacar também a importância das Tecnologias da Informação (TI), que
vem se desenvolvendo em ritmo acelerado em todos os setores, inclusive no
ambiente empresarial. Hoje é impossível pensar em SCM sem o auxílio de um
software de computador. Esses sistemas são capazes de integrar todos os setores
de qualquer empresa, agilizando processos e auxiliando na tomada de decisões,
obtendo-se assim, uma vantagem competitiva.

Por fim, observa-se que os objetivos foram atendidos, pois no artigo demonstrou-se,
através de um ensaio teórico, os conceitos, as definições de processos envolvidos,
características e contribuições do SCM e quais são os sistemas de TI utilizados.

Referências

ABML – Associação Brasileira de Movimentação e Logística. Disponível em:
<http://www.abml.org.br/website/&gt;. Acesso em: 7 jun. 2011.

BANDEIRA, R. A. M; MAÇADA, A. C. G; Impacto da tecnologia da informação na gestão da cadeia de
suprimentos do setor de gases industriais. XIV SIMPEP, 2007. Disponível em: <>. Acesso em: 25 de
maio 2011.

BATALHA, M. O; SCRAMIN, F. C. L. Supply Chain Management em cadeias agroindustriais:
discussões a cerca das aplicações no setor lácteo brasileiro. Ribeirão Preto 1999. Disponível em: <
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