Mente inconsciente


inconsciente ou mente inconsciente é uma “parte” mitica da mente que guarda memórias reprimidas. A teoria da repressão defende que algumas experiências são demasiado dolorosas para serem recordadas, pelo que a mente as guarda na cave. Essas memórias dolorosas, reprimidas, manifestam-se então por comportamentos neuróticos ou em sonhos. Não há provas cientificas seja para a repressão de experiencias traumaticas ou como causa de comportamentos neuróticos.

A mente inconsciente é tambem pensada por alguns, casos de Jung e Tart, como um reservatório de verdades transcendentes. Não há qualquer prova cientifica disso.

Mesmo apesar da noção clássica de uma mente inconsciente ser um mito, há bastante dados cientificos para estabelecer como facto que nem toda a percepção consciente envolve auto-consciência. É possivel não ter consciência de experimentar algo, ser incapaz de recordar tal experiencia, mas mesmo assim mostrar que se teve essa experiência. Alguns exemplos chegam para estabelecer este ponto.

1. negação de cegueira. Há casos de danos cerebrais em que a pessoa está cega mas não tem noção disso.
2. afasia. Casos em que a pessoa fala ininteligivelmente mas não tem consciência disso.
3. visão cega. Casos de cérebros com danos em que a pessoa vê coisas mas não se apercebe disso.
4. dissociação oral/verbal . Pessoas com danos no cérebro que não conseguem repetir oralmente o que você acabou de dizer mas conseguem escrever isso correctamente. Mais, não conseguem lembrar-se do que escreveram ou a que se referia.

Seria mais correcto abandonar o termo mente inconsciente, e referirmo-nos a “memória perdida”, “memória implicita” ou “memória fragmentada”. Não é a repressão de experiencias traumaticas que fazem perder a memória. Elas perdem-se deviso a danos cerebrais, perda de consciência durante a experiencia, desequilibrio neuroquimico, desatenção, reestruturação cognitiva, e sobrecarga sensorial, emocional ou hormonal. Todas as provas empiricas indicam que quanto mais traumatica é uma experiencia maisprovável é recordarmos. Novas imagens visuais, que acompanham frequentemente traumas, estimulam o hipocampo e a cavidade préfrontal inferior esquerda e tornam-se parte da memória a longo termo.

A neurociencia diz-nos que a memória é um conjunto de ligações entre grupos de neurónios que participam no processo de codificação. Este processo pode tomar parte em diferentes partes do cérebro. Ligações neurais atravessam diferentes partes do cérebro, quanto mais fortes as ligações, mais forte a memória. A recordação de algo pode ocorrer por estimulação de qualquer das partes do cérebro onde a ligação neural ocorre. Se parte do cérebro está danificado, o acesso a dados neurais que aí se encontram são perdidos. Por outro lado, se o cérebro está saudável e a pessoa está perfeitamente consciente quando sofre algum trauma, a probabilidade de esquecer o acontecimento é próximo de zero, a menos que seja muito novo ou sofra uma lesão cerebral posteriormente.

Memória a longo termo requer codificação elaborada por parte dos lobulos temporais. Se o lóbulo préfrontal inferior esquerdo está danificado ou pouco desenvolvido, teremos graves dificuldades na codificação. Esta área do cérebro está pouco desenvolvida nas crianças muito novas (menos de três anos). Donde, é pouco provável que qualquer história de recordações da vida no berço ou no ventre da mãe tenham qualquer fundo de verdade.

A maioria das memórias perdidas, contudo, perdem-se porque não foram devidamente codificadas. A percepção é basicamente um processo de filtragem e desfragmentação. Os nossos interesses e necessidades afectam a percepção, mas a maioria do que nos está acessivel como dados sensoriais potenciais nunca será processado. E a maioria do que é processado será esquecido. A amnésia não é algo raro mas uma condição normal da nossa espécie. Esquecemos tanto mas não porque a realidade é tão terrivel que não nos queremos recordar. Esquecemos ou porque não o percebemos em primeiro lugar ou porque não codificámos a experiencia ou no lóbulo parietal do córtex (memória de curto prazo) ou no lóbulo préfrontal (para memória a longo prazo).

Para os que devotam as suas vidas a atingir a mente inconsciente, seja para perceberem porque teem problemas, seja para encontrar alguma verdade transcendente, digo-lhes que vão procurar durante muito, muito, tempo. Aproveitem antes o vosso tempo para ler um livro sobre memória ou sobre neurociencia.

Ver hipnoseCarl Jungregressão a vidas passadaspsicanálisememória reprimida


Leituras

Churchland, Patricia Smith. Neurophilosophy – Toward a Unified Science of the Mind-Brain (Cambridge, Mass: MIT Press, 1986).

Sacks, Oliver W. An anthropologist on Mars : seven paradoxical tales (New York : Knopf, 1995). 

Sacks, Oliver W. The man who mistook his wife for a hat and other clinical tales (New York : Summit Books, 1985). 

Sacks, Oliver W. A leg to stand on (New York : Summit Books, 1984).  

Schacter, Daniel L. Searching for Memory – the brain, the mind, and the past (New York: Basic Books, 1996). 

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