DESENHO ARQUITETÔNICO E NOÇÕES DE CONSTRUÇÃO CIVIL


português – https://acordocoletivo.org/2018/01/11/comunicacao-e-expressao-em-lingua-portuguesa/

2 matemática financeira – https://acordocoletivo.org/2018/01/11/matematica-financeira-3/

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3 economia e mercados – https://acordocoletivo.org/2018/01/11/economia-e-mercados/

4 mkt imobiliário – https://acordocoletivo.org/2018/01/11/marketing-imobiliario-2/

5 org tec e comercial – https://acordocoletivo.org/2018/01/11/organizacao-e-tecnica-comercial/

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6 direito e leis – https://acordocoletivo.org/2018/01/11/direito-e-legislacao/

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7 relações humanas e ética – https://acordocoletivo.org/2018/01/11/nocoes-de-relacoes-humanas-e-etica/

8 operações imobiliárias – https://acordocoletivo.org/2018/01/12/operacoes-imobiliarias/

9 arquitetura e obras – https://acordocoletivo.org/2018/01/12/desenho-arquitetonico-e-nocoes-de-construcao-civil/

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Apresentação
Noções de arquitetura e engenharia
Escalas
Carimbos, símbolos, convenções
Normas técnicas
Programação/planejamento de obras
Estudos preliminares e anteprojetos
Projetos de residências
Instalações
A obra e o projeto
Segurança e medicina do trabalho

APRESENTAÇÃO

O escritor francês André Moraux¹ definiu a Arquitetura como a “arte de construir sob o
signo da beleza”. No entanto, nem sempre foi assim. A necessidade primitiva e inata de
todos os animais de buscarem abrigo não foi diferente com o homem. A chuva, o vento, o frio, os predadores fizeram com que os primeiros homens, compelidos pelo instinto de
conservação, buscassem abrigos seguros.
Nos primórdios da formação das civilizações, a noção de habitação não tinha sentido de
permanência: as moradias eram transitórias. Este conceito foi se desenvolvendo aos
poucos e o homem, paulatinamente, passou a cuidar com mais desvelo dos seus
abrigos; desenhava nas paredes das cavernas, usava materiais mais duradouros nas
construções e, para se proteger, cuidava dos rebanhos recém-domesticados e da
agricultura incipiente, paralelamente, ia-se agrupando. Assim, por necessidade de
sobrevivência, passou a ser um animal gregário; logo, um animal social.

À medida que o homem evoluiu, suas construções, além de constituírem refúgio,
passaram a ser também locais onde desfrutaria de prazer. Sua preocupação não se
concentrava apenas na proteção: ele queria viver em local que fosse, a um só tempo,
seguro, agradável e belo.

Das construções eminentemente utilitárias da pré-história, atingiu-se a arquitetura
monumental do Egito e da Mesopotâmia e os estilos arquitetônicos tão peculiares da
Índia, Japão, China ou mesmo das Américas, cada qual com suas particularidades
culturais. Do harmônico estilo greco-romano, foi-se ao soberbo do gótico e o barroco na
Idade Média e Renascença. Depois do Neoclássico, chegamos à Arquitetura
Contemporânea. Com o homem condicionando a construção ao seu conforto e bem estar.
Prazer, enfim.

A inquietude humana fez da Arquitetura uma arte atuante num campo multidisciplinar
que envolve a matemática, as ciências, a tecnologia, a política, a história, a filosofia, e
outros mais. Sendo uma atividade complexa, é difícil concebê-la de forma precisa, já
que a palavra tem diversas acepções e a atividade, diversos desdobramentos e
mudanças constantes. No entanto o pensamento do nosso Lúcio Costa desfruta de
certa unanimidade:

Arquitetura é, antes de qualquer coisa, construção. Porém construção concebida com o propósito primordial de ordenar e organizar o espaço para determinada finalidade e
visando a determinada intenção. E nesse processo fundamental de ordenar e
expressar-se, ela se revela igualmente e não deve se confundir com arte plástica,
porquanto nos inumeráveis problemas com que se defronta o arquiteto, desde a
germinação do projeto, até a conclusão efetiva da obra, há sempre, para cada caso
específico, certa margem final de opção entre os limites -máximo e mínimo –
determinados pelo cálculo, preconizados pela técnica, condicionados pelo meio,
reclamados pela função ou impostos pelo programa, – cabendo então ao sentimento
individual do arquiteto, no que ele tem de artista, portanto, escolher na escala dos
valores contidos entre dois valores extremos, a forma plástica apropriada a cada
¹ André Moraux -(Paris, 3 de novembro de 1901 — Créteil, (23 de novembro de 1976) Grande escritor francês e
celebrado pensador europeu, muito reverenciado por Hannah Arendt. Considerava Oscar Niemeyer um dos
maiores arquitetos do mundo, e dizia que “toda arte é uma revolta contra o destino do homem”.

pormenor em função da unidade última da obra idealizada. A
intenção plástica que semelhante escolha subentende é precisamente o que distingue a arquitetura da simples construção”²

Lúcio Costa resume vários lustros de pensamento arquitetônico, sintetizando as
numerosas teorias propostas por arquitetos pertencentes à arquitetura moderna, cuja
teorização engloba também toda a arquitetura produzida anteriormente.

Quando se pensa em classificação dos diferentes produtos arquitetônicos observados
no tempo e no espaço, é muito comum, especialmente por parte de leigos,
diferenciarem os edifícios e sítios através da ideia de que possuem estilos diversos. Isto
reduziria a arquitetura, como profissão, a uma simples reunião sistematizada de regras
compositivas. Esta ideia, apaixonadamente combatida, tornou-se ultrapassada.

A arquitetura, pelo menos no plano teórico e acadêmico, passou a ser entendida através
daquilo que efetivamente a define: o trabalho com o espaço habitável. Aquilo que era
considerado estilo passou a ser chamado simplesmente de momento histórico ou de
escola. O estilo deixou de ser um modelo amplamente copiado e passa a ser a
expressão das interpretações individuais de cada arquiteto (ou grupo de arquitetos),
daquilo que ele considera como arquitetura. Assim, sendo possível falar-se em um estilo
histórico (barroco, clássico, gótico, etc.), também se admite referir ao estilo individual
(arquitetura Wrightiana, Corbuseana, etc.).

FUNÇÕES DA ARQUITETURA E DA ENGENHARIA

Em qualquer edificação, o projeto arquitetônico é o primeiro a ser elaborado. Depois
vêm os complementares: fundações, estrutura e instalações. Isto não implica a
existência de projetos mais (ou menos) importantes. Porém, o projeto de Arquitetura,
que dá partida aos demais, merece atenção diferenciada.

Por oportuno, convém fixar a função específica de cada profissional envolvido em uma
obra:
ao arquiteto cabe a função de criar, em forma de projeto, uma obra;
ao engenheiro compete materializar este projeto em obra.

Em um organograma construtivo, cada profissional tem uma função distinta e muito
bem definida. Se, em alguns casos, o arquiteto, em sua imaginação fecunda, cria
formas e espaços arrojados, rompendo o convencional com desafio às leis da
gravidade, cabe ao engenheiro, por ter conhecimentos sobre matemática e resistência
dos materiais, romper os desafios impostos pelo arquiteto e encontrar soluções que
permitam transformar o sonho em realidade. Ou seja: ambas as funções iniciam-se no
anteprojeto e terminam no momento da obra ser ocupada, com maior ou menor
participação de cada um em distintas etapas do processo criador.

A harmonização das funções e o respeito profissional mútuo têm nos últimos tempos
feito tanto a Arquitetura quanto a Engenharia dar saltos extraordinários, seja no aspecto
qualitativo seja no quantitativo, pois são profissões afins, que se complementam.

² COSTA, Lúcio (1902-1998). Considerações sobre arte contemporânea (1940). In: Lúcio Costa, Registro de uma
vivência. São Paulo: Empresa das Artes, 1995. 608 p.il.

4

Escalas

Quem pretender ler um projeto de arquitetura ou mesmo fazê-lo, precisará conhecer a
escala do projeto ou definir aquela com a qual irá trabalhar. Para o presente estudo, por
escala compreenderemos a relação matemática entre as dimensões do objeto no real e
as do desenho que o representa em um plano ou um mapa. A
escala é elemento essencial do mapa, juntamente com as convenções cartográficas, a legenda, a orientação e a fonte.

As escalas são expressas na forma de proporção por uma fração: o numerador indica o
valor do representado no plano e o denominador o valor da realidade. Uma escala

1:100.000 lê-se: escala um por cem mil, o que significa dizer que a superfície
representada foi reduzida em 100 mil vezes. Ou seja, a escala é definida pela fórmula: E
=d/D, onde E é a escala; d, a distância na projeção; D, a distância real.
A escala pode ser apresentada de duas maneiras distintas: escala gráfica
(representada por um gráfico); ou escala numérica (representada por números). No que
diz respeito às transações imobiliárias, a escala mais comum é a de redução: quando o
objeto é muito grande e não temos como representá-lo graficamente. Se precisarmos
representar uma casa, uma cidade, um navio, um país, uma galáxia, etc., o desenho
será menor que o objeto, e teremos, por exemplo, a representação 1: 2 (lê-se um por
dois), ou seja, o desenho é a metade do objeto desenhado; 1: 5 (lê-se um por cinco), e
assim sucessivamente.

No desenho de uma cidade, a escala comumente usada é de 1:1.000 (lê-se um por mil), ou seja, o desenho é mil vezes menor que a cidade³.
Inversamente, com insetos, peças de relógio ou detalhes construtivos, usam-se escalas
de ampliação, e a representação será o contrário da escala de redução: 2:1 (lê-se dois
por um), o desenho é duas vezes maior que o objeto; 10:1 (lê-se dez por um), o desenho
é dez vezes maior que o objeto, e daí por diante.
5

Quando o desenho deve ser igual ao objeto desenhado tem-se a escala real: sempre

1:1(lê-se um por um).
Tem-se ainda a escala gráfica: um segmento de reta é seccionado em várias partes
iguais, obedecendo, naturalmente, a um plano de desenho previamente estabelecido.
As escalas gráficas também podem ser empregadas para ampliar, reduzir ou
reproduzir, no desenho, o objeto em seu tamanho real. As escalas gráficas são sempre
partes ou múltiplos do metro, ou de outro sistema de medida previamente estabelecido.
Em Arquitetura, são muito usadas as escalas 1: 20, 1:50, 1:100 e 1:200.

Carimbos, símbolos, convenções e cotas

No desenho técnico estão sempre presentes os carimbos, símbolos, convenções e
cotas.

Carimbos-São normatizados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
e devem conter essencialmente as seguintes informações: endereço da obra, autor do
projeto e responsável técnico, proprietário, nome do desenho, (planta baixa, cortes,
fachada, etc. isto para obras de construção civil), escala, desenhista, data e/ou outra
informação que se fizer necessária a uma pronta identificação do projeto. Responsável
Técnico (R.T.) é o profissional legalmente habilitado e responsável pela edificação de
uma obra.

Modelo de carimbo, em seu tamanho padrão (A4).

³ Oberg ressalta que o desenho de arquitetura, por sua natureza, só utiliza escalas de redução. OBERG, L.
Desenho Arquitetônico, Ao livro Técnico, Rio, RJ , 1973 pág. 11

Símbolos e Convenções

São elementos gráficos utilizados para maior clareza ou simplicidade do projeto. Por
exemplo:

Em Arquitetura usamos diferentes tipos de linhas e convenções.

Já as instalações prediais requerem nomenclatura e convenções próprias. As mais
usuais são as seguintes:

Existem, ainda, convenções específicas para outros tipos de instalações. É importante
saber que, como nos projetos o campo de criação é livre, os símbolos e convenções
também podem ser enriquecidos.

Cotas

São as linhas de chamadas indicativas das dimensões do objeto desenhado, sejam
estas dimensões horizontais (planta) ou verticais (corte). As cotas são sempre em
metro; se inferiores a um metro, usa-se simplesmente o número indicativo.

Resultado de imagem para cota arquitetura

Por exemplo:
80,00 (oitenta metros)
ESC. 1:500
X_____________________________,x
1 ,60 (um metro e sessenta centímetros)
ESC. 1:10
X______________,x
40 (quarenta centímetros)
ESC.1:2,5

Usa-se ainda outro tipo de cota, que é a indicativa de altura. Tendo como parâmetro um
nível zero, todas as cotas acima daquele nível terão suas cotas positivas e, as abaixo,
negativas. Por exemplo:
Figura 004
Por exemplo:
80,00 (oitenta metros)

ESC. 1:500
X_____________________________,x
1 ,60 (um metro e sessenta centímetros)
ESC. 1:10
X______________,x
40 (quarenta centímetros)
ESC.1:2,5

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No Desenho Técnico são mais usados: os carimbos, os símbolos, as convenções e as
cotas. Os carimbos devem conter: endereço, autor e responsável, nome do desenho,
escala, desenhista, data ou outra informação importante. Os símbolos e as convenções
são elementos gráficos utilizados para maior clareza ou simplicidade do projeto. As
cotas são as linhas indicativas das dimensões do objeto desenhado.

NORMAS TÉCNICAS

As normas técnicas simplificam a crescente variedade de procedimentos e produtos,
eliminando desperdício e retrabalho e facilitando troca de informações entre fornecedor
e consumidor ou entre clientes internos. Outra finalidade importante de uma norma
técnica é a proteção ao consumidor, especificando critérios e requisitos que aferem o
desempenho do produto/serviço, protegendo assim também a vida e a saúde.

Normas ABNT
Fundada em 1940, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é uma entidade
privada, sem fins lucrativos, reconhecida como Foro Nacional de Normalização e
responsável pela normalização técnica necessária ao desenvolvimento tecnológico.
Cumpre-lhe:

a) promover a elaboração de normas técnicas e fomentar seu uso nos campos
científicos, técnico, industrial, comercial, agrícola, de serviços e correlatos, mantendo-
as atualizadas, apoiando-se, para tanto, na melhor experiência técnica e em trabalhos
de laboratório;
b) incentivar e promover a participação das comunidades técnicas na pesquisa, no
desenvolvimento e difusão da normalização do país;
c) representar o Brasil nas entidades internacionais de normalização técnica e delas
participar;
d) colaborar com organizações similares estrangeiras, intercambiando normas e
informações técnicas;
e) conceder, diretamente ou por meio de terceiros, Marca de Conformidade e outros
certificados referentes à adoção setorial vigente;
f)prestar serviços no campo da normalização técnica;
g) intermediar, junto aos poderes públicos, os interesses da sociedade civil no tocante
aos assuntos de normalização técnica.
A ABNT
é a representante no Brasil da Organisation Internationale de Normalisation e
da International Organization for Standardization, entidades de normalização
internacional.

Normas ISO

A ISO (International Organization for Standardization) é uma organização mundial que reúne normas de cerca de 130 países (contando com 91 países membros). Trata-se de
entidade não governamental, estabelecida desde 1947 e que tem a missão de
promover o desenvolvimento dos sistemas normativos e demais atividades
relacionadas, visando facilitar o intercâmbio internacional de mercadorias e serviços,
além de desenvolver a cooperação nas esferas intelectuais, científicas, tecnológicas e
econômicas, com o fim de promover normas e padrões internacionais. Suas normas
são compostas de subdivisões, sendo bastante conhecidas as da série 9000 (série de
cinco padrões internacionais para Gestão da Qualidade e Garantia da Qualidade).

PROGRAMAÇÃO/PLANEJAMENTO DE UMA OBRA

Em qualquer edificação, de maior ou menor complexidade, é imprescindível obedecer a
uma escala de trabalho preliminar, antes mesmo de se assentar o primeiro tijolo na obra.
Esta etapa que precede o início real da obra denomina-se fase de programa da obra,
que tem início com os contatos do profissional responsável pelo projeto para captar os
desejos do cliente e determinar diretrizes para o início de seus trabalhos.

Em nossa sociedade, eminentemente tecnocrata e mercantilista, a palavra chave hoje é
planejamento. Em Arquitetura, o programa sempre foi uma constante, hoje, mais do que nunca, é uma etapa indispensável. Subordinamos todas as nossas atividades
produtivas ao planejar, com o objetivo de afluir maior lucro e menor dispêndio de tempo
e trabalho.

Como já foi dito, em Arquitetura planejar tem o significado próprio de programar, isto é,
definir o tipo de espaços da obra, condicionado, naturalmente, a diversos fatores. Em
uma residência, os espaços são definidos pelo número de quartos, banheiros, vagas na
garagem, quartos de empregadas, salas, varandas, etc.

De posse da definição desses espaços e associando-os a outros solicitados pelo cliente
(área desejada, recursos disponíveis, número de pavimentos) e, levando – se em
consideração, também, outros fatores tais como clima, aeração, insolação, estilo e
topografia, o arquiteto inicia o trabalho da transformação do programa na ordenação de
espaços, interrelacionando-os em suas diferentes funções. Em uma residência, há
zonas distintas, como área íntima a social e a de serviço, que devem estar interligadas.
Porém, não deve haver interferência de uma nas funções da outra.

Em um programa bem simples para uma residência temos as seguintes áreas:
Íntima: quartos, banheiros, sala íntima;
Social: sala, varanda, lavabo, piscina, escritório e garagem,
Serviço: área de serviço, cozinha, copa, dependência de empregada e despensa.

Vejamos como as áreas se interligam em um novo organograma, agora mais completo:

Observando o organograma acima, podemos tirar algumas conclusões: 1) os três
setores – íntimo, social e de serviço – estão bem definidos; 2) os três setores se
interligam sem se interporem; 3) as ligações apresentadas não são definitivas, pois, ao
estudá-las, podemos apresentar outras inúmeras variações, de acordo com as
conveniências do proprietário e o partido do arquiteto, inclusive com o acréscimo de
novas dependências, e 4) no organograma, não foram estabelecidas áreas para
corredores ou escadas, uma vez que estes
aparecem
naturalmente
no desenvolvimento do projeto. É bom que se diga que os corredores, tão condenados
pelos leigos, fazem-se necessários como elementos de ligação. Ao dispensá-los,
condicionamos que uma das dependências da obra assuma tal função, comumente a
copa e a sala, com sérios prejuízos à privacidade e à funcionalidade da obra.

Concluída esta etapa, o arquiteto, através de informações da família, capta as
necessidades comuns e os desejos individuais divergentes, além das condições
socioeconômicas e culturais daquela família, e passa às etapas que veremos, a seguir.

Com relação à complexidade ou simplicidade de um programa, citamos o arquiteto
Ernest Neufert em seu livro “Arte de Projetar”: “Os processos da vida, que na casa
mínima se desenvolve num só compartimento, subdividem-se cada vez mais, de acordo
com as necessidades e situação econômica até chegar ao palácio no qual para cada
função, dispõe-se de zonas com forma, localização e dimensões apropriadas. A
subdivisão é condicionada, por sua vez, pela relação ou dependência de umas zonas
com outras”.

Resumindo, vale destacar:

Toda obra exige um planejamento que vai desde o momento dos primeiros contatos,
que chamamos de fase de programa da obra, até a sua concretização. O objetivo deste
planejamento é o de obter maior lucro, com o menor dispêndio de tempo e trabalho. Os
espaços da obra são definidos levando-se em consideração fatores tais como: clima,
aeração, insolação, estilo e topografia.

Estudo Preliminar e Anteprojeto

Superada a etapa denominada “Programa”, passa-se à fase seguinte, com especial
atenção para a ordenação das proporções e suas medidas.

O que vem a ser estas preocupações?

Ordenar proporções é cuidado que todo projetista deve ter. As diferentes dependências
devem ter suas áreas proporcionais de tal forma que não surjam disparates como, por
exemplo, uma cozinha com 150m2 e um living com 30m2.

As proporções devem ser ordenadas de tal maneira, que o acréscimo de área em uma
dependência não implique o sacrifício na funcionalidade de outra.

As inúmeras possibilidades existentes na ordenação dos espaços e suas interdependências são exploradas pelo arquiteto de forma simples e consciente, na
elaboração de vários croquis que propiciam o aprimoramento de soluções, resultando
em um projeto ideal, tanto na concepção arquitetônica quanto nas aspirações do
proprietário.

Da fase preliminar ao alcance do ideal, a fase seguinte – anteprojeto -destina-se a dar
maior consistência ao estudo preliminar. Aqui, a preocupação é com as dimensões, as
proporções e relações entre os espaços e áreas, constantes em todas as fases deste
processo criador. Nesta etapa deve-se ter a definição esquemática do sistema
estrutural e de instalações, além de todos os outros fatores já determinados,
anteriormente como orientação quanto ao sol, vento, acesso, topografia, custos, etc.
Outros aspectos importantes se relacionam ao pé direito (altura de cada pavimento),
espessura de paredes e cobertura. Nesse momento, alguns detalhes construtivos já
começam a ser delineados bem como os de acabamento. Nesta fase, a comunicação
arquiteto/proprietário deve ser constante, pois é o momento em que serão
definitivamente cristalizadas as aspirações de desejos do proprietário na forma de um
projeto.

Resumindo: Superada a fase de programa da obra, passa-se a outras preocupações
como estudo preliminar, que cuida da ordenação das proporções e medidas do projeto.
Ordenar proporções e cuidar para que as diferentes dependências de um projeto
tenham suas áreas proporcionais. A fase seguinte, a do anteprojeto, destina-se a dar
maior consistência aos estudos já feitos, sendo fundamental, nesta etapa, a
comunicação arquiteto/proprietário, pois desta comunicação sairá o projeto.

Projeto -Antes de dar prosseguimento ao projeto, é necessário que o programa, o
estudo preliminar e o anteprojeto sejam exaustivamente trabalhados, evitando dúvidas
nesta fase final. Mas, atenção! Isto não significa que o projeto não possa receber
alterações ou sugestões. Ao contrário, pois há a participação direta de outros
profissionais nas áreas da estrutura, fundações e instalações. O trabalho já é
conclusivo, porém se ocorrer algum problema, é preferível refazer as atividades, mesmo na fase do projeto, do que uma obra que não atenda ao esperado.

É sempre melhor refazer o projeto do que demolir paredes, pois o custo, o dispêndio de trabalho e o tempo são muito menores.
Elementos do Projeto -Vejamos, agora, cada elemento constitutivo de um projeto de
arquitetura:

1-Situação: estudo da edificação no contexto da cidade, do bairro e da rua, necessário
para verificações no zoneamento das posturas permitido para a região pela
administração pública, a fim de que o projeto seja compatível com a legislação em vigor
e, portanto, a obra receba o alvará de construção e, posteriormente, a carta de “habite-se“.
Outros aspectos a serem considerados no estudo do projeto e concernente à situação
são os equipamentos públicos e comunitários disponíveis na região, tais como: rede de
água e esgoto, energia elétrica, iluminação pública, telefone, acessos (ruas), benefícios
destes acessos; como por exemplo, asfalto, paralelepípedos, transporte coletivo,
escolas, comércio, unidades de saúde e lazer, etc.

2–Locação: Identificada a situação do terreno no contexto urbano, cabe ao projetista o
estudo do terreno propriamente dito, isto é, a locação da obra. Nesta fase, analisam-se
a altimetria (a inclinação ou não do terreno);

3- Orientação: posicionamento da obra em relação ao sol e aos ventos predominantes;

4 –Afastamento (posicionamento da obra em relação às divisas do lote); o Código Civil
estabelece que, havendo abertura (janelas ou portas), o afastamento mínimo para o lote
do vizinho é de 1,50m; não havendo, a obra poderá ser edificada na divisa do lote.

5 Forma: a tendência atual é de lotes retangulares, o que facilita as soluções
arquitetônicas, contudo, lotes irregulares não são fatores que inviabilizem um bom
projeto.

6) Dimensões: A Lei Federal que disciplina o uso do solo urbano estabelece as
dimensões mínimas para um lote. Entretanto, é facultado a cada município dispor de
legislação própria. Deve-se ainda considerar que, em função dos zoneamentos, os
lotes poderão ter definida uma taxa de ocupação máxima e mínima em relação à área
edificada, como também à altura da edificação (cota de coroamento).
7) Valor do lote: este fator deverá ser tratado com grande seriedade pelo arquiteto, pois
poderá ocorrer a situação esdrúxula de o lote valer mais que a obra, ressalvadas,
naturalmente, as exceções.
8) Solo: é importante também verificar as características do solo, quanto a pedras,
cascalhos, argila, areia, etc. A constatação superficial de alguns destes elementos
poderá de alguma forma, influenciar o projeto. Já para efeito de fundação, a sondagem
é que delimita o tipo de projeto a ser adotado na fundação.
9) Cobertura – como o próprio nome já sugere, tem por finalidade cobrir a edificação,
protegendo-a das intempéries climáticas, vento, sol, chuva, etc. Para isso, deve ter
isolamento térmico e a propriedade de estanqueidade, (neologismo que significa
estanque, hermético, “sem vazamento” e ser indeformável, resistente, leve (não
absorver peso) e permitir o fácil escoamento da água, com secagem rápida.

10) Planta baixa: no projeto, é normalmente o desenho que recebe a maior carga de
informações. A ideia que se faz de uma planta baixa é aquela que estando em um ponto
determinado no alto, olhamos para baixo, vemos a obra seccionada em um plano
horizontal na altura média de 1 m a 1,50m. No desenho da planta baixa são definidas as
dimensões em tamanho real obedecendo às escalas do projeto, dos diversos
compartilhamentos suas interligações (circulação), suas medidas (cotas), suas
aberturas (portas e janelas), distribuição de louças nos banheiros, pias e tanques na
cozinha e área de serviço, como outros elementos que facilitem o projeto de
instalações, indicação dos acabamentos do piso, parede e teto (especificações),
armários, etc. As escalas ideais para o projeto da planta baixa são de 1:50 e 1:100,
sendo que os detalhes terão as escalas compatíveis com o grau de ampliação que se
deseja. As cotas são sempre dadas em metro ou seus submúltiplos (centímetro ou
milímetro).
11) Cortes-como vimos no estudo da planta baixa, o processo passa no sentido vertical,
por meio de um plano. Para efeito de corte, o principio é o mesmo da planta baixa
executando-se o seccionamento no sentido vertical.
12) Fachadas -como o próprio nome já sugere, fachada é aquilo que está na frente. A
planta baixa trata do interior; a fachada é a exteriorização do projeto, é a forma que a
obra adquire. No momento em que a fachada é imaginada, a posição do observador
(arquiteto) é aquela em que ele não vê esta fachada em uma sucessão de planos como
vemos naturalmente (perspectiva), mas ela é idealizada em um único plano, como uma
forma achatada.
A concepção de qualquer parte de um projeto não se faz isoladamente, mas é um
conjunto de soluções. O arquiteto, no momento em que concebe a planta baixa, já está
definindo também a cobertura, os cortes e as fachadas. Para estas, ele usará as
aberturas de janelas e portas, os diferentes planos com recuos ou saliências das quais
advirão os efeitos de perspectiva, bem como a sensação de luz e sombra. As alterações
cromáticas obtidas pelos elementos de acabamento tais como revestimento, alvenaria,
estrutura ou pintura, são ferramentas valiosas para a criação de uma fachada graciosa, o que não significa dizer que o uso abusivo de elementos venha trazer soluções ideais.

PROJETOS DE RESIDÊNCIA

Classificação

É importante estabelecer certos critérios classificatórios porque, em caso de
financiamentos, as normas disciplinadoras tratam de forma diferenciada cada tipo de
habitação. As moradias podem ser classificadas quanto ao tipo e quanto à edificação.

Quanto ao tipo: habitação unifamiliar (constituída de, no mínimo, um quarto, uma sala,
um banheiro, uma cozinha e área de serviço coberta e descoberta); habitação popular
(tem as mesmas características da habitação unifamiliar podendo, contudo, ter até três
dormitórios), e habitação residencial (a que possui área com mais de 68m.
(Código de
Obras de Brasília) Alguns códigos de edificações estabelecem um coeficiente para
classificar as residências, são os chamados de leito e referem-se â relação existente
entre a área total da residência e o número de leitos para as residências populares que
deve ser igual ou inferior a 10 (dez).

Classificação quanto à edificação:

As residências classificam-se quanto á
edificação em isoladas (separadas umas das outras); geminadas (ligadas por uma
parede comum), em série (construídas em sequência; subdividem-se em transversais e
paralelas ao alinhamento predial); conjuntos residenciais (agrupamentos de moradias
que têm no mínimo 20 unidades isoladas e/ou prédios de apartamentos, dependendo
do programa habitacional) e edifícios (edificações de dois ou mais pavimentos
destinados a residência, comércio ou ás duas finalidades (mista).

Cada projeto para edifício deverá seguir normas próprias em função de seu zoneamento, destinação, altura, número de unidades, além das legislações específicas do município. Contudo, em todo e qualquer edifício deverá sempre existir preocupação constante quanto aos acessos verticais (escadas e elevadores), definidos por normas próprias, proteção contra incêndio, estacionamento (mínimo 25m./veículo), coleta de lixo, etc.) Qualquer núcleo habitacional deverá ser servido de todos os complementos necessários ao seu pleno funcionamento, tais como comércio, escola, lazer, serviços públicos, etc.,
naturalmente mantendo as devidas proporções em relação ao número de usuários e à
legislação de cada município.

Fundação e Estrutura

Elaborados os projetos de Arquitetura e Estrutura, cabe ao proprietário/ construtor dar
início à obra, a qual deverá estar assentada de tal forma que não venha a tombar ou
afundar no terreno. É neste momento que se realizam as fundações ou, como dizem os
leigos, o alicerce da obra. E fundação é o processo pelo qual se cria no terreno uma
resistência igual e em sentido contrário ao do peso (ou força) que deverá atuar sobre
ele, para garantir a sustentação da obra. As fundações evitam que a obra tombe pela
ação do vento.

Quanto à estrutura de uma edificação, equivale ao esqueleto humano. É o sistema
rígido que lhe assegura manter-se de pé, ou seja, é a parte do corpo que recebe todas
as cargas (peso) próprias ou adicionais, e as transmite para a fundação. Os homens têm
uma série de articulações, que lhes permitem movimentos. Nas edificações também
existem estes movimentos, embora mínimos. As juntas de dilatação permitem à obra,
movimentar-se em decorrência da variação de temperatura ou outras solicitações. Não
obstante as semelhanças de funções estruturais, o processo evolutivo de uma e outra
são totalmente diferentes. No reino animal, a evolução foi lenta e gradual e está
completa há milhares de anos. O sistema estrutural das edificações, que hoje
conhecemos, tem pouco mais de uma centena de anos e só lhe foi possível atingir esta
maturidade, com o advento de novos materiais construtivos, como o aço e o cimento. E,
acima de tudo, com a exploração destes e outros materiais, pelas pesquisas técnicas de
resistência e aplicação dos conhecimentos matemáticos que constituem a alavanca da
evolução da Engenharia nas Edificações.

Tipos de Estrutura

Costuma-se classificar as estruturas, em função do material usado, em estruturas de
madeira (o tipo mais antigo de estrutura, todavia, em decorrência de sua pequena
capacidade de vencer vãos e suportar grandes esforços é empregada em obras de
pequeno porte. Outros empecilhos à aplicação e difusão da madeira nos tempos
modernos são a sua pouca durabilidade, além de, devido à escassez, o seu custo
tornar-se proibitivo. Hoje, o uso mais trivial da madeira é em estrutura de cobertura para telhas de barro; de concreto (associação de cimento, água e agregados (areia + pedra).
Quando se usa o concreto com um apoio, que é normalmente feito de ferro, dá-se a esta combinação o nome genérico de concreto armado) e de metal (estrutura ideal para
grandes obras ou para obras padronizadas; é uma estrutura limpa, rápida e de baixo
custo quando em grande quantidade).
Em decorrência da exigência de mão-de-obra mais especializada e, portanto, mais
cara, a indústria da construção civil, numa posição terceiro-mundista, tem oferecido no
Brasil grande resistência ao emprego da estrutura metálica. Em contrapartida, a
indústria siderúrgica nacional, face à reduzida procura, não tem investido no seu
desenvolvimento tecnológico e mercadológico, criando-se assim um círculo vicioso:
não desenvolve porque não vende; não vende porque não desenvolve.

INSTALAÇÕES

De todos os confortos que as instalações domiciliares nos oferecem, o sistema de água
potável é, sem dúvida, o mais importante. Podemos ficar sem energia elétrica ou
telefone por alguns dias e o transtorno será relativo, contudo, sem água, ele será total.
Não entraremos em detalhes de onde vem a água potável que chega até nossa
residência, pois cada cidade tem um fornecimento próprio. Numa residência, o
consumo médio diário por pessoa é de aproximadamente 150 litros de água; em locais
de trabalho o consumo atinge 50 litros por pessoa e, em restaurantes, devem ser
calculados 25 litros por prato servido. Chegando à casa, a água deve ser depositada em
um reservatório, de preferência superior, pelas razões que exporemos abaixo, e este
reservatório não deve ser inferior ao consumo diário per capita e, também, recomendase
que não seja superior a três vezes este consumo diário por questões de salubridade.

As caixas d’água são necessárias para:

a) manter o consumo inalterado em caso de falta d’água;
b) manter a pressão adequada em todas as peças por meio de uma distribuição
racional, tendo em vista que o serviço público normalmente fornece a água em canos de
19 mm (314 de polegada) e existem peças que exigem uma tubulação e diâmetro maior
para se obter a vazão necessária com velocidade adequada;
c) manter a pressão adequada ao funcionamento dos aparelhos. Por esta razão
recomenda-se o uso de caixa d’água elevada. É comum chuveiro e válvulas de
descarga não funcionarem ou funcionarem em funções precárias por um dimensionamento inadequado da rede, por pressão insuficiente ou, às vezes, por pressão excessiva;
d) as caixas são também responsáveis por uma parcela da purificação da água, pois
quando esta se encontra em repouso, as partículas pesadas depositam-se no fundo dos
reservatórios. Por esta razão, é necessária a limpeza periódica das caixas.

Distribuição interna da água

O projetista das instalações hidráulicas considerará, para efeito do dimensionamento
de cada ponto de saída ou tomada d’água de uma rede (barrilete), além do consumo
diário da residência, a vazão ideal para funcionamento, altura da caixa, características
próprias de cada edificação, acabamento perfeito da peça, bem como o peso (P) que é a
edificação, tais como: perdas de carga (diminuição do grau de maior ou menor uso da
peça, em função da pressão da rede) que são causadas pelo diâmetro da tubulação,
pelo número de conexões (curvas, tês, válvulas, etc.); distância de aparelho a ser
abastecido e tipo de uso das instalações peças de uso simultâneo alternado, de uso
prolongado, e seu custo, além de fatores inerentes a cada obra isoladamente.

As tubulações hidráulicas são normalmente de PVC, aço galvanizado e cobre. Nunca
se deve usar o chumbo para água potável, pois este material é nocivo à saúde podendo
causar intoxicações.
Em caso
de ramais
de água
quente,
a tubulação,
preferencialmente, deve ser de cobre ou aço galvanizado, sendo que este último, com o
tempo de uso, cria uma crosta interna, prejudicial à alimentação.

Instalações de esgoto

A primeira ideia que nos vem quando tratamos de uma rede de esgoto é que
toda água usada sairá em forma de esgoto. Até as concessionárias de serviço público
usam este critério para cálculo de volume dos afluentes em suas redes. Relativamente a
volume, esta concepção é correta, porém só em parte: a composição do esgoto
doméstico tem 99,9% de água; mas o problema diz respeito ao 0,1% (um décimo por
cento) restante, constituído dos resíduos oriundos das fezes, urina, limpeza corporal,
lavagem de piso, roupas, utensílios de cozinha, etc. Neste processo diário de excreção
e higienização, vão elementos orgânicos, fezes, urina e gorduras, como também
ácidos, detergentes, pó e muitos outros produtos. Esse composto gera grandes
complicadores
para a rede
coletora de esgoto:
cultura
e proliferação
de micro-organismos, formação de gases, aglutinação das gorduras, etc., em caso de
esgoto residencial. Em outros tipos de edificações, podem existir elementos que, pelas
suas características poluentes, requerem redes e tratamentos especiais, como por
exemplo, os hospitais, as indústrias e os frigoríficos. Assim, o projeto de esgoto também
requer cuidados especiais, não só como elemento de canalização das águas servidas,
mas, sobretudo para se evitar que estas venham contaminar o ambiente com o
vazamento de líquidos ou gases, passagem de animais e insetos, causando transtornos
quanto à habitabilidade ou o comprometimento por questões de saúde. Em decorrência
daquele 0,1% que mencionamos acima, a rede de esgoto não poderá ter o mesmo
diâmetro da rede de água. Assim, se em uma pia de cozinha a torneira é de 13 mm, a
rede de esgoto será no mínimo de 40 mm, pois a tubulação de esgoto trabalha a meia
seção, enquanto a água é fornecida com a tubulação cheia. Deve-se ainda lembrar a
importância do destino final dos esgotos para a saúde pública e para o equilíbrio
ecológico. Boa parte de nossas cidades já dispõem da rede pública de captação dos
esgotos, entretanto, pouquíssimas estão aparelhadas com os dispositivos técnicos de
tratamento e lamentavelmente eles são lançados in natura nos córregos, rios ou lagos,
com sérios e imediatos comprometimentos para as populações ribeirinhas.

Aseguir, alguns detalhes deste sistema:

Fossa séptica: destina-se a separar e transformar a matéria sólida contida na água de
esgoto, principalmente fezes, para em seguida descarregar esta água no solo. A
transformação deste composto sólido é feita por bactérias anaeróbicas. Dessa forma,
deve ser evitado jogar na fossa séptica a água servida na cozinha, pois esta contém
sabão e detergentes, os quais são nocivos à formação e proliferação de bactérias.

Caixa de gordura-destina-se a receber a água servida na cozinha e separar a gordura.
Este procedimento é necessário, pois como vimos antes, não se recomenda o
lançamento desta água na fossa séptica nem o seu lançamento diretamente no
sumidouro sem a separação da gordura, sob pena de, com o tempo, impermeabilizar as
paredes do sumidouro, dificultando assim a absorção natural. Veja o esquema para
construção de uma caixa de gordura.

A gordura fica em suspensão, permitindo a passagem da água.
Tanto a caixa de gordura quanto a fossa séptica necessitam de limpeza periódica para
remoção da gordura e da massa retidas.

Sumidouro
– é simplesmente um buraco no chão e destina-se a absorver a água proveniente da fossa séptica, da caixa de gordura ou de outras origens.

Lembrete importante
-seja na cidade ou no campo, em rede pública ou particular, as
águas de chuva (águas pluviais) nunca devem ser canalizadas para a rede de esgoto,
pois poderá saturá-la, irremediavelmente, comprometendo todo o sistema. Em caso do
lençol freático (água subterrânea) ser muito raso, usa-se para sumidouro uma malha de
manilhas furadas, assentadas aproximadamente a 50 cm de profundidade sob um leito
de brita.

Terminologia da NBR 8160/60

Adota-se nesta Norma a seguinte terminologia:

*Aparelho sanitário: aparelho ligado à instalação predial e destinado ao uso da água
para fins higiênicos ou a receber dejetos e águas servidas.
* Caixa coletora: caixa situada em nível inferior aos sanitários, inclusive os de bacias
sanitárias, e ao do coletor predial; onde se coletam despejos. Descarregá-las
diretamente em canalização cujo esgotamento exige elevação.
* Caixa de gordura: caixa detentora de gorduras.
* Caixa de inspeção: caixa destinada a permitir a inspeção e desobstrução de
canalizações.
* Caixa sifonada fechada: caixa, dotada de fecho hídrico, destinada a receber
efluentes de aparelhos sanitários, inclusive os de bacias sanitárias e descarregá-los
diretamente em canalização primária.
* Caixa sifonada com grelha: caixa sifonada, dotada de grelha na parte superior,
destinada a receber águas de lavagem de pisos e efluentes de aparelhos sanitários,
exclusive os de bacias sanitárias e mictórios.
* Canalização primária: canalização de acesso dos gases provenientes do coletor
público.
* Canalização secundária: canalização por desconector contra o acesso de gases
provenientes do coletor público.
* Coletor predial: canalização compreendida entre a última inserção de subcoletor
ramal de esgoto ou de descarga e de rede pública ou o local de lançamento dos
despejos.
*Coluna de ventilação: canalização vertical destinada à ventilação de sifões sanitários
situados em pavimentos superpostos.
* Desconector: sifão sanitário ligado a uma canalização primária.
* Despejos: refugos líquidos dos edifícios, excluídas as águas pluviais.
* Despejos domésticos: despejos decorrentes do uso de água para fins higiênicos.
* Despejos industriais: despejos decorrentes de operações industriais.
* Fecho hídrico: coluna líquida que, em um sifão sanitário, veda a passagem de gases.
* Peça de inspeção: dispositivo para inspeção e desobstrução de uma canalização.
* Ramal de descarga: canalização que recebe diretamente efluentes de aparelhos
sanitários.
* Ramal de esgoto: canalização que recebe efluentes de ramais de descarga.
* Ramal de ventilação: tubo ventilador secundário ligando dois ou mais tubos
ventiladores individuais a uma coluna de ventilação ou a um ventilador primário.
*Ralo:caixa dotada de grelha na parte superior, destinada a receber águas de lavagem
de piso ou de chuveiro.
* Sifão sanitário: dispositivo hidráulico destinado a vedar a passagem de gases das
canalizações de esgoto para o interior do prédio.

Resultado de imagem para Sifão sanitário
* Subcoletor: canalização que recebe efluentes de um ou mais tubos de queda ou
ramais de esgoto.
*Tubo de queda: canalização vertical que recebe efluentes de subcoletores, ramais de
esgoto e ramais de descarga.
* Tubo ventilador: canalização ascendente destinada a permitir o acesso do ar
atmosférico ao interior das canalizações de esgoto e a saída de gases dessas
canalizações, bem como a impedir a ruptura do fecho hídrico dos desconectores.

Resultado de imagem para Tubo ventilador
* Tubo ventilador primário: tubo ventilador tendo uma extremidade aberta, situada
acima da cobertura do edifício.

Resultado de imagem para Tubo ventilador
* Tubo ventilador secundário: tubo ventilador tendo a extremidade superior ligada a
um tubo ventilador primário, a uma coluna de ventilação ou a outro tubo ventilador
secundário.

* Tubo ventilador de circuito: tubo ventilador secundário ligado a um ramal de esgoto
servindo a um grupo de aparelhos sem ventilação individual.
* Tubo ventilador individual: tubo ventilador secundário ligado ao sifão ou ao tubo de
descarga de um aparelho sanitário.
* Tubo ventilador suplementar: canalização vertical ligando um ramal de esgoto ao
tubo ventilador de circuito correspondente.
* Tubo ventilador contínuo: tubo ventilador constituído pelo prolongamento do trecho
vertical de um ramal de descarga, ao qual se liga por intermédio de um Tou de um Y.
Instalações elétricas

A norma que disciplina a elaboração dos projetos de instalações elétricas é a NBR 5410
(Norma Brasileira-3), além de algumas legislações regionais, mas todas embasadas na
NB-3.

Os tubos de PVC e ABS não são tóxicos e são resistentes à abrasão. Os tubos de ABS são mais fáceis de instalar do que os de PVC, além de serem mais resistentes e rígidos, mas têm mais possibilidade de deformar ou empenar no sol. Os tubos de PVC são flexíveis mas duráveis. Os dois tipos de tubos de plástico são baratos se comparados a tubos de metal ou outros materiais.

Para melhor compreensão de um sistema de distribuição de energia elétrica,
estabeleça-se um paralelo com a distribuição de água, facilmente comprovada por
experimentação:

Se tivermos dois recipientes ligados por um tubo e em um deles colocamos água, pelo
princípio dos vasos comunicantes, a água fluirá para o outro recipiente até se igualarem.
Isto acontece porque no recipiente cheio a pressão é maior. A água deixará de fluir
quando os dois recipientes estiverem com o mesmo nível d’água, ou seja, as pressões
forem iguais. O fluxo de corrente elétrica segue o mesmo princípio. Entre os diversos
pontos de uma instalação, a tendência é existir uma diferença de potencial ou tensão, o
que no sistema líquido seria a diferença de pressão.

Se quisermos alimentar uma válvula de descarga, cuja vazão exige tubo de 38 mm (1
1/2″) e para tanto colocarmos um tubo de 13 cm (1/2″), o bom senso logo nos alertará
que esta válvula não irá funcionar, porque faltou um volume de água compatível com o
aparelho; logo, faltou pressão na tubulação. Assim também ocorre com a eletricidade;
se queremos alimentar um chuveiro (400 watts) e lhe fornecemos somente 250 watts, o
chuveiro não irá funcionar, funcionará mal ou causará superaquecimento do circuito
elétrico.  R = E/I  P=E*I

Quando aumentamos o fluxo de água em um tubo, estamos aumentando a pressão
interna neste tubo e pode acontecer de ele não suportar e arrebentar.

Instalação Elétrica

Na rede elétrica,
quando forçamos a passagem de um fluxo elétrico acima do admissível em um fio, este,
em decorrência do aumento da resistência elétrica, irá se aquecer. O chuveiro, no caso
acima, por necessitar de uma quantidade maior de energia, irá forçá-la a vir e se o
dimensionamento do fio não for compatível, este irá se aquecer e fundir.

Outro fator preponderante é a distância entre a fonte e o destino. Se na rede hidráulica o
comprimento for muito longo, teremos que aumentar a pressão e colocar mais água no
tubo para vencer a distância. Situação semelhante acontece com a energia elétrica. Se
a distância aumenta, o fluxo de energia também deverá ser aumentado, pois esta terá
um caminho maior a percorrer. Se de um cano (32 mm) fazemos duas ou mais
bifurcações (25 mm cada), irá acontecer que em todos eles haverá pressão insuficiente.
Na rede elétrica, o processo é idêntico. Se fizermos derivações de um fio, o qual é
suficiente para alimentar uma geladeira (300 W) e passamos a alimentar duas (600 W),
a tendência é que irá fluir por aquele fio uma quantidade maior de energia; logo, ele irá
aquecer, ou então não irá fluir, danificando os aparelhos.

É preciso ter sempre presentes três princípios em energia elétrica:

a) Tensão ou diferença de potencial – é a diferença de potência elétrica entre dois
pontos da rede. Sua medida, feita em volts, é comumente chamada de voltagem.
b) Resistência – é a dificuldade que cada corpo oferece à passagem da energia elétrica.
Um fio de cobre tem baixa resistência, ou seja: e ótimo condutor, já a porcelana tem alta
resistência, sendo, portanto, um péssimo condutor, mas um ótimo isolante. A resistência
é medida em ohms.
c) Intensidade – é a quantidade de energia que chega a determinado ponto ou em
outras palavras, é a quantidade de energia necessária para funcionar um aparelho. A
intensidade é medida em ampere.
Dispondo-se da quantidade de energia a ser consumida em função dos aparelhos a
serem usados, a distância que esta energia irá percorrer até alimentar estes aparelhos e o tipo de condutor disponível no mercado para esta energia, o projetista elabora o seu
projeto calcado no projeto de arquitetura.
Outro aspecto a ser considerado na execução de um projeto de instalações elétricas
bem concebido, é o econômico. As distâncias percorridas pela energia, a bitola
compatível da fiação e a distribuição adequada dos circuitos são fatores que, ao longo
da vida da instalação, representarão uma economia substancial para o usuário. Ao
contrário, um projeto mal executado poderá elevar as contas mensais de consumo de
energia e acarretar como danos nos aparelhos elétricos.

Instalações telefônicas

À primeira vista, o projeto de telefonia pode parecer o mais simples de todos, em função
do número de pontos instalados; porém, à medida que aumenta a complexidade na
edificação, o projeto de comunicação também cresce em tamanho e dificuldade. O
avanço tecnológico, compreendendo principalmente a telefonia celular, tem amenizado
em muito estes problemas.

A Obra e o Projeto

Toda obra, antes de ser iniciada, deve estar com os seus projetos completos e
resolvidos de forma harmônica, a fim de evitar tropeços e, consequentemente, aumento
de custo e tempo. Se o cronograma da obra obedecer a esta diretriz, teremos, na
execução, dois fatores preponderantes para o sucesso: a agilidade no empreendimento
da obra e a redução dos seus custos.

O Decreto n° 52.147, de 25 de junho de 1963, que aprova as normas de projeto e
métodos de execução de serviços, a discriminação orçamentária para obras de
edifícios públicos, embora revogado em 10 de dezembro de 1985 pelo de n° 92.100,
estabelece um roteiro aplicável em toda obra, permanecendo como excelente
referencial para o estudo das diferentes etapas da edificação. A íntegra do Decreto n°
52.147/63 pode ser encontrada na Internet no endereço
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/116317/decreto-52147-63

Temos então que, além do Projeto, a obra segue a seguinte subdivisão da obra:

Serviços gerais (providências que precedem o início da obra): colocação de tapumes
de madeira e/ou cercas; colocação de tabuletas com indicações dos dados da obra e os
responsáveis pelos projetos; construção dos barracões; indicação dos depósitos de
material perecível (cimento, tinta, etc.) e outros materiais (areia, brita, cascalho, tijolos,
madeira, etc.); aparelhos e máquinas (betoneira, guincho, serra, andaime, vibrador,
etc.); alojamento para pessoal, incluindo banheiro e dormitório. Um canteiro com
espaços disciplinados é decisivo para o resultado final, quanto à qualidade, custo e
prazo. É nessa etapa que se efetuam as ligações provisórias de água, esgoto, energia
elétrica e telefone, como também se realizam o planejamento da entrada de material ao
longo da obra e a contratação da mão-de-obra, tanto de empregados especializados
como bombeiro hidráulico, eletricista, pedreiro, ladrilheiros, armadores, serralheiros,
carpinteiro, como daqueles sem especialização.

Preparação do terreno: Etapa das capinas, roçados, desmatamento, demolições,
remoção de entulhos e de material orgânico, locação da obra, movimentos de terra, etc.

Elevadores: Constituem um dos itens mais complexos de uma obra. Em face desta
complexidade e ao seu uso restrito, somente são utilizados em obras de certo vulto.

Paredes: Fechamento de vãos ou divisão de ambientes. Os tipos de parede são
ilimitados, podendo ser, por exemplo: madeira, placas de mármore, marmorite, tijolos
de vidro, elementos vazados (cobogó), tijolos de cone celular, gesso, dry wall, etc. Os
materiais mais usados são:

a) Tijolo de barro -são maciços com as dimensões 5x10x20cm ou furados de
10x20x20 . Esses dois padrões são os mais usuais, não obstante existirem outros
padrões no mercado. São assentados com uma massa de argamassa de
aproximadamente 1,5cm no traço 1:2: 9 (uma parte de cimento, duas de saibro e nove
de areia).
b) Blocos de cimento -São regulamentados pela NBR- 7173. O assentamento
se faz com pasta de cimento e areia no traço 1:4 (uma parte de cimento e quatro partes
de areia).
c) Pedra – nos tempos mais modernos, seu uso tem se limitado mais ao
aspecto formal, ou seja, decoração.
Cobertura: Toda e qualquer cobertura necessita de uma estrutura de sustentação, a
menos que seja autoportante, como telhas de amianto, alumínio ou chapas de aço.

Esquadrias: Todas as peças usadas na vedação das aberturas das edificações. São
classificadas em internas (portas) e externas (portas e janelas), podendo ser de
madeira e metálicas (ferro ou alumínio).

Revestimento -É todo acabamento das superfícies (paredes), excluindo-se a pintura.
Normalmente, os revestimentos iniciam-se no chapisco, traço 1:4 (cimento e areia), que
tem a finalidade de servir como ancoragem ao emboço, cujo traço varia em
conformidade com a finalidade; sua espessura não deve ser superior a 2 cm. O emboço
serve de base para outros revestimentos, tais como o reboco, azulejo, etc. O reboco ou
massa fina, normalmente, é usado para receber pintura; sua textura pode ser rústica,
camurçada, lisa, com pó de pedra, etc. Entre os revestimentos, o de maior destaque é o
azulejo. Existem inúmeras classificações da qualidade dos azulejos, variando de
fabricante para fabricante. Assim, um produto classificado como de primeira, na marca “X” poderá corresponder na marca “Y” de segunda, e na marca “W”, de extra.
A escolha do tipo adequado de revestimento é condicionada, além do aspecto estético,
pela durabilidade, custo, adequação ao ambiente, à função e ao uso.

Soleira é o tipo de arremate usado sob os vãos das portas e quando existe mudança de
tipo de pavimentação; os tipos mais usuais de soleira são as de mármore, madeira,
pedra, granito e cerâmica. A
largura é normalmente a do portal quando sob vãos de
portas ou, em outra situação, a recomendada pelo arquiteto.

Rodapé é o arremate da pavimentação usado nas paredes. Normalmente, emprega-se
para os rodapés o mesmo material do piso e sua altura não deve ultrapassar a 10 cm, a
não ser que haja recomendação em contrário do arquiteto, autor do projeto.

Peitoril é o acabamento na parte inferior das janelas, que complementa a parte do
marco com uma pequena pingadeira na parte exterior. Este acabamento pode ser em
chapa metálica, mármore, cerâmica, placa de cimento ou outros materiais.

Ferragens: São as peças metálicas (aço, ferro, alumínio, bronze, cobre, etc.)
encontradas nas esquadrias metálicas ou de madeira, responsáveis pela fixação das
mesmas (fechos, fechaduras e cremonas). Permitem, também, a articulação das
esquadrias (gonzos, dobradiças e alavancas).

Vidros: Trata-se de material cujo emprego na arquitetura vem dia-a-dia se difundindo
nas construções, quer pelo aspecto plástico, quer quanto ao aspecto técnico. A
supressão de seu uso hoje é um caso impensável, mesmo com a grande variedade de
produtos similares como os derivados do petróleo, ou seja, os plásticos. Aclassificação
dos vidros é objeto da Norma Brasileira n° 226, que os considera quanto ao tipo
(recozido, temperado, laminado, aramado), ou quanto à forma (chapa plana, curva,
perfilada e ondulada), à transparência, conforme a passagem da luz, ou ainda à
superfície e coloração.

Tratamento da obra: Proprietários e construtores têm dado pouca ou nenhuma
atenção ao tratamento, que é a proteção da obra quanto aos seguintes aspectos:

a) Vazamento d’água (impermeabilização) que se manifesta pelo piso,
paredes ou cobertura.
b) Proteção ao calor ou tratamento térmico, para manter inalterada a
temperatura ambiente desejada. O tratamento é o mesmo, independentemente de
querer-se manter a temperatura quente ou fria, pois existem materiais próprios como lã
de vidro, vermiculita, isopor, cortiça, etc.
c) Ruídos, que requerem proteção acústica através de materiais específicos
ou pode ser feito pelo método construtivo.
Pavimentação: é todo
acabamento sobre o contrapiso ou sobre lajes em pavimentos
superiores, desde o simples e trivial cimentado, até pisos sofisticados ou de alta
resistência, como o granito. Esta denominação tanto vale para a parte interna como
para a externa das edificações. A lista de tipos de pisos é infindável, indo dos diversos
tipos de aplicação do cimento às cerâmicas, pedras, madeiras, borrachas, cortiças e
produtos sintéticos industrializados.

Pintura: Não existe uma data precisa de quando o homem passou a pintar seus objetos
de uso pessoal ou suas moradias. Sabe-se que, nos primórdios da história, a pintura
tinha como única finalidade a decoração (como comprovam alguns objetos de barro encontrados em escavações arqueológicas ou as pinturas rupestres). Na Antiguidade
os egípcios antigos desenvolveram alta tecnologia no uso de pigmentos, resinas e
solventes. Não se conhece um único grupo social, por mais primitivo que seja, que não
tenha usado a cor como elemento para realce da beleza ou como tributo às suas
divindades. Nos últimos séculos, com o advento da revolução industrial e a atual
conceituação das funções da pintura, as tintas passaram a ser elemento de
acabamento, buscando a proteção da superfície e ganhando destaque na indústria que
tem investido no aprimoramento das mesmas, sempre na busca da qualidade e do belo.
Hoje os tipos de tinta disponíveis no mercado são diretamente proporcionais ao tipo de
aplicação. Em face das extensas superfícies das edificações na construção civil, a
pintura exerce uma influência muito grande, como elemento de decoração e,
principalmente, de proteção. Aconselha-se a observância das recomendações técnicas
dos fabricantes e, acima de tudo, o emprego de mão-de-obra especializada e
responsável. Só assim é que se pode tirar partido de todas as vantagens oferecidas
pelas tintas como elemento de proteção à superfície e de realce á beleza. Vale
conhecer, para ilustração, a nomenclatura da teoria das cores:

a) Cores primárias, puras ou fundamentais são as que, teoricamente, quando
combinadas, dão origem a todas as outras –amarelo, azul e vermelho.
b) Secundárias são as oriundas das primárias. Ex.: verde (amarelo e azul), laranja
(amarelo e vermelho) e violeta (vermelho e azul).
c) Complementares são as cores obtidas pela combinação de duas secundárias ou de
uma primária e uma secundária. Ex.: marrom (vermelho e verde).
d)Neutras são as indefinidas e pouco vistosas: preto, branca, cinza e bege.
e)Quentes são as que, pela sensação de calor que transmitem, nos induzem impressão
de energia, força, poder e dinamismo -vermelho, laranja, amarelo.
f) Frias são as que transmitem as sensações opostas às cores quentes, isto é, não
induzem ao repouso -anil, roxo, lilás, verde, azul.
Acor branca é formada pela composição de todas as outras (descoberta Isaac Newton).
Veja o arco-íris, que é a decomposição da luz solar, e que reflete varias cores. Acor preta
não reflete cores; pelo contrário, absorve todas.

Aparelhos

Em uma obra, são utilizados três tipos de aparelhos, peças de acabamento em cuja
escolha deve-se ter o cuidado de não criar contrastes chocantes com os demais
elementos, tanto em termos do estilo quanto do padrão de acabamento e da cor.

a)Aparelhos sanitários -são todos os aparelhos usados em banheiros, tais como: vaso,
papeleira, saboneteira, bidê, caixa de descarga, lavatório, mictório, banheira e
chuveiro.
b)Aparelhos de água potável -aqueles necessários às instalações hidráulicas, porém
de uso direto, como bebedouro, filtro e torneira.

c) Aparelhos de iluminação – os destinados à iluminação, como lâmpadas, calhas,
arandelas, lustres, globos e refletores.
Elementos decorativos: Todo trabalho artístico executado em uma obra está
classificado como elemento decorativo. Esses trabalhos artísticos abrangem as peças
de serralheria, de madeira, de gesso, de cerâmica, desde que a execução dessas peças
requeira um requinte de projeto e de execução especial. É neste item que se enquadram
os elementos necessários ao estudo e implantação de sistemas de comunicação visual,
quando a obra assim o exige. Incluem-se aqui os trabalhos de paisagismo, tais como
jardins e arborizações.

Limpeza: Não se trata da remoção dos entulhos e restos de obra, que deve ser
constante e ininterrupta. É a limpeza fina, ou seja, a remoção de pequenos resíduos ou
manchas em louças, metais, cerâmicas, aparelhos, ferragens, azulejos, vidros, esquadrias. Considera-se que, concluída esta limpeza a obra está pronta e em
condições de ser habitada.

SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO

Dizia Arnaldo ex-ministro do Trabalho, Patrono dos Corretores de Imóveis: “Trabalho
deve ser meio de vida e não de morte.”

O Corretor Imobiliário deve apropriar-se dos princípios da Segurança no Trabalho,
visando minimizar os índices de acidentes na área da construção civil, mas a
abordagem a que este tema refere-se não a todas as atividades produtivas, desde a
dona de casa em seus afazeres domésticos, passando pelos operários de uma forma
geral, até os altos escalões das grandes empresas públicas ou particulares. Se a dona
de casa enfrenta constantemente perigos na cozinha ou outras dependências do lar, o
operário enfrenta riscos e desconfortos no desempenho de suas funções; também o
executivo está sujeito a ações de fatores que afetam a capacidade de rendimento pleno
e comprometem a saúde, tais como transporte, móveis, iluminação, temperatura,
ambientes inadequados, excesso de barulho, etc.

Na área da construção civil, a situação brasileira chega a ser alarmante, em face ao alto
índice de acidentes fatais e mutilações irreversíveis, isto sem considerar a grande
massa de trabalhadores que tem seu trabalho interrompido por alguns dias, devido à
imperícia dos administradores
das obras, a ganância
dos proprietários
e, lamentavelmente, a incúria dos próprios operários.

Se deixarmos de lado o aspecto humano da questão e nos concentrarmos no lado
material, verificaremos que todo ano os prejuízos oriundos do afastamento definitivo de
trabalhadores mutilados, da perda dos mortos ou os afastamentos transitórios,
constituem um prejuízo enorme não só da mão-de-obra útil, como também nos gastos
diretos com tratamentos hospitalares ou outros benefícios a que têm direito os
familiares dos mortos ou dos acidentados. Além disso, há que se considerar que este
grupo inclui operários especializados, cuja preparação demandou tempo, esforços e
recursos financeiros.

Os profissionais atuantes na construção civil constatam que, por um paradoxo
inexplicável, o grande causador dos acidentes é o próprio operário. Sua relutância e
mesmo reação ao uso dos equipamentos protetores e à exposição desnecessária ao risco têm levado operários a acidentes perfeitamente evitáveis e previsíveis. Por
exemplo, por não quererem usar botinas, frequentemente machucam os pés.

Não são poucos os casos de operários que perderam a vida por se recusarem a usar o
cinto de segurança, ficaram cegos pela teimosia em evitar os óculos protetores e
perderam, paulatinamente, a audição por falta do uso dos protetores de orelha. Alista é
infindável. É comum estarem os equipamentos à disposição na obra, mas os
empregados recusarem-se sistematicamente a usá-los, como se estes equipamentos
viessem cercear seus movimentos, impedindo-os de trabalhar.

Assim como os administradores e proprietários devem evitar a ocorrência de acidentes
em suas obras, por uma questão financeira imediata ou de investimento a longo prazo,
os operários devem se conscientizar das vantagens do uso adequado das normas de
utilização dos instrumentos de trabalho, bem como devem cuidar da perfeita adequação
de todos os elementos necessários a um trabalho protegido e produtivo, que se inicia
com o treinamento correto, à prática do uso seguro de todos os materiais a serem
usados e resguarda a sua saúde plena.

Somente com o aprimoramento de valores individuais é que se poderá aspirar para a
massa trabalhadora brasileira uma consciência coletiva indispensável
ao desenvolvimento social; para tanto, deve-se ter a coragem de recusar tarefas onde as
condições de segurança ficam a desejar, de exigir que todas as condições
estabelecidas pela lei sejam cumpridas, de não se alienar, participando de grupos
cooperativos, tais como CIPAS, sindicatos e associações.
Quando o trabalhador sentir que seus direitos estão sendo ameaçados, deve denunciar
os fatos às autoridades competentes.
O operário deve se impor, não pela força da lei, que tem dois sentidos (direitos e
deveres), mas pela força do seu senso de responsabilidade e desempenho correto de
seu trabalho.

Em resumo
Toda atividade tem o seu grau relativo de riscos e periculosidade.

a) Na área da construção civil, a falta de segurança no trabalho chega a ser alarmante,
face ao alto índice de acidentes fatais e mutilações irreversíveis.
b) O principal responsável pelo alto índice de acidentes no trabalho é o próprio operário
que se recusa a usar os equipamentos de proteção à sua disposição na obra, alegando
que os mesmos impedem os movimentos necessários ao trabalho.
c) Atitudes que devem ser tomadas por todo empregado: recusar tarefas onde as
condições de segurança ficam a desejar; exigir que todas as condições estabelecidas
pela lei sejam cumpridas: participar de grupos cooperativos; denunciar os burladores da
lei.
d)Somente com o aprimoramento de valores individuais é que se poderá aspirar para a
massa trabalhadora
brasileira
uma consciência
coletiva indispensável
ao desenvolvimento social.

FIM

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Um comentário em “DESENHO ARQUITETÔNICO E NOÇÕES DE CONSTRUÇÃO CIVIL

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