Grace Hopper, a Maior de todas as Geeks


Gracehopper

Em sua infância Grace Hopper enfrentava a pior situação possível nos EUA: era mulher, interessada por ciência e tecnologia no começo do Século XX. Enquanto negros libertos tinham conseguido direito a voto em 1870, mulheres só foram admitidas nas urnas em 1920. Oito anos antes daquela garotinha mirrada, que adorava desmontar relógios para ver como eles funcionavam, se formar em física e matemática. Dois anos depois, em 1930 ela conseguia seu Mestrado por Yale.

A maioria das mulheres de sua época era adestrada para só pensar em casar e tomar conta do lar, mas Grace queria mais. Em 1934 já tinha um Ph.D., também em matemática, e uma carreira sólida como professora.

Com a 2ª Guerra Mundial ela se licenciou e se alistou na WAVES, uma divisão criada especialmente para mulheres, que cuidariam das áreas burocráticas enquanto homens (brancos) lutavam nas linhas de frente.

Aquela mulherzinha de 47 kg se graduou em 1º lugar na turma, se formando Tenente e sendo designada para o projeto de computação de Harvard, programando o Mark I, um dos primeiros computadores do mundo. Ela continuou em Harvard trabalhando para a Marinha até 1949, como terceirizada, depois de ter ido para a Reserva Naval, com o fim da guerra.

Perguntada sobre como sabia tanto de computadores naquela época, ela respondeu: “Eu não sabia. Ninguém sabia, era o primeiro”.

Durante uma virada de noite em 1947, um membro de sua equipe descobriu o motivo do Mark II ter travado. Uma mariposa ficou presa em um relé. Ela batizou o ato de remover o bug de… Debugging, expressão usada até hoje.

Em 1949 ela mudou de emprego, foi desenvolver o UNIVAC I, que já era mais próximo de um computador de verdade. Então ela teve a idéia que mudaria tudo no mundo da Informática: o Compilador.

Ninguém levou a sério, computadores eram máquinas que calculavam, não “compilavam”. A idéia de um programa flexível, que interpretasse uma linguagem mais próxima de inglês do que código de máquina era alienígena para os profissionais e cientistas da época.

Mesmo assim em 1952 Grace Hopper tinha seu compilador funcionando, compilando A-0, uma linguagem que ela também criou. Em 1959 seu trabalho já era reconhecido, resultando em boa parte das especificações do COBOL.

Em uma de suas apresentações mais famosas Grace gostava de contar como explicava a Almirantes o motivo da comunicação por satélites demorar tanto. Ela mostrava que os computadores trabalhavam na escala de nanosegundos, e isso era limitante.

Para demonstrar o que era um nanossegundo ela puxava um fio de telefone com 30 cm. Essa era a distância que um sinal elétrico percorria em 1 ns, e havia um monte de nanosegundos até um satélite. Para mostrar um microssegundo, ela puxava um rolo com 300 m de cabo. Aqui um raro vídeo de Grace Hopper demonstrando seu nanossegundo:

SeHouMusic — Grace Hopper – Nanoseconds

Nos anos 60/70 ela pesquisou e definiu conceitos como padrões e certificações para homologação de software, implementando o uso e a padronização de COBOL na Marinha.

Ela foi aposentada e reconvocada várias vezes, só saiu da Marinha quando não tinha mais jeito e já havia violado todos os regulamentos quanto a idade de oficiais. Grace deu baixa em 1986, aos 79 anos, com o post de Contra-Almirante.

Na mesma época ela deu uma entrevista IMPERDÍVEL para ninguém menos que David Letterman.

TheLazlo101 — Grace Hopper on Letterman

Se alguém imaginava que ela iria descansar com a aposentadoria, imaginou errado. Imediatamente contratada pela Digital como consultora sênior, Grace Hopper continuou como uma das maiores mentes da Ciência da Informação até 1992, quando morreu, aos 85 anos.

usshopper

Enterrada com honras militares no Cemitério Nacional de Arlington, Grace foi a 2ª mulher a ser homenageada com um navio, o USS Hopper, um destroyer lança-misseis comissionado em 1997 e ainda em atividade.

O Lema do USS Hopper deveria ser uma lição para todas as mulheres, geeks ou não, que vivem em um mundo onde não são reconhecidas, onde são colocadas para baixo o tempo todo e condicionadas a achar que precisam ser altas, magras, bonitas e fúteis para fazerem diferença.

Perfeitamente adequado a uma baixinha nariguda que nasceu em uma péssima época e escolheu uma carreira nada feminina, mas mesmo assim tornou-se pioneira em uma nova ciência e literalmente mudou o mundo com seu trabalho, o lema do USS Hopper é AUDE ET EFFICE — OUSE E FAÇA.

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