COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA


MANUAL DO CURSO DE FORMAÇÃO DE TÉCNICOS

EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS
T.T.I.

 

ÍNDICE

Apresentação
Escrever bem é escrever certo
A linguagem

A linguagem
Língua natural
Origem da língua
Semântica
Homônimos e parônimos
Expressões a evitar
Ortografia
Notações léxicas
Minúsculas e maiúsculas
Gramática
Ortoépia e prosódia
Morfologia
Sintaxe
Concordância
Regência
Redação Oficial
Bibliografia

 

APRESENTAÇÃO¹Escrever bem e escrever certo

Nossa civilização é marcada pela linguagem gráfica”, observa a professora Suely
Shibao², ressaltando que é “por meio da escrita que acumulamos conhecimentos,
transmitimos idéias, preservamos nossa cultura”.

O idioma português é o quinto mais falado do mundo, alcançando 200 milhões de
pessoas.

A comunidade lusófona é constituída por Brasil, Portugal, Angola,
Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe (os cinco últimos na
África) e por Macau, Timor Leste e Goa no Oriente, onde também esteve presente a
colonização portuguesa.

Durante muitos anos, todavia, somente o texto clássico e o registro formal da linguagem
ganharam espaço nas aulas de Língua Portuguesa; a análise literária e a observação
rigorosa das regras gramaticais norteavam a consecução dos objetivos do ensino da
língua materna. Começava-se na escola pela caligrafia, como se o sucesso profissional
futuro só pudesse ser alcançado por quem soubesse escrever bem.

Ora, escrever bem é como tocar piano, pintar um bom quadro, lapidar uma jóia: um dom
que nem todo ser humano recebeu do Criador. O indispensável para quem quiser se
fazer entender é escrever certo, à mão ou no teclado do computador.

O Corretor de Imóveis tem de escrever certo para poder atender às necessidades do
universo cultural do Século 21, muito mais abrangente, dominado pelos meios de
comunicação social, no qual aspectos característicos do literário e do não-literário, do
formal e do não-formal se mesclam em novas formas de texto que envolvem não só a
palavra escrita como a exploração do signo visual globalizado pela Internet.

Por isso, ressalta ainda Shibao,
cumpre ao
mediador
do
processo
ensino/aprendizagem (que o sistema de educação a distância admite estar até do outro
lado do mundo), “proporcionar a interação entre o educando e o universo cultural que o
cerca, através do estudo de produções textuais várias (textos publicitários,
administrativos, jurídicos, teóricos, regionais, musicados, não verbais, entre outros), em
que envolvem não só a palavra escrita como a exploração do signo visual.

Em 16 de dezembro de 1990, representantes do Brasil, Portugal e dos demais países de
Língua Portuguesa assinaram em Lisboa um novo Acordo Ortográfico com o objetivo de
criar uma ortografia unificada.

A previsão do Ministério da Educação é que até 2012 todos os livros didáticos brasileiros
estejam adaptados às novas regras, que entraram em vigor no Brasil no dia 1º de janeiro
de 2009. Até 31 de dezembro de 2012, as regras antigas também são válidas, mas
passarão a obrigatórias no primeiro dia de 2013, recomendando-se, assim, extremo
cuidado na confecção de contratos, escrituras e outros documentos oficiais, assim
como nas provas dos concursos.

Na verdade, nos dias atuais, a Língua Portuguesa apresenta dois sistemas ortográficos:

o português luso-africano e o brasileiro. Verifica-se, ainda, no Brasil e em Portugal, uma grande resistência às mudanças que, para os brasileiros, abrangem a acentuação, o uso do hífen e eliminam o trema.
Além desse problema, ocorre a interferência da Informática que, embora tenha
proporcionado extrema
rapidez
à
informação,
introduziu
termos
próprios,
especialmente gírias e abreviações. Essa linguagem abreviada e rápida passou a ser
conhecida como “Internetês” -vocabulário restrito aos internautas. Exemplos: (q=que;
bj=beijo, vc=você; pq=porque, blz=beleza, etc.).

Devemos evitar tais expressões, pois, além de não serem reconhecidas pela norma,
são prejudiciais àqueles ainda em formação, podendo comprometer-lhes a memória
visual.

Em paralelo, verifica-se intensa penetração de vocábulos estrangeiros, em decorrência
do processo de globalização. Hoje, no Brasil, há boutiques (butiques) e não lojas;
multiplicam-se os nomes fantasia em inglês e francês, como Design, Fast Man, Déjà Vu,
Crazy Machine, Company. As lojas para a classe alta ostentam o seu “pedigree” em
palavras estrangeiras e preços altos. As fachadas dos prédios sofisticados não se
contentam com uma numeração honesta e conforme as posturas municipais. É preciso
que elas se distingam de outras por inspirações estrangeiras.

Também não se pode ignorar a experiência tecnológica e científica, as relações
comerciais, políticas e diplomáticas, que não prescindem de expressões como blue
ship, spread, primerate, bit, software e muitas outras.

Os chamados anglicismos estão, entre nós, nacionalizados e incorporados ao
dicionário por transformação semântica ou morfológica: bife, clube, bonde, dólar,
deletar, iate, teste, não agridem mais a língua nacional.

“O certo”, diz Niskier³,“ é que a Língua Portuguesa cresceu, até mesmo em virtude da introjeção de termos ligados ao desenvolvimento científico e tecnológico ou de muitos estrangeirismos. É o caso de palavras como teleducação (educação à distância),
acessar (entrar), deletar (apagar, anular), decasségui (trabalhador brasileiro no Japão),
teleconferência (conferência a distância), lincar (ligar), internet, infovia, intranet, etc.”

Na Presidência da Academia Brasileira de Letras, Niskier reconheceu que “não há como
conter esse crescimento, mesmo que, por vezes, seja ele fruto do que o crítico Wilson
Martins chama de “desnacionalização” linguística ou, para ser mais forte, de um
lamentável “linguicídio”, palavra que, aliás, consta do nosso Vocabulário”.

¹ Todos os ensinamentos aqui reunidos aplicam-se, também, na Redação Oficial
² A
Professora Doutora Suely Shibao, licenciada em Letras (Português e Inglês) é Mestre em Ciências
(Lingüística Aplicada ao Ensino de Línguas) e detentora da Medalha Marechal Trompowsky e do título de
Colaboradora Emérita do Exército Brasileiro. V.”Língua: Instrumento de Comunicação”. Rio de Janeiro;
Biblioteca do Exército Ed. -1997
³ Niskier, Arnaldo – “A Língua Portuguesa no Século XXI” –
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=2454&sid=19 acessado em 10/08/2010

Lembra, por fim, que “os franceses reagiram de forma veemente a essa agressão ao seu idioma pelos anglicismos que se tornaram universais, em virtude, sobretudo, da força econômica dos Estados Unidos. Aglobalização só ajuda nessa expansão. Entre
nós, somos vítimas ou beneficiários desse processo. Vítimas, se considerarmos a
pureza da língua de Machado de Assis, e beneficiários, se pensarmos na inserção do
país na comunidade das nações desenvolvidas. De toda forma, é preciso evitar os
exageros imitativos”.

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A LINGUAGEM – https://acordocoletivo.org/2018/01/26/a-linguagem/

Linguagem é qualquer e todo sistema de signos que serve de meio de comunicação de
idéias ou sentimentos através de signos convencionados, sonoros, gráficos, gestuais
etc., podendo ser percebida pelos diversos órgãos dos sentidos, o que leva a
distinguirem-se várias espécies ou tipos: linguagem visual, corporal, gestual, etc., ou, ainda, outras mais complexas, constituídas, ao mesmo tempo, de elementos diversos
.
Os elementos constitutivos da linguagem são, pois, gestos, sinais, sons, símbolos ou
palavras, usados para representar conceitos de comunicação, ideias, significados e
pensamentos.

Embora os animais também se comuniquem, a linguagem verbal pertence apenas ao Homem
.

Não se devem confundir os conceitos de linguagem e de língua. Enquanto aquela
(linguagem) diz respeito à capacidade ou faculdade de exercitar a comunicação, latente
ou em ação ou exercício, esta última (língua ou idioma) refere-se a um conjunto de
palavras e expressões usadas por um povo, por uma nação, munido de regras próprias
(sua gramática).

Noutra acepção (anátomo-fisiológica), linguagem é função cerebral que permite a
qualquer ser humano adquirir e utilizar uma língua. Por extensão, chama-se linguagem
de programação ao conjunto de códigos usados em computação.

semiótica

O estudo da linguagem, que envolve os signos, de uma forma geral, é chamado semiótica. A linguística é subordinada à semiótica porque seu objeto de estudo é a língua, que é apenas um dos sinais estudados na semiótica.

Origens da linguagem humana

A respeito das origens da linguagem humana, alguns estudiosos defendem a tese de que a linguagem desenvolveu-se a partir da comunicação gestual com as mãos.
Posteriores alterações no aparelho fonador permitiram os seres humanos produzir uma variedade de sons muito maior do que a dos demais primatas.

Funções da linguagem

Antigamente, tinha-se a ideia que o diálogo era desenvolvido de maneira “sistematizada” (alguém pergunta – alguém espera ouvir a pergunta, daí responde,
enquanto outro escuta em silêncio, etc.). Hoje, estuda-se o Processo da Comunicação,
que tem os seguintes elementos:

Processo da Comunicação

Emissor -emite, codifica a mensagem;

Receptor -recebe, decodifica a mensagem;
Mensagem -conteúdo transmitido pelo emissor;

Código -conjunto de signos usado na transmissão e recepção da mensagem;

Referente -contexto relacionado a emissor e receptor;

Canal -meio pelo qual circula a mensagem.
Porém, com os estudos recentes dos linguistas, essa teoria sofreu modificação,
admitindo-se um novo formato de locução, ou, interlocução (diálogo interativo), no qual
temos:
Locutor -quem fala (e responde);

Locutário -quem ouve e responde;

Interlocução -diálogo.

As respostas dos “interlocutores” podem ser gestuais, faciais etc. Por isso a mudança (aprimoração) na teoria.

Funções da linguagem

Feitas estas observações iniciais, passemos a identificar as funções da linguagem:

Função emotiva (ou expressiva) – a mensagem centra-se no “eu” do emissor, é
carregada de subjetividade. Ligada a esta função está, por norma, a poesia lírica.

Função apelativa (imperativa) -com este tipo de mensagem, o emissor atua sobre o
receptor, a fim de que este assuma determinado comportamento; há frequente uso do
vocativo e do imperativo. Esta função da linguagem é frequentemente usada por
oradores e agentes de publicidade.

Função metalinguística – função usada quando a língua explica a própria linguagem (exemplo: quando, na análise de um texto, investigamos os seus aspectos
morfossintáticos e/ou semânticos).

Função informativa (ou referencial) -função usada quando o emissor informa objetivamente o receptor de uma realidade, ou acontecimento.

Função fática -pretende conseguir e manter a atenção dos interlocutores, muito usada
em discursos políticos e textos publicitários (centra-se no canal de comunicação).

Função poética -embeleza, enriquecendo a mensagem com figuras de estilo, palavras
belas, expressivas, ritmos agradáveis, etc.

Também podemos pensar que as primeiras falas conscientes da raça humana
ocorreram quando os sons emitidos evoluíram para o que podemos reconhecer como
interjeições“, as primeiras ferramentas da fala humana.

4ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática metódica da língua portuguesa. São Paulo (SP, Brasil): Saraiva,
2005 e FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. ‘Dicionário da língua portuguesa’. Rio de Janeiro (RJ, Brasil):
Nova Fronteira, 2000.
5Verónica Bicho, Funcionamento da Língua Portuguesa. Edições Sebenta
6Ferdinand de Saussure
7
Para melhor compreensão das funções de linguagem, torna-se necessário o estudo dos elementos da comunicação.

Língua natural

Línguas naturais são, grosso modo, o contrário de línguas artificiais ou construídas
(como linguagens de programação de computador e o Esperanto), assim como de
sistemas de comunicação existentes na natureza, como a dança das abelhas. Embora
exista uma grande variedade de línguas naturais, qualquer criança humana normal é
capaz de aprender qualquer língua natural.

O estudo das línguas permite identificar tanto acerca de seu funcionamento (sintaxe,
semântica, fonética, fonologia, etc.), quanto sobre o modo pelo qual a mente e o
cérebro humanos processam a linguagem.

Em termos linguísticos, a língua natural é uma expressão que apenas se aplica a uma
linguagem que evoluiu naturalmente, como a fala nativa (primeira língua) de um
indivíduo.

A fala, assim como outros tipos de língua natural, é formada por unidades menores
(palavras) que possuem significados, e essas unidades, por sua vez, são formadas por
unidades ainda menores (como vogais e consoantes). É comumente alegado que o
francês, o inglês e o português falados são “línguas”. No entanto, sabemos que o inglês
americano não é exatamente igual ao inglês antilhano ou britânico e, ainda, que dentro
dessas regiões (como nos limites da Inglaterra) existem variedades ainda numerosas
de inglês, normalmente chamadas de “dialetos”.
Do ponto de vista estritamente científico, contudo, não existe um limite objetivo entre o
que seriam línguas e o que seriam dialetos; como escreveu o cientista Hermann Paul,
“com efeito, podemos distinguir tantas línguas quanto indivíduos”. Portanto, quando
falamos do inglês, do francês e do alemão, estamos tratando de abstrações que não
correspondem exatamente à realidade.

Os cientistas aceitam atualmente que línguas são sistemas. Todos os elementos de
uma língua estão ligados entre si a partir de uma variedade de relações. Essa
compreensão das línguas foi, inicialmente, instituída por Ferdinand de Saussure. Ele
falou das línguas como sistemas de signos onde, para cada signo lingüístico, haveria
um significante e uma referência (significado): seu equivalente na língua (a palavra
menina) e um conceito que a língua pretende expressar (o conceito de menina).

Ateorização de Noam Chomsky, segundo a qual “língua é um conjunto de sentenças
(finitas ou infinitas), cada uma finita em extensão e construídas a partir de um conjunto
finito de elementos”, é uma das mais aceitas hoje. Chomsky postulou a existência de
uma Gramática Universal, comum a todas as línguas, que seria herdada
geneticamente.

Origens da Língua

Não existe consenso entre os antropólogos acerca de quando e como teria surgido a
linguagem nos seres humanos (ou em seus ancestrais). As estimativas variam
consideravelmente, sendo que alguns cientistas apontam para a existência de
linguagem há 2 milhões de anos entre os Homo habilis, enquanto outros preferem
localizá-la há quarenta mil anos apenas, no tempo do homem de Cro-magnon. No
entanto, evidências recentes indicam que a linguagem humana foi inventada (ou
evoluiu) na África antes da dispersão dos humanos pelo globo a partir dessa região há
cerca de 50 mil anos. Além disso, é lógico supor que, como todos os grupos humanos conhecidos possuem línguas, a língua natural deve ter figurado entre os ancestrais de
todos esses grupos.

A Linguagem e o Cérebro

No cérebro, as áreas de Wernicke e de Broca possuem, segundo renomados
cientistas, forte relação com a linguagem humana. Muito pouco se sabe, na realidade,
sobre a relação entre a linguagem (como a percebemos) e o cérebro humano. Embora uma grande maioria de estudiosos da neurolinguística afirme que o crescimento do cérebro (sobretudo do córtex) está relacionado ao surgimento da linguagem, as informações que temos sobre o assunto ainda são muito limitadas.

As línguas faladas variam no tempo e no espaço. O inglês falado por um londrino na
época do rei Henrique VIII certamente não é o mesmo que o inglês falado por um
londrino hoje, assim como o inglês falado por um britânico contemporâneo dificilmente
pode ser considerado semelhante ao inglês falado em várias das ex-colônias britânicas hoje. A forma como as línguas faladas mudam é assunto de particular interesse para os cientistas.
Através de um método comparativo, os linguistas entendem o funcionamento da língua falada, traçando relações entre as línguas atuais, e possíveis origens comuns que elas
teriam partilhado em um passado distante. É o caso do indo-europeu, uma matriz
imaginária que supostamente teria sido precursora de línguas atuais como o russo, o alemão, o inglês, o francês, o português, etc.

A língua de sinais é uma outra variedade conhecida de língua natural. De acordo com o
neurologista Oliver Sacks, “os surdos geram línguas de sinais em qualquer lugar onde
existam comunidades de surdos; é para eles a forma mais fácil e natural de
comunicação”. Além disso, a língua de sinais é altamente expressiva, tanto quanto a língua falada. A língua de sinais, assim como as línguas faladas, possui estruturas
gramaticais complexas.

A função biológica e cerebral da linguagem é aquilo que mais profundamente distingue o homem dos outros animais. Podemos considerar que o desenvolvimento desta
função cerebral ocorre em estreita ligação com a bipedia e a libertação da mão, que
permitiram o aumento do volume do cérebro, a par do desenvolvimento de órgãos
fonadores e da mímica facial.
Os cientistas agruparam as línguas do mundo por suas semelhanças, formando
famílias. Os maiores grupos são as línguas indo-europeias, afro-asiáticas e as sinotibetanas,
mas também criaram línguas de laboratório, como o Esperanto, de L. L. Zamenhof, uma compilação de vários elementos de diferentes línguas humanas cuja
intenção é de ser uma língua de fácil aprendizagem, de forma a proporcionar a toda a
humanidade uma forma mais fácil e democrática de se comunicar. Hoje é uma língua
viva em ascensão, havendo recursos didáticos -gratuitos ou não -na Internet para
aprendê-la.

Além disso, existem línguas que resultam de contato com o estrangeiro, por exemplo,
brasileiros que habitam regiões fronteiriças e que, consequentemente, aprendem a
falar castelhano (ou ao menos o chamado portunhol ou “portuñol”). Nas fronteiras dos
Estados Unidos, similarmente, surge o falar Chicano ou Spanglish.

Também vale notar os regionalismos que surgem praticamente em todas as culturas do
mundo. No Brasil podemos citar variações distintas da língua nacional que se
desenvolveram através dos anos, como por exemplo as falas do gaúcho, do carioca, do
nordestino, do capixaba, do baiano, do mineiro, etc.

Existem mais duas categorias distintas de falares frequentemente ignorados quando se
trata das línguas do mundo. A
primeira destas classificações envolve as línguas
inventadas por crianças e jovens para se comunicarem entre si em segredo na
presença de adultos, geralmente de seus pais (play languages). Um exemplo disso é o
chamado “pig latin” (Igpay Atinlay) que existe principalmente no mundo cultural anglosaxão.
No mundo cultural castelhano existe o jargão jeringonzo, também chamado de
jeringonza e jeringôncio. No Brasil existe a chamada Língua do P. A
outra envolve as linguagens próprias de profissões ou de certos meios que são, muitas vezes,
considerados de má ou questionável reputação. No mundo teuto (alemão) existe o falar
Rotwelsch ou Gaunersprache (o falar da malandragem), sendo que seus equivalentes
na Grã-Bretanha, na França e na Argentina são, respectivamente, o cant, o argot e o
lunfardo.

Pesquisas sobre desenvolvimento da linguagem já identificaram entre estudantes de
universidades um vocabulário de 80 mil palavras. A língua não se esvaia em apenas
códigos, ela está presente em todo o nosso dia a dia, sendo primordial em todas nossas
escolhas.

SEMÂNTICA

SEMÂNTICA (do grego semantiké, i. é, téchne semantiké, “arte da significação”)

A semântica (derivado de sema, sinal) refere-se ao estudo do significado, em todos os
sentidos do termo. A
semântica opõe-se com frequência à sintaxe, caso em que a
primeira se ocupa do que algo significa, enquanto a segunda se debruça sobre as
estruturas ou padrões formais do modo como esse algo é expresso (por exemplo,
escritos ou falados). Dependendo da concepção de significado que se tenha, têm-se
diferentes semânticas.

A semântica formal, a semântica da enunciação ou argumentativa e a semântica cognitiva, por exemplo, estudam o mesmo fenômeno, mas com conceitos e enfoques diferentes.

Na língua portuguesa, o significado das palavras leva em consideração:

• Sinonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que
apresentam significados iguais ou semelhantes, ou seja, os sinônimos:
Exemplos: Cômico – engraçado / Débil – fraco, frágil / Distante – afastado,
remoto.
8 Em novembro de 1906, foi incluído na Interet o site Corpus do Português (www.corpusdoportugues.org), site
aberto no início de novembro, oferece um meio inédito de esquadrinhar a língua portuguesa. Ele funciona como
um “quem é quem” do idioma mostrando a popularidade de palavras ou de frases buscadas entre milhares de
textos. Esse grande arquivo forma o corpus da língua, que representa as diversas variedades lingüísticas do
português. O corpus reúne mais de 50 mil textos, de diversas fontes, somando 45 milhões de palavras. O site foi
desenvolvido por dois pesquisadores norte-americanos, Mark Davies, da Universidade Brigham Young (Utah,
EUA), e Michael Ferreira, da Universidade de Georgetown (Distrito de Columbia, EUA). O acesso é livre e
gratuito. Depois de algumas consultas, é solicitado um registro simples (nome e e-mail). A
utilidade dessa
ferramenta de busca do idioma é múltipla: para os estudantes, é uma chance de ver a língua exemplificada pelo
uso real; para os lingüistas, renova a descrição da linguagem e possibilita a criação de melhores dicionários e
gramáticas; para os escritores, cria alternativas estilísticas inovadoras e amplia os horizontes da criação literária.

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• Antonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que
apresentam significados diferentes, contrários, isto é, os antônimos:
Exemplos: Economizar-gastar / Bem -mal / Bom -ruim.
• Homonímia: É a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de
possuírem significados diferentes, possuem a mesma estrutura fonológica, ou
seja, os homônimos:
As homônimas podem ser:

Homógrafas: palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia. Exemplos:
gosto (substantivo) – gosto / (1ª pessoa singular presente indicativo do verbo gostar) /
conserto (substantivo) – conserto (1ª pessoa singular presente indicativo do verbo
consertar);

Homófonas: palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita. Exemplos:
cela (substantivo) -sela (verbo) / cessão (substantivo) -sessão (substantivo) / cerrar
(verbo)-serrar ( verbo);

Perfeitas: palavras iguais na pronúncia e na escrita. Exemplos: cura (verbo) –
cura (substantivo) / verão (verbo) -verão (substantivo) / cedo (verbo) -cedo (advérbio);

Paronímia: É a relação que se estabelece entre duas ou mais palavras que
possuem significados diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na
escrita, isto é, os parônimos: Exemplos: cavaleiro -cavalheiro / absolver –
absorver / comprimento -cumprimento/ aura (atmosfera) -áurea (dourada)/
conjectura
(suposição)
-conjuntura
(situação
decorrente
dos
acontecimentos)/ descriminar (desculpabilizar) -discriminar (diferenciar)/
desfolhar (tirar ou perder as folhas) – folhear (passar as folhas de uma
publicação)/ despercebido (não notado) – desapercebido (desacautelado)/
geminada (duplicada) -germinada (que germinou)/ mugir (soltar mugidos) –
mungir (ordenhar)/ percursor (que percorre) – precursor (que antecipa os
outros)/ sobrescrever (endereçar) – subscrever (aprovar, assinar)/ veicular
(transmitir)-vincular (ligar) / descrição -discrição / onicolor -unicolor.
• Polissemia: É a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar
vários significados. Exemplos: Ele ocupa um alto posto na empresa. / Abasteci
meu carro no posto da esquina. / Os convites eram de graça. / Os fiéis
agradecem a graça recebida.

Significante e significado

Significante é a parte física da palavra (os fonemas e as letras).
Significado é o sentido da palavra que provoca na mente do ouvinte ou do leitor uma
imagem ou uma idéia.

Conotação e Denotação

Conotação é o uso da palavra com um significado diferente do original, criado pelo
contexto. Exemplos: Você tem um coração de pedra.

Denotação é o uso da palavra com o seu sentido original. Exemplos: Pedra é um corpo
duro e sólido, da natureza das rochas.

Ahistória da Palavra

Quando analisamos o sentido das palavras na redação, ressaltam como fundamentais
a história da palavra e, obviamente, os contextos em que elas ocorrem.

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Ahistória da palavra, em sentido amplo, vem a ser a respectiva origem e as alterações
sofridas no correr do tempo, ou seja, a maneira como evoluiu desde um sentido original
para um sentido mais abrangente ou mais específico. Em sentido restrito, diz respeito à
tradição no uso de determinado vocábulo ou expressão.

Sendo a clareza
um dos requisitos fundamentais de qualquer texto, deve-se atentar
para a tradição no emprego de determinada expressão com determinado sentido. O
emprego de expressões ditas “de uso consagrado” confere uniformidade e
transparência ao sentido do texto. Mas isto não quer dizer que os textos oficiais devam
limitar-se à repetição de chavões e clichês.

Verifique sempre o contexto em que as palavras estão sendo utilizadas. Certifique-se de
que não há repetições desnecessárias ou redundâncias. Procure sinônimos ou termos
mais precisos para as palavras repetidas; mas se sua substituição for comprometer o
sentido do texto, tornando-o ambíguo ou menos claro, não hesite em deixar o texto
como está.

É importante lembrar que o idioma está em constante mutação. Aprópria evolução dos
costumes, das idéias, das ciências, da política, enfim da vida social em geral, impõe a

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criação de novas palavras e formas de dizer. Na definição de Serafim da Silva Neto,
a
língua:

“(…) é um produto social, é uma atividade do espírito humano. Não é, assim,
independente da vontade do homem, porque o homem não é uma folha seca
ao sabor dos ventos veementes de uma fatalidade desconhecida e cega.
Não está obrigada a prosseguir na sua trajetória, de acordo com leis
determinadas, porque as línguas seguem o destino dos que as falam, são o
que delas fazem as sociedades que as empregam.”

Assim, continuamente, novas palavras são criadas (os neologismos) como produto da
dinâmica social, e incorporados ao idioma inúmeros vocábulos de origem estrangeira
(os estrangeirismos), que vêm para designar ou exprimir realidades não contempladas
no repertório anterior da língua portuguesa. As novidades vocabulares devem sempre
ser usadas com critério, evitando-se aquelas que podem ser substituídas por vocábulos
já de uso consolidado sem prejuízo do sentido que se lhes quer dar.

De outro lado, não se concebe que, em nome de suposto purismo, a linguagem das
comunicações fique imune às criações vocabulares ou a empréstimos de outras
línguas. A
rapidez do desenvolvimento tecnológico, por exemplo, impõe a criação de
inúmeros novos conceitos e termos, ditando de certa forma a velocidade com que a
língua deve incorporá-los. O importante é usar o estrangeirismo de forma consciente,
buscar o equivalente português quando houver, ou conformar a palavra estrangeira ao
espírito da língua portuguesa.

O problema do abuso de estrangeirismos inúteis ou empregados em contextos em que
não cabem, é em geral causado ou pelo desconhecimento da riqueza vocabular de
nossa língua, ou pela incorporação acrítica do estrangeirismo.

Homônimos e Parônimos

Muitas vezes temos dúvidas no uso de vocábulos distintos provocadas pela
semelhança ou mesmo pela igualdade de pronúncia ou de grafia entre eles. É o caso
dos fenômenos designados como homonímia
eparonímia.

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A
homonímia
é a designação geral para os casos em que palavras de sentidos
diferentes têm a mesma grafia (os homônimos homógrafos) ou a mesma pronúncia (os
homônimos homófonos).

Os homógrafos podem coincidir ou não na pronúncia, como nos exemplos: quarto
(aposento) e quarto
(ordinal), manga
(fruta) e manga
(de camisa), em que temos
pronúncia idêntica; e apelo
(pedido) e apelo
(come
aberto, 1ª pess. do sing. do pres. do
ind. do verbo apelar),consolo
(alívio) e consolo
(como
aberto, 1ª pess. do sing. do pres.
do ind. do verbo consolar), com pronúncia diferente.

Os homógrafos de idêntica pronúncia diferenciam-se pelo contexto em que são
empregados. Não há dúvida, por exemplo, quanto ao emprego da palavra são
nos três
sentidos: a) verbo ser, 3ª pess. do pl. do pres., b) saudável
e c) santo.

Palavras de grafia diferente e de pronúncia igual (homófonos) geram dúvidas
ortográficas. Caso, por exemplo, de acento/assento, coser/cozer, dos prefixos ante/
anti-, etc. Aqui o contexto não é suficiente para resolver o problema, pois sabemos o
sentido, a dúvida é de letra(s). Sempre que houver incerteza, consulte a lista adiante,
algum dicionário ou manual de ortografia.

Já o termo paronímia
designa o fenômeno que ocorre com palavras semelhantes (mas
não idênticas) quanto à grafia ou à pronúncia. É fonte de muitas dúvidas, como entre
descrição
(‘ato de descrever’) e discrição
(‘qualidade do que é discreto’), retificar
(‘corrigir’) e ratificar
(confirmar).

Como não interessa aqui aprofundar a discussão teórica da matéria, restringimo-nos a
uma lista de palavras que costumam suscitar dúvidas de grafia ou sentido. Procuramos
incluir palavras que com mais frequência provocam dúvidas na elaboração de textos
oficiais, com o cuidado de agregá-las em pares ou pequenos grupos formais.

Absolver: inocentar, relevar da culpa imputada: O júri absolveu o réu.
Absorver: embeber em si, esgotar: O solo absorveu lentamente a água da chuva.

Acender: atear (fogo), inflamar.
Ascender: subir, elevar-se.

Acento: sinal gráfico; inflexão vocal: Vocábulo sem acento.
Assento: banco, cadeira: Tomar assento num cargo.

Acerca de: sobre, a respeito de: No discurso, o Presidente falou acerca de seus planos.
A cerca de: a uma distância aproximada de: O anexo fica a cerca de trinta metros do
prédio principal. Estamos a cerca de um mês ou (ano) das eleições.
Há cerca de: faz aproximadamente (tanto tempo): Há cerca de um ano, tratamos de
caso idêntico; existem aproximadamente: Há cerca de mil títulos no catálogo.

Acidente: acontecimento casual; desastre: A
derrota foi um acidente na sua vida
profissional. O súbito temporal provocou terrível acidente no parque.
Incidente: episódio; que incide, que ocorre: O incidente da demissão já foi superado.

9NETO, Serafim da Silva. Introdução ao estudo da língua portuguesa no Brasil. 5. ed. Rio de Janeiro: Presença;
Brasília: INL, 1986. p. 18.

12

Adotar: escolher, preferir; assumir; pôr em prática.
Dotar: dar em doação, beneficiar.

Afim: que apresenta afinidade, semelhança, relação (de parentesco): Se o assunto era
afim, por que não foi tratado no mesmo parágrafo?
Afim de: para, com a finalidade de, com o fito de: O projeto foi encaminhado com quinze
dias de antecedência a fim de permitir a necessária reflexão sobre sua pertinência.

Alto:de grande extensão vertical; elevado, grande.
Auto: ato público, registro escrito de um ato, peça processual.

Aleatório:casual, fortuito, acidental.
Alheatório: que alheia, alienante, que desvia ou perturba.

Amoral: desprovido de moral, sem senso de moral.
Imoral:contrário à moral, aos bons costumes, devasso, indecente.

Ante(preposição): diante de, perante: Ante tal situação, não teve alternativa.
Ante-(prefixo): expressa anterioridade: antepor, antever, anteprojeto..
Anti-(prefixo): expressa contrariedade; contra: anticientífico, antibiótico, anti-higiênico,
anti-Marx.

Ao encontro de: para junto de; favorável a: Foi ao encontro dos colegas. O projeto
salarial veio ao encontro dos anseios dos trabalhadores.
De encontro a: contra; em prejuízo de: O carro foi de encontro a um muro. O governo
não apoiou a medida, pois vinha de encontro aos interesses dos menores.

Ao invés de: ao contrário de: Ao invés de demitir dez funcionários, a empresa contratou
mais vinte.
(Inaceitável o cruzamento *ao em vez de.)
Em vez de:em lugar de: Em vez de demitir dez funcionários, a empresa demitiu vinte.

Apar: informado, ao corrente, ciente: O Ministro está a par
(var.: ao
par)do assunto; ao
lado, junto; além de.
Ao par: de acordo com a convenção legal: Fez a troca de mil dólares ao par.

Aparte: interrupção, comentário à margem: O deputado concedeu ao colega um aparte
em seu pronunciamento.
À parte: em separado, isoladamente, de lado: O anexo ao projeto foi encaminhado por
expediente à parte.

Apreçar: avaliar, pôr preço: O perito apreçou irrisoriamente o imóvel.
Apressar: dar pressa a, acelerar: Se o andamento das obras não for apressado, não
será cumprido o cronograma.

Área: superfície delimitada, região.
Ária:canto, melodia.

Aresto: acórdão, caso jurídico julgado: Neste caso, o aresto é irrecorrível.
Arresto: apreensão judicial, embargo: Os bens do traficante preso foram todos
arrestados.

Arrochar: apertar com arrocho, apertar muito.
Arroxar:ouarroxear, roxear: tornar roxo.

Ás: exímio em sua atividade; carta do baralho.
Az(p. us.): esquadrão, ala do exército.

Atuar: agir, pôr em ação; pressionar.
Autuar: lavrar um auto; processar.

Auferir: obter, receber: Auferir lucros, vantagens.
Aferir: avaliar, cotejar, medir, conferir: Aferir valores, resultados.

Augurar:
prognosticar, prever, auspiciar: O Presidente augurou sucesso ao seu par
americano.
Agourar: pressagiar, predizer (geralmente no mau sentido): Os técnicos agouram
desastre na colheita.

Avocar:atribuir-se, chamar: Avocou a si competências de outrem.
Evocar:lembrar, invocar: Evocou no discurso o começo de sua carreira.
Invocar: pedir (a ajuda de); chamar; proferir: Ao final do discurso, invocou a ajuda de
Deus.

Caçar:perseguir, procurar, apanhar (geralmente animais).
Cassar: tornar nulo ou sem efeito, suspender, invalidar.

Carear:atrair, ganhar, granjear.
Cariar: criar cárie.
Carrear:conduzir em carro, carregar.

Casual:fortuito, aleatório, ocasional.
Causal:causativo, relativo a causa.

Cavaleiro:que anda a cavalo, cavalariano.
Cavalheiro:indivíduo distinto, gentil, nobre.

Censo:alistamento, recenseamento, contagem.
Senso:entendimento, juízo, tino.

Cerrar:fechar, encerrar, unir, juntar.
Serrar:cortar com serra, separar, dividir.

Cessão:ato de ceder: A
cessão do local pelo município tornou possível a realização da
obra.
Seção:
setor, subdivisão de um todo, repartição, divisão: Em qual seção do ministério
ele trabalha?
Sessão:
espaço de tempo que dura uma reunião, um congresso; reunião; espaço de
tempo durante o qual se realiza uma tarefa: A
próxima sessão legislativa será iniciada

o

em 1
de agosto.

Chá:planta, infusão.
Xá:antigo soberano persa.

14

Cheque:ordem de pagamento à vista.
Xeque:dirigente árabe; lance de xadrez; (fig.) perigo (pôr em xeque).

Círio:vela de cera.
Sírio:da Síria.

Cível:relativo à jurisdição dos tribunais civis.
Civil:relativo ao cidadão; cortês, polido (daícivilidade); não militar nem, eclesiástico.

Colidir:
trombar, chocar; contrariar: A
nova proposta colide frontalmente com o
entendimento havido.
Coligir:colecionar, reunir, juntar: As leis foram coligidas pelo Ministério da Justiça.

Comprimento:medida, tamanho, extensão, altura.
Cumprimento:ato de cumprir, execução completa; saudação.

Concelho:circunscrição administrativa ou município (em Portugal).
Conselho:aviso, parecer, órgão colegiado.

Concerto: acerto, combinação, composição, harmonização (cp. concertar):O concerto
das nações… O concerto de Guarnieri…
Conserto:
reparo, remendo, restauração (cp. consertar): Certos problemas crônicos
aparentemente não têm conserto.

Conje(c)tura:suspeita, hipótese, opinião.
Conjuntura: acontecimento, situação, ocasião, circunstância.

Contravenção:transgressão ou infração a normas estabelecidas.
Contraversão:versão contrária, inversão.

Coser: costurar, ligar, unir.
Cozer:cozinhar, preparar.

Costear:
navegar junto à costa, contornar. A
fragata costeou inúmeras praias do litoral
baiano antes de partir para alto-mar.
Custear: pagar o custo de, prover, subsidiar. Qual a empresa disposta a custear tal
projeto?
Custar:
valer, necessitar, ser penoso. Quanto custa o projeto? Custa-me crer que
funcionará.

Deferir:consentir, atender, despachar favoravelmente, conceder.
Diferir:ser diferente, discordar; adiar, retardar, dilatar.

Degradar:deteriorar, desgastar, diminuir, rebaixar.
Degredar:impor pena de degredo, desterrar, banir.

Delatar
(delação): denunciar, revelar crime ou delito, acusar: Os traficantes foram
delatados por membro de quadrilha rival.
Dilatar
(dilação): alargar, estender; adiar, diferir: A
dilação do prazo de entrega das
declarações depende de decisão do Diretor da Receita Federal.

15

Derrogar: revogar parcialmente (uma lei), anular.
Derrocar:destruir, arrasar, desmoronar.

Descrição:ato de descrever, representação, definição.
Discrição:discernimento, reserva, prudência, recato.

Descriminar:absolver de crime, tirar a culpa de.
Discriminar:diferençar, separar, discernir.

Despensa:local em que se guardam mantimentos, depósito de provisões.
Dispensa: licença ou permissão para deixar de fazer algo a que se estava obrigado;
demissão.

Despercebido: que não se notou, para o que não se atentou: Apesar de sua
importância, o projeto passou despercebido.
Desapercebido:desprevenido, desacautelado: Embarcou para a missão na Amazônia
totalmente desapercebido dos desafios que lhe aguardavam.

Dessecar:secar bem, enxugar, tornar seco.
Dissecar:analisar minuciosamente, dividir anatomicamente.

Destratar:insultar, maltratar com palavras.
Distratar:desfazer um trato, anular.

Distensão: ato ou efeito de distender, torção violenta dos ligamentos de uma
articulação.
Distinção:elegância, nobreza, boa educação: Todos devem portar-se com distinção.
Dissensão: desavença, diferença de opiniões ou interesses: A
dissensão sobre a
matéria impossibilitou o acordo.

Elidir:suprimir, eliminar.
Ilidir:contestar, refutar, desmentir.

Emenda: correção de falta ou defeito, regeneração, remendo: Ao torná-lo mais claro e
objetivo, a emenda melhorou o projeto.
Ementa:apontamento, súmula de decisão judicial ou do objeto de uma lei. Procuro uma
lei cuja ementa é
“dispõe sobre a propriedade industrial”.

Emergir:vir à tona, manifestar-se.
Imergir:mergulhar, afundar (submergir), entrar.

Emigrar:deixar o país para residir em outro.
Imigrar:entrar em país estrangeiro para nele viver.

Eminente (eminência): alto, elevado, sublime.
Iminente (iminência): que está prestes a acontecer, pendente, próximo.

Emitir (emissão): produzir, expedir, publicar.
Imitir (imissão): fazer entrar, introduzir, investir.

Empoçar:reter em poço ou poça, formar poça.
Empossar:dar posse a, tomar posse, apoderar-se.

16

Encrostar:criar crosta.
Incrustar:cobrir de crosta, adornar, revestir, prender-se, arraigar-se.

Entender:compreender, perceber, deduzir.
Intender:(p. us): exercer vigilância, superintender.

Enumerar:numerar, enunciar, narrar, arrolar.
Inúmero:inumerável, sem conta, sem número.

Espectador:aquele que assiste qualquer ato ou espetáculo, testemunha.
Expectador:que tem expectativa, que espera.

Esperto:inteligente, vivo, ativo.
Experto:perito, especialista.

Espiar:espreitar, observar secretamente, olhar.
Expiar:cumprir pena, pagar, purgar.

Estada:ato de estar, permanência: Nossa estada em São Paulo foi muito agradável.
Estadia: prazo para carga e descarga de navio ancorado em porto: O “Rio de Janeiro”
foi autorizado a uma estadia de três dias.

Estância:lugar onde se está, morada, recinto.
Instância:solicitação, pedido, rogo; foro, jurisdição, juízo.

Estrato:cada camada das rochas estratificadas.
Extrato:coisa que se extraiu de outra; pagamento, resumo, cópia; perfume.

Flagrante:
ardente, acalorado; diz-se do ato que a pessoa é surpreendida a praticar
(flagrante delito).
Fragrante:que tem fragrância ou perfume; cheiroso.

Florescente:que floresce, próspero, viçoso.
Fluorescente:que tem a propriedade da fluorescência.

Folhar:produzir folhas, ornar com folhagem, revestir lâminas.
Folhear:percorrer as folhas de um livro, compulsar, consultar.

Incerto:não certo, indeterminado, duvidoso, variável.
Inserto:introduzido, incluído, inserido.

Incipiente:iniciante, principiante.
Insipiente:ignorante, insensato.

Incontinente:imoderado, que não se contém, descontrolado.
Incontinenti:imediatamente, sem demora, logo, sem interrupção.

Induzir:
causar, sugerir, aconselhar, levar a: ‘‘O réu declarou que havia sido induzido a
cometer o delito.’’
Aduzir:expor, apresentar: ‘‘A
defesa, então, aduziu novas provas.’’

17

Inflação:ato ou efeito de inflar; emissão exagerada de moeda, aumento persistente de
preços.
Infração:ato ou efeito de infringir ou violar uma norma.

Infligir:
cominar, aplicar (pena, castigo, repreensão, derrota): ‘‘O juiz infligiu pesada
pena ao réu.’’
Infringir:
transgredir, violar, desrespeitar (lei, regulamento, etc.) (cp. infração): ‘‘A
condenação decorreu de ter ele infringido um sem número de artigos do Código Penal.’’

Inquerir:apertar (a carga de animais), encilhar.
Inquirir:procurar informações sobre, indagar, investigar, interrogar.

Intercessão:ato de interceder.
Interse(c)ção:
ação de se(c)cionar, cortar; ponto em que se encontram duas linhas ou
superfícies.

Inter-(prefixo): entre; preposição latina usada em locuções: inter alia
(entre outros),
inter pares
(entre iguais).
Intra-(prefixo): interior, dentro de.

Judicial:que tem origem no Poder Judiciário ou que perante ele se realiza.
Judiciário:relativo ao direito processual ou à organização da Justiça.

Liberação:ato de liberar, quitação de dívida ou obrigação.
Libertação:ato de libertar ou libertar-se.

Lista:relação, catálogo; var. pop. de listra.
Listra:risca de cor diferente num tecido (var. pop. de lista).

Locador:que dá de aluguel, senhorio, arrendador.
Locatário:
alugador, inquilino: O locador reajustou o aluguel sem a concordância do
locatário.

Lustre:brilho, glória, fama; abajur.
Lustro:quinquênio; polimento.

Magistrado:juiz, desembargador, ministro.
Magistral:relativo a mestre (latim: magister); perfeito, completo; exemplar.

Mandado:garantia constitucional para proteger direito individual líquido e certo; ato de
mandar; ordem escrita expedida por autoridade judicial ou administrativa: um mandado
de segurança, mandado de prisão.

Mandato: autorização que alguém confere a outrem para praticar atos em seu nome;
procuração; delegação: o mandato de um deputado, senador, do Presidente.

Mandante:que manda; aquele que outorga um mandato.
Mandatário:
aquele que recebe um mandato, executor de mandato, representante,
procurador.
Mandatório:obrigatório.

Obcecação:ato ou efeito de obcecar, teimosia, cegueira.
Obsessão:impertinência, perseguição, ideia fixa.

18

Ordinal:numeral que indica ordem ou série (primeiro, segundo, milésimo, etc.).
Ordinário:comum, frequente, trivial, vulgar.

Original:com caráter próprio; inicial, primordial.
Originário:que provém de, oriundo; inicial, primitivo.

Paço:palácio real ou imperial; a corte.
Passo:ato de avançar ou recuar um pé para andar; caminho, etapa.

Pleito:
questão em juízo, demanda, litígio, discussão: O pleito por mais escolas na
região foi muito bem formulado.
Preito:sujeição, respeito, homenagem: Os alunos renderam preito ao antigo reitor.

Preceder:ir ou estar adiante de, anteceder, adiantar-se.
Proceder:originar-se, derivar, provir; levar a efeito, executar.

Pós-(prefixo): posterior a, que sucede, atrás de, após: pós-moderno, pós-operatório.
Pré-(prefixo): anterior a, que precede, à frente de, antes de: pré-modernista, préprimário.
Pró
(advérbio): em favor de, em defesa de. A
maioria manifestou-se contra, mas dei
meu parecer pró.

Preeminente:que ocupa lugar elevado, nobre, distinto.
Proeminente:alto, saliente, que se alteia acima do que o circunda.

Preposição:
ato de prepor, preferência; palavra invariável que liga constituintes da
frase.
Proposição:ato de propor, proposta; máxima, sentença; afirmativa, asserção.

Presar:capturar, agarrar, apresar.
Prezar:respeitar, estimar muito, acatar.

Prescrever:
fixar limites, ordenar de modo explícito, determinar; ficar sem efeito,
anular-se:O prazo para entrada do processo prescreveu há dois meses.
Proscrever:
abolir, extinguir, proibir, terminar; desterrar. O uso de várias substâncias
psicotrópicas foi proscrito por recente portaria do Ministro.

Prever:ver antecipadamente, profetizar; calcular: Aassessoria previu acertadamente o
desfecho do caso.
Prover:
providenciar, dotar, abastecer, nomear para cargo: O chefe do departamento
de pessoal proveu os cargos vacantes.
Provir:
originar-se, proceder; resultar: A
dúvida provém (Os erros provêm) da falta de
leitura.

Prolatar:proferir sentença, promulgar.
Protelar:adiar, prorrogar.

Ratificar:validar, confirmar, comprovar.
Retificar:
corrigir, emendar, alterar: A
diretoria ratificou a decisão após o texto ter sido
retificado em suas passagens ambíguas.

Recrear:proporcionar recreio, divertir, alegrar.
Recriar:criar de novo.

Reincidir:tornar a incidir, recair, repetir.
Rescindir:dissolver, invalidar, romper, desfazer: Como ele reincidiu no erro, o contrato
de trabalho foi rescindido.

Remição:ato de remir, resgate, quitação.
Remissão:ato de remitir, intermissão, intervalo; perdão, expiação.

Repressão:ato de reprimir, contenção, impedimento, proibição.
Repreensão:ato de repreender, enérgica admoestação, censura, advertência.

Ruço:grisalho, desbotado.
Russo: referente à Rússia, nascido naquele país; língua falada na Rússia.

Sanção:
confirmação, aprovação; pena imposta pela lei ou por contrato para punir sua
infração.
Sansão:nome de personagem bíblico; certo tipo de guindaste.

Sedento:que tem sede; sequioso (var. p. us.: sedente).
Cedente:que cede, que dá.

Sobrescritar:endereçar, destinar, dirigir.
Subscritar:assinar, subscrever.

Sortir:variar, combinar, misturar.
Surtir:causar, originar, produzir (efeito).

Subentender:perceber o que não estava claramente exposto; supor.
Subintender:exercer função de subintendente, dirigir.
Subtender:estender por baixo.

Sustar:interromper, suspender; parar, interromper-se (sustar-se).
Suster:sustentar, manter; fazer parar, deter.

Tacha:pequeno prego; mancha, defeito, pecha.
Taxa:espécie de tributo, tarifa.

Tachar:censurar, qualificar, acoimar: tachar alguém (tachá-lo) de subversivo.
Taxar:fixar a taxa de; regular, regrar: taxar mercadorias.

Tapar:fechar, cobrir, abafar.
Tampar:pôr tampa em.

Tenção:intenção, plano (deriv.: tencionar); assunto, tema.
Tensão:estado de tenso, rigidez (deriv.: tensionar); diferencial elétrico.

Tráfego:trânsito de veículos, percurso, transporte.
Tráfico:negócio ilícito, comércio, negociação.

Trás:atrás, detrás, em seguida, após (cf. em locuções: de trás, por trás).

a

Traz:3
pessoa do singular do presente do indicativo do verbo trazer.

Vestiário:guarda-roupa; local em que se trocam roupas.
Vestuário:as roupas que se vestem, traje.

Vultoso:de grande vulto, volumoso.
Vultuoso(p. us.): atacado de vultuosidade (congestão da face).

Formas variantes

Há palavras que admitem mais de uma forma de grafia, sem que isso lhes altere o
sentido. O emprego dessas formas variantes é indiferente, mas a forma mais usada na
linguagem cotidiana é sempre preferível.

Exemplos:
catorze e quatorze
xerox e Xerox
cociente e quociente
matracar e matraquear
assoviar e assobiar
mobiliar e mobilhar
bêbado e bêbedo
entretenimento e entretimento
aspecto e aspeto
xeretar e xeretear
coisa e cousa
redemoinho e remoinho
malvadeza e malvadez
chipanzé e chimpanzé
espécime e espécimen
coradouro e quaradouro
fleuma e fleugma
derrubar e derribar
embaralhar e baralhar
taverna e taberna
diabete e diabetes
transpassar, traspassar e trespassar
seção e secção
verruga e berruga

Expressões a Evitar e Expressões de Uso Recomendável

O sentido das palavras liga-se intimamente à tradição e ao contexto de seu uso. Assim,
temos vocábulos e expressões (locuções) que, por seu continuado emprego com
determinado sentido, passam a ser usados sempre em tal contexto e de tal forma,
tornando-se expressões de uso consagrado. Mais do que do sentido das palavras,
trata-se aqui também da regência de determinados verbos e nomes (v.Regência, mais
adiante).

O esforço de classificar expressões como de uso a ser evitado
ou como de uso
recomendável
atende, primordialmente, ao princípio da clareza e da transparência que

21

deve nortear a elaboração de todo texto oficial. Não se trata, pois, de mera preferência
ou gosto por determinada forma.

A
linguagem dos textos oficiais não é ferramenta apenas de servidores públicos.
Dirigentes sindicais, empresários e mesmo diretores de clubes têm muitas vezes
necessidade de redigir memorandos, ofícios (cartas) e relatórios, e para isto devem
sempre pautar-se pelo padrão culto formal da língua. Não é aceitável, portanto, que
desses textos constem coloquialismos ou expressões de uso restrito a determinados
grupos, que comprometeriam sua própria compreensão pelo público. Acrescente-se
que indesejável é também a repetição excessiva de uma mesma palavra quando há
outra que pode substituí-la sem prejuízo ou alteração de sentido.

Quanto a determinadas expressões que devem ser evitadas, mencionem-se aquelas
que formam cacófatos, ou seja, “o encontro de sílabas em que a malícia descobre um
novo termo com sentido torpe ou ridículo”. Não há necessidade, no entanto, de estender
a preocupação de evitar a ocorrência de cacófatos a um sem-número de locuções que
produzem terceiro sentido, como por cada, vez passada, etc. Trata-se, sobretudo, de
uma questão de estilo e da própria sensibilidade do autor do texto. Não faz sentido
eliminar da língua inúmeras locuções que só causam espanto ao leitor que está à
procura do duplo sentido.

Essa recomendação vale também para os casos em que a partição silábica
(translineação) possa redundar em sentido torpe ou obsceno.

Apresentamos, a seguir, lista de expressões cujo uso ou repetição deve ser evitado,
indicando com que sentido devem ser empregadas e sugerindo alternativas
vocabulares a palavras que costumam constar com excesso dos expedientes oficiais.

à medida que/na medida em que – quer dizer
à proporção que, ao passo que,
conforme: Os preços deveriam diminuir à medida que diminui a procura. Na medida em
que
(locução causal) –pelo fato de que, uma vez que: Na medida em que se esgotaram
as possibilidades de negociação, o projeto foi integralmente vetado. Evite os
cruzamentos–bisonhos, canhestros –*à medida em
que, *na medida que…

a partir de -deve ser empregado preferencialmente no sentido temporal: Acobrança do
imposto entra em vigor a partir do início do próximo ano. Evite repeti-la com o sentido de
‘com base em’, preferindo considerando, tomando-se por base, fundando-se em,
baseando-se em.

ambos/todos os dois: “ambos”
significa ‘os dois’ ou ‘um e outro’. Evite expressões
pleonásticas como ambos dois, ambos os dois, ambos de dois, ambos a dois. Quando
for o caso de enfatizar a dualidade, empregue todos os dois: Todos os dois Ministros
assinaram a Portaria.

anexo/em anexo – este adjetivo, “anexo”, concorda em gênero e número com o
substantivo ao qual se refere: Encaminho as minutas anexas. Dirigimos os anexos
projetos à Chefia. Use também junto, apenso. Alocução adverbial em anexo, como é
próprio aos advérbios, é invariável: Encaminho as minutas em anexo. Em anexo,
dirigimos os projetos à Chefia.
Empregue também conjuntamente, juntamente com.

10SAID ALI, Manoel. Gramática secundária da língua portuguesa. 3. ed. Brasília: Ed. Universidade de Brasília. p.
224.

22

ao nível de/em nível (de) -A
locução ao nível
tem o sentido de à mesma altura de:
Fortaleza localiza-se ao nível do mar. Evite seu uso com o sentido de em nível, com
relação a, no que se refere a. Em nível
significa ‘nessa instância’: A
decisão foi tomada
em nível Ministerial; Em nível político, será difícil chegar-se ao consenso. A
nível
(de)
constitui modismo que é melhor evitar.

assim -use após a apresentação de alguma situação ou proposta para ligá-la à ideia
seguinte. Alterne com: dessa forma, desse modo, diante do exposto, diante disso,
consequentemente, portanto, por conseguinte, assim sendo, em conseqüência, em
vista disso, em face disso.

através de/por intermédio de –
quer
dizer de lado a lado, por entre: A
viagem incluía
deslocamentos através de boa parte da floresta.
Evite o emprego com o sentido de meio
ou instrumento; nesse caso empregue por intermédio, por, mediante, por meio de,
segundo, servindo-se de, valendo-se de: O projeto foi apresentado por intermédio do
Departamento. O assunto deve ser regulado por meio de decreto. A
comissão foi criada
mediante portaria do Ministro de Estado.

bem como -Evite repetir; alterne com e,como (também), igualmente, da mesma forma.
Evite o uso, polêmico para certos autores, da locução bem assim
como equivalente.

cada -Este pronome indefinido deve ser usado em função adjetiva: Quanto às famílias
presentes, foi distribuída uma cesta básica a cada uma.Evite a construção coloquial foi
distribuída uma cesta básica a cada.

causar
-Evite repetir. Use também originar, motivar, provocar, produzir, gerar, levar a,
criar.

constatar
-Evite repetir. Alterne com atestar, apurar, averiguar, certificar-se,
comprovar, evidenciar, observar, notar, perceber, registrar, verificar.

dado/visto/haja vista
-Os particípios dado
e visto
têm valor passivo e concordam em
gênero e número com o substantivo a que se referem: Dados o interesse e o esforço
demonstrados, optou-se pela permanência do servidor em sua função. Dadas as
circunstâncias… Vistas as provas apresentadas, não houve mais hesitação no
encaminhamento do inquérito. Já a expressão haja vista, com o sentido de uma vez que
ou seja considerado, veja-se, é invariável: O servidor tem qualidades, haja vista o
interesse e o esforço demonstrados. Haja visto
(com -o) é inovação oral brasileira,
evidentemente descabida em redação oficial ou outra qualquer.

de forma que, de modo que/de forma a, de modo a -De forma (ou maneira, modo)
que
nas orações desenvolvidas: Deu amplas explicações, de forma que tudo ficou claro.
De forma
(maneira
ou modo) a
nas orações reduzidas de infinitivo: Deu amplas
explicações, de forma (maneira ou modo) a deixar tudo claro. São descabidas na língua
escrita as pluralizações orais vulgares *de formas
(maneiras
oumodos) que…

deste ponto de vista
-Evite repetir; empregue também sob este ângulo, sob este
aspecto, por este prisma, desse prisma, deste modo, assim, destarte.

detalhar-Evite repetir; alterne com particularizar, pormenorizar, delinear, minudenciar.

devido a -Evite repetir; utilize igualmente em virtude de, por causa de, em razão de,
graças a, provocado por.

dirigir – Quando empregado com o sentido de encaminhar, alterne com transmitir,
mandar, encaminhar, remeter, enviar, endereçar.

“disruptivo” – Aportuguesamento do inglês disruptive
(de disrupt: ‘desorganizar,
destruir, despedaçar’), a ser evitado dada a existência de inúmeras palavras com o
mesmo sentido em português (desorganizador, destrutivo, destruidor, e o bastante
próximo, embora pouco usado, diruptivo). Acrescente-se, ainda, que, por ser de uso
restrito ao jargão de economistas e sociólogos, o uso dessa palavra confunde e não
esclarece em linguagens mais abrangentes.

“ele é suposto saber”-Construção tomada de empréstimo ao inglês he is supposed to
know, sem tradição no português. Evite por ser má tradução. Em português: ele
deve(ria) saber, supõe-se que ele saiba.

em face de -Sempre que a expressão em face de
equivaler a diante de, é preferível a
regência com a preposição de; evite, portanto, face a,frente a.

enquanto-Conjunção proporcional equivalente a ao passo que, à medida que.Evitar a
construção coloquial enquanto que.

especialmente -Use também principalmente, mormente, notadamente, sobretudo,
nomeadamente, em especial, em particular.

Inclusive -Advérbio que indica inclusão; opõe-se a exclusive. Evite-se o seu abuso
com o sentido de ‘até’; nesse caso utilize o próprio até
ou ainda, igualmente, mesmo,
também, ademais.

informar-Alterne com comunicar, avisar, noticiar, participar, inteirar, cientificar, instruir,
confirmar, levar ao conhecimento, dar conhecimento; ou perguntar, interrogar, inquirir,
indagar.

nem -Conjunção aditiva que significa ‘e não’, ‘e tampouco’, dispensando, portanto, a
conjunçãoe:Não foram feitos reparos à proposta inicial, nem à nova versão do projeto.
Evite, ainda, a dupla negação não nem, nem tampouco, etc. *Não pôde encaminhar o
trabalho no prazo, nem não teve tempo para revisá-lo. O correto é …nem teve tempo
para revisá-lo.

no sentido de -empregue também com vistas a, a fim de, com o fito
(objetivo, intuito,
fim)de, com a finalidade de, tendo em vista ou mira, tendo por fim.

objetivar/ter por objetivo -Ter por objetivo pode ser alternado com pretender, ter por
fim, ter em mira, ter como propósito, no intuito de, com o fito de.Objetivar significa antes
‘materializar’, ‘tornar objetivo’ (objetivar ideias, planos, o abstrato), embora possa ser
empregado também com o sentido de ‘ter por objetivo’. Evite-se o emprego abusivo
alternando-o com sinônimos como os referidos.

24

onde -Como pronome relativo significa em que (lugar): A
cidade onde nasceu. O país
onde viveu. Evite, pois, construções como “a lei onde é fixada a pena” ou “o encontro
onde o assunto foi tratado”. Nesses casos, substitua onde
porem que, na qual, no qual,
nas quais, nos quais. O correto é, portanto: a lei na qual é fixada a pena, o encontro no
qual (em que) o assunto foi tratado.

operacionalizar -Neologismo verbal de que se tem abusado. Prefira realizar, fazer,
executar, levar a cabo ou a efeito, pôr em obra, praticar, cumprir, desempenhar,
produzir, efetuar, construir, compor, estabelecer. É da mesma família de agilizar,
objetivar e outros cujo problema está antes no uso excessivo do que na forma, pois o
acréscimo dos sufixos -izar
e -ar
é uma das possibilidades normais de criar novos
verbos a partir de adjetivos (ágil + izar = agilizar; objetivo + ar = objetivar). Evite, pois, a
repetição, que pode sugerir indigência vocabular ou ignorância dos recursos do idioma.

opinião/“opinamento” -Como sinônimo de parecer, prefira opinião
a opinamento.
Alterne com parecer, juízo, julgamento, voto, entendimento, percepção.

opor veto(e não apor) -Vetar é opor veto.Apor
é acrescentar (daí aposto, (o) que vem
junto). O veto, a contrariedade são opostos, nunca apostos.

pertinente/pertencer -Pertinente (derivado do verbo latino pertinere) significa
pertencente
ou oportuno. Pertencer
se originou do latim pertinescere, derivado sufixal
de pertinere. Esta forma não sobreviveu em português; não empregue, pois, formas
inexistentes como “no que pertine ao projeto”; nesse contexto use no que diz respeito,
no que respeita, no tocante, com relação.

posição/posicionamento -Posição pode ser alterado com postura, ponto de vista,
atitude, maneira, modo. Posicionamento
significa ‘disposição, arranjo’, e não deve ser
confundido com posição.

relativo a – Empregue também referente a, concernente a, tocante a, atinente a,
pertencente a, que diz respeito a, que trata de, que respeita.

ressaltar-Varie com destacar, sublinhar, salientar, relevar, distinguir, sobressair.

pronome “se” – Evite abusar de seu emprego como indeterminador do sujeito. O
simples emprego da forma infinitiva já confere a almejada impessoalidade: “Para atingir
esse objetivo há que evitar o uso de coloquialismo” (e não: Para atingir-se… Há que se
evitar…). É cacoete em certo registro da língua escrita no Brasil, dispensável porque
inútil.

tratar (de) -Empregue também contemplar, discutir, debater, discorrer, cuidar, versar,
referir-se, ocupar-se de.

viger-Significavigorar,ter
vigor,funcionar.Verbo defectivo, sem forma para a primeira
pessoa do singular do presente do indicativo, nem para qualquer pessoa do presente do
subjuntivo, portanto. O decreto prossegue vigendo. A
portaria vige. A
lei tributária
vigente naquele ano
(…).

25

ORTOGRAFIA

Por ortografia entende-se o conjunto de normas para escrever corretamente as
palavras de uma língua, usando adequadamente os sinais de acentuação e pontuação.

A correção ortográfica é requisito elementar de qualquer texto. Muitas vezes, uma
simples troca de letras pode alterar não só o sentido da palavra, mas de toda uma frase.
O que na correspondência particular seria apenas um lapso datilográfico pode ter
repercussões indesejáveis quando ocorre no texto de uma comunicação oficial ou de
um ato normativo. Assim, toda revisão que se faça em determinado documento ou
expediente deve sempre levar em conta a correção ortográfica.

Com relação aos erros de grafia, pode-se dizer que são de dois tipos: os que decorrem
do emprego inadequado de determinada letra por desconhecimento de como escrever
uma palavra, e aqueles causados por lapso datilográfico.

A NOVA ORTOGRAFIA

A unificação ortográfica entrou em vigor no Brasil em janeiro de 2010, tendo sido
estabelecido obrigatoriedade de seu uso a partir de 2013. No Colégio Arnaldo Prieto,
mantido pelo Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado do Rio de Janeiro, o
presidente Antonio Rocha exigiu que todas as apostilas fossem atualizadas em forma e
conteúdo no ano de 2011. Deve-se, no entanto, alertar que, embora as editoras estejam
lançando seus dicionários renovados, ninguém deve se desfazer de dicionários e obras
de referência. Não perderam o valor. É preciso conhecer as alterações efetuadas, que
na presente seção apresentamos de maneira simplificada, para que todos possam
adaptar-se às novas normas, que vão por inteiro no site do Sindimóveis Est.RJ na
Internet.
Para o momento, com a finalidade de eliminar as preocupações generalizadas, abriuse
um espaço para as dicas mais importantes sobre a supressão de acentos e
simplificação do uso do hífen, tracinho diabólico, cuja extinção ninguém lamentaria, a
não ser poucos sábios tristes.
AAcademia Brasileira de Letras (ABL) dispõe de um link para quem tiver dúvidas sobre

o acordo, é só acessar http://www.academia.org.br e procurar o serviço “ABL
Responde” à
direita na página. No entanto, não há prazo para que as repostas sejam enviadas, já que
cada pergunta passará por análise da comissão de lexicografia e lexicologia.

ALFABETO

O alfabeto completo passa a ser formado por 26 letras:
AB C D E F G H I J K LM N O PQ R S TU V W X YZ
As letras K, W, Y
fazem parte do nosso alfabeto e são usadas em siglas, símbolos,
nomes próprios e seus derivados. Ex: Km, Watt, Byron, byroniano.

NOTAÇÕES LÉXICAS

Notação
Nome
Exemplos
~
Til
Sebastião;cão; tão; bonachão; facão
¨
Trema
Não se usa mais no Brasil
´
Apóstrofo
O apóstrofo assinala a supressão de um ou
mais fonemas na pronúncia de vocábulos: ‘Tá
bom! Caixa d’água; A queda d’um anjo
Ç
Cedilha
A cedilha emprega-se sob o “c”, antes de a, o,
e u, para lhe dar o valor do fonema /s/: O
açúcar não é do muçulmano.
^
Acento circunflexo
Acento
circunflexo
-A
respeito
do
acento
circunflexo, algumas regras mudaram. Vejamos:
1. Não existe mais acento circunflexo nas formas
verbais paroxítonas que possuem o “e” tônico
fechado em hiato na 3ª pessoa do plural do
presente do indicativo ou do subjuntivo. Isso
ocorre com os verbos: crer, dar, ler, ver e seus
derivados, como: prever, reler, descrer, etc.
Antes, o certo era: crêem, dêem, lêem, vêem,
relêem, prevêem. Agora, fica: creem, deem, leem,
veem, releem, preveem.
Importante: A
acentuação dos verbos ter e vir e
seus derivados não se modifica: eles têm, eles
vêm.
De igual modo, o acento circunflexo deixa de
existir na vogal tônica “o” de palavras paroxítonas,
assim como: enjoo, povoo, voo, abençoo, perdoo.
O acento circunflexo ou agudo será aceito em
palavras proparoxítonas, cujas vogais tônicas
sejam “e” ou “o” no final de sílaba e seguidas nas
consoantes nasais “m” e “n”, conforme a pronúncia
na
norma
culta.
Por
exemplo:
a
palavra
fenômeno/fenómeno tem a vogal tônica “o” que
termina a sílaba “no” (fe –no- me- no), a qual é
seguida da consoante nasal “m” (me), assim, este
vocábulo poderá vir grafado ou com acento
circunflexo ou com agudo, dependendo da língua
culta. Dessa maneira, no Brasil a pronúncia culta é
feita com timbre fechado e, portanto, é mais certo
que acentuemos tal palavra com circunflexo:
fenômeno.
De acordo com a regra acima, também podemos
apontar: acadêmico/académico, gênero/género,
tônico/tónico, blasfêmia/blasfémia, fêmea/ fémea,
anatômico/anatómico, gênio/génio, tênue/ténue,
cômodo/cómodo, Amazônia/Amazónia.

`
Acento grave
`
Acento agudo
Antes de explicitar o uso do acento agudo, vamos
ratificar duas significações: ditongo e hiato. O
primeiro é o encontro de uma vogal + uma
semivogal
ou
vice-versa,
sendo
estas
pronunciadas na mesma sílaba. Já o segundo é a
sequência de vogais pertencentes a sílabas
diferentes.
O acento agudo deixou de existir em alguns
poucos casos. Vejamos:
Paroxítonas:
1. Nas palavras paroxítonas, ou seja, nos
vocábulos cuja tonicidade recai na penúltima
sílaba, os ditongos abertos ei e oi que eram
acentuados, não são mais. Este fato é justificado
na existência de oscilação entre a abertura e
fechamento na articulação destas palavras.
Assim, alguns termos que hoje se escreve de um
jeito, tomam novos formatos ortográficos, como:
assembleia, ideia, jiboia, proteico, heroico, etc. Já
outros, continuam como são: cadeia, cheia,
apoio, baleia, dezoito, etc.
O
acento
agudo
permanece,
porém,
nas
oxítonas (vocábulos cuja tonicidade incide na
última sílaba) e nos monossílabos tônicos com
ditongos abertos -éi, -éu ou oi, seguidos ou não de
-s: papéis, herói, remói, anéis, ilhéus, chapéu, etc.
2. Nas palavras paroxítonas com hiatos formados
com i e u, sendo que a vogal anterior a estas faz
parte de um ditongo, ou seja, quando são
precedidas de ditongo. Dessa forma: feiúra passa
a ser feiura, baiúca passa a ser baiuca.
Entretanto,
as
vogais
i
e
u,
oxítonas
ou
paroxítonas, continuam a ser acentuadas se a
vogal que antecede estas não formar ditongo:
saída, cafeína, egoísmo, baía, ciúme, recaída,
sanduíche, Piauí, etc.
3. Nos verbos em que o acento tônico incide na
raiz, com as consoantes g ou q precedendo a
vogal tônica u. É o caso de: arguir e redarguir:
arguo, arguis, argui, arguem, e assim por diante.

27
28

— Hífen
29 30
Após a reforma, deixou-se de empregar o hífen:
1. Nas formações em que o prefixo ou falso
prefixo termina em vogal e o segundo termo
inicia-se em r ou s. Nesse caso, passa-se a
duplicar estas consoantes: antirreligioso,
contrarregra, infrassom, microssistema,
minissaia, microrradiografia, etc.
2. Nas constituições em que o prefixo ou
pseudoprefixo termina em vogal e o segundo
termo inicia-se com vogal diferente: antiaéreo,
extraescolar, coeducação, autoestrada,
autoaprendizagem, hidroelétrico, plurianual,
autoescola, infraestrutura, etc.
3. Nas formações, em geral, que contêm os
prefixos des- e in- e o segundo elemento perdeu o
h inicial: desumano, inábil, desabilitar, etc.
4. Nas formações com o prefixo co-, mesmo
quando o segundo elemento começar com o:
c o o p e r a ç ã o , c o o b r i g a ç ã o , c o o r d e n a r,
coocupante, coautor, coedição, coexistir, etc.
5. Em certas palavras que com o uso adquiriram
noção de composição: pontapé, girassol,
paraquedas, paraquedista, etc.
6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”:
benfeito, benquerer, benquerido, etc.
MAIÚSCULAS E MINÚSCULAS
1º) A letra maiúscula inicial é usada:
a) Nos antropônimos, reais ou fictícios: Pedro Marques; Branca de Neve, D. Quixote.
b) Nos topônimos, reais ou fictícios: Lisboa, Luanda, Maputo, Rio de Janeiro; Atlântida,
Hespéria.
c) Nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos: Adamastor; Neptuno /
Netuno.
d) Nos nomes que designam instituições: Instituto de Pensões e Aposentadorias da
Previdência Social.
e) Nos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Ramadão, Todos os Santos.
f) Nos títulos de periódicos, que retêm o itálico: O Primeiro de Janeiro, O Estado de São
Paulo (ou S. Paulo).
g) Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente:
Nordeste, por nordeste do Brasil, Norte, por norte de Portugal, Meio-Dia, pelo sul da
França ou de outros países, Ocidente, por ocidente europeu, Oriente, por oriente
asiático.
h) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente reguladas com
maiúsculas, iniciais ou mediais ou finais ou o todo em maiúsculas: FAO, NATO, ONU;
H2O; Sr., V. Exa.
i) Opcionalmente, em palavras usadas reverencialmente, aulicamente ou
hierarquicamente, em início de versos, em categorizações de logradouros públicos:
(rua ou Rua da Liberdade, largo ou Largo dos Leões), de templos (igreja ou Igreja do
Bonfim, templo ou Templo do Apostolado Positivista), de edifícios (palácio ou Palácio da

Cultura, edifício ou Edifício Azevedo Cunha).
2º) A letra minúscula inicial é usada:

a)Ordinariamente, em todos os vocábulos da língua nos usos correntes.
b)Nos nomes dos dias, meses, estações do ano: segunda-feira; outubro; primavera.
c) Nos títulos de obras – literárias, pinturas, musicais, esculturas etc. (após o primeiro
elemento, que é com maiúscula, os demais vocábulos, podem ser escritos com
minúscula, salvo nos nomes próprios nele contidos, tudo em grifo): O Senhor do Paço
de Ninães, O senhor do paço de Ninães, Menino de Engenho ou Menino de engenho,
Árvore e Tambor ou Árvore e tambor.
d)Nos usos de fulano, sicrano, beltrano.
e) Nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas); norte, sul (mas: SW
sudoeste).
f) Nos nomes que designam domínios do saber, cursos e disciplinas (opcionalmente,
também com maiúscula): português (ou Português), matemática (ou Matemática);
línguas e literaturas modernas (ou Línguas e Literaturas Modernas).
Obs.: As disposições sobre os usos das minúsculas e maiúsculas não obstam a que
obras especializadas observem regras próprias, (como têm feito jornais e revistas,
devido a equipamentos fabricados no exterior) provindas de códigos ou normalizações
específicas (terminologias antropológica, geológica, bibliológica, botânica, zoológica,
etc.), provenientes de entidades científicas ou normalizadoras, reconhecidas
internacionalmente.
O “H”

Muito tem se falado sobre o “h”, que este sumiu definitivamente de algumas palavras.
Mas de acordo com o acordo ortográfico não se sabe que o “h” desapareceu sem deixar
vestígios. Em Portugal, a palavra “húmido” recebia o “h” que, neste caso, foi suprimido.
Mas, até então, é o único caso constatado, o qual não afeta diretamente a língua escrita
no Brasil.
O h mantém-se por etimologia nos casos que conhecemos: hoje, homem, humor, hora,
haver, hélice, bem como nas adoções convencionais: hã?, hem?, hum!. Da mesma
forma acontece com a supressão já consagrada: erva, ao invés de herva e também das
interjeições: ah!, oh!.
Nos casos de aglutinação, o “h” é englobado no seu precedente e desaparece:
desumano, inábil, lobisomem, reabilitar, reaver.
Vale lembrar que, nos casos de palavra composta, o hífen é empregado quando o
segundo termo começa com “h”: pré-história, anti-higiênico, contra-haste, etc.

PONTUAÇÃO

Muitas pessoas não dão o devido valor à acentuação e à pontuação. Acham que não há
problemas em se esquecer uma vírgula, um ponto final ou um parênteses ou
simplesmente ignoram os sinais. No entanto, uma vírgula ou ponto pode mudar todo o
sentido de uma única oração. Observe: Eu ir lá claro que não.
Agora veja: Eu, ir lá? Claro que não!

Como se pode observar na última oração acima, a acentuação acompanha nossa fala,
nossa entonação. Dessa forma, fica possível perceber as pausas feitas pelo falante, a
fim de demonstrar com clareza o que e como quer dizer algo. Por exemplo: você dá
parabéns a uma pessoa dessa forma: Parabéns. Desejo felicidades. , com o uso de
ponto final na entonação, igual um robô?

31

Aqui vão algumas brincadeiras para o estudante entender bem o valor de um sinal de
pontuação: a vírgula.

A
primeira foi utilizada em cartazes na Associação Brasileira de Imprensa, quando a
entidade comemorava 100 anos da sua fundação por Herbert Moses:

100 Anos de Vírgula
Vírgula pode ser uma pausa… ou não.
Não, espere.
Não espere…
Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!
Uma vírgula muda tudo.
“ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.”

Segundo exemplo:
SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO
À SUA PROCURA.

* Se você for mulher, certamente coloca a vírgula depois de MULHER…
* Se você for homem, coloca a vírgula depois de TEM…
Terceiro exemplo:

Pontos de Vista

(Conto de João Anzanello Carrascoza, ilustrado por Will -Revista Nova Escola -Edição
Nº 165 -Setembro de 2003)

“Os sinais de pontuação estavam quietos dentro do livro de Português quando estourou
a discussão.

—Esta história já começou com um erro —disse a Vírgula.
—Ora, por quê? —perguntou o Ponto de Interrogação.
—Deveriam me colocar antes da palavra “quando” —respondeu a Vírgula.
—Concordo!—disse o Ponto de Exclamação. —O certo seria:
“Os sinais de pontuação estavam quietos dentro do livro de Português, quando
estourou a discussão”.
—Viram como eu sou importante? —disse a Vírgula.
— E eu também — comentou o Travessão. — Eu logo apareci para o leitor saber que
você estava falando.
32

—E nós? —protestaram as Aspas. —Somos tão importantes quanto vocês. Tanto que,
para chamar a atenção, já nos puseram duas vezes neste diálogo.
—O mesmo digo eu —comentou o Dois-Pontos. —Apareço sempre antes das Aspas e
do Travessão.
— Estamos todos a serviço da boa escrita! — disse o Ponto de Exclamação. — Nossa
missão é dar clareza aos textos. Se não nos colocarem corretamente, vira uma
confusão como agora!
—Às vezes podemos alterar todo o sentido de uma frase —disseram as Reticências. —
Ou dar margem para outras interpretações…
—É verdade —disse o Ponto. —Uma pontuação errada muda tudo.
—Se eu aparecer depois da frase “a guerra começou” —disse o Ponto de Interrogação
—é apenas uma pergunta, certo?
— Mas se eu aparecer no seu lugar — disse o Ponto de Exclamação — é uma certeza:
“Aguerra começou!”
—Olha nós aí de novo —disseram as Aspas.
—Pois eu estou presente desde o comecinho —disse o Travessão.
— Tem hora em que, para evitar conflitos, não basta um Ponto, nem uma Vírgula, é
preciso os dois —disse o Ponto e Vírgula. —E aí entro eu.
—O melhor mesmo é nos chamarem para trazer paz —disse a Vírgula.
—Então, que nos usem direito! —disse o Ponto Final. E pôs fim à discussão.
Este foi um recurso de memória que utilizamos para ajudar o estudante a ir se
aperfeiçoando no uso dos sinais de pontuação, recursos gráficos próprios da
linguagem escrita.
Embora não consigam reproduzir toda a riqueza melódica da linguagem oral, eles
estruturam os textos e procuram estabelecer as pausas e as entonações da fala. Podem
ser classificados em dois grupos: os sinais de pausa e os sinais de melodia ou
entonação.

Finalidades da Pontuação

Os sinais de pontuação, ligados à estrutura sintática, têm as seguintes finalidades:

a)assinalar as pausas e as inflexões da voz (a entoação) na leitura;
b) separar palavras, expressões e orações que, segundo o autor, devem
merecer destaque;
c)esclarecer o sentido da frase, eliminando ambiguidades.
Aspas

Usam-se aspas:

a) Quando há palavras ou expressões populares, gírias, neologismos, estrangeirismos
ou arcaísmos.
Exemplos: Há “trombadinhas” nas cidades grandes “batendo carteira” o tempo todo,
mas não há providências.
Por favor, antes de sair, faça um “backup”!
Ele mora lá nos “cafundó do Judas”!
b)Antes ou depois de citações.
Exemplos: Neste sábado, 31/01/09, o ministro do Trabalho disse o seguinte a respeito
do aumento no salário mínimo para R$ 460,00: “Esse aumento representa beneficiar
mais de 45 milhões de pessoas, entre aposentados e pensionistas”.
“É importante que os países ricos não esqueçam nunca que foram eles que inventaram
33

essa história de que o comércio poderia fluir livremente pelo mundo. Não é justo que
agora, que eles entraram em crise, esqueçam o discurso do livre comércio e passem a
ser os protecionistas que nos acusavam de ser”, disse Lula no Fórum Social Mundial,
em Belém.

c)Para assinalar palavras ou expressões irônicas.
Exemplos: Eles se comportaram “super” bem.
Sim, porque são uns “anjinhos”.
Vírgula

Avírgula serve para marcar as separações breves de sentido entre termos vizinhos, as
inversões e as intercalações, quer na oração, quer no período. A
seguir, indicam-se
alguns casos principais de emprego da vírgula:

a) para separar palavras ou orações paralelas justapostas, i. é, não ligadas por
conjunção:
Chegou a Brasília, visitou o Ministério das Relações Exteriores, levou seus
documentos ao Palácio do Buriti, voltou ao Ministério e marcou a entrevista.
Simplicidade, clareza, objetividade, concisão são qualidades a serem
observadas na redação oficial.

b) as intercalações, por cortarem o que está sintaticamente ligado, devem ser
colocadas entre vírgulas:

O processo, creio eu, deverá ir logo a julgamento.

A
democracia, embora
(ou mesmo) imperfeita, ainda é o melhor sistema de

governo.

c) expressões corretivas, explicativas, escusativas, tais como isto é, ou
melhor, quer dizer, data venia, ou seja, por exemplo,
etc., devem ser colocadas entre
vírgulas:
O político, a meu ver, deve sempre usar uma linguagem clara, ou seja, de fácil
compreensão.
As Nações Unidas decidiram intervir no conflito, ou por outra, iniciaram as
tratativas de paz.

d)Conjunções coordenativas
intercaladas ou pospostas devem ser colocadas
entre vírgulas:
Dedicava-se ao trabalho com afinco; não obtinha, contudo, resultados.
O ano foi difícil; não me queixo, porém.
Era mister, pois, levar o projeto às últimas consequências.

e) Vocativos, apostos, orações adjetivas não-restritivas (explicativas)
devem
ser separados por vírgula:
Brasileiros,
é chegada a hora de buscar o entendimento.
Aristóteles, o grande filósofo, foi o criador da Lógica.
O homem, que é um ser mortal, deve sempre pensar no amanhã.

f)a vírgula também é empregada para indicar a elipse
(ocultação) de verbo ou
outro termo anterior:
O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os particulares. (Avírgula indica a
elipse do verbo regulamenta.)
Às vezes procura assistência; outras, toma a iniciativa. (A
vírgula indica a elipse da
palavravezes.)
g)nas datas, separam-se os topônimos:
São Paulo, 22 de março de 1991.
Brasília, 15 de agosto de 1991.
34

É importante registrar que constitui erro crasso usar a vírgula entre termos que mantêm
entre si estreita ligação sintática –p. ex., entre sujeito e verbo, entre verbos ou nomes e
seus complementos.

Errado:O Presidente da República, indicou, sua posição no assunto.

Certo:O Presidente da República indicou sua posição no assunto.

Nos casos de o sujeito ser muito extenso, admite-se, no entanto, que a vírgula

osepare do predicado para conferir maior clareza ao período. Ex.:
Os Ministros de Estado escolhidos para comporem a Comissão e os
Secretários de Governo encarregados de supervisionar o andamento das obras, devem
comparecer à reunião do próximo dia 15.

O problema que nesses casos o político enfrenta, sugere que os
procedimentos devem ser revistos.

Ponto e Vírgula

O ponto e vírgula, em princípio, separa estruturas coordenadas já portadoras de
vírgulas internas. É também usado em lugar da vírgula para dar ênfase ao que se quer
dizer. Ex.:

Sem virtude, perece a democracia; o que mantém o governo despótico é o
medo.

As leis, em qualquer caso, não podem ser infringidas; mesmo em caso de
dúvida, portanto, elas devem ser respeitadas.

Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só
se dará nos casos de:
I – cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II – incapacidade civil absoluta;
III – condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus
efeitos;
IV – recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos

o

termos do art. 5
, VIII;
V – improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4
.
o

Dois-Pontos

Emprega-se este sinal de pontuação para introduzir citações, marcar
enunciados de diálogo e indicar um esclarecimento, um resumo ou uma consequência
do que se afirmou. Ex.:

Como afirmou o Marquês de Maricá em suas “Máximas”: “Todos reclamam
reformas, mas ninguém se quer reformar.”
Encerrado o discurso, o Ministro perguntou:

–Foi bom o pronunciamento?
–Sem dúvida: todos parecem ter gostado.
Mais que mudanças econômicas, a busca da modernidade impõe sobretudo
profundas alterações dos costumes e das tradições da sociedade; em suma: uma
transformação cultural.

Ponto de Interrogação

O ponto de interrogação, como se depreende de seu nome, é utilizado para marcar o
final de uma frase interrogativa direta:
Até quando aguardaremos uma solução para o caso?
Qual será o sucessor do Secretário?

35

Não cabe ponto de interrogação em estruturas interrogativas indiretas (em geral em
títulos): O que é linguagem oficial –Por que a inflação não baixa –Como vencer a crise –
Etc.

Ponto de Exclamação

O ponto de exclamação é utilizado para indicar surpresa, espanto, admiração, súplica,
etc. Seu uso na redação oficial fica geralmente restrito aos discursos e às peças de
retórica:

Povo deste grande País!
Com nosso trabalho chegaremos lá!

GRAMÁTICA12

Agramática e suas divisões
Os assuntos pertinentes à gramática pertencem a estudos específicos. Sempre,
quando nos referimos à gramática, atribuímos a ela um conjunto de normas que regem

o sistema linguístico. Por tal razão, estamos sempre em contato com os preceitos por
ela determinados, em situações específicas (por exemplo, quando somos conduzidos a
redigir acerca de algo ou mesmo nos ambientes escolares, enquanto aprendizes).
Contudo, normalmente não nos interessamos em saber se este ou aquele conteúdo
com o qual estabelecemos familiaridade pertence a esta ou aquela parte da gramática.
O fato é que os diversos assuntos por ela retratados pertencem a divisões específicas
de estudo que, indubitavelmente, tornam-se passíveis ao nosso conhecimento. Sendo
assim, o presente artigo tem por finalidade apontá-los, a fim de que estejamos a par de
todas as características que os norteiam.

FONOLOGIA
– Representa a parte cujo objetivo é estudar os menores elementos
distintos, ora denominados de fonemas, que diferenciam o significado das palavras,
bem como as sílabas que esses fonemas formam. Integrando a referida parte estão a;

ORTOÉPIAE PROSÓDIA
A
ortoépia
trata da pronúncia correta das palavras. Quando as palavras são
pronunciadas incorretamente, comete-se cacoépia.
É comum encontrarmos erros de ortoépia na linguagem popular, mais descuidada e
com tendência natural para a simplificação.

Podemos citar como exemplos de cacoépia:

-“guspe” em vez de cuspe.
-“adevogado” em vez de advogado.
-“estrupo” em vez de estupro.
-“cardeneta” em vez de caderneta.
-“peneu” em vez de pneu.
-“abóbra” em vez de abóbora.
-“prostar” em vez de prostrar.
12
Nesse ínterim, destacamos o estudo das vogais, semivogais, consoantes, dígrafos, encontros vocálicos,
encontros consonantais, classificação das sílabas quanto à tonicidade, quanto ao número apresentado mediante
a divisão silábica, o emprego das letras, tendo em vista suas respectivas situações de uso, entre outros.

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Aprosódiatrata da correta acentuação tônica das palavras. Cometer erro de prosódia é
transformar uma palavra paroxítona em oxítona, ou uma proparoxítona em paroxítona
etc. Exemplos:

-“rúbrica” em vez de rubrica.
-“sútil” em vez de sutil.
-“côndor” em vez de condor.
MORFOLOGIA
–Tem por finalidade estudar a estrutura, a formação e os mecanismos
de flexão das palavras. De acordo com tal intento, podemos dizer que as classes
gramaticais representam o alvo principal, ou seja, o estudo dos substantivos, adjetivos,
advérbios,
pronomes,
conjunções,
interjeições,
verbos,
artigos,
numerais
e
preposições.

SINTAXE (do grego syntáxis “arranjo, disposição”)

É a parte da Gramática que estuda a palavra, não em si, mas em relação às outras, que
com ela se unem para exprimir o pensamento. É o capítulo mais importante da
Gramática, porque, ao disciplinar as relações entre as palavras, contribui de modo
fundamental para a clareza da exposição e para a ordenação do pensamento.
É importante destacar que o conhecimento das regras gramaticais é condição
necessária para a boa redação, mas não constitui condição suficiente. A
concisão,
clareza, formalidade e precisão, elementos essenciais da redação, somente serão
alcançadas mediante a prática da escrita e a leitura de textos escritos em bom
português.
Dominar bem o idioma, seja na forma falada, seja na forma escrita, não significa apenas
conhecer exceções gramaticais: é imprescindível, isso sim, conhecer em profundidade
as regularidades da língua. O texto completo do Acordo Ortográfico que está entrando
em prática, incluído na Internet em http://www.sindimoveisrj.org.br, é da maior utilidade para
sanar as dúvidas mais atrozes.
Veremos, a seguir, alguns pontos importantes da sintaxe, relativos à construção de
frases, concordância, regência, colocação pronominal e pontuação.

Problemas de Construção de Frases

Aclareza e a concisão na forma escrita são alcançadas principalmente pela construção
adequada da frase, “a menor unidade autônoma da comunicação”, na definição de
Celso Pedro Luft.

A
função essencial da frase é desempenhada pelo predicado, que para Adriano da
Gama Kury pode ser entendido como “a enunciação pura de um fato qualquer”. Sempre
que a frase possuir pelo menos um verbo, recebe o nome de período, que terá tantas
orações quantos forem os verbos não auxiliares que o constituem.
Outra função relevante é a do sujeito -mas não indispensável, pois há orações sem
sujeito, ditas impessoais -, de quem se diz algo, cujo núcleo é sempre um substantivo.
Sempre que o verbo o exigir, teremos nas orações substantivos (nomes ou pronomes)
que desempenham a função de complementos (objetos direto e indireto, predicativo e
complemento adverbial). Função acessória desempenham os adjuntos adverbiais, que
vêm geralmente ao final da oração, mas que podem ser ou intercalados aos elementos
que desempenham as outras funções, ou deslocados para o início da oração.
Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos elementos que compõem uma
oração (os parênteses indicam os elementos que podem não ocorrer): (sujeito) -verbo-
(complementos)-(adjunto adverbial).

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Podem ser identificados seis padrões básicos para as orações pessoais (i. é, com
sujeito) na língua portuguesa (a função que vem entre parênteses é facultativa e pode
ocorrer em ordem diversa):

1.Sujeito-verbo intransitivo -(Adjunto Adverbial)
O Presidente -regressou-(ontem).
2.Sujeito-verbo transitivo direto -objeto direto -(adjunto adverbial)
O Chefe da Divisão -assinou-o termo de posse -(na manhã de terça-feira).
3.Sujeito-verbo transitivo indireto -objeto indireto -(adjunto adverbial).
O Brasil -precisa-de gente honesta -(em todos os setores).
4.Sujeito-verbo transitivo direto e indireto -obj. direto -obj. indireto -(adj. Adv.)
Os desempregados -entregaram-suas reivindicações -ao Deputado -(no Congresso).
5.Sujeito-verbo transitivo indireto -complemento adverbial -(adjunto adverbial)
Areunião do Grupo de Trabalho -ocorrerá-em Buenos Aires -(na próxima semana).
O Presidente -voltou-da Europa -(na sexta-feira)
6.Sujeito-verbo de ligação -predicativo-(adjunto adverbial)
O problema -será-resolvido-prontamente.
Esses seriam os padrões básicos para as orações, ou seja as frases que possuem
apenas um verbo conjugado. Na construção de períodos, as várias funções podem
ocorrer em ordem inversa à mencionada, misturando-se e confundindo-se. Não
interessa aqui análise exaustiva de todos os padrões existentes na língua portuguesa.

O que importa é fixar a ordem normal dos elementos nesses seis padrões básicos.
Acrescente-se que períodos mais complexos, compostos por duas ou mais orações, em
geral podem ser reduzidos aos padrões básicos (de que derivam).

Os problemas mais frequentemente encontrados na construção de frases dizem
respeito à má pontuação, à ambiguidade da ideia expressa, à elaboração de falsos
paralelismos, erros de comparação, etc. Decorrem, em geral, do desconhecimento da
ordem das palavras na frase. Indicam-se, a seguir, alguns desses defeitos mais comuns
e recorrentes na construção de frases:

Sujeito

Como dito, o sujeito é o ser de quem se fala ou que executa a ação enunciada na oração.
Ele pode ter complemento, mas não ser complemento. Devem ser evitadas, portanto,
construções como:
Errado: É tempo do Congresso votar a emenda.
Certo: É tempo de o Congresso votar a emenda.
Errado: Apesar das relações entre os países estarem cortadas, (…).
Certo: Apesar de as relações entre os países estarem cortadas, (…).
Errado: Não vejo mal no Governo proceder assim.
Certo: Não vejo mal em o Governo proceder assim.
Errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, (…).
Certo: Antes de estes requisitos serem cumpridos, (…).
Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo, (…).
Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo, (…).

Frases Fragmentadas

A
fragmentação de frases “consiste em pontuar uma oração subordinada ou uma
simples locução como se fosse uma frase completa”. Decorre da pontuação errada de
uma frase simples. Embora seja usada como recurso estilístico na literatura, a

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fragmentação de frases deve ser evitada nos textos oficiais, pois muitas vezes dificulta a
compreensão. Exemplos.:

Errado: O programa recebeu a aprovação do Congresso Nacional. Depois de ser
longamente debatido.
Certo: O programa recebeu a aprovação do Congresso Nacional, depois de ser
longamente debatido.
Certo: Depois de ser longamente debatido, o programa recebeu a aprovação do
Congresso Nacional.
Errado: O projeto de Convenção foi oportunamente submetido ao Presidente da
República, que o aprovou. Consultadas as áreas envolvidas na elaboração do texto
legal.
Certo: O projeto de Convenção foi oportunamente submetido ao Presidente da
República, que o aprovou, consultadas as áreas envolvidas na elaboração do texto
legal.

Erros de Paralelismo

Uma das convenções estabelecidas na linguagem escrita “consiste em apresentar
ideias similares numa forma gramatical idêntica”, o que se chama de paralelismo.
Assim, incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a elementos paralelos.
Vejamos alguns exemplos:

Errado: Pelo aviso circular recomendou-se aos Ministérios economizar energia e que
elaborassem planos de redução de despesas.
Nesta frase temos, nas duas orações subordinadas que completam o sentido da
principal, duas estruturas diferentes para ideias equivalentes: a primeira oração
(economizar energia) é reduzida de infinitivo, enquanto a segunda (que elaborassem
planos de redução de despesas) é uma oração desenvolvida introduzida pela
conjunção integrante que. Há mais de uma possibilidade de escrevê-la com clareza e
correção; uma seria a de apresentar as duas orações subordinadas como
desenvolvidas, introduzidas pela conjunção integrante que:

Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministérios que economizassem energia
e (que) elaborassem planos para redução de despesas.
Outra possibilidade: as duas orações são apresentadas como reduzidas de infinitivo:
Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministérios economizar energia e
elaborar planos para redução de despesas.
Nas duas correções respeita-se a estrutura paralela na coordenação de orações
subordinadas.
Mais um exemplo de frase inaceitável na língua escrita culta:

Errado: No discurso de posse, mostrou determinação, não ser inseguro, inteligência e
ter ambição.
O problema aqui decorre de coordenar palavras (substantivos) com orações (reduzidas
de infinitivo).
Para tornar a frase clara e correta, pode-se optar ou por transformá-la em frase simples,
substituindo as orações reduzidas por substantivos:

Certo: No discurso de posse, mostrou determinação, segurança, inteligência e
ambição.
Ou empregar a forma oracional reduzida uniformemente:

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Certo: No discurso de posse, mostrou ser determinado e seguro, ter inteligência e
ambição.
Atentemos, ainda, para o problema inverso, o falso paralelismo, que ocorre ao se dar
forma paralela (equivalente) a ideias de hierarquia diferente ou, ainda, ao se apresentar,
de forma paralela, estruturas sintáticas distintas:

Errado: O Presidente visitou Paris, Bonn, Roma e o Papa.
Nesta frase, colocou-se em um mesmo nível cidades (Paris, Bonn, Roma) e uma
pessoa (o Papa).
Uma possibilidade de correção é transformá-la em duas frases simples, com o cuidado
de não repetir o verbo da primeira (visitar):

Certo: O Presidente visitou Paris, Bonn e Roma. Nesta última capital, encontrou-se com

oPapa.
Errado: O projeto tem mais de cem páginas e muita complexidade.
Aqui repete-se a equivalência gramatical indevida: estão em coordenação, no mesmo
nível sintático, o número de páginas do projeto (um dado objetivo, quantificável) e uma
avaliação sobre ele (subjetiva). Pode-se reescrever a frase de duas formas: ou faz-se
nova oração com o acréscimo do verbo ser, rompendo, assim, o desajeitado paralelo:

Certo: O projeto tem mais de cem páginas e é muito complexo.
Ou se dá forma paralela harmoniosa transformando a primeira oração também em uma
avaliação subjetiva:

Certo: O projeto é muito extenso e complexo.
O emprego de expressões correlativas como não só … mas (como) também; tanto …
quanto (ou como); nem … nem; ou … ou; etc. costuma apresentar problemas quando
não se mantém o obrigatório paralelismo entre as estruturas apresentadas.

Nos dois exemplos abaixo, rompe-se o paralelismo pela colocação do primeiro termo da
correlação fora de posição.

Errado: Ou Vossa Senhoria apresenta o projeto, ou uma alternativa.

Certo: Vossa Senhoria ou apresenta o projeto, ou propõe uma alternativa.

Errado: O interventor não só tem obrigação de apurar a fraude como também a de punir
os culpados.

Certo: O interventor tem obrigação não só de apurar a fraude, como também de punir os
culpados.
Mencionemos, por fim, o falso paralelismo provocado pelo uso inadequado da
expressão e que num período que não contém nenhum que anterior.

Errado: O novo procurador é jurista renomado, e que tem sólida formação acadêmica.
Para corrigir a frase, ou suprimimos o pronome relativo:

Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem sólida formação acadêmica.
Ou suprimimos a conjunção, que está a coordenar elementos díspares:

Certo: O novo procurador é jurista renomado, que tem sólida formação acadêmica.

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Erros de Comparação

Aomissão de certos termos ao fazermos uma comparação, omissão própria da língua
falada, deve ser evitada na língua escrita, pois compromete a clareza do texto: nem
sempre é possível identificar, pelo contexto, qual o termo omitido. Aausência indevida
de um termo pode impossibilitar o entendimento do sentido que se quer dar a uma frase:

Errado: O salário de um professor é mais baixo do que um médico.
Aomissão de termos provocou uma comparação indevida: “o salário de um professor”
com “um médico”.

Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o salário de um médico.

Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o de um médico.
Errado: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas do que os Ministérios do
Governo.
No exemplo acima, a omissão da palavra “outros” (ou “demais”) acarretou imprecisão:

Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas do que os outros Ministérios do
Governo.

Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas do que os demais Ministérios do
Governo.

Ambiguidade

Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada em mais de um sentido. Como a
clareza é requisito básico de todo texto oficial (v. 1.4. Concisão e Clareza), deve-se
atentar para as construções que possam gerar equívocos de compreensão.
A
ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de identificar-se a que palavra se
refere um pronome que possui mais de um antecedente na terceira pessoa. Pode
ocorrer com:

a)pronomes pessoais:
Ambíguo: O Ministro comunicou a seu secretariado que ele seria exonerado.
Claro: O Ministro comunicou exoneração dele a seu secretariado.
Ou então, caso o entendimento seja outro:
Claro: O Ministro comunicou a seu secretariado a exoneração deste.
b)pronomes possessivos e pronomes oblíquos:
Ambíguo: O Deputado saudou o Presidente da República, em seu discurso, e solicitou
sua intervenção no seu Estado, mas isso não o surpreendeu.
Observe-se a multiplicidade de ambiguidade no exemplo acima, as quais tornam
virtualmente inapreensível o sentido da frase.
Claro: Em seu discurso o Deputado saudou o Presidente da República. No
pronunciamento, solicitou a intervenção federal em seu Estado, o que não surpreendeu
oPresidente da República.
c)pronome relativo:
Ambíguo: Roubaram a mesa do gabinete em que eu costumava trabalhar.
Não fica claro se o pronome relativo da segunda oração se refere a mesa ou a gabinete,
essa ambiguidade se deve ao pronome relativo que, sem marca de gênero. Asolução é
recorrer às formas o qual, a qual, os quais, as quais, que marcam gênero e número.
Claro: Roubaram a mesa do gabinete no qual eu costumava trabalhar.
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Se o entendimento é outro, então:
Claro: Roubaram a mesa do gabinete na qual eu costumava trabalhar.
Há, ainda, outro tipo de ambiguidade, que decorre da dúvida sobre a que se refere a
oração reduzida:
Ambíguo: Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o funcionário.
Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima, deve-se deixar claro qual o sujeito
da oração reduzida.
Claro: O Chefe admoestou o funcionário por ser este indisciplinado.
Ambíguo: Depois de examinar o paciente, uma senhora chamou o médico.
Claro: Depois que o médico examinou o paciente, foi chamado por uma senhora.

Tipos de Orações e Emprego de Conjunções

As conjunções são palavras invariáveis que ligam orações, termos da oração ou
palavras. Estabelecem relações entre orações e entre os termos sintáticos, que podem
ser de dois tipos:

a) de coordenação de idéias de mesmo nível, e de elementos de idêntica função
sintática;
b) de subordinação, para estabelecer hierarquia entre as idéias, e permitir que uma
oração complemente o sentido da outra.
Por esta razão, o uso apropriado das conjunções é de grande importância: seu emprego
indevido gera imprecisão ou combinações errôneas de idéias
GRAMÁTICA

CONCORDÂNCIA

De acordo com Mattoso Câmara, “dá-se em gramática o nome de concordância à
circunstância de um adjetivo variar em gênero e número de acordo com o substantivo a
que se refere (concordância nominal) e a de um verbo variar em número e pessoa de
acordo com o seu sujeito (concordância verbal). Há, não obstante, casos especiais que
se prestam a dúvidas”.
Então, observamos e podemos definir da seguinte forma: concordância vem do verbo
concordar, ou seja, é um acordo estabelecido entre termos.
O caso da concordância verbaldiz respeito ao verbo em relação ao sujeito, o primeiro
deve concordar em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª, 3ª) com o segundo. Já a
concordância nominal
diz respeito ao substantivo e seus termos referentes: adjetivo,
numeral, pronome, artigo. Essa concordância é feita em gênero (masculino ou
feminino) e pessoa.
Como vimos acima, na definição de Mattoso Câmara, existem regras gerais e alguns
casos especiais que devem ser estudados particularmente, pois geram dúvidas quanto
ao uso. Há muitos casos que a norma não é definida e há resoluções diferentes por
parte dos autores, escritores ou estudantes da concordância.
Simplificando, podemos dizer que a concordância é o processo sintático segundo o qual
certas palavras se acomodam, na sua forma, às palavras de que dependem. Essa
acomodação formal se chama “flexão” e se dá quanto a gênero e número (nos adjetivos

-nomes ou pronomes), números e pessoa (nos verbos). Daí a divisão: concordância
nominal e concordância verbal.
Concordância Verbal

Regra geral: Estudar a concordância verbal é, basicamente, estudar o sujeito, pois é
com este que o verbo concorda. Se o sujeito estiver no singular, o verbo também o

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estará; se o sujeito estiver no plural, o mesmo acontece com o verbo. Então, para saber
se o verbo deve ficar no singular ou no plural, deve-se procurar o sujeito, perguntando
ao verbo Que(m) é que pratica ou sofre a ação? ou Que(m) é que possui a qualidade? A
resposta indicará como o verbo deverá ficar.

Por exemplo, a frase As instalações da empresa são precárias tem como sujeito “as
instalações da empresa”, cujo núcleo é a palavra instalações, pois elas é que são
precárias, e não a empresa; por isso o verbo fica no plural.
Até aí tudo bem. O problema surge, quando o sujeito é uma expressão complexa, ou
uma palavra que suscite dúvidas. São os casos especiais, que estudaremos agora:

1) Coletivo: Quando o sujeito for um substantivo coletivo, como, por exemplo, bando,
multidão, matilha, arquipélago, trança, cacho, etc., ou uma palavra no singular que
indique diversos elementos, como, por exemplo, maioria, minoria, pequena parte,
grande parte, metade, porção, etc., poderão ocorrer três circunstâncias:
A) O coletivo funciona como sujeito, sem acompanhamento de qualquer restritivo:
Nesse caso, o verbo ficará no singular, concordando com o coletivo, que é singular.
Ex. Amultidão invadiu o campo após o jogo.
O bando sobrevoou a cidade.
Amaioria está contra as medidas do governo.
B)O coletivo funciona como sujeito, acompanhado de restritivo no plural: Nesse caso, o
verbo tanto poderá ficar no singular, quanto no plural.
Ex. Amultidão de torcedores invadiu / invadiram o campo após o jogo.
O bando de pássaros sobrevoou / sobrevoaram a cidade.
Amaioria dos cidadãos está / estão contra as medidas do governo.

C) O coletivo funciona como sujeito, sem acompanhamento de restritivo, e se encontra
distante do verbo: Nesse caso, o verbo tanto poderá ficar no singular, quanto no plural.
Ex. Amultidão, após o jogo, invadiu / invadiram o campo.
O bando, ontem à noite, sobrevoou / sobrevoaram a cidade.
Amaioria, hoje em dia, está / estão contra as medidas do governo.
Um milhão, um bilhão, um trilhão:

Com um milhão, um bilhão, um trilhão, o verbo deverá ficar no singular. Caso surja a
conjunção e, o verbo ficará no plural.
Ex. Um milhão de pessoas assistiu ao comício
Um milhão e cem mil pessoas assistiram ao comício.

2) Mais de, menos de, cerca de, perto de: quando o sujeito for iniciado por uma dessas
expressões, o verbo concordará com o numeral que vier imediatamente à frente.
Ex. Mais de uma criança se machucou no brinquedo.
Menos de dez pessoas chegaram na hora marcada.
Cerca de duzentos mil reais foram surripiados.

Quando Mais de um estiver indicando reciprocidade ou com a expressão repetida, o
verbo ficará no plural.

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Ex. Mais de uma pessoa agrediram-se.
Mais de um carro se entrechocaram.
Mais de um deputado se xingaram durante a sessão.

3)Nome próprio no plural: Nos casos em que o artigo se encontrar no plural, o verbo irá
para o plural.
Ex. Os Lusíadas imortalizaram Camões.
Os Estados Unidos se transformaram numa potência mundial.

B)Se for nome de lugar -cidade, estado, país… -o verbo concordará com o artigo; caso
não haja artigo, o verbo ficará no singular.
Ex. Os Estados Unidos comandam o mundo.
Campinas fica em São Paulo.
Os Andes cortam a América do Sul.

4) Qual de nós / Quais de nós: quando o sujeito contiver as expressões …de nós, …de
vós ou …de vocês, deve-se analisar o elemento que surgir antes dessas expressões:
A)Se o elemento que surgir antes das expressões estiver no singular (qual, quem, cada
um, alguém, algum…), o verbo deverá ficar no singular.
Ex. Quem de nós irá conseguir o intento?
Quem de vós trará o que pedi?
Cada um de vocês deve ser responsável por seu material.
B) Se o elemento que surgir antes das expressões estiver no plural (quais, alguns,
muitos…), o verbo tanto poderá ficar na terceira pessoa do plural, quanto concordar com
opronome nós ou vós.
Ex. Quantos de nós irão / iremos conseguir o intento?
Quais de vós trarão / trareis o que pedi?
Muitos de vocês não se responsabilizam por seu material.
Pronomes Relativos:

Quando o pronome relativo exercer a função de sujeito, deveremos analisar o seguinte:

A)Pronome Relativo que: o verbo concordará com o elemento antecedente.
Ex. Fui eu que quebrei a vidraça. (Eu quebrei a vidraça)
Fomos nós que telefonamos a você. (Nós telefonamos a você)
Estes são os garotos que foram expulsos da escola. (Os garotos foram expulsos)
B) Pronome Relativo quem: Quando o sujeito é o pronome relativo “quem”, utiliza-se o
verbo na terceira pessoa do singular, ou este concorda com o seu antecedente, ou seja,
é flexionado de acordo com o sujeito.
Ex: Fui eu quem trouxe os presentes.
Fomos nós quem respondemos às questões.
Casos especiais de sujeito simples

A
concordância verbal é mais uma dentre as particularidades gramaticais, assim,
devemos nos atentar para a questão de regras e possíveis exceções, e, obviamente,

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colocá-las em prática sempre que necessário.

Além disso, a mesma se faz presente nos conteúdos programáticos pertencentes à
maioria dos concursos e vestibulares. Algo que aparentemente pode parecer
complicado, torna-se passível de total apreensão mediante a familiaridade com a
escrita e aperfeiçoamento de nossos conhecimentos linguísticos.

No intento de aprimorá-los cada vez mais, observaremos a seguir uma relação
composta com casos específicos de sujeito simples:

# Expressões partitivas –Aformação se dá pelo sujeito constituído por uma expressão
que denota “parte de algo” (a metade de, a maior parte de, grande parte de, a maioria
de), seguida de um substantivo ou pronome no plural:
O verbo poderá ser grafado tanto no singular quanto no plural.

Ex: Amaior parte dos funcionários aprovou/aprovaram a decisão.

# A
expressão mais de um – Quando esta vier associada a verbos que retratem
reciprocidade:
O verbo necessariamente permanecerá no plural.

Ex: Mais de um vestibulando se abraçaram durante a comemoração pela vitória.

# Quantidade aproximada – É o caso em que o sujeito é formado por expressões que
indicam quantidade aproximada (cerca de, menos de, mais de, perto de) seguidas de
numeral e substantivo:
O verbo concordará com o substantivo.

Ex: Mais de um aluno compareceu à entrega dos resultados.
Cerca de aproximadamente mil pessoas participaram da manifestação.

Nomes próprios –a concordância neste caso deverá ser feita levando em consideração
a presença ou ausência do artigo.
Com o artigo, o verbo é grafado no plural e sem ele, o verbo é grafado no singular.

Ex: Os Estados Unidos formam a grande potência mundial.
Goiás é um estado bastante acolhedor.

Pronome interrogativo ou indefinido plural – Quando o sujeito é um pronome
interrogativo ou indefinido plural (quais, quantos, alguns, quaisquer) seguido do
pronome pessoal “nós” ou “vós”:
O verbo concordará com o primeiro pronome (na terceira pessoa do plural) ou com o
pronome pessoal.

Ex: Quais de nós são/somos capacitados para realizar esta tarefa?
Alguns de vós tinham/tínheis conhecimento deste caso?

# Pronome relativo “que” – Quando a formação do sujeito se dá pelo pronome relativo
que:
Aconcordância em número e pessoa se dá com o antecedente do mesmo.

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Ex: Fui eu que trouxe a encomenda.
Fomos nós que preparamos o evento.

# Aexpressão “um dos que” –De acordo com a linguagem formal:
O verbo permanece no plural.

Ex: Pedro foi um dos alunos que passaram no vestibular.

# Porcentagens – No caso de o sujeito ser formado por uma expressão que denote
porcentagem, seguida de substantivo:
O verbo concordará com o substantivo.

Ex: 1% da população aprova as medidas tomadas pelo candidato da oposição.
50% dos candidatos foram reprovados no concurso federal.

Casos especiais do sujeito composto

Na concordância verbal temos alguns casos que podem gerar dúvidas quanto ao sujeito
composto e a correta conjugação do verbo.

Os casos especiais do sujeito composto:

a)Quando o sujeito composto estiver antes do verbo, esse último ficará no plural.
Exemplo: Paola e Pedro gostaram do seu interesse em vender a casa.
b)Quando o sujeito vier depois do verbo, esse último ficará no plural ou com o núcleo do
sujeito que estiver mais próximo ao verbo.
Exemplo: Dividiram a comida a mãe, os seus filhos e os amigos de seus filhos.
Dividiu a comida a mãe, os seus filhos e os amigos de seus filhos.

c)Quando os núcleos do sujeito constituírem uma gradação, o verbo fica no singular.
Exemplo: O sorriso, a paz, a felicidade fez com que me sentisse muito bem hoje.
d)Quando um pronome indefinido (tudo, nada, ninguém, alguém) resumir os núcleos do
sujeito, o verbo fica no singular.
Exemplo: As tribulações, o sofrimento, as tristezas, nada nos separa de quem nos ama
e amamos de verdade.

e)Quando o sujeito composto vier ligado por ou:
•Ou com sentido de exclusão, o verbo fica no singular.
Exemplo: Paola ou Pedro virá aqui em casa hoje.
•Ou com sentido de adição, o verbo fica no plural.
Exemplo: O ingresso ou o ticket são aceitos aqui.
•Ou com sentido de retificação, o verbo concorda com o núcleo mais próximo.
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Exemplo: O professor titular ou os professores concordaram com essa decisão.

f) Quando o sujeito for representado pela expressão “um e outro”, o verbo concorda ou
no singular, ou no plural.
Exemplo: Um e outro aluno fez (fizeram) o trabalho manuscrito.
g) Quando o sujeito for representado por uma das expressões “um ou outro”; “nem um
nem outro”, o verbo fica no singular.
Exemplo: Nem um nem outro fez o trabalho manuscrito.
h) Quando o sujeito for formado por infinitivos, o verbo fica no singular. Caso os
infinitivos sejam antônimos, o verbo concorda no plural.
Exemplos: Fumar e beber não traz benefícios ao organismo.
Subir e descer escadas são ações que todos deveríamos praticar mais.
i)Quando o sujeito composto for ligado por com, o verbo fica ou no singular ou no plural,
dependerá da ênfase que se quer dar: ou a algum dos núcleos do sujeito ou aos dois.
Exemplo: O prefeito com seus assessores fizeram uma boa campanha.
O prefeito, com seus assessores, fez uma boa campanha.

j)
Quando
o
sujeito
apresentar
as
expressões
“nem…nem”,
“tanto…como”,
“assim…como”, “não só…mas também”, o verbo geralmente vai para o plural.
Exemplo: Não só o uso de drogas, mas também a companhia errada trazem prejuízos
irreversíveis ao indivíduo.

k) Quando os núcleos do sujeito são representados por pronomes pessoais do caso
reto, o verbo fica no plural.
1.Eu, tu e ele vamos hoje ao dentista. (nós –plural)
2.Tu e ela ireis ficar bem até o final da manhã. (vós –plural)
3.Ela e ele estudam mais do que o necessário por dia. (eles –plural)
Casos especiais de alguns verbos

Há alguns casos de verbos em que a concordância causa dúvidas. Vejamos aqui os
casos especiais, separadamente:

O verbo ser

a)Quando o sujeito é um dos pronomes: o, isto, isso, aquilo, tudo, o verbo ser concorda
com o predicativo:
Exemplo: Tudo era felicidade quando morava na casa do vovô.

b)Quando o predicativo for um pronome pessoal.
Exemplo: O presente que comprei hoje é para você.
c) Quando o sujeito for nome de pessoa ou pronome pessoal, o verbo ser concordará
com o sujeito.
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Exemplo: Paola é a aluna mais aplicada da sala.

d)Quando o sujeito for uma expressão numérica que dá idéia de conjunto, o verbo ficará
no singular.
Exemplo: Quatro horas é pouco tempo para fazer as provas de vestibular.

e) Quando a oração se iniciar com os pronomes interrogativos (Que, Quem), o verbo
concorda com o sujeito.
Exemplos: Quem é a pessoa que consegue fazer justiça com as próprias mãos?

f) Quando a oração indicar o dia do mês, o verbo concorda no singular ou no plural,
dependerá da intenção.
Exemplos: Hoje é (dia) 11 de setembro. (dia específico)
Hoje são 11 de setembro. (dias decorridos até a data)

Os verbos bater, soar e dar

Quando fazem referência às horas do dia, os verbos acima concordam com o número
de horas.
Exemplo: O relógio soou há muito tempo.

Acabou de dar uma hora, está na hora de irmos.
Os verbos impessoais haver e fazer
Os verbos impessoais são aqueles que não admitem sujeito e, portanto, são

flexionados na 3ª pessoa do singular.

No sentido de existir ou na idéia de tempo decorrido, o verbo haver é impessoal. Logo, o
verbo ficará no singular.
Exemplo: Há uma cadeira vaga no refeitório. (sentido de existir)

Há dez dias não faço exercícios físicos. (tempo decorrido)
Da mesma forma, o verbo fazer no sentido temporal, de tempo decorrido ou de
fenômenos atmosféricos é impessoal.

Exemplo: Faz dez dias que não faço exercícios físicos. (tempo decorrido)

Nesta época do ano, faz muito frio.
Quando da locução verbal, tanto o verbo haver quanto o verbo fazer exigem que o
auxiliar fique na terceira pessoa do singular.

Exemplos: Deve haver uma forma de amenizarmos esse problema.
Vai fazer dez dias que não faço exercícios físicos.
O verbo existir
Geralmente, o verbo existir concorda com seu sujeito.

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Exemplo: Existem muitas pessoas que não gostam de frutos do mar.

Quando o verbo existir fizer parte de uma locução verbal, o auxiliar concordará com o
sujeito e não com o verbo principal.
Exemplo: Devem existir muitas pessoas que não gostam de frutos do mar.
O verbo parecer
Quando o verbo parecer vier seguido de infinitivo, poderá ser flexionado ou no singular

ou no plural:

Exemplos: As pesquisas parecem traduzir o que a empresa necessita.
As pesquisas parece traduzirem o que a empresa necessita.
Aexpressão “haja vista”
O verbo haver na expressão “haja vista” pode ser empregado ou no singular ou no plural

(desde que não seja precedido por preposição), contudo, a palavra “vista” permanece

invariável.
Exemplos: Haja vista os dados das pesquisas
Haja vista aos avanços observados pelos pesquisadores.

Hajam vista os dados que observamos.

Concordância Nominal

Regra Geral: A
Concordância Nominal é o acordo entre o nome (substantivo) e seus
modificadores (artigo, pronome, numeral, adjetivo) quanto ao gênero (masculino ou
feminino) e o número (plural ou singular).

Exemplo: Eu não sou mais um na multidão capitalista.

Observe que, de acordo com a análise da oração, o termo “na” é a junção da preposição
“em” com o artigo “a” e, portanto, concorda com o substantivo feminino multidão, ao
mesmo tempo em que o adjetivo “capitalista” também faz referência ao substantivo e
concorda em gênero (feminino) e número (singular).

Vejamos mais exemplos:

Minha casa é extraordinária.

Temos o substantivo “casa”, o qual é núcleo do sujeito “Minha casa”. O pronome
possessivo “minha” está no gênero feminino e concorda com o substantivo. O adjetivo
“extraordinária”, o qual é predicativo do sujeito (trata-se de uma oração com
complemento conectado ao sujeito por um verbo de ligação), também concorda com o
substantivo “casa” em gênero (feminino) e número (singular).

Para finalizar, veremos mais um exemplo, com análise bem detalhada:

Dois cavalos fortes venceram a competição.

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Primeiro, verificamos qual é o substantivo da oração acima: cavalos. Os termos
modificadores do substantivo “cavalos” são: o numeral “Dois” e o adjetivo “fortes”.
Esses termos que fazem relação com o substantivo na concordância nominal devem,
de acordo com a norma culta, concordar em gênero e número com o mesmo.
Nesse caso, o substantivo “cavalos” está no masculino e no plural e a concordância dos
modificadores está correta, já que “dois” e “fortes” estão no gênero masculino e no
plural. Observe que o numeral “dois” está no plural porque indica uma quantidade maior
do que “um”.

Então temos por regra geral da concordância nominal que os termos referentes ao
substantivo são seus modificadores e devem concordar com o mesmo em gênero e
número.

Importante: Localize na oração o substantivo primeiramente, como foi feito no último
exemplo. Após a constatação do substantivo, observe o seu gênero e o número. Os
termos referentes ao substantivo são seus modificadores e devem estar em
concordância de gênero e número com o nome (substantivo).

Regra geral: adjetivos (nomes ou pronomes), artigos e numerais concordam em gênero
e número com os substantivos de que dependem:

Todos os outros duzentos processos examinados…

Todas as outras duzentas causas examinadas…

Alguns casos que suscitam dúvida:

a) anexo, incluso, leso: como adjetivos, concordam com o substantivo em gênero e
número:
Anexa à presente Exposição de Motivos, segue minuta de Decreto.
Vão anexos os pareceres da Consultoria Jurídica.
b)a olhos vistos é locução com função adverbial, invariável, portanto:
Lúcia envelhecia a olhos vistos.
Asituação daquele setor vem melhorando a olhos vistos.
c) possível: em expressões superlativas, este adjetivo ora aparece invariável, ora
flexionado (embora no português, moderno se prefira empregá-lo no plural):
As características do solo são as mais variadas possíveis.
As características do solo são as mais variadas possível.
REGÊNCIA

Regência é, em gramática, sinônimo de dependência, subordinação. Assim, a sintaxe
de regência trata das relações de dependência que as palavras mantêm na frase.
Dizemos que um termo rege o outro que o complementa.
Numa frase, os termos regentes ou subordinantes (substantivos, adjetivos, verbos)
regem os termos regidos ou subordinados (substantivos, adjetivos, preposições) que
lhes completam o sentido.
Os termos regentes podem ser substantivos e adjetivos (regência nominal) ou verbos
(regência verbal), e podem reger outros substantivos e adjetivos ou preposições. As
dúvidas mais frequentes quanto à regência dizem respeito à necessidade de

50

determinada palavra reger preposição, e qual deve ser essa preposição. Os dicionários
são de extrema utilidade para evitarem-se os erros de regência.

Regência Verbal

A
regência estuda a relação existente entre os termos de uma oração ou entre as
orações de um período.

Aregência verbal estuda a relação de dependência que se estabelece entre os verbos e
seus complementos. Na realidade o que estudamos na regência verbal é se o verbo é
transitivo direto, transitivo indireto, transitivo direto e indireto ou intransitivo e qual a
preposição relacionada com ele.

VERBOS TRANSITIVOS DIRETOS

São verbos que indicam que o sujeito pratica a ação, sofrida por outro elemento,
denominado objeto direto.
Por essa razão, uma das maneiras mais fáceis de se analisar se um verbo é transitivo
direto é passar a oração para a voz passiva, pois somente verbo transitivo direto admite
tal transformação, além de obedecer, pagar e perdoar, que, mesmo não sendo VTD,
admitem a passiva.

O objeto direto pode ser representado por um substantivo ou palavra substantivada,
uma oração (oração subordinada substantiva objetiva direta) ou por um pronome
oblíquo.
Os pronomes oblíquos átonos que funcionam como objeto direto são os seguintes: me,
te, se, o, a, nos, vos, os, as.
Os pronomes oblíquos tônicos que funcionam como objeto direto são os seguintes:
mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas. Como são pronomes oblíquos tônicos, só são
usados com preposição, por isso se classificam como objeto direto preposicionado.

EU PROCURO UM GRANDE AMOR
(VTD) (OD)

Vamos à lista, então, dos mais importantes verbos transitivos diretos: Há verbos que
surgirão em mais de uma lista, pois têm mais de um significado e mais de uma regência.

Aspirar será VTD, quando significar sorver, absorver.
Como é bom aspirar a brisa da tarde.

Visar será VTD, quando significar mirar ou dar visto.
O atirador visou o alvo, mas errou o tiro.

Agradar será VTD, quando significar acariciar ou contentar.
Agarotinha ficou agradando o cachorrinho por horas.

Querer será VTD, quando significar desejar, ter a intenção ou vontade de, tencionar..
Sempre quis seu bem.
Quero que me digam quem é o culpado.

Chamar será VTD, quando significar convocar.
Chamei todos os sócios, para participarem da reunião.

51

Implicar será VTD, quando significar fazer supor, dar a entender; produzir como
consequência, acarretar.
Os precedentes daquele juiz implicam grande honestidade.
Suas palavras implicam denúncia contra o deputado.

Desfrutar e Usufruir são VTD sempre.
Desfrutei os bens deixados por meu pai.
Pagam o preço do progresso aqueles que menos o desfrutam.

Namorar é sempre VTD. Só se usa a preposição com, para iniciar Adjunto Adverbial de
Companhia. Esse verbo possui os significados de inspirar amor a, galantear, cortejar,
apaixonar, seduzir, atrair, olhar com insistência e cobiça, cobiçar.
Joanilda namorava o filho do delegado.
O mendigo namorava a torta que estava sobre a mesa.
Eu estava namorando este cargo há anos.

Compartilhar é sempre VTD.
Berenice compartilhou o meu sofrimento.

Esquecer e Lembrar serão VTD, quando não forem pronominais, ou seja, caso não
sejam usados com pronome, não serão usados também com preposição.
Esqueci que havíamos combinado sair.
Ela não lembrou o meu nome.

VERBOS TRANSITIVOS INDIRETOS

São verbos que se ligam ao complemento por meio de uma preposição. O complemento
é denominado OBJETO INDIRETO.
O objeto indireto pode ser representado por um substantivo, ou palavra substantivada,
uma oração (oração subordinada substantiva objetiva indireta) ou por um pronome
oblíquo.
Os pronomes oblíquos átonos que funcionam como objeto indireto são os seguintes:
me, te, se, lhe, nos, vos, lhes.
Os pronomes oblíquos tônicos que funcionam como objeto indireto são os seguintes:
mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas.

EU GOSTO DE BEIJAR
(VTI) (OI)

Vamos à lista, então, dos mais importantes verbos transitivos indiretos: Há verbos que
surgirão em mais de uma lista, pois têm mais de um significado e mais de uma regência.

VERBOS TRANSITIVOS INDIRETOS, COM APREPOSIÇÃO. A:

Aspirar será VTI, com a prep. a, quando significar almejar, objetivar..
Aspiramos a uma vaga naquela universidade.

Visar será VTI, com a prep. a, quando significar almejar, objetivar.
Sempre visei a uma vida melhor.

Agradar será VTI, com a prep. a, quando significar ser agradável; satisfazer
. Para agradar ao pai, estudou com afinco o ano todo.

52

Querer será VTI, com a prep. a, quando significar estimar.
Quero aos meus amigos, como aos meus irmãos.

Assistir será VTI, com a prep. a, quando significar ver ou ter direito.
Gosto de assistir aos jogos do Santos.
Assiste ao trabalhador o descanso semanal remunerado.

Custar será VTI, com a prep. a, quando significar ser difícil. Nesse caso o verbo custar
terá como sujeito aquilo que é difícil, nunca a pessoa, que será objeto indireto.

VERBOS TRANSITIVOS DIRETOS E INDIRETOS (TDI)

São os verbos que possuem os dois complementos – OBJETO DIRETO E OBJETO
INDIRETO.
CHAMEI A
ATENÇÃO DO MENINO, POIS ESTAVA
CONVERSANDO DURANTE A
AULA.
VTDI Objeto Direto Objeto indireto

Obs.: Aexpressão Chamar a atenção de alguém não significa repreender, e sim fazer
se notado. Por exemplo: O cartaz chamava a atenção de todos que por ali passavam.

VERBOS INTRANSITIVOS

São os verbos que não necessitam de complementação. Sozinhos, indicam a ação ou o
fato.

AS MARGARIDAS MORRERAM.

Regência Nominal

Regência Nominal é o nome da relação entre um substantivo, adjetivo ou advérbio transitivo e seu respectivo complemento nominal. Essa relação é intermediada por uma preposição.

No estudo da regência nominal, deve-se levar em conta que muitos nomes seguem exatamente o mesmo regime dos verbos correspondentes.

Conhecer o regime de um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos.

  • alheio a, de
  • liberal com
  • ambicioso de
  • apto a, para
  • análogo a
  • grato a
  • bacharel em
  • indeciso em
  • capacidade de, para
  • natural de
  • contemporâneo a, de
  • nocivo a
  • contíguo a
  • paralelo a

curioso a, de

propício a
falto de

sensível a
incompatível com

próximo a, de
inepto para

satisfeito com, de, em, por
misericordioso com, para com

suspeito de
preferível a

longe de
propenso a, para

perto de
hábil em

Exemplos:
Está alheio a tudo.
Está apto ao trabalho.
Gente ávida por dominar.
Contemporâneo da Revolução Francesa.
É coisa curiosa de ver.
Homem inepto para a matemática.
Era propenso ao magistério.

REDAÇÃO OFICIAL

Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira pela qual o Poder Público
redige atos normativos e comunicações. Para o Corretor de Imóveis, interessa mais conhecê-la do ponto de vista do Poder Executivo, em função de contatos com governadores, prefeitos, secretários e outras autoridades que exercem influência no seu campo de atuação. Mais importante, porém, é valer-se dos ensinamentos aqui
contidos e também recorrer ao “Manual de Redação da Presidência da República”
através do endereço http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm

A redação oficial deve se caracterizar pela impessoalidade, uso do padrão culto de
linguagem, clareza, concisão, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses
atributos decorrem da Constituição, que dispõe, no artigo 37: “Aadministração pública
direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios
obedecerá
aos princípios
de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (…)”. Sendo a publicidade e a
impessoalidade princípios fundamentais de toda administração pública, claro está que devem igualmente nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais.

O Manual de Redação da Presidência da República, hoje usado em todas as áreas da administração pública, alerta que as comunicações oficiais são necessariamente uniformes, pois há sempre um único comunicador (o Serviço Público) e o receptor dessas comunicações ou é o próprio Serviço Público (no caso de expedientes dirigidos por um órgão a outro) -ou o conjunto dos cidadãos ou instituições tratados de forma homogênea (o público).

O Ofício

O ofício é o expediente mais comum em circulação na administração pública e, de 1990 para cá, estabeleceu-se uma padronização, que se estende ao memorando. Um como outro contém as seguintes partes:

Partes do Ofício

a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que o expede :
b) local e data em que foi assinado, por extenso, com alinhamento à direita:
c) assunto: resumo do teor do documento
d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem é dirigida a comunicação. No caso
do ofício deve ser incluído também o endereço.
e) texto: nos casos em que não for de mero encaminhamento de documentos, o expediente deve conter a seguinte estrutura:
• introdução, que se confunde com o parágrafo de abertura, na qual é apresentado o assunto que motiva a comunicação. Evite o uso das formas:
“Tenho a honra de”, “Tenho o prazer de”, “Cumpre-me informar que”,
empregue a forma direta;
• desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado; se o texto contiver mais de uma idéia sobre o assunto, elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere maior clareza à exposição;
• conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente reapresentada a posição recomendada sobre o assunto.
Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto nos casos em que estes estejam organizados em itens ou títulos e subtítulos.

Memorando

O memorando é a modalidade de comunicação entre unidades administrativas de um mesmo órgão, que podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em níveis diferentes. Trata-se, portanto, de uma forma de comunicação eminentemente interna.
Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser empregado para a exposição de projetos, idéias, diretrizes, etc. a serem adotados por determinado setor do serviço público.

Sua característica principal é a agilidade. A tramitação do memorando em qualquer órgão deve pautar-se pela rapidez e pela simplicidade de procedimentos burocráticos.
Para evitar desnecessário aumento do número de comunicações, os despachos ao memorando devem ser dados no próprio documento e, no caso de falta de espaço, em folha de continuação. Esse procedimento permite formar uma espécie de processo simplificado, assegurando maior transparência à tomada de decisões, e permitindo que
se historie o andamento da matéria tratada no memorando.

Quanto à sua forma, o memorando segue o modelo do padrão ofício, com a diferença de
que o seu destinatário deve ser mencionado pelo cargo que ocupa.

BIBLIOGRAFIA

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS – Dicionário Escolar da Língua Portuguesa –
Companhia Editora Nacional, 2008, São Paulo
BECHARA, Evanildo –Gramática Escolar da Língua Portuguesa –Lucerna, 2003 –Rio
CEREJA, William R. e MAGALHÃES, T.C. – Gramática Reflexiva. Texto, semântica e
interação–Atual, São Paulo, 1999
NETO, Serafim da Silva. Introdução ao estudo da língua portuguesa no Brasil. 5. ed. Rio
de Janeiro: Presença; Brasília: INL, 1986.
NISKIER, Arnaldo – “A Língua
Portuguesa
no Século
XXI”
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=2454&sid=19
acessado em 10/08/2010
SAID ALI, Manoel. Gramática secundária da língua portuguesa. 3. ed. Brasília: Ed.
Universidade de Brasília.
SHIBAO, Suely -Língua: Instrumento de Comunicação -Biblioteca do Exército Ed. -Rio 1997

 

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