Cuidar do nervo vago para reduzir a ansiedade e melhorar a qualidade de vida


18, setembro 2017 em Psicologia755 Compartilhados
Cuidar do nervo vago para reduzir a ansiedade e melhorar a qualidade de vida

O nervo vago inerva grande parte do nosso organismo. De tal forma que muitos o definem como uma força motriz, um canal interno que regula o descanso e que, além disso, desativa as respostas ansiosas do nosso corpo. Saber estimulá-lo através de exercícios como a respiração diafragmática nos ajudaria sem dúvidas a reduzir muitas dessas emoções negativas que nos atormentam todos os dias.

Vamos pensar por um momento em todas essas situações que geram ansiedade, em tudo aquilo que produz medo, incômodo, repulsa… Vamos visualizar esses momentos vitais e perceber como em um dado momento nosso estômago ou nosso intestino começa a ter espasmos, cólicas, a se agitar com muitas borboletas bravas no seu interior. Essa sensação ativa imediatamente o nervo vago e envia ao cérebro uma mensagem categórica: “temos uma ameaça”.

“Onde a água atinge a maior profundidade é onde se mantém mais tranquila.”
-William Shakespeare-

O professor Wolfgang Langhans do ETH Zurich e sua equipe descobriram há alguns anos que essa estrutura fascinante do nosso corpo está intimamente relacionada com as nossas emoções, mais especificamente com a sensação de medo ou a necessidade de fuga. Eles demonstraram, por exemplo, que as pessoas que sofrem de ansiedade crônica apresentam uma hipersensibilidade nesse nervo. Além disso, e é importante relembrar, o nervo vago se inicia no cerebelo e inerva o aparelho digestivo e intestinal, o aparelho respiratório, o coração e o fígado.

Assim, grande parte do nosso organismo se desequilibra quando somos vítimas da ansiedade: o coração acelera, a digestão se torna mais difícil, temos diarreia… No entanto, uma maneira de controlar o impacto de grande parte das nossas emoções é “ativando” de forma adequada o nervo vago. Apesar dessa estrutura responder a diferentes parâmetros pré-configurados pelo próprio organismo, há a possibilidade de estimular e melhorar seu funcionamento para favorecer exatamente o efeito contrário: o relaxamento.

O papel do nervo vago em nosso organismo

O nervo vago: uma parte do nosso corpo que devemos conhecer

Em 1921, um filósofo alemão ganhador do Prêmio Nobel, Otto Loewi, descobriu que ao estimular o nervo vago, algo muito interessante acontecia: a frequência cardíaca se reduzia e se ativava, por sua vez, a liberação de uma substância muito especial a qual ele chamou de “Vagusstoff” (em alemão, “substância vaga”). Essa “substância vaga” era, na realidade um neurotransmissor muito específico: falamos da acetilcolina, o primeiro neurotransmissor identificado pelos pesquisadores.

A acetilcolina é uma das substância químicas mais importantes do nosso organismo porque graças a ela é possível transmitir o impulso nervoso. O nervo vago, por sua vez, cumpre um papel tão essencial e tão relevante quanto: atua como uma força motriz do sistema nervoso parassimpático, encarregando-se de regular nossas respostas de descanso, digestão, necessidade de fuga ou de relaxamento.

É, por assim dizer, como se fosse um jogo de forças, no qual o bem-estar está em equilíbrio homeostático.

É como o “yin-yang” do nosso organismo, onde o ponto ideal reside no fato de poder desfrutar de um nível de ativação justo e adequado, no qual não se sente nenhuma sensação de alerta, nem um estado de relaxamento próximo da fraqueza, da apatia ou da imobilidade.
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Psicólogos clínicos como Kyle Bourassa da Universidade do Arizona nos explicam que algo tão básico quanto favorecer uma conexão saudável do nervo vago entre o intestino e o cérebro nos ajudaria, por exemplo, a regular muito melhor a produção de neurotransmissores como a acetilcolina e o GABA (ácido gama-aminobutírico). Desse modo, e graças a esses neurotransmissores, poderíamos desacelerar o ritmo cardíaco, diminuir a pressão arterial e a atividade de órgãos estimulados em excesso pelo efeito da ansiedade (poderíamos dormir melhor, fazer as digestões de uma maneira melhor…).

A seguir, nos aprofundamos nessas estratégias com as quais atingir esse objetivo.

Como estimular o nervo vago?

Vale ressaltar que algumas pessoas conseguem estimular o nervo vago graças a um bom fisioterapeuta especializado no tema. Mediante uma série de determinadas mensagens na região da boca do estômago, é possível ativar a ação do nervo vago pra experimentar uma agradável sensação de tranquilidade e aliviar, assim, os espasmos intestinais associados aos estados de ansiedade.

“Uma mente tranquila traz força interior e confiança para si mesmo, por isso é muito importante uma boa saúde.”
-Dalai Lama-

Por outro lado, uma boa maneira de conseguir isso é por meio da respiração diafragmática. Essa respiração atua como uma boa ferramenta de relaxamento cotidiano, e caso realmente seja praticada todos os dias, percebemos também menos sensações de ameaça, melhores processos de digestão, um melhor equilíbrio interno e um descanso mais restaurador. Paralelamente, também existem muitas outras estratégias que, combinadas com a respiração profunda ou diafragmática, podem nos servir de ajuda.

  • Exercício aeróbico moderado e praticado diariamente.
  • Conexões sociais positivas e enriquecedoras.
  • Praticar a meditação.
  • Manter um diário para incentivar a comunicação consigo mesmo.
  • Consumo de probióticos, pois foi descoberto que possuir uma flora intestinal saudável e forte também se reflete na saúde cerebral.
  • Banhos frios de poucos minutos.
  • Praticar yoga.
  • Dormir do lado esquerdo.
  • Rir com frequência.
  • Aumentar os níveis de serotonina e ocitocina…

Cuidar do nervo vago para combater a ansiedade

Para concluir, assim como pudemos observar nessa lista, há um aspecto que sem dúvidas chama nossa atenção: o simples fato de cultivar emoções positivas, como desfrutar de boas relações sociais, ter momentos de ócio, gargalhadas e relaxamentos também proporciona estímulos benéficos ao nosso nervo vago.

Não podemos nos esquecer de que é no próprio intestino que é fabricada de 80 a 90% da serotonina, o hormônio do bem-estar. Também não podemos ignorar o simples fato de que colocar um sorriso no rosto, dançar, caminhar, nadar, etc. produz mudanças metabólicas positivas. Mudanças que esse imenso nervo, que “vaga” erraticamente pelo nosso corpo, capta imediatamente para enviar uma mensagem muito específica ao nosso cérebro: “tudo está tranquilo, estamos bem”.

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