2015 – ‘Índia já cresce mais que China e ultrapassará Brasil em ranking de economias’


Líderes dos BRICSDireito de imagemMEA INDIA
Image captionDança das cadeiras nos BRICs: economia indiana já é maior que brasileira e cresce mais que chinesa

Um relatório do banco Merrill Lynch sobre o desempenho dos Brics aposta em uma dança das cadeiras no ranking das maiores economias emergentes ainda neste ano.

Segundo o banco, o ritmo de crescimento da Índia deve superar o da China – que até agora era o país que mais crescia no clube das grandes economias.

O desempenho melhor fará ainda com que a economia indiana ultrapasse a do Brasil até o fim de 2015, tornando-se a segunda maior do grupo, após a China. Com isso, o ranking global de economias também muda e o Brasil pode cair da sétima para a oitava posição.

No ano passado, a Índia já havia desbancado a Rússia que, como o Brasil, vem enfrentando uma crise acentuada. Em 2015, a previsão do banco é de que a economia russa tenha o pior resultado do grupo, com uma recessão de 3,7%, contra uma queda de 3,3% da economia brasileira.

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Alberto Ades, co-diretor da área de Global Economics do Merrill Lynch, explicou à BBC Brasil que a Índia tornou-se o Bric de crescimento mais acelerado em função de uma mudança metodológica no cálculo de seu PIB.

Pelo cálculo antigo, o país cresceria por volta de 5,5%. Pelo novo, deve crescer aproximadamente 7,5% este ano, enquanto a expansão do PIB chinês ficará na casa dos 7%.

“Muitos países fazem mudanças metodológicas desse tipo. No caso, os analistas ainda estão tentando entender se as mudanças foram adequadas”, diz Ades.

Já no ranking das maiores economias, Ades diz que o Brasil teria sido ultrapassado pela Índia de qualquer maneira.

Trabalhador em fábrica de roupas em Nova Delhi, na Índia (Foto: Anindito Mukherjee/Reuters)Direito de imagemREUTERS
Image captionExpectativa de banco é que economia da Índia ultrapasse as de França e Reino Unido até 2019

“Fatores como a dificuldade do Brasil de atingir suas metas fiscais, o aumento do risco de que o país perda o grau de investimento (que se acentuou depois que o Brasil teve sua nota de crédito rebaixada, na quarta-feira, pela agência Standard & Poor’s), a crise política, a queda do preço das commodities e o desaquecimento da China estão ajudando a deteriorar as perspectivas sobre o Brasil”, diz Ades.

Além disso, ele nota que o PIB brasileiro calculado em dólar também deve ter uma queda significativa em função da depreciação do real.

Pelos cálculos do banco, deve passar dos US$ 2,3 trilhões, de 2014, para cerca de US$ 1,8 trilhões. Enquanto isso, o PIB indiano, passará para a casa dos US$2 trilhões em 2015.

Segundo o Merrill Lynch, a economia indiana também pode ultrapassar a francesa e a britânica até 2019.

“É claro que a queda do real contribui, mas de longe não é só isso que está fazendo o país perder posição relativa nos Brics”, opina Marcos Troyjo, diretor do BricLab, da Universidade de Colúmbia.

“Se a Índia vai crescer 7.5% este ano e o Brasil vai ter uma retração do PIB de mais de 2,5% só aí já temos um diferencial de cerca de 10% em favor da Índia.”

Crescimento indiano

Segundo Troyjo, Ades e Oliver Stuenkel, especialista em Brics da Fundação Getúlio Vargas, uma série de fatores ajuda a explicar o ritmo de crescimento indiano.

Para começar, a Índia é um grande importador de petróleo e vem se beneficiando dos baixos preços do produto no mercado internacional, enquanto grandes exportadores, como a Rússia, saem perdendo.

(Foto: Bhasker Solanki/BBC)
Image captionNarendra Modi, primeiro-ministro da Índia, prometeu medidas para destravar economia

A equipe econômica e o governo do país também conseguiram conquistar a confiança dos mercados, segundo os especialistas.

Entre os garantes da política econômica indiana estariam Raghuram Rajan, que está no comando do Banco Central desde 2013, e Narendra Modi, o primeiro-ministro eleito no ano passado prometendo reformas pró-mercado.

“Modi propõe uma liberalização da economia, redução da burocracia e outras reformas que melhorem o ambiente para negócios no país. Com isso, conseguiu a confiança e boa vontade dos investidores, mas há algumas dúvidas sobre se essas reformas poderão ser feitas em um ritmo razoável”, diz Stuenkel.

Ades explica que os indianos estão em uma fase de afrouxamento de sua política monetária, o que favorece o investimento e a expansão da economia.

Um quarto fator impulsionando o crescimento indiano seria a questão demográfica.

A Índia tem hoje 1,2 bilhões de habitantes e, como não tem uma política para conter o crescimento de sua população, como a China (com sua política do filho único), espera-se que o país seja o mais populoso do mundo por volta de 2035.

“Há uma esperança de que a Índia se torne um motor da economia global em alguns anos. O país ainda tem uma grande população rural, por exemplo, e o efeito do avanço do processo de urbanização deve ser um propulsor de crescimento”, diz Troyjo.

“Além disso, conforme os custos da força de trabalho chinesa aumentam, os investidores procuram alternativas em países como Vietnã, Camboja, Indonésia e – sem dúvida nenhuma – Índia.”

Pobreza

Stuenkel defende, porém, que também é preciso colocar o crescimento indiano em perspectiva, dado a diferença social e econômica entre o país e os outros Brics.

“Em parte existe um potencial de crescimento maior na Índia porque o PIB per capita do país ainda é baixo. Há muito a ganhar apenas melhorando um pouco a vida de populações bastante pobres”, diz.

Sem-teto dorme em parque em Lucknow, na Índia (Foto: Rajesh Kumar Singh/AP)Direito de imagemAP
Image captionEspecialistas dizem que é preciso considerar pobreza da Índia no contexto desse crescimento

Segundo cálculos do Banco Mundial, o PIB per capita indiano é hoje de US$ 1,6 mil. O do Brasil seria de US$11,6 mil.

“Enquanto Brasil e Rússia têm economias mais complexas, são mais industrializados e com uma população de renda média, temos mais pobres na Índia do que em toda a África”.

Stuenkel lembra que a população indiana é seis vezes maior que a brasileira.

“E o fato de que só agora eles estão ultrapassando o Brasil no ranking das maiores economias dos Brics, mostra os desafios que o país tem pela frente para aumentar a complexidade de sua economia e promover a inclusão de milhares de pessoas como consumidoras e cidadãs.”

Troyjo concorda: “Uma coisa é passar de uma renda per capita de US$ 2,8 mil para US$ 9 mil. Outra, mais difícil, é passar dos US$ 9 mil para US$12 mil ou US$13 mil. Para isso, são necessárias reformas mais complexas, mudanças estruturais.”

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