Síndrome de Asperger


   A síndrome de Asperger é frequentemente considerada uma forma altamente funcional de autismo. Diferentemente do autismo clássico, quem tem Asperger não apresenta comprometimento intelectual e retardo cognitivo. Por isso, os primeiros sintomas e sinais do distúrbio costumam ser ignorados pelos pais.

O primeiro trabalho sobre a síndrome foi feito pelo psiquiatra e pediatra austríaco Hans Asperger, mas permaneceu por muito tempo desconhecido. O reconhecimento internacional ocorreu somente em 1994, quando foi incluída pela primeira vez no DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders). Por se tratar de uma patologia recentemente descrita a causa exata não é conhecida. É mais provável que uma anormalidade no cérebro seja a causa da síndrome. Entretanto, fatores genéticos podem desmpenhar um papel importante, pois o transtorno tende a existir na família.

Os primeiros sintomas e sinais da síndrome de Asperger podem aparecer nos primeiros anos de vida da criança, mas raramente são valorizados pelos pais como algo negativo, especialmente se as manifestações forem leves. A grande maioria dos diagnósticos é feita na fase escolar, quando a dificuldade de socialização, considerada a característica mais significativa do distúrbio, manifesta-se com maior intensidade, juntamente com o desinteresse por tudo que não se relacione com o hiperfoco de atenção. “O que efetivamente chama a atenção dos pais são os sintomas associados ao isolamento social, inadequação de comportamentos ou manifestações de ansiedade, depressão ou irritabilidade”, diz Sandra Lie Ribeiro do Valle, neuropsicóloga do hospital Albert Einstein.

O diagnóstico da SA é complexo, em virtude de que mesmo através do uso de vários instrumentos de avaliação não existe um exame clínico que a detecte. É necessário que o médico tenha ampla experiência em autismo para fazer o diagnóstico real. A maioria procura por um grupo central de comportamentos para diagnosticar a síndrome. Esses comportamentos incluem: contato visual anormal; indiferença; não responder quando é chamado pelo nome; falta de interatividade; falta de interesse nos colegas, dentre outros.

Exames físicos, emocionais e mentais são realizados para descartar outras causas e para buscar sinais específicos dessa síndrome. A equipe poderá incluir psicólogo, neurologista, psiquiatra, fonoaudiólogo e outros especialistas.

Obs. o diagnóstico da SA em indivíduos adultos é uma tarefa difícil e imprecisa, uma vez que os adultos já aprenderam de forma racional a mascarar os seus erros sociais. Quando distraídos, demonstram os sintomas da SA, mas, se concentrados em uma interação social específica, como o relacionamento com o psiquiatra ou psicólogo, no momento do teste, podem se comportar de forma aparentemente normal. Nesse caso, o profissional deve contar com a colaboração dos familiares e/ou pessoas próximas ao portador da síndrome.

Quais são as características das pessoas portadoras da Síndrome de Asperger?

  • Interesses específicos e restritos ou preocupações com um tema em detrimento de outras atividades.
  • Rituais ou comportamentos repetitivos.
  • Peculiaridades na fala e na linguagem.
  • Comportamento social e emocionalmente impróprio e problemas de interação social;
  • Problemas com comunicação (não há comprometimento da linguagem, estritamente falando).
  • Transtornos motores, movimentos desajeitados e descoordenados.
  • Apresentar um Q.I. verbal significativamente mais elevado que o não-verbal.
  • Dificuldades em relacionamentos – sente dificuldade em fazer amigos, conseguir parceiros, desinteresse sexual e afetivo por outrem.
  • Às vezes as pessoas com SA podem ser consideradas rudes, frias nos seus comportamentos, mas na verdade é só seu modo de tentar reagir ou entender ações.
  • Apresentar dificuldade em compreender as mensagens transmitidas por meio da linguagem corporal, não consegue “ler” as intenções do outro.
  • Comportamentos variáveis, ora como uma pessoa adulta, ora como uma criança.
  • Fazer tudo da maneira que acha mais confortável, sem se importar com a opinião alheia. Isto é válido principalmente em relação à forma de se vestir e aos cuidados com a própria aparência.
  • Amor e rancor recíproco – como reagem mais pragmaticamente do que emocionalmente, suas expressões de afeto e rancor podem ser curtas e fracas.
  • Pessoas com SA sentem-se compelidas a corrigir erros, ou aquilo que pensam estar errado, mesmo que não conheçam bem o assunto que corrigem. Por isso, podem parecer ofensivos.
  • Pessoas com SA tipicamente, tem um modo de falar “pedante”, usando um registro formal muitas vezes impróprio para o contexto.
  • A interpretação literal é outro traço comum, tendo dificuldade em identificar ironias, gírias, sarcasmos e metáforas.

 Como lidar com crianças com síndrome de Asperger?

  A criança com SA pode apresentar talentos específicos. De uma maneira geral, os pais costumam incentivar uma aptidão que reconhecem nos filhos, piorando a clausura comportamental do indivíduo, tornando-o menos flexível a novos temas.

Pensando em auxiliar no desenvolvimento das capacidades múltiplas da criança é importante buscar uma interação entre a escola, a família e o profissional que a acompanha no sentido de desenvolver a reciprocidade social do indivíduo. Os pais devem estimular a diversificação dos focos de interesse para que a criança dê importância para outros assuntos e desenvolva novas habilidades, diminuindo assim, comportamentos repetitivos e restritos.

 Tratamento da Síndrome de Asperger

    Não há um tratamento único para todas as crianças com SA.

A maioria dos especialistas indica terapia física ou ocupacional, treinamento das habilidades sociais, terapia da fala e da linguagem, além do uso de medicamentos para tratar de problemas como ansiedade, depressão, problemas de atenção e agressão.

 

Serviço de Psicopedagogia – Ensino Fundamental II

Sônia Benfatti Medeiros

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