Trabalho Em Equipe: Competência E Diferencial Competitivo


O trabalho em equipe surgiu da necessidade histórica do homem de somar esforços com outros homens visando o alcance de objetivos comuns. Diante da complexidade do mundo, fez-se imprescindível a complementaridade de conhecimentos e habilidades para que o ser humano fosse capaz de superá-lo atingindo com eficácia suas metas.
As equipes nas organizações vêm conquistando espaço há bastante tempo. O trabalho em equipe está sendo reconhecido pelas organizações, pois, demonstra resultados satisfatórios nas empresas que utilizam desse recurso.
Moscovici (2002) aponta que empresas baseadas em equipes evitam condições opressivas de trabalho e as substituem por processos e políticas que estimulam as pessoas a trabalharem efetivamente visando objetivos comuns.
As organizações no mundo de hoje, estão se atentando ao trabalho em equipe devido às exigências advindas de seus clientes, fornecedores, concorrentes dentre outras pressões. Nesse contexto, a equipe se torna uma estratégia empresarial que visa ser o diferencial da organização perante o mercado cada vez mais competitivo e sujeito as mudanças aceleradas.
Através do trabalho em equipe, a empresa valoriza seu cliente interno possibilitando o aumento da autonomia na tomada de decisões, a participação ativa e a necessidade de aquisição de novos conhecimentos e habilidades por parte dos funcionários. Desse modo, a organização atribui maiores responsabilidades para os trabalhadores o que, por vezes, tende a aumentar o grau de segurança, a autonomia, o sentimento de pertença e a importância do funcionário perante a organização.<br
A atuação das equipes beneficia a organização, pois os trabalhadores se envolvem mais ao atuar em conjunto, se preocupando em adquirir maiores habilidades a fim de executar as tarefas designadas com eficácia e qualidade. Além disso, com o trabalho de equipe o prazo para a realização das atividades mostra-se reduzido, se comparado a atividades conduzidas individualmente.</br

GRUPOS E EQUIPES DE TRABALHO

Nota-se que muitas organizações confundem grupos com equipes. Existe uma grande diferença entre grupos e equipes. O grupo pode ser caracterizado como uma reunião de pessoas que trabalham juntas com objetivos nem sempre comuns e por vezes, em atividades nada semelhantes. Ele pode ser informal, reunindo pessoas por meio de valores, afinidades e escolhas, ou formal, como numa hierarquia organizacional, em que é designada pelos superiores, a aproximação dos membros em função de uma atividade de trabalho.
Em geral, as pessoas nos grupos se reúnem por afinidades, pelo respeito entre elas e os benefícios psicológicos que os membros encontram e produzem, são considerados aceitáveis ou bons. No entanto, um grupo não é uma equipe.
Entende-se por equipe um conjunto de pessoas com objetivos comuns atuando no cumprimento de metas específicas. A formação da equipe deve considerar as competências individuais necessárias para o desenvolvimento das atividades e atingimento das metas. O respeito aos princípios da equipe, a interação entre seus membros e especialmente o reconhecimento da interdependência entre seus membros no atingimento dos resultados da equipe, deve favorecer ainda os resultados das outras equipes e da organização como um todo.
A equipe é também um grupo. Entretanto, se distingue dele, pois, além de seus membros compartilharem objetivos comuns, realizam tarefas de maneira conjunta, através de delimitação de metas, por exemplo.<br
Não basta colocar pessoas juntas numa sala, projeto ou departamento, para que elas, automaticamente, venham a se comportar com uma equipe, desenvolvendo laços de cooperação e o interesse em sua manutenção como grupo. (MAXIMILIANO, 1986 Pág 3)
O trabalho em equipe envolve aspectos que vão muito além da união de pessoas em um lugar específico na organização. Ele está relacionado à execução de atividades em conjunto, ao compartilhamento de tarefas e dificuldades, à cooperação etc. Os componentes das equipes visam alcançar um objetivo comum.</br

EQUIPES DE TRABALHO

Existem diversos tipos de equipes, por conseguinte, podemos diferenciar uma equipe da outra por meio de seus objetivos e pela natureza de suas interações.
De acordo com Muchinsky (2004), existem equipes de solução de problemas – formadas com o intuito de resolver problemas específicos, exigindo que cada um de seus membros, acredite que as interações entre eles serão confiáveis, gerando alto grau de integridade; equipes de criação – responsáveis por explorar alternativas, objetivando desenvolver um novo produto e/ou serviço; e por fim, equipes táticas – responsáveis pela execução de um planejamento bem definido, havendo clareza da tarefa e definição de papéis para os membros envolvidos.
Tão importante quanto o objetivo de uma equipe, é o seu funcionamento. Todos os processos da equipe precisam permanecer coesos, em busca de equilíbrio para uma atuação eficaz.
Durante a fase de formação, a equipe procura pessoas que possam contribuir para a realização de suas metas. Portanto, o processo de socialização de uma equipe diz muito sobre dela, é a fase de adaptação mútua que produz mudanças temporais no relacionamento interpessoal de um indivíduo com a equipe, podendo ser percebida na chegada, presença ou desligamento de um membro. A socialização permite maximizar os valores individuais e coletivos, acreditando que um indivíduo comprometido com a equipe, tende a aceitar metas estabelecidas por ela e se esforçar a cumpri-las com entusiasmo. A socialização possibilita que o indivíduo vivencie a equipe e que a equipe se acomode a ele.
A boa comunicação nas equipes de trabalho é fundamental para sua alta performance. Geralmente, em equipes bem sucedidas, a comunicação interpessoal é mais franca, contínua e constante. Os membros conversam informalmente e dão conselhos com liberdade. Costumam se reunir para discutir processos e dificuldades de trabalho.
Já a coesão, tange ao grau de envolvimento dos membros com a equipe. Está relacionada ao sentimento de pertença e ao desejo do indivíduo em continuar ou não na equipe. A coesão facilita a tomada de decisão da equipe, por seus membros se sentirem mais seguros para expressar suas idéias e opiniões. Vale ressaltar que um bom desempenho pode gerar maior coesão grupal, mas a coesão em si, não garante um bom desempenho da equipe. Equipes coesas atuam com maior firmeza, e assim, exercem maior influência no ambiente organizacional.
No que se refere ao conflito, mesmo em equipes muito coesas, este, mostra-se inevitável. Ele deve ser observado como uma oportunidade para que os membros do grupo aprendam uns com os outros. Assim, diante situações em que dois ou mais membros apresentem idéias opostas, o conflito os motiva a compreender as opiniões e os interesses do outro.
Contudo, percebe-se que o processo de criação e manutenção de equipes de trabalho se apresentam como mecanismos sutis, porém, duradouros e influentes, facilitando o funcionamento das mesmas.

A RELAÇÃO DAS PESSOAS EM EQUIPE

Trabalhar em equipe requer flexibilidade, capacidade de tratar as situações de forma racional e emocional e também, disposição por parte de seus membros. Os integrantes devem ser abertos a discussões que envolvam assuntos diversos, se comportando de modo participativo.
As pessoas devem ser capazes de conduzir atividades diferentes, mesmo sendo responsáveis por tarefas estabelecidas. Espera-se que cada integrante da equipe saiba qual é a sua função no grupo e que considere o todo, valorizando o processo por completo, colaborando com suas idéias e sugestões para o melhor desempenho da equipe.
O sentimento de pertença faz com que os indivíduos percebam sua importância perante o grupo e incentiva a atuação em conjunto. Além disso, possibilita que os trabalhadores se sintam mais seguros e busquem se desenvolver e amadurecer enquanto pessoas e profissionais, afirmando ser essencial que as pessoas se sintam parte da equipe.
Os membros compartilham idéias, visam o alcance de objetivos comuns, mas também, dividem experiências, afetos e carências. Ou seja, trabalhar em equipe abrange o convívio com outras pessoas, às vezes semelhantes ou completamente distintas. Nesse sentido, a equipe deve buscar a coesão, respeitando o espaço e os limites de cada integrante e as diferenças entre eles.
Por se tratar de pessoas diferentes, o conflito mostra-se necessário para despertar discussões e discordâncias, incentivando a criatividade da equipe a fim de manter o equilíbrio interno entre os membros. Por mais coesa que seja a relação, a abertura a mudanças deve-se manter presente, objetivando superar desafios e obstáculos com tranquilidade e segurança.
As diferenças na equipe são importantes. Elas geram reflexões, mudanças no comportamento e a soma de habilidades e competências profissionais e pessoais, qualificando a equipe de trabalho a responder de modo mais assertivo frente a situações adversas. Vale ressaltar que os relacionamentos interpessoais pautam o trabalho em equipe. As pessoas precisam interagir umas com as outras devido à necessidade de complementação exigida por essa modalidade de atuação organizacional. Desse modo, se comportar com receptividade ao outro, agir com compreensão, companheirismo e cooperação, impulsiona o desempenho de sucesso da equipe.
O importante é que a equipe desenvolva seu trabalho com sinergia, ou seja, que seus membros atuem em conjunto, num mesmo ritmo, valorizando as habilidades e as competências, além de respeitar as diferenças e limitações de seus integrantes.

CÍNTIA FÉLIX
Psicóloga, pós graduada em Gestão de Pessoas. E-mail: cintiafelixsmr@gmail.com

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