BULLYING, CULTURA E PODER: UMA QUESTÃO DE GÊNERO?


Carolline de Souza Botelho 1
1. Profª.Esp. Carolline de Souza Botelho – UFMA
INTRODUÇÃO:
A relevância da pesquisa traz para pauta, um tema o bullying, que embora seja tão antigo como a própria instituição escolar, só passou a ser objeto de estudo científico no inicio dos anos 70 na Suécia, e no Brasil a partir de 2000. Muito se tem vinculado o termo bullying a qualquer tipo de violência ocorrida dentro dos limites das instituições de ensino, o que é um erro, pois o bullying é caracterizado pela forma repetitiva de violência entre pares, sem que existam em sua origem quaisquer motivos evidentes, resultando em sérios danos psíquicos e físicos e causando sofrimento em uma relação desigual de poder, que culmina na vitimação de um indivíduo, uma minoria ou de um grupo, pelo grupo “dominante” ou pelo “agressor”. Tal tema configura-se na necessidade de se compreender as sociabilidades construídas na escola a luz das atividades dos seus agentes nas diferentes esferas sociais que o cercam – a escola, a família, o trabalho, os cenários e problemas urbanos como, por exemplo, a violência. Por ser um tema bastante escorregadio por sua ambivalência e heterogeneidade, buscou-se inicialmente com a pesquisa, identificar a sua incidência, identificando em quais locais ocorrem, quais tipos mais comuns e quem mais pratica ou sofre desse tipo de violência.
METODOLOGIA:
O elemento proposto para consecução desta analise teve como universo empírico contexto escolar referente aos alunos do ensino fundamental de uma escola particular de São Luís, o procedimento utilizado foi a aplicação de questionários com 38 questões. As séries envolvidas corresponderam do 7º ao 9º ano do ensino fundamental, cuja faixa etária compreende adolescentes de 12 a 14. Foram aplicados 347 questionários, o que corresponde a 98% dos alunos desse segmento escolar. O instrumento além de identificar a incidência do bullying, identificou ainda em quais locais mais ocorre a violência entre pares. No tocante ao gênero constatou- se quais tipos mais comuns, e quem mais pratica e sofre bullying.
RESULTADOS:
A pesquisa foi realizada com os alunos do 7º ao 9º, compreendendo 180 meninas e 167 meninos. O objetivo principal da pesquisa era detectar a existência ou não do fenômeno. Constatou-se que 67% dos meninos entrevistados responderam que de alguma forma já vivenciaram alguma prática de bullying, superando o percentual das meninas que foi de 59%. As condutas mais incidentes foram as agressões sendo praticadas entre meninos. É forçoso constatar com esse dado que, em uma cultura em que ser menino está relacionado a ser forte e durão, só faz sentido expressar essa qualidade por meio da agressão, seja ela física ou moral. A pesquisa também nos ajudou a identificar que o tipo de bullying mais comum vivenciado pelos alunos em geral, é o que o agressor utiliza apelidos e utiliza os meios eletrônicos de comunicação virtual para esse fim. Sobre o local onde ocorrem as práticas de bullying, houve maior incidência tanto para meninas e meninos, o recreio em primeiro lugar, em segundo a sala de aula e em terceiro no horário da entrada/saída
CONCLUSÃO:
Identificamos que o bullying é mais praticado entre meninos da faixa etária de 12 e 13 anos esse dado supõe compreender que muitas das características socioculturais do contexto de vida do individuo, tais como os discursos sociais, influencia suas escolhas e os seus comportamentos em todos os níveis, seja da linguagem, dos pensamentos, dos sentimentos, dos comportamentos, dos valores, das expectativas, dos papeis, das compreensões, dos estilos de vida.Vejamos algumas características promovidas nas culturas ocidentais que se referem à infância e adolescência dos meninos e à agressão. Na maior parte da mídia direcionada aos meninos, a masculinidade dos heróis é representada por uma única característica amplificada e exagerada: a força física. O adolescente passar a desejar essa aparência como forma de atender essa representação social imposta que caracteriza a concepção ideal de sujeito proposta socialmente.Destarte, percebe-se que os meninos desde cedo são lançados ao campo da competição pelo estabelecimento da hierarquia entre eles, através dos seus corpos e pela serialização da força existente entre eles. Por essa trilha, podemos ainda interpretar, devidamente a emergência e a multiplicação das diversas formas de violência entre os jovens na contemporaneidade.
Palavras-chave: bullying, poder, masculinidade.
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