Sindicato das palavras – MUDANÇAS NO SINDICALISMO ALEMÃO


QUARTA-FEIRA, 16 DE JANEIRO DE 2008

Os “sindicatôes” formados por ramos de atividade ou agrupando diferentes categorias profissionais que se ligam a um mesmo patrão (principalmente no setor público), sempre foram objeto de discussão. No Brasil, durante muitos anos, essa foi a orientação de algumas centrais sindicais e de algumas confederações.
Agora, na Alemanha, onde esse modelo prosperou no pós-guerra, ele é questionado pela mobilização de várias categorias profissionais, como maquinistas, pilotos de avião, controladores de vôo e médicos.

Surgimento de sindicatos pequenos e combativos reforma a velha estrutura sindical alemã, baseada em “sindicatões”.
A notícia vem da France Presse.
http://afp.google.com/article/ALeqM5iiXGWYtEhF1v69VrjPIywbdbcn5Q

Vitória de condutores alemães estremece modelo sindical do pós-guerra
15-1-2008.

BERLIM (AFP) — Depois de 10 meses de greve, o pequeno sindicato dos maquinistas de trens alemães (GDL) conseguiu seu próprio acordo coletivo, separadamente dos outros ferroviários, estremecendo o modelo sindical da Alemanha do pós-guerra.

Os últimos detalhes serão negociados neste mês, mas o conflito com a companhia ferroviária Deutsche Bahn (DB) acabou na segunda-feira, descartando a ameaça de continuação da greve.

A maior parte dos analistas reconheceu a vitória do GDL, o mais antigo sindicato da Alemanha, que obriga a poderosa DB a aceitar negociações com condições específicas dos maquinistas, com aumentos salariais substanciais de 11% em um ano.

Para Holger Lengfel, professor de sociologia da Universidade de Hagen (oeste da Alemanha), esta greve marcará um momento histórico nas relações trabalhistas da Alemanha.

Ao obter seu próprio convênio coletivo, “os maquinistas derrubaram um pilar da política salarial alemã”, ou seja, apenas um sindicato por empresa, já que (como nesse caso) os funcionários são maquinistas e demais trabalhadores da ferrovia.

Ao contrário do que acontece em outros países da Europa, os sindicatos alemães têm uma ampla base e funcionam segundo um consenso pelo qual os salários mais baixos aumentam mais do que os mais altos, explica Reinhard Selten, prêmio Nobel de Economia.

Daí vêm as críticas feitas ao GDL, por fragilizar a solidariedade entre os trabalhadores.

A Confederação de Sindicatos da Alemanha (DGB) criticou reiteradas vezes as reivindicações autonomistas do GDL e insistiu na unidade dos convênios coletivos.

Michael Sommer, presidente da DGB, evocou que este princípio de solidaridade foi imposto depois da Segunda Guerra Mundial para criar sindicatos amplos e poderosos. Seus predecessores, mais corporativistas, foram incapazes de se opor aos nazistas.

Este foi um elemento-chave da reconstrução e do “milagre econômico alemão”, assegurando à patronal a previsibilidade dos custos trabalhistas e a paz social quando se concluía um convênio coletivo por empresa ou por setor.

Mas os maquinistas não são os primeiros a quebrar esta bela harmonia. Os pilotos de avião, no sindicato Cockpit, romperam as fileiras em 2001, seguidos pelos controladores aéreos em 2006 e pelos médicos da federação Marburger Bund.

Estes pequenos sindicatos são criados por profissionais que têm a impressão de não serem suficientemente reconhecidos ou mal remunerados, explica Lengfel.

Os grandes sindicatos como Verdi (serviços) e IG Metall (metalurgia e eletrotécnica) são “máquinas niveladoras de salários”.

O fenômeno coincide com uma diminuição do número de afiliados das grandes centrais. O DGB, que reúne a Verdi e a IG Metall entre muitos sindicatos, perdeu 40% de seus membros entre 1991 e 2007.

A desregulamentação do mercado trabalhista nos últimos 15 anos tornou a luta sindical mais legítima. A patronal exige dos trabalhadores mais flexibilidade nos salários e na jornada trabalhista.

Para Lengfel esta evolução é irreversível e atingiram outras profissões.

“Os grandes sindicatos”, afirma o jornal conservador Die Welt”, “só poderão impedir a morte desse pilar essencial da economia alemã defendendo melhor os interesses dos diferentes grupos profissionais”.
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