Perder um emprego pode ter impactos na saúde física e mental


O segredo para lidar bem com a situação e tentar enxerga-la por outros pontos de vista

ARTIGO DE ESPECIALISTA – ATUALIZADO EM 05/09/2016

Quando a pessoa passa por uma situação de demissão, é necessário atenção e alguns cuidados. Toda transição causa estranhamento, e ainda quando essa transição é inesperada, causa imensa frustração. E como todo imprevisto, causa uma série de reações.

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O trabalho é uma variável importante na construção de identidades. Partindo da premissa que o indivíduo constrói uma imagem de si no trabalho e consequentemente no ambiente organizacional, o seu desligamento involuntário pode significar um dilema na sua trajetória. A inserção no mundo do trabalho sempre apareceu como resultado de uma vida “normal”, por isso essa tão intensa relação com a dignidade, principalmente para os homens.

O lado psicológico da demissão

Demissão está psicologicamente associada aos dois maiores medos que o ser humano tem na vida: o medo do fracasso e o medo da rejeição. Por isso é um processo bem delicado e os impactos podem ser maiores do que se imagina.

O trabalho sempre foi um meio para o indivíduo realizar uma tarefa (que está relacionado a um dos propósitos de vida que é fazer as coisas) e ainda mais antigamente tinha uma representação bem ruim. Hoje, alguns conceitos estão se modificando. Além da vontade de fazer as coisas, é também um meio para realizar sonhos e um grande veículo para trazer mais sentido à vida e estabelecer relacionamentos com outros indivíduos.

Vem dessas mudanças sobre o significado do trabalho, o motivo pelo qual a preocupação com o contexto empresarial de hoje vem aumentando. Porque o trabalho está expandindo seu significado para realização. A atmosfera que ainda vemos em muitas empresas, não está fazendo mais sentido, relacionada à ideologia da excelência, traduzida pela competitividade, com o culto à alta velocidade, resultados imediatos, com o evitar de sentimentos e o desaparecimento da ética. Fazendo com que o sofrimento mental aumente e a estabilidade psíquica das pessoas seja afetada. Por isso vemos no trabalho muitos casos de depressãoansiedadeestresse, como já ouvimos falar muito por aí.

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Só que há quem diga que “ruim com ele, pior sem ele”. Ao perder um emprego, ainda que pudesse estar exausto daquele ambiente, dos problemas ou das atividades realizadas, pode vir à tona um gosto amargo de rejeição. E o sentimento de traição vem junto, devido à sensação de ter se esforçado tanto, sofrido tanto e mesmo assim, ainda ser descartável e substituível – trazendo junto o arrependimento, mais frustração, sentimento de incompetência e indignação por tempo perdido.

Nesses casos, vemos inúmeros sintomas como: desânimo, insegurançaraiva, impaciência, crises de pânico, dentre outros. Os estudos dizem que esses sintomas vem dos impactos da demissão na autoestima e na autoconfiança da pessoa. Tudo isso, pode trazer a ela dificuldades para encontrar uma nova rotina, um novo emprego e uma nova esperança. Recomenda-se a esses casos, acompanhamento psicológico e muito apoio da família e amigos.

Vale ressaltar que, além de consequências econômicas, a demissão, acarreta sim danos psicológicos se não for bem cuidada. E dependendo do quanto for uma experiência traumática e dolorosa, pode tirar da pessoa o desejo de seguir em frente, tirando seu potencial. Aqui deixo meu pedido aos empregadores que tem que demitir alguém: prestem muita atenção na forma que esse processo é feito! Isso tem muito impacto no que o demitido poderá sentir. Claro que a responsabilidade do significado que ele vai atribuir a esse momento da vida é dele, porém, acredito que sempre que a gente puder fazer alguma coisa para evitar danos às pessoas, é válido.

Quando o problema sai dos limites

Existem casos ainda mais graves que acontecem quando mesmo depois da demissão, os indivíduos permanecem psicologicamente vinculados ao trabalho. Se o apego ao trabalho, ao lugar e se a convivência foi feliz, não há como se desvincular integralmente de forma imediata, é algo que precisa ser bem trabalhado.

Nesses casos a rejeição e o fracasso aparecem como sensações ainda mais fortes e a insegurança passa para a linha do que os outros vão pensar. Um jeito de ilustrar de forma mais clara essa insegurança de quem foi demitido, é o exemplo de pessoas mantém o hábito de sair de casa sempre no mesmo horário, como se fosse ao trabalho, para que os vizinhos não desconfiem que está desempregado. Desligar-se do trabalho representa uma ruptura num processo de construção de identidade e de vínculos. Para algumas pessoas, perder o emprego tem impacto em quem ele é e não só no que ele faz. Ou fazia…

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Estão presentes nesses casos mais graves sintomas como dificuldades cognitivas (dificuldades para pensar, analisar as coisas e tomar decisões), instabilidade emocional, ansiedade generalizada, angústia, estresse grave associado a distúrbios físicos, alterações cardiovasculares, gastrointestinais ou imunológicas, depressão mais severa, distúrbio psiquiátrico e até suicídio. É comum também uma deterioração da vida familiar e das relações interpessoais, podendo evoluir para casos de violência.

Para esses casos, o acompanhamento é feito com médico psiquiatra. Mas é sempre absolutamente indispensável o apoio dos familiares e amigos para minimizar o impacto que a demissão pode ter na vida de qualquer pessoa.

Atenção! Se isso acontecer algum dia com você ou com alguém que você conheça, acolha o vazio e elabore esse luto, com a certeza de que todos sempre temos escolha. Numa situação como essa, ou a pessoa pode se entregar às dores dessa experiência, detonar sua autoestima, encher-se de ansiedade e pensamentos corrosivos, ou pode aprender com essa experiência e atribuir a ela um significado de oportunidade. Não temos controle de tudo na vida. Apenas temos o controle daquilo que acontece dentro da gente.

Tenha certeza de que nada acontece por acaso e quando uma porta se fecha, além de ser pelo motivo de que ela já não servia mais para você, é porque outra já está se abrindo. Lidar bem ou não com questões como essa, o segredo está no significado que se atribui à experiência.

Ana Paula Bellati é psicóloga, master coach e diretora da UM%, empresa de São Paulo focada em coaching e desenvolvimento de pessoas.

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