A Lei Natural das Coisas


Pomba Mundo
Há Uma Lei Maior Que o Poder Humano
Joaquim Duarte Soares
A Lei Natural das Coisas com mold
John Garrigues (1849-1944), um dos fundadores da Loja Unida de Teosofistas, afirma algo essencial e que todo teosofista deve escutar com atenção.
Diz ele:
“A menos que a teosofia tenha algo definido a oferecer ao homem comum, ela bem pode desaparecer do campo de interesse humano. Caso a sua missão seja dirigida apenas a grupos de curiosos e gente que está interessada em obter conhecimento, a teosofia não merecerá a devoção daqueles que a promulgam e defendem. Se ela é  inadequada para qualquer uma das necessidades humanas, se ela se afasta confusa diante de algum problema que envolva o destino e o futuro, se não consegue tornar a vida mais digna de ser vivida e a morte mais digna de ser enfrentada, os seus defensores bem podem admitir,  então, que desperdiçam as suas energias e dedicam suas vidas a algo que não vale a pena.”
Mais adiante Garrigues acrescenta:
“Mas é ao homem comum que a teosofia dirige o seu principal apelo.  É para as massas humanas –  e não para os poucos ou para os eleitos – que os seus principais presentes são oferecidos. Ela convida para o seu estudo todos os que gostariam de ver uma lei organizadora da vida, ao invés do acaso caótico. Ela convida os que estão dispostos a reconhecer as operações de uma absoluta justiça dominando os assuntos humanos; os que gostariam de entrar conscientemente em uma existência individual cuja imensidão não está limitada pela morte ou por mudanças.” [1]
O momento atual de transição planetária, com as suas crises e a queda de estruturas sociais e organizativas obsoletas, quando é visto desde uma perspectiva de curto-prazo provoca em milhões de pessoas um sentimento generalizado de inquietação, medo e pessimismo.
Um amigo nosso deixou por estes dias a seguinte mensagem na sua página pessoal de Facebook, dando voz ao que muitas outras pessoas sentem:
“Ando cansado de protestar… Decidi há algum tempo procurar tomar uma atitude positiva face ao período difícil em que vivemos. Deixar de olhar para o passado, procurando culpas pelo leite derramado, para ser mais proativo no discurso, e procurar soluções e bons exemplos que nos mostrem caminhos para o futuro.”
E ele prosseguiu:
“Mas não vejo futuro, ou pelo menos não vejo um futuro melhor. Não quero olhar para trás, mas continuamos a andar para trás. Não são os erros do passado, são os do presente. (…..) Quero uma ideia para o país, quero mil ideias novas e com futuro, quero sonhar com um amanhã brilhante e radioso construído por nós!”
Por fim, em jeito de desabafo final ele perguntava:
“Mas … e se amanhã a chuva não parar de cair?”
Este testemunho pessoal é sintomático do ambiente psicológico em que vive neste momento a maioria da população, em Portugal como em muitos outros países.
Quando um caminho chega ao fim e não se apresenta nenhuma alternativa, o ser humano vê-se diante de um momento crítico. A civilização materialista foi além do seu prazo de validade e os sinais de algo novo são, aparentemente, ainda muito tímidos para serem percebidos pela multidão.
Do testemunho acima vale a pena destacar a seguinte ideia. Mesmo diante dos maiores desafios, quando a esperança parece ter desaparecido, há algo dentro de todo o ser humano que o faz querer e sonhar com a transcendência das limitações e com algo melhor. Dizia o nosso amigo:
“Quero uma ideia para o país, quero mil ideias novas e com futuro, quero sonhar com um amanhã brilhante e radioso construído por nós!”
O homem da rua necessita de algo que o faça confiar em si mesmo, nos outros e na vida. Ele não só necessita, mas clama por algo que ele quer que exista – e cuja existência já pressente em seu coração. Isto é, creio, o sinal de um despertar interno.
“É para as massas da humanidade  – e não aos poucos nem aos eleitos” que a Teosofia foi dada, que um novo impulso foi colocado em marcha através de HPB e outros pioneiros. E este é o momento para dizer a todo o mundo, bem alto e em plenos pulmões:
“O movimento teosófico é a melhor coisa de que a humanidade dispõe e a única verdadeira filosofia universalista, capaz de eliminar a causa das guerras, da injustiça social, da corrupção na política, da opressão econômica e da destruição da natureza.” [2]
Um estudante de teosofia precisa definir prioridades no seu campo de ação. A Teosofia deve ser popularizada, conforme exorta o Grande Mestre em uma carta. Todo aquele que reconhece o potencial transformador da Teosofia acolhe com gratidão e sentido de dever o apelo do Mestre para um envolvimento na grande causa e no desenvolvimento criativo do trabalho, tentando superar a cada dia as suas limitações e forjando uma união inquebrantável com todos os irmãos que ombreiam no esforço de levar um pouco mais de luz e esperança a mais pessoas.
Em várias oportunidades foram realizadas meditações pelo despertar de Portugal. A prática meditativa[3] propõe uma forma verdadeiramente revolucionária de cidadania mundial, com base na ideia de que o pensamento é uma força criadora na construção do futuro. Estas pequenas iniciativas (e outras de teor semelhante) ajudam a destruir os “circuitos fechados de emoções negativas” na atmosfera psíquica coletiva e “abrem espaço para uma regeneração cultural”.
Como podemos ler no texto “A Comunidade Planetária em 2070”:
“A  humanidade precisa recuperar a capacidade de olhar adequada e criativamente para o futuro. Sabemos que o futuro de uma sociedade, como o de um  indivíduo,  é literalmente criado e materializado pelo pensamento e pelas ações que surgem do pensamento.” [4]
Vale a pena dizer algo ao nosso amigo e a muitas outras pessoas. S. Radhakrishnan, um influente pensador e estadista indiano, escreveu:
“Não podemos ficar desanimados com o colapso de uma civilização construída sobre a audácia da dúvida especulativa, sobre o impressionismo moral e o entusiasmo confuso e feroz por raças e povos, porque tal civilização tem em si elementos antissociais e antiéticos, que merecem ser destruídos. Uma tal civilização não está planejada para priorizar o bem da humanidade em seu conjunto, mas para garantir a comodidade de alguns poucos privilegiados, entre os indivíduos, e entre as nações. Tudo o que for realmente valioso será preservado no novo mundo que está lutando por nascer.”
Mais adiante ele afirma:
“A humanidade ainda está em construção. A vida tal como a conhecemos é apenas a matéria-prima para a vida como ela pode ser. Estão ao alcance da nossa espécie uma plenitude e uma liberdade até aqui inéditas. Basta unir-nos como seres humanos e avançar com uma meta elevada e uma decisão estável.”[5]
Nunca como hoje em Portugal, no Brasil e em outros países, se viram tantos movimentos e pessoas envolvidas na luta pelo estabelecimento de padrões éticos elevados em todas as áreas de organização política, social, econômica. Nunca houve tantos projetos de economia solidária, de desenvolvimento sustentável, de ajuda mútua entre pessoas e comunidades, e formas alternativas de cuidar da saúde, de educar, de construir. Nunca como hoje houve tantos jovens, adultos e velhos confrontando os esquemas de ignorância organizada presentes nas áreas da administração pública, da justiça, da religião, etc. Nunca se teve uma noção tão clara como hoje de que o país é uma entidade coletiva e depende da participação de cada um dos seus cidadãos. Nunca foi tão evidente o desajuste das atuais estruturas coletivas perante as mudanças que estão ocorrendo. Nunca se percebeu como hoje se percebe que uma vida voltada apenas para a satisfação material é uma vida vazia; nunca se percebeu como hoje que a verdadeira felicidade pode afinal ser alcançada; nunca como hoje houve tanta gente querendo aprender sobre a arte de viver corretamente; e nunca se sonhou tanto com um mundo melhor.
Isto em si mesmo é o futuro começando a acontecer. O campo está pronto para uma nova semeadura. Virá inevitavelmente o tempo de outra colheita. Esta é a lei.
Quando na balança do progresso humano o prato com as novas estruturas civilizatórias começar a ter um peso significativo, em relação ao prato que contém as velhas estruturas, então a humanidade começará a ver e a sentir com profunda clareza que uma nova civilização da solidariedade está de fato em marcha.
São coisas simples como esta que a Teosofia ensina. Coisas ao mesmo tempo tão simples e tão profundas que quando um cidadão resolve saber mais e viver aquilo que vai aprendendo ele descobre que, afinal, pode já hoje começar a viver a tranquilidade e a paz. Ele percebe que há uma lei mais elevada do que a lei dos homens, um poder mais grandioso que os poderes terrenos, e que essa lei, esse poder, essa paz e tranquilidade, residem em si mesmo como em tudo o que vive.
Um dos clássicos da literatura teosófica ensina:
“A alma humana é imortal, e o seu futuro é o futuro de algo cujo crescimento e esplendor não têm limites. O princípio que dá vida está dentro e fora de nós; ele não morre e é eternamente benéfico. Ele não é visto nem ouvido, nem cheirado, mas é percebido pelo homem que deseja a percepção. Cada homem é absolutamente seu próprio legislador, dispensador da glória ou da desgraça para si mesmo; e decreta sua própria vida, sua recompensa, sua punição. Estas verdades, que são tão grandes quanto a própria vida, são simples com a mente do mais simples dos homens. Alimente os famintos com elas.” [6]
Afinal, mesmo que amanhã ainda chova, não tardará muito para que o sol volte a produzir uma manhã brilhante e radiosa. Essa é a lei natural das coisas, e a teosofia pode ser definida como a ciência da lei natural.
NOTAS:
[1] “Consciência Ética e Interesse Pessoal”, de  John Garrigues. O artigo está disponível em nossos websites associados.
[2] Reproduzido de “A Gente Consegue”, mensagem de Carlos Cardoso Aveline mandada para o e-grupo SerAtento,  de YahooGrupos, no dia 22 de outubro de 2010.
[3] Veja o artigo “Meditando Pelo Despertar de Portugal”, de Carlos Cardoso Aveline, que está disponível em nossos websites associados.
[4] “A Comunidade Planetária em 2070”, de Carlos Cardoso Aveline. O artigo está disponível em nossos websites.
[5] “A Humanidade Está Em Construção”. Artigo disponível em nossos websites associados.
[6] Reproduzido do texto “A Essência do Futuro Humano”, de Carlos Cardoso Aveline, que está publicado em nossos websites associados. O trecho pertence a “Luz no Caminho”, de M.C., tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, 85 páginas. A obra foi publicada em 2014 por The Aquarian Theosophist. Ver nota de pé de página à p. 29.
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Para conhecer a teosofia original desde o ângulo da vivência direta, leia o livro “Três Caminhos Para a Paz Interior”, de Carlos Cardoso Aveline.
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Com 19 capítulos e 191 páginas, a obra foi publicada em 2002 pela Editora Teosófica de Brasília.
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