A Arte de Corrigir os Erros


Exercícios Práticos Para Obter a Sabedoria
The Theosophical Movement
Além Nas Estrelas
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O texto a seguir foi publicado pela
primeira vez pela revista teosófica
internacional “The Theosophical
Movement”, na Índia, edição de
novembro de 2009,  pp. 9-12. Título
original: “On Correcting Errors”.
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O falso conhecimento é rejeitado pelo Sábio,  e
espalhado ao Vento pela Boa Lei.  A roda da Boa
Lei gira para todos, os humildes e os orgulhosos.
(“A Voz do Silêncio”, H.P. Blavatsky, Fragmento II)
Onde quer que haja um afastamento do que é verdadeiro, é criada uma oscilação  que desfaz a harmonia. É em tais casos que a correção se torna necessária.  O efeito adverso de um erro não é posterior a ele, mas está, na realidade, incluído na causa que o produz. Só o ignorante e o tolo se alegram quando não veem efeitos adversos imediatos, acreditando que o desvio de algum modo não produzirá efeitos.
A violação das verdades pode ocorrer sem conhecimento. Por outro lado, pode ser algo deliberado. As medidas que podem ser tomadas para corrigir o erro no primeiro caso serão totalmente inadequadas para a correção no segundo caso; e isso embora nos dois  casos a ação errada possa ser idêntica, ou aparentemente idêntica.  De qualquer modo, para ser efetiva, a correção deve acontecer no nível das causas, do pensamento e das motivações.
A ação que é errada devido a um desconhecimento pode ser corrigida através do conhecimento e da compreensão da verdade.
A compreensão nem sempre ocorre quando há conhecimento.
A culpa do homem que, mesmo conhecendo a Lei, vai adiante e a quebra deliberadamente, é muito maior. A reação que isso provoca é mais severa, por causa do processo deliberado que antecede a ação.  Este erro deliberado e frequentemente planejado significa que, ou aquele que faz o erro não está convencido do caráter sagrado e racional da Lei, ou ele não acredita que cada Lei traz consigo suas consequências. Neste caso, o conhecimento de que ele está indo contra a Lei já está presente. Numa situação assim, o remédio deve ser buscado em algo diferente de mera pregação de sermões.
Erros,  ações erradas, quedas e fracassos ocorrem principalmente através de uma distorção que pode surgir nos pensamentos, sentimentos, desejos e emoções, assim como nos delicados processos do raciocínio e da inteligência.
A perspectiva política das nações durante os últimos cem anos mostra que todas faltaram com a Verdade e a Lei. Retrospectivamente, é possível ver que povos e indivíduos não sabiam quando comandar e a quem respeitar e obedecer.  Depois de cada catástrofe eles foram despertados da sua complacência. Durante certo tempo disseram algumas banalidades piedosas, para então cair de volta nos caminhos menos árduos das meias-verdades e da imbecilidade sonolenta.
O que ocorre com as nações, acontece com as famílias e os indivíduos.  Uma visão errada e distorcida da vida pode transformar alguém em um fanático que despreza os seres humanos, ou em um tirano, um miserável, um libertino.  Todos estes estados mentais produzem mecanismos de correção.  A maior dificuldade enfrentada pelo altruísta e pelo reformador  está no fato de que a pessoa que trilha o caminho do erro pensa estar agindo corretamente, e portanto se coloca acima de qualquer ação corretiva.
Enquanto o homem doente negar-se a aceitar o conhecimento do fato de que necessita de remédios, a doença prosseguirá sem freios e construirá raízes mais firmes e mais profundas em um solo que se tornou fértil para o seu crescimento. Esta é uma situação perigosa, na medida em que os modos errados de pensamento são contagiosos.  Eles não só pervertem o indivíduo, mas também pervertem o ambiente político, e se transformam em fatores que constroem catástrofes. Estes pensamentos são focos perigosos. São os transmissores de doenças poderosas e requerem remédios fortes. Mas as curas não estão com os charlatães, nem com os doutores de pouco conhecimento e nenhuma sabedoria.
Curar os hábitos do falso conhecimento, e desenvolver a sabedoria,  são tarefas difíceis e que tomam tempo. O erro não é apenas fissíparo [1]. O erro é repetitivo; e, à medida que os ciclos de tempo o trazem de novo à superfície, ele tende a se reafirmar com uma força surpreendente e com frequência toma o indivíduo completamente de surpresa.  Isso ocorre porque qualquer semente-de-pensamento, uma vez plantada em sua mente, cresce independentemente da sua vontade posterior. As sementes de pensamento – frequentemente sem que sejam vistas como tal – deitam raízes nos planos internos e ocultos do seu ser.  São estes planos internos e ocultos que dão vigor e substância aos planos externos. Eles moldam o caráter e o destino do indivíduo. Dos planos internos emergem os seus pensamentos, e eles podem ser benéficos ou maléficos, belos ou feios, potentes para o bem ou para a falsidade.  As medidas verdadeiramente corretivas começam neste nível do pensamento e das motivações.
As motivações (aquilo que movimenta e impulsiona) estão por trás de cada pensamento e cada ação, e portanto é a motivação que deve ser testada em cada um dos seus aspectos. Se o sistema de testes é regulado erradamente, ou se é permitido que ele seja estabelecido por outros indivíduos que também necessitam de ajuda e orientação e têm suas próprias ambições pessoais, então os resultados não corresponderão às expectativas.  É indiscutível que as normas pelas quais  as motivações serão julgadas variam de pessoa para pessoa, porque os deveres variam, de acordo com o estágio de evolução que cada um pode ter alcançado. A motivação de alguém que busca adotar como seu o dever de outra pessoa, ao invés de adotar o seu próprio dever, se torna uma motivação perigosa.
Logo que um estudante entra no caminho do Ocultismo [2], ele adquire consciência de que os seus deveres previamente aceitos já não se conformam à meta de longo prazo que ele adota para a vida atual e as vidas futuras. Para a pessoa que busca libertação, há um tipo de dever; para aquele que busca a renúncia, eles são de um tipo completamente diferente. Como o Ocultismo ensinado pela Teosofia é o caminho da renúncia, a ênfase é colocada naqueles deveres que dizem respeito a este caminho. Os deveres do aspirante exigem que a cada dia ele expresse as qualidades positivas que dizem respeito a alguma das quatro castas deste Kali Yuga (Idade de Ferro), e que se misturam e combinam nele.
Os processos alquímicos de precipitação e separação de castas ocorrerão invariavelmente, mas apenas em Yugas posteriores. Assim, o estudante se torna um Brâmane (um homem do mundo divino) – alguém que invoca os deuses e um adorador do deus silencioso que há em seu próprio interior.
Ele se torna um Kshatriya (guerreiro), lutando dentro de si mesmo pela vitória da retidão e para preservar aquele templo do deus vivo, um templo que ele mesmo constroi laboriosamente  colocando tijolos sagrados, um após o outro.
Ele se torna um Vaishya (um comerciante) à medida que começa a abandonar posses indesejáveis (que agora se tornam estorvos) e a tirar todo proveito possível de tal desapego para obter vantagens na sua busca pelo que é divino.
E, finalmente, ele se torna um Shudra (um servidor) à medida que coloca a mente e o coração, e os olhos, e as mãos, a serviço daquela inspiração divina que agora sente crescer dentro de si.
Este exercício interno, e, portanto, oculto, praticado dentro dos limites do seu próprio ser, produz ideias que antes não haviam encontrado ambiente favorável no indivíduo. Estas ideias devem agora ser tomadas como protótipos a serem copiados, dando-se vida a esses protótipos no plano físico. É desta maneira que a força energizadora interior tem a oportunidade necessária para que possa trabalhar no plano externo e material.
Permanecendo no verdadeiro estado bramânico, o estudante se transforma –  para si mesmo e, mais tarde, para outros – naquilo que o “Bhagavad-Gita” chama de “a meta, aquele que dá Conforto, o Senhor, a Testemunha, o lugar de descanso, o refúgio e o Amigo”. Sabendo que deste estado irão emanar todas as ações terrenas, ele ainda permanece como alguém que está indiferente e inalterado.
Ao iniciar as atividades do guerreiro destemido, o aspirante produz e dá forma àquelas armas divinas que irão ajudá-lo a manter os intrusos longe do seu santuário. Ele trava sua própria batalha interna deste modo, e ao lutar assim compreende que em relação às fraquezas dos outros a sua única armadura é a caridade, o amor, e uma fraterna misericórdia.
Como um aspirante-comerciante, ele troca seus serviços pela obtenção de uma vida correta, e, com os ganhos que decorrem de tal serviço, ele se esforça por ajudar o movimento teosófico, contribuindo com tempo, dinheiro e trabalho.
Como um servidor dedicado, ele realiza suas ações sem ser levado a elas pela esperança de recompensa.
A condição ideal a ser desenvolvida pelo aspirante pode ser resumida nestas palavras: “Quando em quaisquer condições ele recebe cada acontecimento, seja favorável ou desfavorável, com a mesma atitude mental – livre de atração ou repulsão – , a sua sabedoria está estabelecida e, ao encontrar o que é bom ou mau, ele nem fica excessivamente contente por causa de um, nem se deixa abater por causa do outro.”
Estes exercícios, que levam o indivíduo a trabalhar deliberadamente desde dentro para fora, são modos comprovados de corrigir todas as formas de má conduta. Neles estão as sementes da cura e do crescimento.
NOTAS:
[1] Fissíparo – organismo que se reproduz pela divisão do seu próprio corpo. (NT)
[2] Ocultismo é o estudo e a prática da sabedoria eterna, através da qual o buscador da Verdade passa a conhecer as leis ocultas da natureza. Isso é obtido graças ao conhecimento e à vivência da ética universal. (NT)
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Para conhecer a teosofia original desde o ângulo da vivência direta, leia o livro “Três Caminhos Para a Paz Interior”, de Carlos Cardoso Aveline.
Três_Caminhos_Auxiliar
Com 19 capítulos e 191 páginas, a obra foi publicada em 2002 pela Editora Teosófica de Brasília.
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