Três mulheres transgêneros nascidas em lares evangélicos contam sobre amor, compreensão e fé

NOTÍCIA9 COMENTÁRIOS

RODRIGO CARVALHO

Samilla Marques Aires e a irmã Priscila. “Eu amo a Samilla acima de qualquer coisa”, decreta a irmã

Alexia, Ayannah e Samilla têm mais em comum do que faz supor o exotismo dos nomes. Mulheres transgêneros, nascidas em corpos masculinos, as três vêm de berço evangélico. Foram criadas segundo rígidos preceitos religiosos em lares onde a interpretação literal da Bíblia é considerada fundamental para a prática cristã. O que, à primeira vista, pareceria inconciliável, revela-se uma rara lição de superação, tolerância e convivência.

Ayannah nasceu em uma família de mórmons, como são conhecidos os fiéis da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Já os familiares de Alexia e Samilla frequentam a Assembleia de Deus.

A exuberância das mulheres que elas entendem ser coexiste com as doutrinas que guiam seus pais e irmãos até hoje. A receita para o êxito tem como principais ingredientes empatia e alteridade. “A gente tem que entender que as pessoas não são obrigadas a aceitar, respeitar esse estranhamento e ir tentando mudar. Eu tento, todo dia, construir a Samilla na cabeça de meus pais”, pondera Samilla Marques Aires, coordenadora da Diversidade Sexual de Pacatuba e militante trans.
A revelação de sua transexualidade, na adolescência, abalou as relações familiares, e ela decidiu sair de casa. Hoje, 15 anos depois, é ela quem leva o pai, cadeirante, aos cultos dominicais, e se considera a filha preferida da mãe. “Eu amo a Samilla acima de qualquer coisa. Meus pais tiveram problemas no começo, por nós sermos cristãos. Mas hoje, defendem a Samilla e a amam incondicionalmente”, afiança a irmã, e amiga, Priscila Aires.

Alexia Pereira, 25, também encontrou a compreensão nos braços da mãe, a costureira Francisca Edith Pereira. “Eu aceitei. E disse que ele merecia todo o respeito, mesmo com as escolhas dele. Porque nada é feito no mundo sem que Deus permita”, justifica a costureira, que mora com a filha e o genro (Alexia é casada), em Maracanaú. Dos quatro irmãos, Alexia de dá bem com dois. Os outros e o pai não aceitam a transexualidade dela.

“Quando a nossa família apoia, a gente tem força para enfrentar qualquer coisa”, define Ayannah Queiroz, 27. Caçula de três irmãos, ela trabalha com eles na lanchonete da família, no Centro de Fortaleza. “Eu lembro que meu pai acolheu bem quando meu irmão anunciou em casa, ao contrário do que costuma acontecer por aí”, conta Cristiano Queiroz, irmão de Ayannah.

Assim como a mãe de Alexia e os pais de Samilla, Cristiano insiste em tratar a irmã no masculino. “A gente pede tanto respeito, né? Tem que respeitar isso neles também”, ameniza Samilla.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s