Efeitos Tardios do Bullying e Transtorno de Estresse Pós-Traumático


Psicologia: Teoria e Pesquisa
Jan-Mar 2013, Vol. 29 n. 1, pp. 91-98

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Efeitos Tardios do Bullying e Transtorno de Estresse Pós-Traumático:
Uma Revisão Crítica

Paloma Pegolo de Albuquerque1

Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams

Sabrina Mazo D’Affonseca

Universidade Federal de São Carlos

RESUMO – O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é considerado o principal transtorno psiquiátrico associado à
violência. A fim de analisar a possível relação entre bullying e o desenvolvimento tardio de sintomas de TEPT, o objetivo do
presente trabalho foi o de identificar e organizar a produção cientifica da área. Para tanto, foi realizada uma revisão bibliográfica
na literatura considerando livros e artigos publicados, bem como pesquisa eletrônica em bases de dados. A análise das pesquisas
encontradas indicou que, apesar de os resultados apontarem uma relação entre TEPT e bullying, tanto na infância quanto a
longo prazo, não há dados suficientes que explicitem como se dá essa relação. Contudo, há evidências de que alguns indivíduos
que sofrem vitimização por bullying possam apresentar maior vulnerabilidade para desenvolver TEPT.

Palavras-chave: bullying, TEPT, violência, trauma

Long Term Effects of Bullying and Posttraumatic Stress Disorder:
A Literature Review

ABSTRACT – Posttraumatic Stress Disorder (PTSD) has been identified as the main psychiatric disorder associated with
violence. This paper had the objective of identifying and organizing current scientific knowledge on long term effects on bullying
and the development of PTSD. Thus, a literature review was conducted involving published books and papers on the topic, as
well as an electronic database survey. Although studies indicate a relation between PTSD and bullying during childhood and
later, there is a lack of research clarifying how this relationship occurs. There is evidence showing that some individuals who
are victimized by bullying may present greater vulnerability to develop PTSD.

Keywords: bullying, PTSD, violence, trauma

1 Endereço para correspondência: Rua Guatemala, 166, Vila Brasília,
São Carlos, SP. CEP: 13.566-720. E-mail: palomanier@yahoo.com.br

Há muitos tipos de violência na escola, sendo que a vitimização
escolar pode ser praticada tanto por pares quanto
por professores. As consequências para alunos vitimizados
na escola incluem sintomas físicos, doenças psicossomáticas,
prejuízos sociais, emocionais e acadêmicos; sendo comuns:
a depressão (Bond, Carlin, Thomas, Rubin, & Patton, 2001),
a ansiedade (Fekkes, Pijpers, Fridriks, Vogels, & Verloove-
Vanhorick, 2010) e os sintomas de Transtorno de Estresse
Pós-Traumático (TEPT).

A escola tem sido apontada, pela literatura, como um local
no qual a violência é cada vez mais comum (Francisco &
Libório, 2009; Furlong, Morrison, & Jimerson, 2004; Ruotti,
Alves, & Cubas, 2007). São frequentes as agressões entre
alunos e funcionários (e vice-versa), os danos contra o patrimônio
escolar e, também, a agressão entre pares, conhecida
como bullying, sendo tal fenômeno o foco do presente estudo.

O bullying no contexto escolar

De acordo com Olweus (1991), pesquisador pioneiro sobre
violência entre pares na escola, bullying refere-se a ações
físicas e sociais negativas que são cometidas intencionalmente,
repetidamente, ao longo do tempo por uma ou mais pessoas
contra um indivíduo que não pode se defender facilmente. Para
Craig et al. (2009) e Lamb, Pepler e Craig (2009) bullying é o
uso do poder com o intuito de controlar os pares.

O bullying pode ser dividido em quatro categorias: físico
, que envolve comportamentos como empurrar, bater,
chutar; verbal, que inclui ameaçar, xingar; relacional, que
se refere a atos que danifiquem o relacionamento entre
pares, como exclusão de atividades, propagação de fofocas
e mentiras; e o sexual, envolvendo condutas e comentários
de natureza sexual (Orpinas & Horne, 2006). Há ainda o
cyberbullying, no qual as agressões são feitas por meio de
recursos eletrônicos, como computadores e celulares (Lamb
et al., 2009; Trautmann, 2008).

É difícil estimar a prevalência do bullying devido à
multiplicidade de definições e diversidade de metodologias
empregadas na coleta de dados, que às vezes não
consideram todas as categorias de comportamento do fenômeno
(Finkelhor, Turner, & Hamby, 2012; Lien, Green,
Welander-Vatn, & Bjertness, 2009; Orpinas & Horne, 2006).
Além disso, há limitações temporais e culturais, como, por
exemplo, a não existência do termo em todas as línguas,
havendo, também, diferenças entre os índices de bullying
em países diferentes (Campbell, 2004).

De forma geral, os índices mundiais de bullying mostram-
se preocupantes. Segundo Orpinas e Horne (2006),

 

PP Albuquerque et al.

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nos Estados Unidos, 41% dos estudantes reportaram ter
sido vítima de bullying. Cerezo e Ato (2010) encontraram
uma prevalência de bullying de 17,4% na amostra de
estudantes espanhóis estudada. No estudo de Craig et al.
(2009), comparando estimativas de prevalência de bullying
e vitimização em 40 países, contando com a participação
de mais de 200.000 estudantes, 26% da amostra reportou
envolvimento com bullying; 10,7% afirmaram serem agressores;
12,6% reportaram serem vítimas e 3,6% relataram
serem vítimas/agressores.

Embora o bullying seja um fenômeno muito pesquisado
no exterior, o estudo de sua ocorrência na população brasileira
começou há menos tempo (Francisco & Libório, 2009;
Neme, Mello, Gazzola, & Justi, 2008). Os primeiros estudos
brasileiros (mencionados a seguir) revelaram que a intimidação
física ou psicológica entre pares tem uma prevalência
expressiva também entre nossos alunos.

No estudo publicado em 2003 pela Associação Brasileira
de Proteção à Infância e à Adolescência (ABRAPIA),
40,5% dos 5.482 alunos participantes relatou ter tido algum
envolvimento direto em situações de bullying (como vítima
e/ou agressor). Muitos dos alunos caracterizados como vítimas
relataram ter sentimentos negativos como medo, raiva,
preocupações e vontade de faltar às aulas (Lopes Neto &
Saavedra, 2003). Na pesquisa de Pinheiro e Williams (2009)
com 239 estudantes de três escolas públicas de uma cidade
do interior de São Paulo, com idades entre 11 e 15 anos, foi
percebida uma alta prevalência de bullying, pois 49% dos
participantes relatou algum envolvimento em bullying. Em
contraste, na pesquisa de Francisco e Libório (2009) com
283 alunos de uma cidade do interior paulista, com idade
média de 12,82 anos, 37,2% relataram ter sofrido bullying
ou ameaças na escola.

Diversos pesquisadores tem apontado que existem papéis
característicos no processo de bullying: agressor – inicia a
agressão e é líder; seguidores do agressor, divididos em
assistentes (ajudam o agressor) e reforçadores (reforçam os
comportamentos do agressor, aplaudindo, rindo e incentivando);
expectadores, divididos naqueles que fazem parte
do problema (incentivando ou omitindo-se) e nos que fazem
parte da solução (ajudando, buscando ajuda); e vítima ou alvo
da agressão, que é abusada e assediada sistematicamente pelo
agressor (Orpinas & Horne, 2006). No entanto, esses papéis
não são rígidos, podendo haver intercâmbio entre eles, sendo
que uma vítima pode se tornar agressor em outra situação
(Batsche & Knoff, 1994).

De acordo com Batsche e Knoff (1994), algumas características
dos agressores são: maior força física do que a
vítima, comportamento impulsivo, comportamento agressivo,
necessidade de dominar os colegas e pouca empatia pelos
outros. Trautmann (2008) acrescenta também baixa tolerância
à frustração e desafio a autoridades.

Quanto às vítimas, alguns autores dividem-nas em dois
tipos: passivas, que costumam ser mais ansiosas, quietas e
submissas que as outras crianças (Orpinas & Horne, 2006);
e provocativas, normalmente apresentando comportamento
ansioso, irritadiço, tentando vingar-se (Batsche & Knoff,
1994). Os autores acrescentam, também, que as vítimas
costumam desfrutar de baixo status entre os colegas, sendo
rejeitadas e mesmo isoladas do grupo (Cerezo & Ato, 2010;
Scholte, Engels, Overbeek, Kemp, & Haselager, 2007;
Spriggs et al., 2007).

Para Cerezo e Ato (2010), é comum a rejeição social, tanto
dos agressores, quanto das vítimas, mas os agressores são
percebidos como fortes, enquanto as vítimas são vistas como
covardes e acabam sendo mais excluídas das atividades, o
que faz com que tais alunos tenham uma percepção da sala
de aula como hostil e isoladora. A rejeição social sofrida
tanto pelos agressores, quanto pelas vítimas, mostra a grande
influência dos pares no processo de bullying (Furlong et al.,
2004; Spriggs, Iannotti, Nansel, & Haynie, 2007).

Segundo Lien et al. (2009) e Batsche e Knoff (1994),
há uma tendência geral dos estudantes do sexo masculino
sofrerem e aplicarem mais bullying do que as estudantes. Na
pesquisa de Craig et al. (2009), o índice de bullying entre os
garotos foi de 23,4%, indo de 8,6% na Suécia a 45,2% na
Lituânia; e entre garotas foi de 15,8%, variando de 4,8% na
Suécia a 35,8% na Lituânia. Os tipos de bullying também
parecem ser diversos: as garotas reportam mais problemas de
relacionamento, exclusão e bullying verbal do que o físico,
relatado mais frequentemente pelos meninos (Campbell,
2004; Craig et al., 2009; Craig & Pepler, 2003; Lien et al.,
2009; Lopes-Neto, 2005; Trautmann, 2008).

Spriggs et al. (2007) apontam alguns aspectos que
influenciam o comportamento de bullying, como as interações
familiares e a postura da escola diante de situações
de violência. A escola é um ambiente de socialização ímpar
para crianças e adolescentes e, muitas vezes, há falha no
papel de oferecer um ambiente seguro, estável e propício à
aprendizagem, favorecendo o desenvolvimento pleno dos
estudantes. Portanto, é imprescindível que a mesma colabore
na prevenção e erradicação do bullying.

Por sua vez, o ambiente familiar pode afetar o comportamento
de bullying de múltiplas maneiras. Em primeiro lugar
há a imitação de comportamentos agressivos, no caso do autor
do fenômeno, por meio da exposição a conflitos parentais e
vivência de punição física pela criança ou adolescente. Há
ainda pais superprotetores que incentivam o comportamento
violento dos filhos (Trautmann, 2008).

As pesquisas têm demonstrado uma associação entre a
violência contra a criança (Grassi-Oliveira & Stein, 2008;
Marty & Carvajal, 2005; Pinheiro & Williams, 2009) e
exposição à violência conjugal (Baldry, 2003; Pinheiro &
Williams, 2009; Weil et al., 2004) com o aparecimento de
problemas de conduta dos adolescentes, como infração,
comportamento antissocial e, em especial, bullying. Pinheiro
e Williams (2009) verificaram em sua pesquisa que
estar exposto à violência interparental esteve associado
em ser alvo/autor de bullying na escola, sendo que a probabilidade
de ser vítima de bullying foi 2,6 vezes maior
para os estudantes expostos a qualquer tipo de violência
por parte da mãe em relação àqueles que não a sofreram;
e os alunos que declararam ter sofrido violência por parte
do pai tinham 3,1 vezes mais chances de relatar também
vitimização por bullying.

No mesmo sentido, Bauer et al. (2006) afirmam que
um possível fator de risco para o bullying é a exposição
à violência doméstica, pois crianças que passam por essa
situação aprendem modelos de relacionamento negativos,
no qual a violência é vista como método para resolução

 

Revisão: Bullying e TEPT

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de conflitos. Além disso, tais crianças podem desenvolver
mais problemas de comportamento inter e externalizantes,
conforme definição de Achenbach (1991). Para Scholte et
al. (2007), o bullying não é um fenômeno isolado, mas um
componente de padrões comportamentais antissociais, que
são construídos a partir do contato com diversos contextos,
e aqui pode-se lembrar, ainda, a influência de aspectos
econômicos, culturais e da mídia.

Consequências imediatas do bullying

O bullying pode ter consequências a curto e a longo
prazo que dependem da frequência e intensidade do assédio,
bem como das características da vítima, variando
em relação ao impacto sobre diversas esferas da vida dos
indivíduos. Na esfera emocional algumas consequências do
bullying listadas na literatura são: problemas ou dificuldades
sentimentais, medo, solidão e rebaixamento da autoestima
(Batsche & Knoff, 1994; Cepeda-Cuervo, Pacheco-Durán,
García-Barco & Piraquive-Penã, 2008; Lien et al., 2009;
Lopes-Neto, 2005; Orpinas & Horne, 2006; Spriggs et al.,
2007; Whitted & Dupper, 2008).

Em relação a problemas psiquiátricos, tem-se observado
presença de ansiedade, depressão, ideação suicida ou tentativas
de suicídio (Batsche & Knoff, 1994; Campbell, 2004;
Cepeda-Cuervo et al., 2008; Lamb et al., 2009; Lien et al.,
2009; Orpinas & Horne, 2006; Trautmann, 2008; Whitted &
Dupper, 2008). Há ainda a ocorrência de sintomas psicossomáticos,
como dores de cabeça, dores de estômago, enurese,
tonturas, problemas de sono e dores musculares (Campbell,
2004; Craig et al., 2009; Lamb et al., 2009; Lien et al., 2009;
Orpinas & Horne, 2006; Spriggs et al., 2007).

No que se refere aos problemas em relações interpessoais,
constata-se a ocorrência de sentimento de ineficácia social
e dificuldades de relacionamento interpessoal (Campbell,
2004; Scholte et al., 2007; Whitted & Dupper, 2008). Podem
estar presentes também comportamentos agressivos, homicídio
a pares na escola, envolvimento com atividades ilícitas,
como portar arma ou utilizar drogas (Batsche & Knoff, 1994;
Craig et al., 2009; Spriggs et al., 2007).

Além dos problemas típicos da vítima, os agressores podem
apresentar também: baixo rendimento escolar, abandono
da escola, envolvimento em condutas infracionais, problemas
com o sistema legal e abuso de substâncias (Craig & Pepler,
2003; Lamb et al., 2009; Orpinas & Horne, 2006; Spriggs
et al., 2007; Trautmann, 2008).

Hyman et al. (2003) alertam para as consequências graves
de um ambiente escolar hostil, exemplificado, segundo tais
autores, no relatório de Vossekuil, Fein, Reddy, Borum e Modzeleski
(2002). Tal relatório, elaborado pelo Serviço Secreto
dos Estados Unidos, examinou 37 incidentes envolvendo
agressões fatais em escolas no mesmo país, entre 1974 e 2000,
constatando que quase 3/4 dos assassinos tinham sido vítimas
de bullying, em alguns casos bullying severo e persistente,
com um histórico de se sentirem ameaçados e perseguidos.

A realidade do aluno atirador dentro da escola não é
apenas uma tendência norte-americana, tendo ocorrido em
diversos países da Europa e da Ásia e, infelizmente, no Brasil.
Williams (2004) descreve um caso que ocorreu em Taiúva,
pequena cidade do interior de São Paulo, no ano de 2003,
quando um jovem, com histórico de vitimização crônica na
escola, feriu gravemente seis alunos, a vice-diretora, um
funcionário e se suicidou. Posteriormente, em 2011, o jovem
Wellington de 23 anos entrou atirando em sua antiga escola,
em Realengo (no Rio de Janeiro), matando 11 estudantes,
ferindo 13 e se suicidando em seguida (Brito, 2012). Para
Lopes-Neto (2005), nos casos em que vítimas de bullying
protagonizaram essas tragédias nas escolas, as agressões
não tiveram alvos específicos, sugerindo que o desejo era de
“matar a escola”, local de intenso sofrimento e insegurança.

Transtorno de Estresse Pós-Traumático e Bullying

O conceito de trauma tem mudado ao longo do tempo
(Schestatsky, Shansis, Ceitlin, Abreu, & Hauck, 2003) e foge
do escopo desse estudo o aprofundamento dessa questão.
Adotar-se-á aqui o conceito de trauma propagado pela Associação
Americana de Psiquiatria (2002) por ser o mesmo
adotado pela Associação Americana de Psicologia e por
psicólogos clínicos especializados da área. Nesse trabalho
considera-se trauma como fenômeno resultante de dificuldades
emocionais, comportamentais, cognitivas e físicas
que são diretamente relacionadas a experiências violentas
(Cohen, Mannarino, & Deblinger, 2006). Experiências
traumáticas são experiências prejudiciais e ameaçadoras que
demandam esforços extraordinários por parte do indivíduo
para enfrentamento ou sobrevivência, podendo, inclusive,
favorecer o aparecimento de problemas psiquiátricos, como
o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).

Segundo o DSM-IV-TR (Manual Diagnóstico Estatístico
para os Transtornos Mentais, 2002), o TEPT tem como critérios
de diagnóstico: A) Exposição a um evento traumático
caracterizado por morte ou grave ferimento ou ameaça à
integridade física própria ou de outros, e a resposta da pessoa
envolveu medo intenso, impotência ou horror; B) O evento
traumático é persistentemente revivido em uma ou mais das
seguintes maneiras: recordações e sonhos aflitivos, recorrentes
e intrusivos sobre o evento, flashbacks, sofrimento
psicológico e reatividade fisiológica na exposição a indícios
externos que lembram o evento traumático; C) Esquiva persistente
de estímulos associados ao trauma e entorpecimento
da reatividade geral, com base em pelo menos três dos seguintes
quesitos: esforços para evitar pensamentos ou conversas
associados ao trauma; evitação de atividades, locais e pessoas
que ativem a recordação do trauma; incapacidade de recordar
algum aspecto importante do evento; redução acentuada de
interesse ou da participação em atividades significativas;
sensação de distanciamento em relação a outros; afeto
restrito e sentimento de um futuro abreviado; D) Sintomas
persistentes de excitabilidade aumentada indicada por dois
ou mais quesitos: dificuldades com o sono; irritabilidade ou
surtos de raiva; dificuldade em concentrar-se; hipervigilância
e resposta de sobressalto exagerada (Associação Americana
de Psiquiatria, 2002).

É importante lembrar que para caracterizar TEPT, o
quadro sintomático deve estar presente por pelo menos um
mês e a perturbação deve causar sofrimento ou prejuízo
significativo ao funcionamento social, ocupacional ou em

 

outras áreas importantes da vida do indivíduo (Associação
Americana de Psiquiatria, 2002).

Sobre o conceito de evento traumático, Figueira e Mendlowicz
(2003) afirmam que ele tem sido constantemente
revisto. Desde a oficialização do diagnóstico em 1980, houve
uma expansão da latitude do conceito e, consequentemente,
o aumento da prevalência estimada de TEPT. Tais autores
mostram que, inicialmente, os eventos traumáticos eram
classificados no DSM-III como raros, externos e catastróficos,
diferenciados das experiências comuns de luto, doença
crônica, conflitos matrimoniais e perdas no trabalho.

De acordo com Figueira e Mendlowicz (2003), a ênfase
das pesquisas sobre TEPT em fatores externos poderia
ser deslocada para os fatores internos ou subjetivos, de
forma que a resposta emocional aos eventos traumáticos
receba maior atenção. Elklit e Petersen (2008) afirmam
que tanto a experiência clínica quanto as pesquisas têm
fornecido evidências de que mesmo a exposição indireta
a estressores pode favorecer o aparecimento de sintomas
de TEPT, motivo pelo qual o critério de evento traumático
foi expandido para incluir esse tipo de exposição indireta
a diversos estressores.

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria (2002), a
prevalência de TEPT nos EUA é de 8% da população adulta,
mas o distúrbio pode ocorrer em qualquer idade. Estima-se
que cerca de 25% de todas as crianças experienciem um
evento traumático até seus 16 anos, sendo que algumas
apresentarão sintomas de TEPT (Cook-Cottone, 2004). De
acordo com Marty e Carvajal (2005), um acontecimento
traumático na infância seria capaz de produzir alterações
funcionais e anatômicas em áreas cerebrais, modificando
sistemas relacionados à memória e afetividade, entre outros
e, assim, produzindo vulnerabilidade ao TEPT.

Para Lipschitz, Rasmusson, Anyan, Cromwell e Southwick
(2000), a prevalência de TEPT indicada na literatura
entre adolescentes e jovens adultos varia de 2% a 9,1%.
No estudo realizado por tais autores com 90 adolescentes
do sexo feminino dos Estados Unidos, com idade média
de 17,3 anos, 13% apresentaram sintomas de TEPT, e a
maioria foi exposta a múltiplos tipos de trauma. Segundo
Elklit e Petersen (2008) e Weil et al. (2004), a exposição a
múltiplos eventos traumáticos está associada ao aumento
de sintomas de TEPT.

Estudos epidemiológicos revelaram que 40 a 90% da
população americana já foi exposta a um evento traumático
(Figueira & Mendlowicz, 2003). No Brasil ainda há
carência de estudos sobre a sua prevalência, uma vez que
somente recentemente a Psiquiatria brasileira começou a
reconhecer a importância do diagnóstico de tal transtorno
(Fiszman, Cabizuca, Lanfredi, & Figueira, 2005); o mesmo
ocorrendo em relação à Psicologia (Caminha, 2005).
Para Figueira e Mendlowicz (2003) e Ximenes, Oliveira e
Assis (2009), o TEPT é o principal transtorno psiquiátrico
associado à violência, tendo uma alta prevalência entre a
população brasileira.

Devido à importância do esclarecimento da relação entre a
vivência de bullying e o desenvolvimento tardio de sintomas
de TEPT, o presente trabalho objetivou identificar, organizar
e analisar a produção cientifica da área quanto a esses dois
temas, propondo direcionamentos para pesquisas futuras.

Método

Foi efetuada uma busca eletrônica de artigos indexados
nas bases de dados SciELO, LILACS e PubMed no período
de 2000 a 2012, com as seguintes palavras-chave “Bullying”
e “Transtorno de Estresse Pós-Traumático” e “Bullying” e
“Posttraumatic Stress Disorder”. Tal busca resultou em 21
artigos, no entanto descartaram-se trabalhos que citavam
TEPT, mas enfocavam outros temas, como Síndrome da
Imunodeficiência Adquirida, psicose, bullying no trabalho
e não entre pares escolares, entre refugiados e artigos opinativos,
sem caráter empírico. Apenas dois artigos, dentre
os 21, tratavam especificamente sobre bullying na escola
durante a infância/adolescência e Transtorno de Estresse
Pós-Traumático: Idsoe, Dyregrov e Idsoe (2012) e Elklit e
Petersen (2008).

Além disso, foi realizado um levantamento bibliográfico
em livros e artigos publicados sobre o tema, partindo-se de
textos mais gerais sobre bullying e procurando-se nas referências,
artigos que estivessem relacionados ao tema. Na busca
bibliográfica foram encontrados três artigos específicos sobre
bullying e TEPT na infância/adolescência: Crosby, Oehler
e Capaccioli (2010), Mynard, Joseph e Alexander (2000) e
Storch e Esposito (2003); e, finalmente, foram encontrados
cinco estudos retrospectivos, examinando os sintomas de
TEPT a longo prazo: Campbell (2004), Carlisle e Rofes
(2007), Ateah e Cohen (2009), McGuckin Lewis, Cummins
e Cruise (2011) e Williams, D’Affonseca, Correia e Albuquerque
(2011). Apenas este último estudo é brasileiro, sendo
que o mais antigo é de 12 anos atrás (Mynard et al., 2000).

Resultados

Bullying e TEPT na infância e adolescência

Dentre os estudos com população infantil e adolescente,
está o de Elklit e Petersen (2008) que realizaram uma pesquisa
com estudantes de quatro países europeus, com idade
média de 14,5 anos, para investigar a prevalência de eventos
traumáticos (como abuso, negligência e bullying) e o impacto
psicológico desses eventos, inclusive o desenvolvimento
de sintomas de TEPT. Os autores perceberam que 90%
dos adolescentes pesquisados reportaram ter experienciado
diretamente ao menos um evento traumático, sendo que a
média de exposição foi de 2,6 eventos. Dos participantes que
sofreram um evento traumático, 25% relataram ter sofrido
humilhação ou bullying durante a infância.

Crosby et al. (2010) realizaram uma pesquisa com 244
estudantes, com idades entre 10 a 14 anos, de três escolas
rurais dos Estados Unidos. Os autores buscaram dar suporte
à hipótese de que a vitimização por pares/bullying pode estar
associada a sintomas de TEPT. Por meio da análise dos
questionários aplicados, os pesquisadores constataram que
13,5% dos participantes relataram ter sido vitimizados por
um colega da escola pelo menos uma vez por semana, e 66%
relataram ter presenciado alguém sofrer bullying ao menos
uma vez no último ano. Vitimizações físicas, relacionais e
verbais foram correlacionadas positivamente com sintomatologia
de estresse pós-traumático.

 

Com o objetivo de examinar se crianças que experienciaram
bullying teriam altos níveis de sintomas de TEPT,
Mynard et al. (2000) realizaram um estudo com 331 crianças
e adolescentes, com idades entre 8 e 11 anos de escolas da
Inglaterra e descobriram que experiências de vitimização por
bullying estavam associadas a estresse pós-traumático. Os
dados obtidos sugerem que cerca de um terço das crianças
que sofreram bullying podem apresentar níveis significativos
de estresse pós-traumático.

No mesmo sentido, Storch e Esposito (2003) realizaram
uma pesquisa com o objetivo de examinar a relação entre
vitimização por pares/bullying e TEPT numa amostra de 205
crianças, de 10 a 13 anos, dos Estados Unidos. Após análises
estatísticas, os autores perceberam que dois tipos de bullying,
vitimização direta e relacional, estavam relacionadas positivamente
e significativamente aos sintomas de TEPT.

Idsoe et al. (2012) realizaram uma pesquisa com 963
estudantes de uma amostra representativa de crianças norueguesas
das séries 8-9 (13 e 14 anos aproximadamente),
para investigar a vitimização por bullying e associações com
sintomas de TEPT. Como resultados principais, os autores
constataram que havia uma associação entre a frequência de
exposição a bullying e sintomatologia de TEPT, sendo que
33,7% dos estudantes que sofreram bullying apresentaram
escores significativos para o transtorno. Segundo Idsoe et al.
(2012), os resultados indicam que a exposição ao bullying
é um potencial fator de risco para o desenvolvimento de
sintomas de TEPT entre os estudantes vitimizados.

Os estudos apresentados demonstram que a exposição
dos estudantes do Ensino Fundamental ao bullying em diferentes
países é relativamente alta. Além disso, as pesquisas
que relacionam bullying a sintomas de TEPT (Crosby et
al., 2010; Mynard et al. 2000; Storch & Esposito, 2003)
indicaram correlações positivas e significativas entre os dois
fenômenos, demonstrando que, a curto prazo, ser vítima de
bullying pode levar ao aparecimento de sintomas de TEPT.
Cabe destacar que, tanto Storch e Esposito (2003), quanto
Mynard et al. (2000), afirmam que, apesar do aumento do
número de pesquisas que investiguem as interações negativas
entre pares, poucos estudos examinam a relação entre as
consequências psicológicas dessas interações. Dentre tais interações
destacam-se o TEPT e o bullying, o que dificulta que
os autores comparem seus resultados (Mynard et al., 2000).

Bullying e TEPT a longo prazo

Como visto anteriormente, poucas pesquisas analisam a
relação entre o bullying e as suas possíveis consequências
traumáticas, sendo ainda mais escassa tal análise quanto
às consequências traumáticas a longo prazo, que é o foco
do presente estudo. Na pesquisa de Campbell (2004), a
pesquisadora avaliou, retrospectivamente, a experiência de
bullying na infância de 95 estudantes de graduação australianos.
Os resultados indicaram um considerável número
de vitimização praticada por pares (68,8%), e também por
professores (21,2%) aos alunos; situações descritas como
constrangedoras. No entanto, tal autora não chega a analisar
os sintomas de TEPT propriamente ditos, tendo focado suas
análises apenas na descrição das experiências de vitimização.

Carlisle e Rofes (2007) realizaram um estudo piloto com 15
adultos do sexo masculino, com histórico escolar de bullying.
Ao medirem as consequências a longo prazo do bullying, os
autores concluíram que seus efeitos eram mais amplos e persistentes
do que o que já foi apontado pela literatura, sugerindo
uma sintomatologia traumática semelhante a do histórico de
abuso infantil, no qual o adulto é violento com a criança. Esses
autores mencionam, por sua vez, que na ocasião do referido
estudo foi encontrado apenas um trabalho quantitativo utilizando
questionário específico, elaborado por Olweus (1993) que,
apesar da amostra restrita (23 adultos), é citado pela literatura
como evidência definitiva da vitimização, a longo prazo, por
bullying. Carlisle e Rofes (2007) sugerem que se realizem
mais pesquisas sobre os efeitos tardios de bullying, afirmando
que alguns adultos que experienciaram bullying apresentam
uma hiperexcitação crônica do Sistema Nervoso Central (altos
níveis de medo, ansiedade e irritabilidade), sonhos intrusivos
e relatam ter pensamentos relativos ao ambiente escolar, com
teor de vingança, além de apresentarem dificuldades com
figuras de autoridade.

De acordo com Ateah e Cohen (2009), casos severos de
vitimização escolar podem preceder ou estar relacionados
a TEPT, mostrando que muitas crianças correm o risco de
experienciar o bullying de forma muito traumática, tendo
consequências futuras relacionadas a esse tipo de vitimização.
Os autores realizaram um estudo com 1.007 estudantes
universitários dos Estados Unidos e 210 do Canadá, com o
objetivo de avaliar o relacionamento entre bullying e a “pior
experiência escolar” ao desenvolvimento de sintomas de
TEPT. O resultado principal obtido foi que aproximadamente
8% da amostra canadense e 10% da americana alcançaram
os critérios do DSM-IV para TEPT. Agressões verbais e
relacionais foram as mais lembradas como piores experiências
escolares, indicando que elas podem levar a profundos
efeitos na saúde mental.

McGuckin et al. (2011) realizaram um estudo com 154
estudantes universitários da Irlanda, com idade média de
24,2 anos, investigando suas experiências escolares negativas
passadas e os respectivos sintomas decorrentes por meio do
questionário Student Alienation and Trauma Survey (SATS).
Tais autores obtiveram como principal resultado que 6,2% da
amostra apresentou escores clinicamente significativos para
TEPT e 19,4% apresentou escores de risco.

No Brasil, Williams et al. (2011) realizaram um estudo
piloto com 81 estudantes universitários, com idade média de
21 anos, utilizando uma versão traduzida para o português do
questionário SATS, constatando que quase metade dos participantes
(49%) apresentou sintomas de TEPT após sua pior
experiência escolar passada, sendo que 38% desenvolveram
um dos sintomas de TEPT por mais de um mês. Tais taxas
altas em relação aos outros estudos provavelmente ocorreram
porque o instrumento ainda necessitava de aprimoramento,
pois conforme análise do índice de resposta inconsistente,
62% dos participantes respondeu o instrumento de tal forma.
Posteriormente foi realizada uma adaptação transcultural
do instrumento e atualmente uma pesquisa com amostra
ampliada está sendo desenvolvida como Tese de Doutorado
da primeira autora.

Apesar desses poucos estudos apontarem uma relação
entre TEPT e bullying, tanto na infância quanto a longo

 

prazo, faltam pesquisas na literatura nacional e internacional
que esclareçam como se dá essa relação; esclarecendo,
por exemplo, qual o tamanho da influência da vivência de
bullying escolar no desenvolvimento futuro de sintomas de
TEPT, considerando diversos outros eventos estressores nas
vidas dos indivíduos. O que pode ser percebido é que alguns
indivíduos expostos à vitimização por bullying podem apresentar
maior vulnerabilidade para apresentar Transtorno de
Estresse Pós-Traumático.

Como apontam Storch e Esposito (2003), componentes
específicos que contribuem para TEPT, incluindo sentimentos
de desamparo e descontrole, são inerentes à vitimização crônica
e, por isso, é compreensível que esse tipo de vitimização,
no caso a vivência de bullying, possa ser perigosa e ameaçadora
suficientemente para produzir sintomas de TEPT. Isso se
explicaria porque a vitimização repetitiva pode resultar em
ruminações cognitivas e lembranças intrusivas, como sonhos
e pensamentos sobre as interações negativas, evitação de
situações associadas à vitimização e reatividade fisiológica.
Considerando-se que os efeitos tardios do bullying, como o
TEPT, ainda são pouco conhecidos e descritos pela literatura,
são necessários mais estudos, principalmente longitudinais,
para esclarecer a natureza desses relacionamentos.

Conclusões

Como apontado anteriormente, a exposição à violência
pode ser uma experiência traumática que afeta, a curto e
a longo-prazo, o bem-estar físico, social e emocional dos
seres humanos. Dessa forma, devido ao impacto dos eventos
traumáticos sobre a saúde mental dos indivíduos, essas
experiências podem predispô-los tanto à resiliência quanto
à vulnerabilidade (Miller, 2007).

A revisão bibliográfica realizada neste estudo apontou
que parece existir uma relação entre a vivência de bullying
escolar e o desenvolvimento de sintomas de TEPT. Dada a
carência da literatura, ainda há dúvidas quanto aos efeitos
a longo prazo do bullying; quais os tipos de agressões mais
vivenciados pelos estudantes em estudos retrospectivos;
que sintomas psiquiátricos, como os do TEPT, podem ser
desenvolvidos por suas vítimas; bem como se a vivência de
bullying escolar pode levar os indivíduos a sintomas atuais
de TEPT ou eles já apresentam déficits psicológicos que
predispõem o desenvolvimento de sintomas.

Pesquisas futuras são necessárias para responder às
dúvidas existentes na área, dando consistência a dados
esparsos de estudos científicos. Para tanto, seria preciso
que tais trabalhos utilizassem diversos métodos de investigação,
uma vez que todos os estudos aqui descritos usaram
basicamente dados provenientes de questionários. Além
disso, seria importante a coleta de dados com informantes
variados, além dos próprios estudantes vitimizados, como
pais e professores, por exemplo.

Análises mais sofisticadas da relação entre a vivência
de bullying e os sintomas posteriores apresentados pelas
vítimas poderiam esclarecer também o papel de variáveis
moderadoras e mediadoras nesse processo. Nesse sentido,
seriam interessantes estudos que avaliassem outros aspectos
potencialmente traumáticos da vida dos indivíduos, como
traumas no ambiente familiar, o que poderia esclarecer o
quanto dos sintomas apresentados pelo indivíduo refere-
se às experiências escolares traumáticas. Outras pesquisas
também poderiam avaliar os efeitos dos fatores protetivos
e de resilência presentes na época da escolarização, como
por exemplo um sistema familiar de suporte, habilidades
prossociais das crianças, as amizades, analisando o impacto
de tais fatores para a proteção das crianças e jovens. Isso
poderia ser investigado comparando-se grupos distintos de
participantes, que possuem ou não situações de vulnerabilidade,
por exemplo.

Com um corpo sólido de pesquisas apontando numa
mesma direção, o intercâmbio entre os resultados de pesquisas
diversas (que utilizam metodologias e instrumentos
diferentes) seria facilitado, o que também possibilitaria
o estabelecimento de conclusões sobre os impactos do
bullying na saúde mental das vítimas. Além disso, tal
corpo de conhecimento promoveria o estabelecimento de
parâmetros de ação para os psicólogos que atendem caso de
bullying, embasando, também, cursos para a sua prevenção
nas escolas brasileiras, tanto para funcionários, professores,
como para alunos. Futuros estudos poderão contribuir para o
planejamento sistemático e eficaz de projetos de intervenção
à violência na escola, bem como para o tratamento clínico
de indivíduos que apresentem efeitos a longo prazo desse
tipo de vitimização.

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Recebido em 26.04.2010

Primeira decisão editorial em 17.09.2012

Versão final em 18.01.2013

Aceito em 14.02.2013 n

Adoção e Acolhimento Institucional

Santo André, SP, BR

25 de Fevereiro de 2013

 

 

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