Movimento Brasil Livre

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Movimento Brasil Livre
(MBL)
Fundação 1 de novembro de 2014 (2 anos)
Tipo movimento político
Estado legal Ativo
Propósito Fim do PT
Neoliberalismo [1]
Ética na Política
Sede São Paulo,  São Paulo
Línguas oficiais Português
Organização Kim Kataguiri[2]
Renan Santos[3]
Fernando Holiday
Sítio oficial mbl.org.br

O Movimento Brasil Livre (MBL) é um movimento político brasileiro que defende o neoliberalismo e o republicanismo, ativo desde 2014. Em seu manifesto, cita cinco objetivos: “imprensa livre e independente, liberdade econômica, separação de poderes, eleições livres e idôneas e fim de subsídios diretos e indiretos para ditaduras”.[4] De acordo com o jornal The Economist, o grupo é composto por aderentes do thatcherismo e foi fundado “para promover respostas do livre mercado aos problemas do país”.[5] Para o jornal El País, apesar de sua aparência, a ação do movimento é eminentemente anti-petista,[6] elemento esse que vem sendo repetidamente notado.[7][8][9][10]

O movimento surgiu ao final de 2014 a partir de manifestações em estados brasileiros como São Paulo e Rio Grande do Sul, e posteriormente, em 2016, ganhou força, combinado às correntes evangélicas e ruralistas[11], em dois protestos que lutaram pela investigação do petrolão e por mais liberdade de imprensa.[12][11] Com sede nacional em São Paulo, o movimento realiza frequentes protestos e ações políticas em todo país. Inicialmente, a estratégia política do MBL foi pela convocação das manifestações dos dias 15 de março e 12 de abril de 2015,[13] embora esse aspecto tenha sido posteriormente minimizado,[14] a fim de auxiliar o governo na promoção de estratégias impopulares relacionadas às reformas trabalhistas e previdenciárias.[15]

Formado em sua maioria por jovens com menos de trinta anos, seus integrantes são conhecidos pelo gosto pelo rock, pelo estilo de suas roupas e por seus discursos incisivos, sendo comparados pela revista Exame a uma startup que nasceu para fazer protestos.[16] Segundo a revista Época, nos protestos de 16 de agosto de 2015, Kim Kataguiri e Fernando Holiday, duas lideranças do movimento, foram recebidos pela população participante como estrelas da política brasileira.[17]

História[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

O MBL surgiu em 1º de novembro de 2014, quando promoveu sua primeira manifestação, reunindo cerca de 5.000 pessoas no Masp pela investigação e punição dos envolvidos no escândalo apurado pela Operação Lava Jato, e pela liberdade de imprensa, depois da sede do Grupo Abril ter sido vandalizada em outubro do mesmo ano.[18]

Manifestações contra o governo Dilma Rousseff[editar | editar código-fonte]

Protestos que o MBL ajudou a convocar e nos quais esteve presente.

O MBL participou das manifestações populares que ocorreram em diversas regiões do Brasil e que tiveram como principais objetivos protestar contra o Governo Dilma Rousseff e a corrupção.[19][20][21] Essas manifestações reuniram centenas de milhares de pessoas nos dias 15 de março, 12 de abril e 16 de Agosto[22] e, segundo algumas estimativas, foram a maior mobilização popular no país desde o início da Nova República.[23][24] No dia 15 de março, ocorreram protestos em todos os estados brasileiros, em ao menos 160 cidades.[25] Os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro registraram as maiores adesões, enquanto os estados do Norte e do Nordeste tiveram menor índice de participação.[23] Em Palmas, por exemplo, não houve protestos.[26] Também foram registrados protestos em seis cidades do exterior: Buenos Aires, Londres, Lisboa, Miami, Montreal e Nova York.[27][28][29] As estimativas totais de participantes variam. Enquanto as polícias militares estimam entre 1 400 000 e 2 400 000, outras fontes afirmam que estiveram presentes 3.600.000 pessoas.[25]

Marcha pela Liberdade[editar | editar código-fonte]

Após as últimas manifestações, o MBL iniciou uma marcha de São Paulo até Brasília, pleiteando o impeachment de Dilma Rousseff. Chamada de “Marcha pela Liberdade”, saiu de São Paulo no dia 24 de abril e percorreu três estados e mais de mil quilômetros, ao longo de 33 dias, chegando a Brasília em 27 de maio.[30] No Congresso Nacional, ingressaram com um pedido de impeachment contra a presidente.[30] Os manifestantes foram recebidos por líderes da oposição no Congresso Nacional e, em seguida, se reuniram com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Durante a marcha, Kim Kataguiri, um dos líderes do MBL sofreu um acidente quando um motorista embriagado atingiu o carro que dava apoio ao grupo na estrada.[30]

Posicionamentos[editar | editar código-fonte]

O MBL se define como um movimento liberal e republicano.[31][32][33][34] Em seu manifesto, o MBL cita cinco objetivos: “imprensa livre e independente, liberdade econômica, separação de poderes, eleições livres e idôneas e fim de subsídios diretos e indiretos para ditaduras”.[35] Posiciona-se em diversas áreas conforme:

Educação[editar | editar código-fonte]

O movimento apoia a Escola sem Partido, a nível estadual e municipal; a legalização do ensino domiciliar; a redução de impostos para escolas privadas; entre outras propostas.[36]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Extinção de todos os tributos sobre medicamentos ou aparelhos médicos, abertura do mercado hospitalar a empresas estrangeiras, desburocratização de operadoras de plano de saúde, entre outros.[36]

Reforma Política[editar | editar código-fonte]

A reforma política defendida pelo MBL inclui, entre outros, os seguinte itens:[36][37]

  • Proibição de publicidade de empresas públicas e economia mista monopolistas.
  • Revogação da Lei Rouanet
  • Voto distrital misto
  • Fim do voto obrigatório
  • Fim do fundo partidário
  • Diminuição no número de deputados
  • Eleição para suplente de Senador
  • Fortalecimento do federalismo
  • Fim da reeleição
  • Mandato de 5 anos para o Executivo
  • Fim do alistamento militar obrigatório

Sistema Econômico[editar | editar código-fonte]

O MBL defende a eliminação dos controles de salários, preços, aluguéis, lucros, produção e juros; fim do favorecimento público a setores privados da economia; plena liberdade econômica; fim dos monopólios estatais; privatização das empresas públicas e sociedades de economia mista; fim da interferência governamental nas relações trabalhistas com total liberdade entre as partes; liberdade de organização sindical; livre mercado com circulação de bens, produtos e serviços.”[38]

Ideologia[editar | editar código-fonte]

Em seu manual, o movimento cita como referências teóricas o liberalismo conservador de Meira Penna, a doutrina econômica de Friedrich Hayek e Ludwig von Mises, a defesa do império da lei de Frédéric Bastiat e a ciência política de Eric Voegelin, Edmund Burke, Russell Kirk e de Ortega y Gasset.[39]

Pautas[editar | editar código-fonte]

Antigas (ou alcançadas)[editar | editar código-fonte]

2014-atualidade[editar | editar código-fonte]

Fixa[editar | editar código-fonte]

Coordenadores[editar | editar código-fonte]

Kim Patroca Kataguiri[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Kim Kataguiri

Kim, durante a defesa da então presidente afastada Dilma Rousseff em sua sessão de julgamento do impeachment.

Nascido em 28 de janeiro de 1996, é um ativista brasileiro e um dos fundadores e líderes do MBL, forte opositor ao Partido Dos Trabalhadores. Kataguiri é neto de imigrantes Japoneses. Seu pai é um ex-serralheiro.[53]

Em outubro de 2015, a revistaTIME classifica Kataguiri como um dos adolescentes mais influentes do mundo naquele ano.[54] É ex-colunista do jornal Folha de S.Paulo[55] e do The Huffington Post Brasil.[56]

Holiday, kataguiri, Bia Kicis, Carla Zambelli e Joice Hasselmann no Senado Federal.

Fernando Holiday[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Fernando Holiday

Fernando Silva Bispo, mais conhecido como Fernando Holiday, é um dos coordenadores do MBL e foi eleito para vereador de São Paulo nas eleições municipais de 2016 pelo DEM. Ele é o mais jovem vereador que a cidade já teve.[57]

Conhecido por defender bandeiras como o fim das cotas raciais, o fim do Dia da Consciência Negra e o fim da Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo,[58][59] Fernando Silva Bispo, eleito vereador em São Paulo, foi chamado por Rui Costa Pimenta de “fascista[60] e por Tico Santa Cruz de “capitão do mato“.[61] Fernando acusa seus detratores de racismo e defende o engajamento político de negros e pobres no Brasil.

Renan Antônio Ferreira dos Santos[editar | editar código-fonte]

Empresário, coordenador nacional do Movimento Brasil livre,[62] foi filiado ao PSDB de 2010 a 2015. Segundo o UOL, Renan é réu em mais de 60 processos de ações cíveis e trabalhistas[63] e vem sendo alvo de complicações legais desde 1998, quando tinha apenas 14 anos de idade. Responde por fechamento fraudulento de empresas, dívidas fiscais, fraude contra credores, calote em pagamento de dívidas trabalhistas e ações de danos morais, que totalizam um montante de R$ 4,9 milhões. Em entrevista ao UOL, Renan admite que deve, mas afirma que essas pendências provém de sua atuação como empresário, e são geradas “pela dificuldade que existe na atividade empresarial no Brasil“. Boa parte dos processos foi julgada à revelia do réu, isto é, o tempo para a empresa se defender passou sem que eles se manifestassem e a cobrança realizada na Justiça não obteve sucesso porque os tribunais não encontram valores nem nas contas das empresas, nem nas de seus proprietários.[63]

Arthur Moledo do Val[editar | editar código-fonte]

Criador do canal do Youtube Mamãe Falei e coordenador do Movimento Brasil Livre,[64][65][66] Arthur Moledo do Val vai a manifestações e mobilizações sociais perguntar às pessoas se elas realmente entendem aquilo que estão reivindicando. Em 2016, durante o movimento de ocupação do Colégio Estadual do Paraná, Arthur foi conduzido à Delegacia da Mulher de Curitiba por acusações de atentado violento ao pudor. Já Arthur do Val alega ter sido agredido por estudantes.[67]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Durante a discussão do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados, em 16 de abril de 2016, quando o acesso à Câmara estava restrito, os líderes Kim Kataguiri, Renan Santos e Rubens Nunes entraram no plenário com crachás fornecidos irregularmente pelos deputados oposicionistas Darcísio Perondi (PMDB-RS) e Pauderney Avelino, líder do DEM.[68]

Financiamento por capital estrangeiro[editar | editar código-fonte]

O financiamento do MBL tem sido repetidamente questionado, uma vez que o grupo não revela de forma transparente a origem de seus recursos.[69]A deputada federal Jandira Feghali acusou, em entrevistas, o movimento de receber financiamento internacional.[70] O financiamento do MBL é supostamente ligado aos irmãos Koch.[71][72] Por outro lado, os responsáveis pelo MBL afirmam que ele é mantido pela contribuição financeira de seus seguidores, por recursos pessoais e por doações de empresários, para promover seus atos e divulgá-los nas redes sociais.[73]

MBL e partidos políticos[editar | editar código-fonte]

Na época de sua fundação o movimento se declarava apartidário, mas gravações de áudio reveladas em 2016 pelo portal UOL em matéria assinada pelo jornalista Vinicius Segalla mostram o líder do MBL afirmando que receberam ajuda de partidos políticos de oposição ao Governo Dilma Rousseff como DEM, PMDB, PSDB, e Solidariedade.[74] Em sua defesa o MBL afirmou que os áudios estão “fora do contexto” e “distorcidos”. O colunista Reinaldo Azevedo acusou o UOL de agir com má-fé, uma vez que, de acordo com o blogueiro, o portal estaria tentando transformar “uma parceria clara, necessária e admitida numa espécie de relação escusa”.[75]

O blogueiro de direita, Luciano Yan, divulgou um áudio em que o jornalista Segalla foi flagrado demonstrando que ele contatou um dos membros do MBL sem procurar informações de como o movimento realmente funcionava. Em vez disto, buscou uma informação vinda de uma “célula dissidente”, com a qual o comando central havia tido um desentendimento na busca de pessoas que se desentenderam com o MBL.[76] O UOL atualizou a noticia e afirmou que: “no entanto, os coordenadores do movimento negociaram e pediram ajuda a partidos pelo menos a partir deste ano. Atualmente, o MBL continua com as campanhas de arrecadação nos seus canais de comunicação, mas se define como “suprapartidário”.”[74]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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