Série: Mês da Consciência negra – O racismo no Brasil e a Petrobras


A adoção de cotas Raciais em concursos públicos. A lei que estabelece 20% de cotas para negros pode mudar o perfil social da PETROBRAS a partir do próximo concurso. O tema das cotas talvez seja um dos mais polêmicos na sociedade. Geralmente, todos têm uma opinião. Os diretores Natália Russo e Charles Vieira, da Secretaria de Combate às Opressões, sempre se posicionaram a favor das cotas raciais por entenderem que essa é uma política paliativa, mas importante como ação afirmativa para combater a desigualdade social e o racismo. Tratar de maneira diferenciada um grupo que estruturalmente teve e tem menos oportunidades e, por isso, está em desvantagem, é uma busca por diminuir as desigualdades.

Não é um privilégio dado à população negra. É a realização do princípio da equidade com o reconhecimento por parte do Estado do racismo existente, que é histórico e profundo. Sequer seria uma diminuição dos negros, como afirmam alguns. Negros e brancos têm a mesma capacidade intelectual. Isso é óbvio. A grande diferença está no histórico impedimento de acesso aos direitos e serviços e no consequente abismo social. Talvez isso não seja tão claro no Brasil, porque o preconceito não foi explicitamente institucional, como no Apartheid. Além disso, a miscigenação e o mito da democracia racial encobriram demandas retraídas. No entanto, se pode perguntar para qualquer negro pobre, que tenha amigos brancos da mesma faixa de renda, se existe preconceito de cor, que, com certeza, em sua maioria responderão que sim. Há mais dificuldade de promoção, de emprego e ainda são taxados como feios e sujos. Em outros países, como os Estados Unidos e até na África do Sul (país do Apartheid), políticas de ação afirmativa foram implementadas muito antes do que no Brasil.

As cotas são uma conquista do movimento negro, de lutadores e pesquisadores que souberam fundamentar essa demanda. Agora é lei, inclusive para concursos. Esperamos que a PETROBRAS, que tem um Selo de Pró-equidade de gênero e raça, receba bem os cotistas. Essa será a nossa cobrança. Afinal, independente de posição contrária ou a favor das cotas, o fato é que no próximo ano teremos muito mais negros entrando na empresa. Eles irão sofrer preconceito? A Petrobras deveria preparar palestras e cursos para líderes e força de trabalho instigando à reflexão sobre o racismo?

Devemos estar juntos e atentos contra todas as posturas discriminatórias, inclusive as que vierem a se dar em relação aos cotistas. Em poucas linhas, apresentamos nossa visão mais geral sobre o tema, pois não há momento mais oportuno que o Mês de novembro, da Consciência negra, para provocar a discussão.

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