Técnicas de Debate


Passadas as eleições, acusações, baixarias, natal, ano-novo e carnaval, finalmente podemos dizer, para padrões brasileiros, que o ano de 2015 vai começar.

Nos últimos tempos tivemos um crescimento daquilo que acabou sendo chamado de “direita,” aí incluídos liberais, libertários, conservadores, requerentes de regime militar, Aécionistas, 3º turno, e etc., embora a palavra“direita” não seja o melhor termo para esta salada de antagonismos.

Independente do acerto na terminologia, o fato é que surgiu e cresceu este movimento e se não é maior que o resto da população ao menos é quase metade (segundo a contagem do PT!).

Mas qual o rumo que isto tomará? É positivo esta divisão/movimento?

Sem dúvida é salutar o surgimento deste movimento porque ele representa exatamente o oposto do que se tinha e tem até então. Ele representa, ainda que de forma atrapalhada, uma visão liberal-conservadora das coisas, e esta visão é o pensamento que orienta os países de primeiro mundo. Portanto, esta divisão não só é salutar, como também necessária.

A questão agora é aumentá-la até abranger a outra parte da população, e assim, podermos caminhar rumo ao liberalismo e transformar este país em uma nação de primeiro mundo – coisa que já está atrasada pelo menos há cem anos.

Até porque, não há outra opção que não aumentá-lo, sob pena de perdermos o pescoço para os amantes de genocidas que hoje nos governam.

Para aumentar este movimento, primeiro é preciso se organizar. E para tanto, nós, os liberais e conservadores, devemos agir de forma planejada e estratégica, e eu sugiro, modestamente, que a estratégia seja espelhada na A Arte da Guerra, tentando tirar o máximo proveito possível das nossas atitudes.

Um ponto que devemos melhorar e muito é a nossa técnica de debates.

Por isso, sendo advogado, acredito que posso fornecer algumas dicas de persuasão e debate.

Lembro do início da carreira quando fiz as primeiras audiências. Recebi um conselho de um advogado mais velho: durante uma audiência, sempre haverá aquele que domina a audiência; ou será o outro advogado ou o Juiz. Melhor que seja você.

Assim, o debate nacional nós devemos dominar.

Aqui vão, então, algumas dicas. Nem sempre será possível seguir estas dicas, e menos ainda na ordem em que se sugere. Mas o importante é que você lembre delas e jogue conforme as possibilidades. São elas:

1. LINGUAGEM: O tipo de linguagem é fundamental. Se você está falando com uma pessoa de nível superior, convém um linguagem mais formal, embora simples. Se você está falando com uma pessoa de nível médio ou baixa renda, adapte sua linguagem para a linguagem deles. Se você está em um programa de rádio ou TV, lembre que a maioria das pessoas que está assistindo são pessoas que compõe aquilo que se chama “povão” ou seja, são os leigos e os que não possuem o hábito da leitura. Portanto, fale em língua simples, com frases curtas e fáceis de entender.

2. ESTRATÉGIA: Além de ter uma estratégia de debate, eu sugiro que a sua seja dividida em duas fases: a fase da “preparação” e a fase do “ataque.”

2.1 Na fase da preparação, seus argumentos devem possuir 3 características e apresentados nesta ordem (sempre que possível) : a) poder de provocar mistério; b) poder de prender a atenção; c) embasados emobviedades. Você pode lembrar destas características lembrando o nome do genocida MAO (Mistério – Atenção – Obviedades).

Quando você iniciar a argumentação, sempre que possível comece causando uma polêmica justamente para fazer um alvoroço e, com isso, conseguirmos a atenção do público. Exemplo: para os pobres viverem bem, precisamos aplicar o capitalismo (a depender da platéia a palavra capitalismo será um choque). Outro exemplo, agora sobre o assunto que está na moda, o transporte público. Inicie perguntando: o preço da passagem está caro? Ou é o brasileiro que ganha pouco?

Até aqui você está provocando dúvidas e ao mesmo tempo prendendo a atenção do interlocutor, fazendo-o pensar.

Quando isso ocorre, o cérebro automaticamente abandona todas convicções, crenças, ideologias e certezas, e passa a refletir qual o lado possui mais peso, credibilidade, prioridade. Ou seja, o cérebro está em busca de mais informações, e com isso você pode fornece-las adequadamente.

Até aqui temos uma vitória. A pessoa que era esquerda passou agora a ser neutra e receptiva a novas ideias, o que para nós já uma vitória. Já a pessoa que era neutra agora ficou interessada para saber mais.

Ou seja, você preparou elas. Nunca deixe de prepará-las.

Vamos à próxima fase.

2.2 Na fase de ataque, você deve sempre apresentar algo que o interlocutor deseja muito. O segredo do ataque bem sucedido é apresentar algo que seja o sonho do interlocutor.

Após fazer a preparação, ataque o interlocutor dizendo algo do tipo: você sabia que nos países capitalistas um pedreiro recebe R$ 10 mil por mês? E que ele gasta só R$ 1 mil para comprar um Palystation? E que o carro que para nós custa R$ 50 mil para ele custa R$ 20 mil? Você sabia que nos países capitalistas as pessoas não vivem em apartamentos apertados como no Brasil, mas sim em casas espaçosas, com pátios grandes, ar condicionado central, sem grades e com as janelas abertas?

Qualquer pessoa sonha com uma condição semelhante a esta: sair na rua pedindo qualquer tipo de emprego e dentro de 30 dias ter uma condição de vida como a citada acima, com conforto e dinheiro sobrando. Aqui você está atacando o coração do interlocutor.

Se antes ele estava em dúvida pensando, agora está paquerando o capitalismo.

3. 3. DEBATE TÉCNICO:

Esta fase pode ou não ocorrer. Nesta fase, você, sendo o caso, discutirá de forma mais técnica. Discutirá o livre mercado, relações trabalhistas, regulação de meio ambiente, aborto e afins.

Esta fase destina-se aos debatedores mais avançados, aqueles que já estão na fase de citar países nórdicos como exemplos de socialismo e “ajuda ao próximo.”

Para os debatedores em início de carreira, minha sugestão é que você sempre discorde do interlocutor.

O interlocutor, que obviamente não é ainda liberal-conservador, está enraizado com aqueles chavões típicos. Exemplo: no liberalismo não há direitos trabalhistas e a empresa paga o que quer. No liberalismo não há ajuda do governo e é cada um por si.

Como ele é da esquerda ou neutro, a visão dele sempre será de que o liberalismo é ruim. Então, psicologicamente falando, no momento em que ele, de forma inconsciente, parte da premissa de que o seu sistema é de exploração desumana, e você simplesmente sinaliza com um sim, você está afastando ele de você.

Diante de um interlocutor desta natureza, seja inteligente: discorde de tudo o que ele fala e faça-o concordar com você.

O efeito psicológico desta estratégia é mais eficaz do que ser “educado e legal” discordando um pouco e concordando outro pouco.

Para debatedores mais profissionais, podemos, e devemos, adentrar no debate técnico (depois de começar com as outras fases citadas acima).

Depois que iniciamos as fazes acima, agora é só uma questão de vencer o debate e trazer o esquerdão para o nosso lado. Adianto que sou favorável a um debate educado sem a paranóia de “vencer,” sendo muito mais inteligente e evoluído não exatamente vencer, mas sim, trocar ideias e conhecimento. Eu prefiro este tipo de debate, mas isso se aplica somente entre conservadores e liberais. Entre nós e a esquerda, o debate deve ser pela disputa, trincheiras, guerrilha, pois, ainda que não consigamos trazer o esquerda para cá, ao menos (provavelmente) haverá muitas pessoas observando o debate, e isso é positivo. Por isso precisamos vencer, ou ao menos, parecer que vencemos.

Para isso, em primeiro, lembre-se de que não há um conceito unânime do que é o liberalismo, o que facilitará sua vida pois deixa você mais maleável.

Em segundo, diante de um debate, por exemplo, sobre direitos trabalhistas, diga que não, não é preciso mexer na CLT para aplicar o liberalismo; que os direitos trabalhistas são apenas um item dentro de uma cesta de itens; que muito mais importante do que mexer em CLT é a abertura dos mercados (não esqueça: discorde do que ele fala).

Em terceiro, se o interlocutor falar sobre ajuda do governo e citar os países nórdicos como exemplo, diga que eles estão nas primeiras posições no ranking mundial de liberdade econômica, ou seja, são países muito mais liberais do que socialistas. E o fato de fornecerem ajuda, apenas confirma que no liberalismo não é cada um por si, e que isto se enquadra dentro daquilo que chamamos de Estado de Direito.

O importante é apenas não concordar com o interlocutor, e mesmo que ele esteja falando alguma verdade, de que não há direitos trabalhistas por exemplo, simplesmente lembre que o mais importante para o liberalismo é a abertura econômica e que mexer na CLT não é o ponto principal desta corrente econômica; e quem disse alguma coisa ao contrário evidente que não se trata de um liberal entendido no assunto (lembre-se que o liberalismo prega a livre “economia” e não a livre “contratação”).

Em suma, você primeiro preparou o terreno provocando uma reflexão (afinal, é a passagem que está cara ou é o brasileiro que ganha pouco?). Com isso, o interlocutor ficou pensativo.

Neste intervalo, você atacou dizendo que no capitalismo qualquer um vive bem (se ele tiver dúvidas e estiver ao seu alcance comprove o que diz acessando o Google Street View e mostre as ruas do Brooklyn para ele ter uma ideia do padrão de pobreza capitalista).

Nós todos sabemos que os eleitores do PT, em sua maioria esmagadora, passaram da fase da lavagem cerebral e adentraram na fase da hipnose, de modo que eu particularmente considero uma grande vitória quebrar este transe e deixá-los pensando ou mesmo aticados pelo capitalismo.

Este trabalho de esclarecimento deve ser feito de forma inteligente mas sobretudo, de forma sólida.

Por isso, muito mais importante do que convertê-los ao liberalismo, é simplesmente tirá-los da esquerda ou da neutralidade.

Após esta primeira etapa, como não é fácil explicar toda uma corrente econômica, seja esperto e coloque ele mesmo a funcionar para ele mesmo, dizendo que, por mais que você queira explicar o liberalismo, ainda assim você não conseguirá; e que é fundamental que ele mesmo passe a pesquisar sobre o assunto.

Muito mais importante do que trazê-los para o liberalismo, é tirá-los da esquerda e torná-los uma cabeça pensante, pois assim ele poderá influenciar outros.

Por: Adalberto Bueno – Advogado trabalhista. Realiza planejamentos trabalhistas preventivos para empresas. É conservador tendo como principais influenciadores Milton Friedman, Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino, Ludwig von Mises, Arthur Schopenhauer, Balzac e Dostoiévski.

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