Em coletiva, Bendine anuncia redução de 30% dos cargos gerenciais em áreas não operacionais e diz que venda de ativos está a todo vapor


Bendine e Castro na coletiva

A FNP se reuniu com o RH da empresa na segunda-feira (25) e sequer foi informada que, na mesma semana, a Petrobrás anunciaria seu “Novo Modelo de Governança e Gestão”. Convocada praticamente no mesmo dia de sua realização, a coletiva de imprensa, realizada nesta quinta-feira (28/1), às 10h30min, era exclusiva a jornalistas nacionais e estrangeiros. Representantes sindicais não tiveram permissão para entrar no auditório do Edíficio Senado (EDISEN), mas o diretor do Sindipetro-RJ, Arthur Flavio Jansen Ferrari, conseguiu furar o cerco e apontar algumas questões importantes para os trabalhadores ao final da coletiva. Entre outras medidas, o presidente da estatal anunciou que dos 7.500 cargos gerenciais, 5.300 estão sendo avaliados. A redução de 30% destes, deve começar a partir de março. A expectativa é que as novas medidas gerem uma economia de R$ 1,8 bilhão por ano. O anúncio talvez chegue, se tanto, a acalmar o mercado, mas não diz muito aos trabalhadores que sabem que os principais problemas da empresa estão na venda de ativos e na privatização, reafirmadas por Bendine. Todas as decisões anunciadas foram aprovadas na reunião do Conselho de Administração da Petrobrás, realizada na quarta-feira (27/01), o que reforça, ainda mais, a importância da eleição para este Conselho que ocorre justamente durante esta semana. A FNP reforça a orientação de voto em seus candidatos.

Gaspetro e Transpetro

Sorridente e tranquilo, o presidente da Petrobrás disse que estava extremamente satisfeito e “realizava um sonho” ao anunciar, não só o “novo modelo de governança”, mas também a continuidade e aprofundamento da venda de ativos da empresa. Especificamente a respeito das notícias sobre a venda da Transpetro, Bendine disse que “o desinvestimento, diante da necessidade, está a pleno vapor. Não temos qualquer restrição quanto a modelos de negócios, temos a cabeça aberta para isso, o que também se aplica a qualquer subsidiária”. Ou seja, o que é “sonho” para Bendine, é um “pesadelo” para os petroleiros. O presidente da estatal disse, ainda, que a empresa passa por uma fase terrível e pediu resiliência (capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças).
Podemos lembrar ao presidente da Petrobrás que resiliência não vem faltando aos petroleiros e petroleiras que atravessam o maior processo de privatização da empresa, não receberam PLR, enfrentam milhares de demissões e ainda são ameaçados com punições por uma greve realizada em defesa da estatal. A história já demonstrou e ensinou que, para a classe trabalhadora, o melhor sinônimo de resiliência é a luta.
Já com relação a liminar concedida, na segunda-feira (25/1), pela Justiça Federal da Bahia, que determinou a suspensão imediata da venda de 49% da Gaspetro para a japonesa Mitsui, Bendine disse que a Petrobrás ainda não havia sido formalmente comunicada e que o negócio já havia sido fechado. “A liminar refere-se apenas a exigência de algumas documentações, acho que isso não trará qualquer prejuízo ao negócio já realizado. Se trouxer, a Petrobrás analisará o que fazer”.

Fusão de áreas e fases

De acordo com a apresentação realizada pelo Gerente Executivo de Estratégia e Organização, Antônio Eduardo M. de Castro, a reestruturação envolve a redistribuição de atividades, a fusão de áreas e a revisão do modelo decisório. Um dos objetivos centrais, disse o gerente, é ampliar os mecanismos de controle e conformidade.
A primeira fase da reestruturação resultará na redução de 14 funções na alta administração. De acordo com Castro, o número de diretorias cairá de 7 para 6, com a junção das diretorias de Abastecimento e Gás e Energia. As funções gerenciais ligadas diretamente ao Conselho de Administração, ao presidente e aos diretores cairão de 54 para 41. Prevista para fevereiro, a segunda fase da reetruturação, tratará das demais funções do corpo da empresa. As novas nomeações e a alocação de equipes ocorrerão a partir de março e, até lá, cada gerente ainda responderá por suas atuais funções.

Diretor do Sindipetro-RJ faz cobra transparência e democracia

“Meu nome é Arthur Ferrari, sou diretor da AEPET, sou diretor do Sindipetro-RJ e gostaria de fazer uma pergunta. Como cidadão brasileiro, temos o caso da Lava-jato que se tornou público e vexatório para todos os empregados. Qual é a lição que a Petrobrás pode gerar a respeito da transparência de seus atos para o púlico? Por exemplo, a Ouvidoria, não dá segurança a nenhum empregado para que faça qualquer denúncia e que seu anonimato seja assegurado. O senhor veio da PREVI e lá os diretores são eleitos. Na Petros não são eleitos. As diretorias de imprensa dos sindipetros, do sindicato dos engenheiros, devem ser convocadas para atividades como essas”. Bendine interrompeu a fala de Ferrari, afirmando que o canal de denúncia da empresa tem total segurança. O diretor do Sindipetro-RJ continuou seu protesto dizendo que existem perguntas que todos os cidadãos brasileiros querem fazer e que não foram respondidas aqui hoje. Durante toda a coletiva, o Sindipetro-RJ realizou protesto em frente ao Edifício Senado.

Responsabilização e conformidade

Durante a coletiva, foi explicado que serão criados seis Comitês Técnicos Estatutários compostos por gerentes executivos que terão a função de analisar previamente e emitir recomendações sobre os temas a serem deliberados pelos diretores, que serão corresponsáveis nos processos decisórios. A medida parece ter por objetivo, blindar a diretoria da empresa.
Já para a designação de gerentes executivos, haverá novos critérios de análise de integridade e da capacitação técnica e de gestão. Além disso, caberá ao Conselho de Administração aprovar as nomeações e desligamento para estas funções. Como o C.A é controlado por acionistas privados à serviço do grande capital e pelo governo, da mesma forma à serviço deste, essa medida acaba não fazendo muita diferença. Contudo, em plena campanha para o CA da Petrobrás e Transpetro, devemos reforçar a necessidade da eleição de candidatos independentes, com autonomia diante da empresa e que defendam os interesses dos petroleiros e petroleiras. É por isso que a FNP indica o voto em seus candidatos ao CA, tanto na Petrobrás como na Transpetro.

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