A critica de Karl Marx ao Anarquismo


Como se sabe, o Anarquismo é um sistema filosófico que prega o fim do Estado e doutras instituições que normatizam a vida do homem, tais como a família, a Igreja, o Partido Político etc. Argumentam seus adeptos, que todas as formas de governo interferem negativamente na liberdade individual e que por isso devem ser substituídas pela cooperação entre os cidadãos.

Para MARX, essa visão ingênua de se acabar com o Estado por decreto não se sustenta por sua própria ingenuidade. Por se imaginar utopicamente que o homem deixe de ser comandado pelo seu egoísmo animal, para se tornar um Ser orientado apenas pelo sentimento fraternal.

Por isso, para ele não se deveria propor o fim do Estado, mas, sim, o fim das iníquas condições socioeconômicas que o fazem ser necessário enquanto instrumento de opressão que a “Classe Dominante” utiliza a seu bel prazer, como ferramenta de pressão e sempre com o intuito final de preservar o poder e as benesses do mesmo.

Para MARX, acabando-se com a injustiça social, o Estado deixará de existir naturalmente.

MARX, PROUDHON e o Anarquismo.

O Filósofo PROUDHON, em defesa do Anarquismo, escreveu uma importante obra intitulada A Filosofia da Miséria”.

Porém, pelas razões expostas, MARX discordou dessa tese e compôs uma antítese que jocosamente chamou de “Miséria de Filosofia” em alusão ao suposto “primarismo intelectual” que norteariam as propostas anarquistas. Nessa obra, MARX, além de censurar o pensamento Anarquista de PROUDHON, também crítica o “Blanquismo*” por sua visão elitista sobre o Partido e, também, por sua tendência autoritária e superada.

NOTA do AUTOR – *Blanquismo, neologismo derivado do nome próprio de LOUIS BLANC, socialista e anarquista francês.

E ainda nessa linha de contraponto, MARX se posiciona a favor do “liberalismo político e econômico”, mas tomando o cuidado de esclarecer que tal regime não seria a solução definitiva para o proletariado, servindo apenas como sustentação para o processo de maturação das Forças Produtivas (ie, os Trabalhadores) e de homogeneização da condição do proletariado em todo o Mundo. Homogeneização, ou uniformização que seria gerada colateralmente pela internacionalização do Capital.

E de fato o seu prognóstico vai se concretizando com a Globalização da Economia e com as empresas Multinacionais que geram a uniformidade no comportamento de seus empregados e de seus clientes nas mais diversas regiões do Globo.

Não é raro, por exemplo, que um trabalhador hindu tenha os mesmos desejos que um brasileiro, ou um estadunidense. E não será raro que num Futuro próximo as demandas dos mesmos sejam tão iguais que não se poderá mais diferenciá-los pela nacionalidade.

Por linhas que talvez não tenham sido previstas pelos “Capitalistas”, vê-se que paulatinamente forma-se uma Consciência de Classe no proletariado internacional.

Como se fosse por ironia da história, observa-se que é o próprio Capital que está promovendo e materializando o slogan marxista: “Trabalhadores do Mundo, uni-vos!

 

Produção e divulgação de TANIA BITENCOURT, rien limitée, do Rio de Janeiro, no inverno de 2013.

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