A globalização é uma americanização do mundo


A globalização 

é 

uma americanização do mundo

http://www.sindipetro.org.br/101/b1195/1195.pdf

O embaixador da Líbia no Brasil falou sobre os interesses dos EUA e da Europa no bombardeio e afirma

que seu país é governado por um sistema de democracia direta baseado em conferências populares

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

alem Omar Zubeidy contou 

que o primeiro levante, ocorrido

no dia 17 de fevereiro,

em Benghazi, na parte Leste

do país, foi planejado com a

colaboração da CIA, que in-

O embaixador da Líbia no Brasil falou sobre os interesses dos EUA e da Europa no bombardeio e afirma 

que seu país é governado por um sistema de democracia direta baseado em conferências populares

os fenícios, continuou com os romanos, turcos, 

espanhóis e os italianos

”, disse, lembrando 

que uma das lutas mais difíceis travadas

pela Líbia foi contra a colonização

italiana, que durou 132 anos. Em dezembro

de 1951, a Líbia tornou-se independente e

foi constituído um reinado, assumido pelo

Rei Idris I, que governou até 1969, quando

foi derrubado pela revolução liderada por

Muanmar Khadafi.

Segundo o embaixador, o reinado causou

muita insatisfação em vários segmentos

da população: “

ele concedeu cinco bases 

militares aos Estados Unidos, três à Grã-

Bretanha na parte leste e permitiu a entrada

na Líbia de mais de meio milhão de

italianos. O seu sistema de governo era

corrupto, as decisões políticas eram tomadas

fora do país pelos italianos que tinham

líbios trabalhando para eles em suas fazendas.

Isso causou muita insatisfação

”, 

afirmou, explicando que “

um ano após o 

golpe todas as forças estrangeiras foram

expulsas da Líbia e a direção da economia,

cujo monopólio era dos italianos, foi retomada.

A revolução nacionalizou os bancos

e as empresas estrangeiras, principalmente

as ligadas à indústria do petróleo

.” 

Para o embaixador a luta pela libertação

da Líbia era um movimento nacionalista

que pretendia servir de exemplo para

outros países colonizados tanto na África,

quanto no Oriente Médio. Segundo ele, foi

isso que levou a Líbia a financiar o movimento

palestino com verbas e treinamento

até que a Palestina decidiu conversar sobre

a paz com Israel: “

o Governo líbio se recusa 

a reconhecer Israel como um Estado nacional,

não pelo fato de serem judeus, mas

porque consideramos um Estado que está

invadindo parte dos países árabes. Apesar

de os palestinos estarem conversando com

Israel que ainda está bombardeando casas

na Palestina. Não existe nenhuma intenção

de paz”,

afirmou. 

ARMAS DE DESTRUIÇÃO 

– Segundo o 

embaixador desde 1988, o Governo líbio

não ajuda mais a programas ligados a esse

tipo de armamento: “

a decisão de abandonar 

os programas de armamentos foi baseada

na cooperação com o ocidente. Em

troca eles nos dariam energia para fins

pacíficos e ajuda em projetos econômicos.

Além dos programas de cooperação com

outros países africanos, assinamos vários

acordos com o Ocidente, Oriente e América

Latina, incluindo o Brasil

”. 

Mas o embaixador salientou que mesmo

a Líbia tendo desistido dos programas de

armamentos, permitido a entrada de investidores

estrangeiros e promovendo a liberdade

de expressão, “

o mundo ocidental inventou 

um novo motivo para atacar o país,

porque expulsamos as bases estrangeiras

do nosso território

”. De acordo com ele, 

ao afirmar que para os líbios, a cooperação

Sul-Sul deveria ser tão forte quanto a do

Norte e ao propor o uso de recursos para

esse desenvolvimento, Kadafi não estava se

confrontando a Organização do Tratado do

Atlântico Norte (Otan): “

Ele propôs uma 

cooperação em relação à segurança e à

paz no Sul. No ano passado promovemos

mais de três cúpulas na Líbia nesse sentido.

Uma entre os países árabes, um encontro

da Europa com a África e a cúpula com os

países asiáticos

”, afirmou Zubeidy, anunciando 

que em setembro deste ano haverá

na Líbia, uma cúpula da África com a América

do Sul. Uma das propostas que será apresentada

pela Líbia é a criação dos Estados

Unidos da África, “

um órgão para cuidar 

dos assuntos externos de interesse dos

países do continente, com um banco central

e uma força militar própria para cuidar da

defesa. Na última cúpula da União Africana,

Khadafi já se manifestava em favor da

criação dos Estados Unidos da África, visando

a melhorar a competição com outros

hemisférios. Uma vez que esse tipo de Governo

venha a se tornar mais competitivo

com os Estados Unidos, eles teriam menor

poder político

”, disse o embaixador. 

REINVENTANDO O ÓDIO 

– Para o embaixador 

líbio as críticas de Khadafi a ONU

contribuíram para que se “

reinventasse o 

ódio contra ele

”. Lembrando as rebeliões 

deflagradas na Tunísia e no Egito, o embaixador

disse que os levantes semelhantes que

ocorreram na Líbia são fruto de uma conspiração:

não sabíamos que as intenções 

com relação a nós eram piores do que na

Tunísia e no Egito. Foi uma conspiração

iniciada em 2009, depois do discurso de

Khadafi na ONU. O verdadeiro motivo é

calar o seu sistema

”, disse, afirmando que 

não dá para comparar as motivações das

rebeliões que ocorreram na Tunísia e no Egito

com o que vem acontecendo a Líbia.

“As 

populações daqueles países não têm sido

atendidas nas suas necessidades básicas, e

por isso estão lutando por melhores condições

de vida. Na Líbia é diferente. As condições

são melhores e os padrões de vida

da população são mais altos. Basta olhar

os índices econômicos internacionais e comparar

com os da Líbia que são considerados

os melhores da África e do mundo árabe,

incluindo que a saúde e a educação são gratuitas.

Os líbios estão orgulhosos do seu

país

”, afirmou Salem Omar Zubeidy . 

CONFLITOS 

– Em relação aos conflitos em 

Benghazi, o embaixador líbio disse que

havia um acordo para que fosse evitado um

massacre de civis na parte Leste do país, e

que caberia ao Conselho de Segurança da

ONU estabelecer uma zona de proteção,

mas o acordo não foi cumprido.

O diplomata negou que aviões líbios tenham

feito ataques a alvos civis em Benghazi

que é responsabilidade do Estado

manter a ordem no país. Ele disse que o

Governo da Líbia descobriu há uma semana

o envio aos rebeldes de armamentos militares

vindos do exterior: “

os rebeldes invadiram 

as cidades onde estão as refinarias

de petróleo, os portos e as regiões do

oeste da Líbia. Quando descobrimos a

conspiração queríamos libertar essas

cidades

”, declarou. Para o embaixador infelizmente 

esses fatos não são mostrados

pelos veículos internacionais: “

o que inicialmente 

começou como uma zona de exclusão

aérea é agora um bombardeio diurno

e noturno da Líbia. Houve inclusive uma

tentativa de assassinato do irmão do

Khadafi, para promover o controle do país

e do Mediterrâneo

”, declarou Zubeidy. 

O embaixador disse que o Governo líbio

espera que a situação seja resolvida através

de acordo intermediado pela União Africana,

com apoio da União Européia, ONU e da Rússia:

não aceitamos imposições do Conselho 

de Segurança da ONU, mas se houver

pressão eles terão que ceder. Querem o Khadafi

fora do país, mas o líder não sairá porque

não fez nada de errado e ninguém tem

autoridade para ditar-lhe a saída. Somente

os líbios podem decidir sobre qual é o sistema

que deve vigorar na Líbia

”. 

PERGUNTAS 

– Ao final da palestra o embaixador 

respondeu às perguntas dos presentes.

Sobre a onda imperialista liderada

pelos Estados Unidos, iniciada nos anos 90,

Zubeidy respondeu que o seu Governo acredita

que a globalização é na verdade “

uma 

americanização do mundo

”, onde os 

países menores não podem sobreviver.

Sobre a utilização da riqueza do petróleo

para o bem-estar social do povo líbio, o embaixador

reconheceu que o petróleo gera

lucros e explicou que grande parte dos recursos

vão para o banco central da Líbia,

que não faz parte da associação dos bancos

centrais internacionais. Segundo ele, o dinheiro

proveniente do petróleo é usado para

o desenvolvimento do país. Disse que Líbia

é um país rico, mas que com as rebeliões,

está sob embargo e teve seus recursos

financeiros no exterior congelados pela. Ele

criticou a medida, adotada pela Otan, afirmando

que isso faz parte de uma articulação

dos líderes do movimento rebelde para se

apropriar desse dinheiro sob a alegação de

que “

tudo é propriedade de Khadafi. A oposição 

quer que os EUA e o ocidente descongelem

o dinheiro do povo líbio para entregar

a eles. Eles abriram um banco central

em Benghazi antes de terem um governo, e

se estão falando de direitos humanos e democracia

esse conselho transitório não é

democrático, não foi escolhido pelo povo,

não houve eleições, eles se auto-proclamaram,

e estão controlando a parte leste”.

Indagado sobre se com a saída de Khadafi 

do poder a proposta de criação de um

governo federal africano se tornaria uma realidade,

o embaixador Líbio respondeu que

a manutenção de Khadafi é fundamental

para essa tomada de decisão, até porque,

ele tem apoio da maioria das populações 

africanas. Muitas pessoas da África vêm

para a Líbia defender Khadafi. Muitas tribos,

reis, nações querem vir para ao país

ajudá-lo. Hoje de manhã (terça-feira, 24 de

maio) vi na televisão uma conferência de

africanos na Líbia pedindo armas para defender

a Líbia, homens e mulheres, eles querem

ser como os líbios, porque os líbios foram

treinados para se defender.”

centivou os rebeldes que foram “ 

às delegacias 

e aos quartéis para roubar armas

pesadas e promover a rebelião contra o

sistema

”. Segundo o embaixador, na parte 

Leste da Líbia reside a maioria islâmica do

país e grande parte dos opositores ao Governo

de Khadafi que moravam nos Estados

Unidos, tornaram-se agentes da CIA e

retornaram à Líbia.

O complô norte-americano contra o Governo

de Khadafi também utilizou a internet,

segundo Salem Omar Zubeidy. O embaixador

afirmou que a CIA financiou algumas

páginas na internet com mensagens contra

o governo líbio. Disse que investigações

mostraram que as mensagens vinham de

pessoas de diferentes partes do mundo que

recebem financiamento da CIA: “

No nosso 

esforço de abertura nacional, e abertura

também para a opinião pública, tínhamos

a internet aberta a todos. Nós pensávamos

que a maioria das pessoas eram líbios que

viviam no exterior e que desejavam abrir

uma nova janela para a expressão da Líbia.

Mas nós descobrimos que essas pessoas

estavam trabalhando com a CIA.”

O embaixador contou que após a chegada 

de Khadafi ao poder, em 1969, muitas

das pessoas que atualmente lutam contra

o seu governo se transferiram para os

Estados Unidos, inclusive membros da Irmandade

Islâmica que tentaram implantar

um regime islâmico na Líbia, embora Khadafi

já tivesse tomado algumas medidas encaixadas

em seus princípios religiosos,

como a proibição ao álcool e o fechamento

de bares: “

alguns eram do partido de Saddam 

Hussein, mas queriam controlar o

país. Deixaram a Líbia e retornaram agora

para fazer parte da rebelião.

” 

Para o diplomata, ao contrário do que

afirmam observadores internacionais, o

Governo de Muanmar Khadafi, que completou

42 anos no poder, deixa a autoridade

legislativa e executiva nas mãos do povo:

politicamente, desde 1977, o país é controlado 

pelo povo líbio, por meio das Assembléias

Populares que tomam as decisões

legislativas e os Comitês Populares, que são

selecionados livremente pela população.

São esses organismos que tomam as

decisões de organizações de base, em níveis

local, regional e nacional

”, afirmou. 

O embaixador também criticou a Organização

das Nações Unidas (ONU): “

ao 

deixar que o Conselho de Segurança das

Nações Unidas delibere sobre as resoluções,

dá uma demonstração de que não está apta

a lidar com a segurança e a paz no mundo

”, 

e deu como exemplo o assassinato de líderes

na África e na América Latina: “

nesses casos 

a ONU nada fez, e isso acontece desde 1945.

A organização foi inoperante na prevenção

contra guerras, nunca solicitou investigações

nos países ocupados

”. 

INVASÕES 

– Salem explicou que a Líbia fica 

no centro das civilizações”, ligando a 

Ásia à América Latina e a Europa à África, e

sempre sofreu invasões de diferentes civilizações.

Para ele, apesar de enriquecer a cultura

local, “

as relações com os estrangeiros 

nem sempre foram amistosas: devido à

importância da Líbia no continente africano,

os invasores queriam usar o país como

fornecedor de recursos. Isso aconteceu com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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