Para delegado do caso Amarildo, práticas da ditadura estão voltando


Amarildo de Sousa está desaparecido após ser abordado por policiais no RJ.
Zarccone investigou o caso durante 15 dias, depois passou relatório para MP.

Gilcilene Araújo Do G1 PI

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O delegado titular do 15º DP da Gávea no Rio de Janeiro, Orlando Zaccone, falou sobre o relatório que apresentou ao Ministério Público a cerca do desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido desde 14 de julho, após ter sido abordado por policiais na Rocinha, Zona Sul do Rio. Zarccone está em Teresina para participar do seminário sobre políticas de combate às Drogas, que acontece nesta quinta-feira (8) no auditório do Ministério Público.

Para ele, o modelo usado durante a ditadura militar está voltando.“Só acharam imagens dele entrando na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). E as imagens dele saindo, cadê? Acredito que ele tenha deixado o local dentro de um carro porque não há uma imagem sequer do Amarildo saindo da Unidade. Estamos retornando ao modelo usado durante a ditadura militar”, diz.

“As práticas da ditatura militar estão voltando”, diz delegado sobre desaparecimento de Amarildo (Foto: Jaqueliny Siqueira/G1)“Estamos retornando ao modelo usado durante a ditadura militar, diz Zaccone (Foto: Jaqueliny Siqueira/G1)

O delegado confirmou ainda que recebeu informações sobre o caso através do ex- delegado-adjunto Ruchester Marreiros, mas disse que não concordou com o pedido de prisão da esposa do ajudante de pedreiro, Elisabete Gomes da Silva. Ele considera que não havia elementos suficientes que comprovassem o envolvimento de Amarildo e da esposa dele com os traficantes da Rocinha.

“Considero muito prematuro dizer que Elisabete tem envolvimento com o tráfico de drogas. Se Marreiros fez um levantamento da região e tinha suspeita de que Amarildo era envolvido com tráfico, por que ele não disse antes? Por que não indiciou e nem pediu a prisão dele?”, questiona.

Orlando Zaccone justifica o fato dele não ter incluído no relatório as informações do delegado Ruchester Marreiros. Segundo ele, não havia elementos que comprovem que o “Boi”, traficante do Rio de Janeiro, seja o apelido de Amarildo.

“O Boi não é mesmo Amarildo. A casa do ajudante de pedreiro é pequena e não vou compactuar com isso. Não vou aceitar desqualificarem uma família porque ela mora perto de traficantes”, justifica o delegado.

O pedido de prisão temporária de Elisabete foi feito durante uma operação chamada “Paz Armada”, deflagrada um dia antes do sumiço de Amarildo. A Delegacia de Homicídios (DH) continua investigando o caso.

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