Especialista alerta para sinais de assédio sexual


Sargento da PM explica que o pedófilo começa agindo de forma sutil, com pequenos gestos e toques, até ter domínio sobre a criança.

Sargento Tânia Guerreiro: ‘‘As crianças precisam saber o que é certo e o que é errado, para isso é fundamental o diálogo com os pais’’

O afastamento de um professor suspeito de assédio sexual contra estudantes de uma escola de Londrina, na terça-feira, serve de alerta para que pais e educadores fiquem atentos. Independente do grau de envolvimento da pessoa com a criança, especialistas garantem que pedofilia pode se caracterizar por pequenos toques ou mesmo pela intenção de ter algum tipo de relação sexual com a criança.

A coordenadora do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), sargento Tânia Maria Guerreiro, salienta que educadores e familiares devem observar as atitudes dos profissionais que lidam com a criança. Segundo ela, os pedófilos começam agindo de forma sutil, com pequenos gestos e toques, confundindo a criança, até que consiga domínio total sobre ela. Ela atua há mais de 20 anos no combate à pedofilia.

´´Aquela tia que fica no pátio da escola o tempo todo, inclusive nos intervalos, e consegue ter uma ampla visão de tudo o que está acontecendo é uma figura extremamente importante. Ela tem como observar o comportamento dos profissionais e também dos alunos. Normalmente, quando a criança está sofrendo algum tipo de assédio, ela tem seu comportamento alterado e isso pode ser observado´´, disse sargento Tânia.

No caso registrado em Londrina, pais de alunos relataram na Promotoria da Vara da Infância e Juventude que algumas crianças estariam indo de chinelos na escola para não fazer educação física. Segundo ela, esse é um tipo de comportamento que deve ser imediatamente investigado. ´´O pedófilo não tem pressa, ele vai agir devagar e esperar momentos em que poderá ficar sozinho com a criança´´, reforçou.

A coordenadora do Proerd informou que escolas da rede pública de Curitiba adotaram um procedimento simples, mas eficiente. Foi colocada uma caixinha nas salas de aula para que os alunos, mesmo anonimamente, denunciem qualquer tipo de situação que não achem normal. ´´As crianças precisam saber o que é certo e o que é errado, para isso é fundamental o diálogo com os pais´´, acrescentou.

Sargento Tânia informou que, apesar de casos de assédio serem registrados em escolas, o mais comum ainda é dentro de casa. ´´Cerca de 90% das mães são coniventes porque muitos casos são cometidos por padrastros, pais ou tios e outros parentes da própria criança. Por isso é importante que haja a denúncia´´, afirmou. ´´É preciso haver o combate à pedofila. O Estado do Paraná está há mais de cinco anos tentando inserir a pedofilia no Código Penal como crime hediondo. Precisamos de 1 milhão de assinaturas, por isso, quanto mais houver divulgação, mais rápido podemos conseguir atingir esse objetivo.´´

A maior parte dos casos de violência contra crianças e adolescentes registrados pelo Disque Denúncia (100) é de violência sexual. Entre maio de 2003 e fevereiro deste ano, o serviço recebeu e encaminhou 57.664 denúncias de todo o Brasil e conseguiu separar e classificar 49.599 em tipos de violência. De acordo com dados do relatório divulgado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), cerca de 19% delas refletem casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes, 13% de exploração sexual comercial e 0,56% de pornografia.

FIQUE ALERTA

Assédio sexual
– Até os 5 anos de idade a criança pode achar que o assédio é uma ação normal do adulto

– É importante ganhar a confiança do filho por meio do diálogo

– Fale com ele sobre pedofilia, explique que ninguém pode tocá-lo nas partes íntimas e que se isso acontecer, para que ele o avise

– A criança precisa saber como o pedófilo age: diga para ela não acreditar em promessas e ameaças de ninguém

– Converse com a criança sempre quando volta da escola, pergunte sobre como foram as aulas e que tipo de brincadeiras ele participou

SINAIS

– Queda do rendimento escolar, repetência
– A criança passa a não fazer mais as lições de casa, não se interessa pelas matérias

– Não brinca mais

– Não participa dos grupos de amigos
– Evita sair para o lanche, se isola
– A criança abusada tem dificuldade de sentar
– Fica mais chorona, depressiva
– Passa horas debaixo do chuveiro
– Come compulsivamente ou deixa de comer
– Se automutila
Denuncie:
Disque-Denúncia da PM – 181 (Estado do Paraná)
Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes – 100 (Brasil)

Fonte: sargento Tânia Maria Guerreiro, coordenadora do Proerd

 

Autor: Fernanda Borges
Fonte: Folha de Londrina – PR

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