A alma humana imortal possui grande número de aspectos e facetas externas


 
 
 

A teosofia é uma psicologia. Ela constitui uma “ciência da alma” e é chamada nas Cartas dos Mahatmas de psicologia asiática.

A teosofia clássica é científica. Segue o método experimental, ainda que não esteja presa a ele, e se baseia em fatos. Ela faz parte da tradição da  Raja Ioga, que lida com realidades e despreza ideias não examinadas e não verificáveis.

Muito antes de Sigmund Freud, a psicologia entendida como conhecimento da alma e comoconhecimento do caminho para o contato ampliado com a alma imortal  já fazia parte da filosofia clássica ocidental e oriental.

Apesar de diferenças culturais e de nomenclatura, a investigação e o conhecimento da alma são ensinados em Platão, Epicteto, Cícero, Sêneca, Porfírio, Plotino, Schopenhauer, Montaigne e outros pensadores de todos os tempos e países, assim como no taoismo, no budismo e no hinduísmo.

Infelizmente, os setores dominantes da psicologia comercializada do século 21 ignoram que existe uma alma imortal e, portanto, também não sabem como se poderia ampliar o contato com ela. Para a psicologia materialista, o cidadão é um consumidor e ele deve pagar com seu cartão de crédito por uma muleta e um alívio momentâneos. É conveniente, do ponto de vista do mercado, que o consumidor permaneça na dependência da chamada terapia.

As Psicologias Que Parecem Espirituais e Não São

Um certo número de autores escreve sobre psicologia abordando nominalmente o tema espiritual, enquanto se negam a apontar e diagnosticar a psicopatologia da sociedade mercantil que hoje asfixia o espírito humano. Nisso abandonam o pensamento ético e profundo de Sigmund Freud. Exemplos destacados desta infelicidade coletiva são Carl Jung e vários dos seus seguidores.

Os pensadores pseudoespirituais da psicologia talvez sejam mais nocivos que o materialismo puro e simples, porque desorientam aqueles que estão aptos para uma busca mais profunda.

No outro extremo estão os psicólogos que veem toda  e qualquer preocupação espiritual intensa como uma psicopatologia e uma doença a ser extirpada. A lenda de Jesus no Novo Testamento, se fosse examinada desde o ponto de vista da psicologia superficial, seria definida como a história de um narcisista com delírios de grandeza: um caso típico de messianismo, e provavelmente uma compensação emocional diante de problemas como o Pai Ausente e Pai Desconhecido. Um resultado da perseguição sofrida na primeira infância e da relação conflitiva com o pai adotivo, José.
Já a lenda oriental de Gautama Buddha conta que ele abandonou sua mulher e o primeiro filho recém-nascido.
Isso é no mínimo estimulante para o psiquiatra convencional, que poderá enumerar  as patologias de alguém que deixa de lado sua bela mulher e uma criança recém-nascida para ir viver na floresta e  meditar em busca de uma suposta “libertação interior”.
Eis então alguém que,  ao invés de assumir a paternidade e cumprir seus deveres profissionais e familiares, opta por “salvar a humanidade”.  Num enfoque superficial, a atitude de Buddha na lenda da sua vida “não é normal”. Sua teoria sobre o Vazio (Sunya) pode ser vista como a racionalização de um sentimento depressivo, cuja solução moderna seria levar uma receita de psiquiatra até a farmácia mais próxima.
O que dizer de Giordano Bruno, Paracelso e outros místicos das mais diferentes nações?  Na sua juventude, São Francisco de Assis foi literalmente catalogado como louco por seus contemporâneos, segundo a lenda da sua vida. Tudo o que foge à mediocridade míope é visto como “anormal”.

Segundo alguns doutores em psicologia, o ser humano normal é aquele que renuncia à ética para ficar rigorosamente neutro e “a favor do status quo” diante das questões éticas, espirituais e filosóficas. Esta é a realidade denunciada por Erich Fromm em seus textos sobre ética e psicanálise. O pensador José Ingenieros denunciou o mesmo fato em um best-seller do século vinte intitulado “El Hombre Mediocre”.

As Psicologias Compatíveis Com a Ética

Psicanalista e autor de renome mundial, Erich Fromm escreve que psicoterapia  mercantil  limita-se a adaptar os cidadãos à mediocridade. Ele demonstra que a adaptação à ignorância coletivamente organizada não é saúde. Ainda assim, o objetivo de alguns psicólogos e psiquiatras  parece ser “normalizar” o cidadão com ajuda de drogas antidepressivas. Em grande número de situações, a psicologia atual insiste em fugir das questões de fundo que dizem respeito ao bem-estar emocional do ser humano.

Desde um ponto de vista filosófico, o bom terapeuta profissional é aquele que transcende o amor ao dinheiro e transmite independência ao paciente. Devem ser reforçados os processos de crescimento psicológico que dispensam a terapia profissionalizada. Como estratégia de longo prazo, o correto é o caminho do autoconhecimento, do autorrespeito e do autocontrole, que leva à autolibertação. A solidariedade deve estar ao lado da independência.
Erich Fromm não está só: outros pensadores da psicologia cujas obras confluem com a visão de mundo teosófica são Viktor Frankl, Karen Horney e Rollo May. Vários aspectos centrais da obra de Sigmund Freud têm interesse teosófico num plano relativamente abstrato.
Desde um ponto de vista prático, o leque de possibilidades emocionais nos padrões de relacionamentos humanos é muito variado. A análise transacional constitui uma abordagem simples, profunda e útil diante do problema.

A alma humana imortal possui grande número de aspectos e facetas externas. A vida humana ocorre através de interações, e o esquema criado por Eric Berne nos anos 1950 propõe modos práticos de estabelecer a justiça, o equilíbrio e a reciprocidade como princípios que guiam a vida diária e as relações entre as pessoas. Os conceitos da análise transacional são ferramentas especialmente úteis quando se trata de enfrentar o desafio teosófico da fraternidade universal.[1]

A Ação Que Previne o Sofrimento

A sociedade materialista gera injustiça social em grande escala e depois dá esmola para alguns dos marginalizados. Produz miséria em grande escala, e depois tenta combater a criminalidade que avança por todo lado.

Estilos de vida equivocados produzem doenças físicas para toda a população, e se expande então uma medicina que corre atrás da doença agindo no plano individual e visando lucro.

A sociedade materialista destrói o meio ambiente em proporções gigantescas, e em seguida trata de combater alguns dos efeitos da destruição com paliativos pouco eficientes, e sem remover as causas.

Através dessas situações, a ignorância socialmente organizada desrespeita a vida em grande escala, enquanto explora comercialmente a desgraça e o sofrimento de milhões. A intenção é adaptar o comportamento externo dos indivíduos às exigências da chamada convivência social e, mais precisamente, do mercado de capitais. No plano da psicologia e da psiquiatria, a lógica monetarista aponta para alimentar a indústria da saúde, cuja máquina aproveita a produção de milhões de novos doentes a cada ano para expandir seus lucros.

A teosofia rompe com este círculo vicioso. Ela propõe um enfoque global em que se pense o conjunto da civilização e o conjunto da vida de cada ser humano. Cabe produzir saúde e bem-estar a partir do autoconhecimento de cada indivíduo, nos termos da sabedoria universal presente nas diferentes religiões e filosofias que ensinam a ética do altruísmo. Esta mudança ocorre inicialmente em pequena escala e já começou. Surge com ela pouco a pouco uma nova economia.

Todo processo de curar é fundamentalmente uma autocura, e as terapias legítimas estimulam a autonomia e a autorrecuperação de cada ser.  A visão teosófica apoia mais a justiça social sistêmica do que a esmola isolada. Ela aplaude a preservação do meio ambiente e não tanto as medidas de mera regulamentação da destruição ambiental.

Ela propõe a homeopatia e outras formas suaves e preventivas de medicina, e não tanto a medicina agressiva. A teosofia original promove os hábitos saudáveis de vida.  Ela busca estimular o plantio do que é saudável e o contato de cada um com a sua própria consciência interior, e guarda certa distância das formas mais agressivas de psicoterapia, geradoras de dependência química e emocional.

Evitar o erro e plantar o correto é mais eficaz do que tratar de limitar o errado depois que ele já é uma dinâmica estabelecida. Embora as duas coisas sejam úteis, é recomendável saber onde está a maior eficácia. Uma dose de realismo permite que vivamos com a humildade necessária para enxergar a verdade e conhecer a nós próprios.

Para Paulo Freire, Somos Todos Iniciados

O ser humano é um ser em construção. Ele já se iniciou, e ainda é incompleto. Somos todos iniciados, e precisamos prosseguir nossa aprendizagem.

A lei da reencarnação nos permite caminhar para a plenitude em nosso ritmo natural: o tempo eterno está à nossa disposição. Sabendo disso, vivemos melhor aqui e agora e aproveitamos bem o momento presente. O educador Paulo Freire, cuja proposta pedagógica é teosoficamente correta, escreveu:
“Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser inacabado, mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele.” [2]
Assim como nós, os maiores sábios da nossa humanidade são seres em construção. Os Mestres de Sabedoria aprendem. A mudança cíclica é uma lei do universo, e nenhum ser está fora ou acima da lei. A expansão da consciência ocorre sem cessar em todos os pontos e aspectos do espaço-tempo infinito, expressando sempre a lei do carma e da harmonização constante.
NOTAS:
[1] Veja, por exemplo, o livro “Eu Estou OK, Você Está OK”, também publicado sob o título de “As Relações do Bem-Estar Pessoal”. Seu autor é Thomas A. Harris. Outros volumes interessantes são “Pais OK, Filhos OK”, de Dorothy Babcock e Terry D. Keepers, e “O Fantástico Mundo da Análise Transacional”, de Gilbert Garibal.
[2] “Pedagogia da Autonomia”, Paulo Freire, Ed. Paz e Terra, várias edições, Cap. 2, item 2.
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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.
Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.
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