AONDE VAI O SINDIPETRO-RJ? (PARTE 1)


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O desfecho do ACT, a luta contra o desmonte da Petrobrás, a atual condução política da entidade e… os antagônicos projetos frente à eleição sindical de abril

bandeirarj

Rio de Janeiro, 7/2/2017

Aos dirigentes do Sindipetro-RJ e da FNP
Emanuel Cancella e demais membros do grupo Unidade na Luta (também conhecido como “Tijolão”),
Roberto Ribeiro e demais membros do Grupo Independente (também conhecido como “Tijolinho”)

Ainda que o controle da máquina não tenha necessariamente relação com a representação na base, muitos de vocês têm um histórico de luta e hoje coordenam importantes secretarias do sindicato (como a Geral, Comunicação, Finanças, Aposentados e Jurídico, entre outras) e na FNP e, por essa importância na condução de nossas entidades, pedimos que leiam com atenção e reflitam, tão desarmados quanto permitam as desavenças acumuladas e a dureza do debate, sobre as considerações que passo a fazer.

Fomos surpreendidos, há alguns dias, por um email que convocava uma reunião para discutir a composição de uma chapa para a eleição do Sindipetro-RJ, que acontecerá em menos de três meses. O resumo da reunião foi a proposta de “13 diretores indicados por cada grupo”. Simples assim.

O grupo Petroleiros [BASE-RJ] CSP-CONLUTAS, um dos 4 grupos que compõem a atual gestão (junto com Tijolão, Tijolinho e QSQ) enviou representante na qualidade de ouvinte e com nada ali encaminhado pôde se comprometer,  pelos motivos que passamos a expor.

 

Por que não fazemos parte deste processo de formação de chapa?

1) A reunião NÃO começou com um balanço da gestão, com uma análise do porquê o sindicato tem perdido espaço na categoria, dos atropelos e mudanças de rumo político. Muito menos foi apresentada uma plataforma de gestão ou quais as medidas pensadas para mudar ou melhorar o sindicato.

A reunião NÃO começou com um debate sobre que direção sindical precisamos para melhor informar, organizar e mobilizar a categoria e a sociedade contra o desmonte da Petrobrás e os ataques aos direitos dos trabalhadores.

A ideia era apenas  formar uma  chapa de continuidade – e o sindicato continuaria seu rumo descendente e pouco útil às prementes necessidades de informação, organização e mobilização dos trabalhadores.

→  A primeira tarefa desta direção deve ser um balanço autocrítico sobre o afastamento do sindicato de seus representados e consequentemente o necessário esforço para mudar e melhorar a gestão.

2) O erro da  reunião começou na sua convocação e se confirmou na proposta apresentada, ao não considerar sequer os 4 grupos que hoje compõem a direção. Para vocês, a reunião tinha apenas um propósito: dividir os cargos entre os três grupos supostamente representados na reunião e fixar datas para montar a chapa. Que cada um permanecesse confortavelmente no seu quadrado, este era o espírito.

Entretanto, o erro mais grave é que a proposta vigente ignora completamente toda a camada de ativistas que surgiu no último período e que tem constituído vários movimentos de base em praticamente todas as unidades.

Essa proposta é justamente o contrário do que precisamos! É necessário apostar nesse processo de organização de base, na aproximação, na renovação de pessoas e métodos, no debate político saudável e respeitoso, na conexão com a base, na incorporação ao Sindipetro das lideranças locais mais reconhecidas pela base.

→  A formação da chapa deve ser um processo transparente e participativo, não a divisão de cargos entre grupos e partidos determinada pelos  “chefes” de cada agremiação. Se foi assim no passado, está na hora de mudar!

3) A prática cotidiana do “bloco” que hoje conduz a entidade – uma não assumida mas visível composição entre o grupo majoritário (Tijolão) e alguns membros do Tijolinho – conspira contra o progresso e a unidade. Senão vejamos:

a) Frente às diferenças na condução do ACT, alguns dirigentes irresponsáveis deste bloco, que estão entre os que hoje chamam a “unidade” (bem entre aspas!),  protagonizaram, nas assembleias, um espetáculo deprimente de truculência e manobras autoritárias, acompanhado por uma nota pública recheada de calúnias e agressões. Não queremos mais conviver com essas práticas. A categoria merece uma direção mais séria e preocupada com a base.

→  Chega de baixaria e divisão.

b) No último editorial do Surgente (jornal que deveria refletir a opinião da diretoria do sindicato e não de seu suserano), publica-se à categoria que nosso sindicato agora avalia que foi correta a realização do Leilão de Libra. Uma calamidade!, que só se explica porque o “presidente” do sindicato coloca a defesa do governo de então acima da independência política do sindicato, conceito pilar de nossa gestão e que para nós continua valendo. Para nós, o aparelhamento da entidade é um impeditivo programático.

→  Por um sindicato independente de governos, patrões,  partidos e candidatos

c) Se por um lado o Tijolão não demonstra nenhuma vontade de reverter – senão aprofundar! – o atual curso na direção da entidade, por outro, em relação ao Tijolinho, que, por sua representatividade em determinados setores, consideramos ter um papel importante em uma futura gestão, lamentamos que dirigentes recém ingressos ao grupo destacaram-se de tal  forma por uma prática desagregadora que impeliram uma camada de ativistas a não admitirem estar na mesma chapa que os mesmos. É disso que se trata o que estão chamando de “vetos” a determinados nomes (os quais optamos por não publicar, mas que são de conhecimento de todos).

→  Por uma chapa com aqueles que agregam e respeitam as diferenças políticas.

 

Resumindo: mais que fazer uma saudação à bandeira da “unidade da FNP”, há que se demonstrar vontade política para tal e isso não foi feito por quem conduziu a entidade nos últimos tempos.
O acima exposto resume o porquê de nós não participarmos destas reuniões de chapa e estarmos construindo outro processo para discutir a eleição do Sindipetro-RJ.

De qualquer forma – por achar importante a unidade nas futuras lutas e que para isso se preservem relações respeitosas, em especial no campo da FNP, e também porque, independente de configurações eleitorais, temos responsabilidade na gestão da entidade até o final do mandato – gostaria de explicitar e explicar melhor, no texto a  seguir, algumas de nossas principais discordâncias, algumas delas já resumidas acima.
Atenciosamente
Eduardo Henrique

 

O QUE NÃO QUEREMOS  PARA O SINDIPETRO-RJ

 

O QUE NÃO QUEREMOS  PARA O SINDICATO – 1

Sindicato como correia de transmissão da CUT/PT

Sentimos orgulho de nossa atuação nas gestões que construímos até aqui, em que pese todos os erros e limitações, justamente porque foi possível manter o Sindipetro uma entidade independente dos patrões, governos e partidos, em que pese haver dirigentes filiados ao PT, PCB, PSOL, PSTU e possivelmente outros partidos e também anarquistas ou simplesmente sem partido.

Entretanto, o grupo majoritário deu uma guinada e vinculou o sindicato à Frente Brasil Popular, ou seja, ao governo do PT ou à coalizão de partidos que o sustentava. A Campanha do Petróleo virou comitê de defesa do governo que já tinha leiloado Libra e iniciado a venda de ativos. No último Surgente (jornal que deveria refletir a posição do sindicato), Emanuel declara que se arrependeu de ter lutado contra o Leilão de Libra, que Dilma o fez  para proteger o pré-sal (?!) e que é “importante”(?) a “parceria”(!) com os chineses.

Pior q se apoderar do Editorial, prática antiga, é afirmar que esta é a opinião dos diretores do sindicato. Isto simplesmente não é verdade! Eu e vários outros diretores já nos rebelamos contra isso e exigiremos retratação e direito de resposta. DEFENDER O LEILÃO DE LIBRA E PARCERIA COM MULTINACIONAL?! Até que ponto vai a defesa irracional do PT?!?! Com que direito Emanuel publica suas opiniões pessoais no Surgente e faz o jornal de nosso sindicato espalhar mentira sobre a opinião dos demais diretores?

Seu livro, recém-lançado e em que pese que devemos prestar toda solidariedade contra a reação de Sérgio Moro e apesar do mérito de denunciar o tucanato, é também uma forma envergonhada de defender a liberdade para os corruptos do PT, já que os do PSDB não foram presos. Não  queremos mais ver nosso sindicato promovendo ato em homenagem a Zé Dirceu.

O sindicato deve seguir independente, deve lutar contra a privatização, seja pelas mãos de  FHC, Lula, Dilma ou Temer.

Por que FUP e CUT não vão às últimas consequências para derrotar o Governo Temer? Por que a greve petroleira foi sabotada e a Greve Geral não passa de discurso?

Primeiro, porque a política inicial, ao invés de lutar para derrotar Temer e defender o patrimônio público e estatal (incluindo a Petrobrás) e os direitos dos trabalhadores, foi propor que a motivação da greve seria para voltar o governo corrupto do PT. Os trabalhadores já não se dispunham mais a  isso e perdeu-se uma oportunidade de fazer uma forte greve unificada de inúmeras categorias.

Segundo,  porque depois de 13 anos de domesticação, não vai ser de uma hora para outra que vão conseguir botar gente na rua.

Terceiro, o mais grave, é porque viraram um sustentáculo dessa ordem corrupta. Seja Dilma, FHC ou Temer presidente, a  vida segue com sua própria lógica no parlamento. Apoiam os prefeitos e presidentes da Câmara e do Senado do PMDB e a vida  segue. A narrativa do golpe se esvai, a luta contra o “golpe” é só discurso para criar um clima favorável à eleição de Lula ou outro em 2018.

Frente à crise econômica e às exigências do grande empresariado, o PT está feliz em não estar no governo, porque senão teria ele mesmo que sujar as  mãos com os planos de austeridade. Assim, que o mundo se acabe, “porque em 2018 nós voltamos”, pensa a FUP e a CUT.

Nós não queremos este rumo para o Sindipetro-RJ. Queremos um sindicato que busque unificar a luta agora, para impedir que esses ataques se consolidem. A lógica do “quanto pior, melhor” para melhorar as chances eleitorais em 2018 é uma traição contra os trabalhadores e o povo brasileiro.

 

O QUE NÃO QUEREMOS  PARA O SINDICATO – 2

Baixaria e divisão, facilitando a vida da FUP, gestores e governo

Na semana passada, alguns fatos nos chamaram a atenção e mostraram que realmente a eleição já começou, de maneira muito ruim e com prejuízo para a categoria. Tijolão e alguns membros do Tijolinho se esforçaram para divulgar uma nota que, como o título da mesma diz, é uma vergonha. E com direito a charge (provavelmente custeada pelos cofres do sindicato), “abaixo-assinado” virtual e toda virulência jamais dedicada à FUP, à direção da empresa ou ao governo. Por não concordarem com parte do indicativo aprovado para as assembleias do ACT, caluniam e difamam partidos, grupos e pessoas.

Primeiro, confundem propositalmente o PSTU e o [BASE-RJ], que é um agrupamento que reune pessoas de ao menos três partidos diferentes (PSTU, MAIS, PSOL) e a maioria que não é de partido nenhum. Esta forma de demonização de partidos de esquerda, deveriam deixar para os grupos fascistas.

Segundo, tentam igualar nossa proposta de REJEIÇÃO (como o indicativo da FNP), com o indicativo de ACEITAÇÃO da FUP, que mais uma vez passa este engodo de “grande vitória” para os petroleiros.

Terceiro, inventam a proposta de conselho de notáveis, mais uma calúnia. E algumas invenções e distorções mais seguem ao longo do texto.

Quarto, agridem, gratuitamente e de forma moleque e covarde,  através de uma charge, um dirigente histórico  da categoria, de outra base, que não tem nada a ver com a história e que encontra-se afastado, em tratamento médico e que mal teria como se defender, caso tome conhecimento. É mesmo uma vergonha.

Precisamos lembrar, entretanto, que muitos dos que assinam tal nota respeitaram a disciplina fupista / governista / petista durante anos, defendendo a aceitação de  acordos  rebaixados  e que  discriminavam aposentados etc.

E foi assim até a pressão dos aposentados fazer o Tijolão romper com a  FUP. Dentre os que assinam a nota, também está quem até há pouco tempo estava na FUP.

Precisamos lembrar que o Tijolão queria fazer chapa com os fupistas na eleição retrasada, já dentro da FNP? Foi necessário o [BASE] e o G.I. deflagrarem a “Operação Fora FUP” para manter o Sindipetro-RJ na luta!

Pior! Esta nem precisamos lembrar, porque faz poucos meses:
O Tijolão contou com o apoio dos fupistas para eleger delegados ao Congresso da FNP!! A maior parte dos votos que o Tijolão (grupo do Cancella e do Munhoz, entre outros) obteve na plenária que elegeu delegados ao Congresso da FNP veio do grupo que compôs a chapa da FUP nas últimas eleições sindicais. Isso é no mínimo muito suspeito.

Aliás, fica a pergunta: onde estará a FUP na eleição sindical de abril? Reflitam e antecipem-se, companheiros…

 

 

Mas, voltando ao ACT, que conclusão tiramos das assembleias?

Independente do  resultado final, a formulação por nós apresentada ajudou bastante na defesa da rejeição e no diálogo com a base, positivando a imagem da atual diretoria do RJ e da FNP! Vejam, se estivéssemos pensando nas eleições, faríamos o contrário. Aliás, justamente o  que vocês fizeram.

A miopia é tal que foram para as assembleias do administrativo disputar encaminhamentos que só fizeram aumentar os votos na aceitação, jogando água no moinho da FUP!

Ao invés de somar os votos das duas propostas de rejeição, preferiram dividir… Já nas assembleias dos turnos, que somaram dezenas de votos pela rejeição, aí, salvo honrosas exceções, nestas vcs nunca aparecem, dá muito trabalho…

A política que adotaram só poderia mesmo ter o resultado de jogar a ativa nos braços da  empresa e isolar os aposentados.

O mais grave é que, nas assembleias, manobraram e impediram de forma truculenta o direito democrático de apresentar propostas de encaminhamento de votação.

No Edise, impediram diretores de falar e não apresentaram para votar o indicativo que tinha sido aprovado na diretoria do Sindipetro.

Já no Ventura, onde nós dirigimos a assembleia, eles tiveram direito de falar e votar o q bem entenderam.

Na segunda à noite, véspera do último dia, mudam o regimento interno, que eles mesmo inventaram, para poder entrar com um recurso e mudar o indicativo para a assembleia do Edisen.

No Cenpes, não precisaram se preocupar, pois nós mesmos apresentamos o novo indicativo e colocamos em votação.

Já no Edisen, novo “espetáculo”, impedindo a livre votação da proposta por nós apresentada. Preferiram empurrar parte dos presentes para votar aceitação.

Fica a pergunta: tudo isso foi só um erro, apenas falta de visão ou foi uma política consciente de deixar a base atropelar, posarem de heróis para alguns e poderem dormir tranquilos com suas consciências e com o ACT assinado?

Precisamos chegar bem, ao final desta gestão, independente da discussão sobre chapas. Perseguições, desmoralizações, picuinhas e agressões não ajudam a categoria a participar do sindicato. Perdemos todos.

 

O QUE NÃO QUEREMOS  PARA O SINDICATO – 3

Autocrítica Zero e Mesmice Dez

Aprofunda-se o distanciamento do sindicato com a base, as filiações caem. Isso se dá por diversos fatores, externos ou gerais da sociedade e do movimento sindical inclusive, mas em grande parte por falhas da atual direção. No momento não nos interessa apontar os culpados, mas sim alertar para o rumo descendente de nossa entidade.

O desprezo pela construção coletiva das ações a partir das comissões de base, a arrogância e o desleixo no trato das questões cotidianas, a falta de presença na base, a comunicação lastimável, enfim, vários elementos saltam aos olhos do observador menos atento, mas a cúpula da direção não admite erros e resiste violentamente a qualquer crítica ou  sugestão de mudança. Basta ver a proposta de chapa que nos foi feita.

Este modelo sindical, esta gestão que já vai para 9 anos está falida e precisa ser mudada. Abaixo a mesmice!

 

O QUE NÃO QUEREMOS  PARA O SINDICATO – 4

Composição negociada entre quatro paredes. Cargos e liberações sem prestação de contas.

E quando falamos que este modelo está falido, começa na própria composição. Desde a primeira gestão propusemos processos transparentes e participativos na escolha dos componentes da chapa. Pela resistência dos outros grupos, acabamos cedendo e participando de uma construção de chapa onde sentam-se meia dúzia de capos e negociam, no grito ou no cansaço, cargos e liberações. O resto pouco importa. E durante a gestão, nada é cobrado, ninguém precisa prestar contas de seu desempenho como diretor sindical.

Assim, em nossa concepção, ainda que possam ser feitas negociações entre grupos, obviamente, o processo de formação da chapa deve refletir também o peso de cada grupo na base; os petroleiros, desde seus locais de trabalho devem ter forma de influenciar nas decisões; cargos e liberações devem passar por balanços e instrumentos de controle dos associados –  assembleias, Conselho de Representantes  etc.

De um processo assim é que nos dispomos a participar. Não mais negociações sem fim baseadas em ameaças de ruptura e todo tipo de argumentos que nada tem a ver com o trabalho de base ou competência.

 

__________

Por último, uma proposta: para começar de forma séria uma discussão sobre eleição, propomos realizar, nos próximos dias, uma Plenária de Balanço da Campanha do ACT e da Gestão 2014-2017, convocada amplamente, voltada principalmente aos membros das OLTs e Comissões de Base, CIPAs, grevistas etc.

O que acham?

 

Atenciosamente
Eduardo Henrique

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