Geração z: uma nova forma de sociedade


Partes: 1, 2, 3, 4
  1. Introdução
  2. A influência das novas tecnologias sobre o comportamento da juventude atual
  3. Principais características
  4. Análise da geração z (máquina de dança)
  5. As tribos
  6. Aparelhos eletrônicos
  7. Globalização, mídia e consumo
  8. Conclusão
  9. Referências

INTRODUÇAO

Com os avanços tecnológicos, surgiram algumas mudanças na sociedade, principalmente no que diz respeito à mídia e ao consumo. Desenvolveu-se assim a chamada sociedade de consumo, no qual a geração contemporânea está inserida. Tais acontecimentos, de modo especial, muito se relacionam com a maneira de viver e de pensar da juventude de nossos dias.

Eu sendo um jovem de 21 anos, que atua em grupos juvenis[1]desde os 10 anos de idade, tenho em parte, certo conhecimento a respeito dessa geração. Essa convivência me permitiu um acesso mais fácil a essa área de estudo, que sociologicamente diz respeito à sociologia da juventude. Estando também em estágio nas escolas, tive maior acesso a esses jovens, podendo assim, vivenciar mais de perto as suas realidades. Considerando tal realidade, a presente pesquisa buscou aprofundar o tema da Geração Z, bem como o que envolve sua cultura, sua relação com a tecnologia e a sua importância na sociedade atual.

Nosso trabalho trata-se de uma pesquisa e estará estruturado em três partes. Na parte I pretendo explicar de uma maneira sucinta conceitos: o que é Geração, o que é Juventude e o que é a Geração Z. Na parte II tenho por objetivo comentar um pouco sobre o que são as tribos, e relacioná-las com a música e a tecnologia. E na parte III, explicar um pouco sobre a globalização a mídia e o consumo, no que isso influi nos jovens atuais e o que isso influencia também na religião.

Assim, demonstraremos a pertinência do estudo do tema da Geração Z para a reflexão sociológica, de modo que buscaremos empreender um esforço no sentido de uma melhor compreensão da juventude contemporânea.

1 A INFLUÊNCIA DAS NOVAS TECNOLOGIAS SOBRE O COMPORTAMENTO DA JUVENTUDE ATUAL

Breve Informação sobre a Geração Z

A chamada Geração Z (Z de Zapping[2]é uma nova geração, tendo surgido posteriormente à Geração Y[3]É caracterizada por pessoas que nasceram a partir de meados da década de 1990. É uma geração surgida conjuntamente com o avanço das novas tecnologias, acompanhando o novo mundo (pós Guerra Fria)[4], ou seja, o chamado mundo tecnológico ou mundo virtual. Essa convivência cotidiana com aparelhos tecnológicos acabou propiciando para que essa nova geração aprendesse a usar várias tecnologias ao mesmo tempo, como por exemplo: acessar a Internet, escutar música e assistir TV.

Interesses

Através desse estudo, tendo como tema de pesquisa a Geração Z, é que pretendemos analisar de uma maneira mais detalhada suas características e a sua relação com a sociedade, que pode talvez caracterizar um novo modelo de sociedade. Uma sociedade mais virtual do que real. Assim, o título de nossa pesquisa será: Geração Z: uma nova forma de sociedade.

Temos assim, por objetivo analisar as características específicas da Geração Z para assim demonstrar as suas diferenças em comparação às gerações anteriores. Especificamente pretendemos definir o que é geração, o que é juventude e o que é cultura. Para depois, compreendermos como os jovens da Geração Z se inserem na sociedade destacando assim seus hábitos, costumes, gostos, modo de pensar, visão de mundo, estilo de vida, etc. E por fim, estudar principalmente a relação destes jovens com as novas tecnologias.

O interesse em pesquisar o tema em questão, a Geração Z, brotou a partir de nossa tomada de contato com diversas manifestações em setores da mídia (tais como: revistas, televisão, Internet), os quais veiculavam as últimas pesquisas referentes a esta geração nova que estava surgindo. Uma geração cujas pessoas eram capazes de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Tal geração foi denominada de Geração Z.

A referida realidade nos impulsionou a tecermos uma reflexão mais aprofundada a respeito desses novos indivíduos e, na mesma direção, a respeito desse novo modelo de sociedade que está surgindo. A mencionada geração seria completamente diferente das outras, por ser mais capacitada que as precedentes, principalmente no que diz respeito à manipulação e habilidade com aparelhos tecnológicos. Isso se daria pelo fato desses indivíduos serem contemporâneos ao surgimento e desenvolvimento de várias tecnologias. Nesses termos, “Os jovens de hoje são a primeira geração a amadurecer na era digital. Essas crianças foram “banhadas” em bits. Diferentemente de seus pais, elas não temem as novas tecnologias, pois não são tecnologias para eles, mas realidade[5]Eles são as crianças do mundo moderno, do novo mundo, do mundo digital e são também chamados de a “geração digital[6]ou, então até mesmo, de geração “líquida”[7].

Tais notícias a respeito de uma nova geração nos chamou a atenção. Com isso tentamos buscar, através de algumas pesquisas, a explicação das razões dessa geração ser aparentemente tão diferente das outras. Uma de suas características, que é a manifestação de uma incontida rapidez, nos fez pensar no porquê dessa realidade e o que será da sociedade futuramente. Será que ela continuará assim no decorrer dos anos? Será que ela não terá uma pausa? O que será de uma sociedade movida com tão grande rapidez?

Dessa forma, encantamo-nos por esse assunto e decidimos buscar explicações mais sólidas no que concerne a esses novos indivíduos que estão sendo gerados para, de certa forma, conviverem e serem seres atuantes em um futuro não muito longínquo em nossa sociedade.

Cientificamente, almejamos demonstrar, através de pesquisas, que essa Geração Z é diferente das outras. E isso principalmente em termos de relações sociais. Pelo que vemos, estão surgindo indivíduos com uma diferente visão de sociedade, os quais aparentemente se caracterizam por constituir uma geração mais virtual do que real. No dizer de Baumann, uma sociedade líquida[8]

O aparecimento da Geração Z está causando uma grande mudança na nossa sociedade. Podemos dizer que “Sua chegada está causando um salto geracional –eles estão superando os pais na corrida pela informação. Pela primeira vez, os jovens, e não seus pais são as autoridades numa inovação central da sociedade[9]Os jovens dominam com facilidade aparelhos, os quais seus pais possuem maior dificuldade de manusear.

No entender das ciências sociais, estudar a Geração Z significa adentrar em uma área completamente nova. Isto se explica pelo fato de a geração em estudo na presente pesquisa tratar-se de uma geração inicial[10]A mesma ainda não possui grande protagonismo em nossa sociedade, mas recém inicia sua inserção nela. É inegável, nesse sentido, que a Geração Z contribuirá em muito para que haja significativas mudanças no corpo social. Em outras palavras, é a geração responsável pelo futuro da nossa sociedade. Estamos nos direcionando para a concretização de uma sociedade amplamente informatizada. Em síntese, ante a Geração Z, estamos diante de um grupo de pessoas novas, completamente diferente, no que diz respeito à questão das relações sociais.

Para a geração Z, informática e tecnologias da Internet são o lugar comum. Todas as suas comunicações tem lugar na Internet e elas revelam muito pouca comunicação verbal e habilidades. A maioria de seus anos formativos estão sendo gastos na World Wide Web. Eles são usados para instantâneas ações e satisfação devido à Internet tecnologia[11]

Ao possuírem um fácil acesso à Internet, os alunos, por exemplo, não se detêm mais a irem à uma biblioteca em busca de livros, pois basta acessar a rede e já encontram o que procuram. Nunca se teve tanta coisa num mesmo lugar. Nesse sentido, a Internet é um espaço no qual o jovem se comunica com seus amigos, faz os trabalhos da escola, escuta música através das rádios on-line, entre outras coisas.

Dessa forma, percebemos o tipo de relação na qual a juventude se insere. Trata-se de uma relação que tem em seu alicerce o universo virtual, de uma maneira rápida e prática.

Esse estudo pretende abordar questões centrais no que tange às áreas das relações político-sociais, uma vez que visa estudar uma nova geração social, a qual talvez possua uma outra visão de sociedade e uma maneira diferente de convivência. Uma sociedade que provavelmente se comunicará mais virtualmente do que conforme a antiga convivência, na qual as pessoas se visitavam, indo às casas umas das outras, que se relacionavam com maiores contatos pessoais, se comunicavam com mais freqüência, etc. A comunicação atingirá um novo patamar. Para os jovens os meios de comunicação já são outros. Nestes termos “os meios de comunicação são principalmente comunidades online como: Orkut, Google, e Face Book[12]A nova forma de relação nos põe ante uma outra maneira de viver que aos poucos está se tornando palpável no nosso meio. Assim, “Hoje, a Geração Z torna-se quase 18% da população do mundo[13]Pelo dado mencionado é possível que percebamos a significativa parcela da população que está envolvida nesse novo convívio social, a qual futuramente será a promotora das mudanças sociais.

Através dessa pesquisa, pretendemos colaborar de alguma maneira para que esses indivíduos possam aprender a conviver de uma maneira menos individualista e mais solidária, para assim se tornarem seres críticos e participantes da sociedade. Além disso, buscamos também analisar o seu jeito de viver em aspectos como: o cuidado com a sua saúde, o tempo de entretenimento, de descanso, de convivência com os outros, etc. Dessa forma, veremos qual é o seu grau de comunicação com o mundo real, considerando que

(…) acostumados com a comunicação virtual, esta geração tende a ter dificuldades para se expressar oralmente como, por exemplo, apresentar um trabalho para uma platéia. A relação interpessoal também poderá se tornar um problema para estes futuros profissionais[14]

Assim, veremos como está sendo o processo de desenvolvimento dessa juventude em relação ao diálogo, à sua maneira de se expressar, entre outros aspectos.

Vemos em uma breve análise que essa nova geração é bastante diferente das precedentes, pois possui peculiaridades próprias da contemporaneidade. Algo característico dessa época é a expansão do mercado de consumo e, junto com ele, a grande oferta de aparelhos tecnológicos, os quais são de livre acesso a qualquer consumidor, independente de idade. Os jovens que nasceram nessa época acabaram desenvolvendo uma grande adaptação à tecnologia, uma vez que nasceram já dentro de uma cultura tecnológica. O modelo cultural no qual essa juventude está inserida é diferente daquele no qual seus pais viviam, pois seus pais viveram em uma era em que o computador não era um aparelho doméstico e telefones celulares e Mps nem existiam.

O jovem de hoje possui um olhar correspondente a esse sistema cultural globalizado. Dessa forma, é correto afirmar que o fácil manuseio dessas tecnologias lhes proporciona uma diferente concepção temporal se comparada às gerações anteriores. Com o grande salto tecnológico propiciou o surgimento de um novo espaço na sociedade, o espaço cibernético[15]A juventude assumiu um novo modo de conduta, um modelo social interligado com celulares, Mp3 e máquinas digitais. Logo,

Para eles, e-mail é antiguidade. Eles usam telefone para mandar textos, “navegar” na internet, achar o caminho, tirar fotos e fazer vídeo (…). Eles entram no Facebook sempre que podem, inclusive no trabalho. Mensagem instantânea e Skype estão sempre abertos, como pano de fundo de seus computadores[16]

Observa-se que em relação à geração atual vemos uma certa novidade e diferença no tocante a essa manipulação tecnológica. O jovem de hoje difere das pessoas de tempos passados, que geralmente encontram sérias dificuldades para manipular os aparelhos tecnológicos. A juventude atual está inteiramente adaptada a esse novo sistema: “eles têm acesso a quase tudo, como instrumentos de comunicação, Internet celulares, MP3 players, iPods, e todos os atuais gadgets. Eles são as crianças do mundo moderno e são também chamados, “a geração digital”[17]Como o próprio termo já diz, a geração digital está apta para viver num estilo de vida diferente, pois nasceram acompanhando o processo de desenvolvimento tecnológico. Assim, se faz possível considerá-los como sendo uma geração digital.

Podemos dizer que esses jovens conseguem adquirir uma íntima relação com a tecnologia, mas parece, contudo, que em se tratando de relação humana, existem expressivas carências. Em relação à tecnologia,

“(…) eles podem conseguir muito mais do que as gerações anteriores utilizando os seus meios digitais. No entanto, por outro lado, eles podem ser pobres em habilidades interpessoais e, além disso, eles podem não dar demasiada importância aos valores familiares[18]

Essa acentuada opção pelo universo virtual pode ser nociva no que se refere ao convívio social. Cabe talvez aos jovens darem-se mais tempo para o mundo real, para de certa forma, estabelecerem um maior equilíbrio em relação ao mundo real e ao mundo virtual. Notamos também que o ritmo de vida está cada vez mais acelerado e a produção e a explosão tecnológica também. O ritmo acelerado de vida é um diferencial positivo no entender desta nova geração. Tal afirmação é confirmada pela opinião da  analista de Recursos Humanos Natália Rodeguero: “Eles irão se adaptar mais fácil e rapidamente às mudanças. Poderão tirar de letra as dificuldades que os profissionais mais antigos possuem em se adaptar a este mundo tão veloz, instável e rotineiro[19]Portanto, entendemos que o denso crescimento dos avanços tecnológicos, bem como o crescente acesso a eles faz com que jovens e idosos, inevitavelmente, se aproximem desses novos bens que chegam de hora em hora no mercado. Em termos simples, o mercado produz e o consumidor compra. Vemos, porém, que o jovem possui uma maior facilidade de manusear a tecnologia em relação ao idoso.

Pesquisas mostram que o cérebro pode mudar ao longo da vida, estimulado pelo ambiente. Os cérebros das crianças podem mudar em um grau muito maior do que os dos adultos, mas esses também podem mudar e mudam. Há muita controvérsia, ainda, mas os primeiros indícios sugerem que a exposição constante a estímulos de tecnologias digitais, como games, pode mudar o cérebro e a maneira como ele percebe as coisas, torná-lo mais atento e acelerar seu processamento de informação visual. Não só jogadores de game são mais atentos visualmente como têm habilidade espacial mais desenvolvida, o que pode ser útil para arquitetos, engenheiros e cirurgiões[20]

HIPÓTESES

Vemos como característica própria dessa geração o hábito e a grande facilidade de lidar com as tecnologias que lhe são oferecidas. Como diz a autora Aline Mustafa(2010):

Os adolescentes de hoje foram criados em meio à globalização e são extremamente ligados à tecnologia, se comunicam com rapidez, executam várias tarefas ao mesmo tempo. Para eles, assistir TV, ouvir música e navegar na internet ao mesmo tempo é absolutamente normal[21]

Essa nova forma de integração com a tecnologia proporciona uma nova relação social, mais envolvida com o sistema virtual no qual a tecnologia se encarrega de promover às relações sociais, através de um celular, de um chat ou então através de uma webcam.)

Analisando essa nova geração, será que realmente ela será um problema para a sociedade futura? Ou será que será uma solução? Será que os jovens das cidades metropolitanas acessam mais a internet que os jovens do interior?

Constatamos que eles possuem grandes habilidades como podemos ver na citação desse trecho retirado de uma entrevista de Don Tapscott ao Jornal Folha de São Paulo: “Quando a Geração Net vê TV, trata-a como música ambiente, enquanto busca informação, joga games e conversa com os amigos on-line[22]Ou nessa: [Eles] “Têm na ponta dos dedos a internet, a ferramenta mais poderosa para informar, organizar e mobilizar[23]

1.1 Juventude

Para uns, a juventude[24]é tomada como uma fase da vida, “(…) para outros, a juventude é vista como um conjunto social necessariamente diversificado, em razão das diferentes origens de classe, que apontam para uma diversidade das formas de reprodução social e cultural. (…)[25] Já para Abramo, (…) a juventude é o estágio que antecede a entrada na “vida social plena” (…)[26].E para Dayrell, (…) a juventude pode ser vista como uma ponta de iceberg no qual os diferentes modos de ser jovem expressam mutações significativas nas formas como a sociedade “produz” os indivíduos. (…)[27].

Cada autor possui uma visão distinta sobre a juventude, porém, podemos afirmar que é uma fase na qual os indivíduos encontram-se aptos para se definir em algum grupo e assim, formar uma determinada identidade.

É uma época um pouco diferente na qual ocorre uma mutação tanto física quanto psicológica. No crescimento físico, Hall observou, então, a presença de resquícios instintivos. “O começo da adolescência traz novas fontes de impulso do crescimento em todas as direções, e nesses momentos iniciais… são em primeira instância mais ou menos descoordenados nos conjuntos[28]Ao estar nessa fase os indivíduos encontram-se desajustados, desordenados. Mas,

“ao passar essa fase o indivíduo torna-se capaz de desenvolver-se na sociedade e assim, produzir colaborações para a sua sociedade. Todas as mudanças trazidas pela puberdade e pela necessidade de desenvolver uma personalidade própria, a ambigüidade do status social, a necessidade de efetuar uma série de escolhas, provocariam uma série de crises (…)[29]“.

Essas crises seriam geradas pela própria perda de autoafirmar-se na sociedade, pois, a juventude é uma fase na qual surgem as primeiras transformações do indivíduo, e assim esse se encontra entre a fase adulta e a fase infantil. Estando assim nem em um e nem em outro estado.

1.2 Geração

Desde o nosso nascimento até a nossa morte, passamos muitas vezes por fases características de um determinado tempo, completamente próprio daquele momento. De acordo com o Dicionário de Sociologia vemos que, “em sentido mais amplo e menos preciso, uma geração é um conjunto de indivíduos nascidos aproximadamente na mesma época (…)[30]“. Entretanto,

“Ninguém, por exemplo, afirmaria que havia uma similaridade de situação entre os jovens da China e da Alemanha por volta de 1800. Somente onde os contemporâneos estão definidamente em posição de partilharem, como um grupo integrado, de certas experiências comuns podemos falar corretamente de similaridade de situação de uma geração[31](MANNHEIM, 1982. p.80)

Vemos que não é muito fácil denominarmos o que é uma geração, pois embora tenhamos indivíduos que vivam na mesma época, como no exemplo citado acima, nem sempre eles presenciam as mesmas realidades. “para obtermos uma idéia clara da estrutura básica do fenômeno das gerações, precisamos esclarecer as inter-relações específicas dos indivíduos que constituem uma única unidade de geração[32]fc. MANNHEIM, 1982, p.69) Assim, devemos tratar com a questão de unidade e semelhança, principalmente no que diz respeito ao aspecto cultural.

Notamos que a cada época surgem diferentes atores sociais, que movimentam a sua sociedade e promovem transformações nas mesmas. Essas mudanças são dadas por meio de sujeitos que se fazem protagonistas, dispostos a exercerem adaptações que visem melhorias para a sua sociedade. Porém, não é a todo o momento que isso ocorre. Mannheim(1982, p.92) diz que:

O ponto mais importante a ser notado é o seguinte: nem toda a situação de geração – nem mesmo todo grupo etário – criam novos impulsos coletivos e princípios formativos originais próprios, e adequados à sua situação particular. Quando isso acontece, falaremos de uma realização das potencialidades inerentes a uma situação, e tudo indica que a freqüência de tais realizações está estreitamente ligada ao ritmo de mudança social. Como resultado de uma aceleração no ritmo de transformação social e cultural, as atitudes básicas precisam se modificar tão rapidamente que a adaptação e modificação latente e contínua dos padrões tradicionais de experiência, pensamento e expressão deixa de ser possível, fazendo então com que as várias fases novas de experiência sejam consolidadas em alguma outra situação, formando um novo impulso claramente distinto e um novo centro de configuração. Falaremos, em tais casos, da formação de um novo estilo de geração ou de uma nova enteléquia de geração[33]

É certo afirmar que nem sempre surgem novas gerações, pois, um “(…) novo estilo de geração pode surgir cada ano, cada trinta, cada cem anos[34]Isso “(…) depende inteiramente da ação desencadeadora do processo social e cultural[35]idem) Conforme essa passagem pode ocorrer significativas variações que são as que estamos presenciando atualmente, “(…) os jovens da atual geração vêm se formando, se construindo como atores sociais de forma muito diferente das gerações anteriores, numa mudança de tempos e espaço de socialização (…)[36].”(ibidem)

Essa modificação nos leva a crer que estamos diante de um novo momento, de uma diferente forma de sociedade, uma sociedade um tanto “imprevisível”. “É a presença dessa lógica que leva Pais (2003) a caracterizar essa geração como “ioiô”, numa rica metáfora que traduz bem a idéia da vida inconstante das gerações atuais[37]” Ainda, com base em Pais, podemos assim dizer que é uma geração inconstante, que não visa a estabilidade, mas sim a instabilidade. As mudanças constantes em suas vidas são tidas como algo muito natural. Porém, não é somente este autor que se refere a essa geração como sendo uma geração inconstante. Baumann (2001, p.169) também se refere em seu livro, A Modernidade Líquida, que essa geração substitui uma antiga mentalidade por uma nova mentalidade,

(…) é a nova mentalidade de “curto prazo”, que substituiu a de “longo prazo”. Casamentos “até que a morte nos separe” estão decididamente fora de moda e se tornaram uma raridade: os parceiros não esperam mais viver muito tempo juntos. De acordo com o último cálculo, um jovem americano com nível médio de educação espera mudar de emprego 11 vezes durante sua vida de trabalho – e o ritmo e freqüência da mudança deverão continuar crescendo antes que a vida de trabalho dessa geração acabe[38](BAUMANN, 2001, p.169).

Embora se tenha agora uma nova mentalidade vemos que dentro dessa surgem novas concepções. Pré-conceitos como, por exemplo, o racismo e o homossexualismo estão sendo quebrados por essa nova geração. É como se fosse uma resposta ao momento. Por isso que a geração “(…) é um dos guias indispensáveis à compreensão da estrutura dos movimentos sociais e intelectuais[39]MANNHEIM, 1982, p.67) Pois surgem sempre em resposta frente à determinadas questões. Não surgem simplesmente por surgir.

Podemos assim dizer, que fenômeno da geração é situado em um determinado momento, no qual se desencadeiam novas problemáticas sociais, que propiciam o surgimento de novos indivíduos, “(…) o fenômeno social da “geração” não representa nada mais que um tipo particular de identidade de situação (…)[40]“(idem) Estamos agora diante de uma nova situação que está proporcionando a formação de indivíduos com uma nova identidade. Porém, essa mudança é só por um tempo, pois, “Os membros de qualquer uma das gerações podem participar somente de uma seção temporalmente limitada do processo histórico[41]Eles tentam responder ao seu tempo, porém, serão substituídos por uma nova geração, pois, eles não são eternos, “(…) uma raça humana vivendo eternamente teria que aprender a esquecer para compensar a inexistência de gerações novas[42]

È muito interessante trabalhar a questão das gerações. “Sua importância prática torna-se evidente logo que se tenta obter uma compreensão mais exata do acelerado ritmo de mudança social característico de nossa época[43]Essa mudança na qual estamos vivenciando caracteriza muito bem os indivíduos dessa geração, pois, eles “(…) são dotados, nessa medida, de uma situação comum na dimensão histórica do processo social[44]Por isso que devemos, “(…) compreender a geração como um tipo particular de situação social[45]É esse processo social que os identificam e os unem através dessas peculiaridades. Por isso que é correto afirmar que, “os homens se parecem mais com seus tempos que com seus pais[46](BAUMANN, 2001, p.149).

Muitas vezes, devido à mudança temporal, que os indivíduos estão inseridos, tende a existir um confronto de gerações. O que é muito comum na nossa história, nações, gerações ou culturas muito distintas tendem a estranharem-se. E na sociedade é a mesma coisa. O novo tende a causar estranheza no velho, o que pode acabar gerando desentendimentos e conflitos. Em relação à geração, Mannheim(1982, p.84) nos diz que geralmente “(…) não é a mais velha que se aproxima imediatamente da mais jovem; os primeiros contatos são feitos por outras gerações “intermediárias”, menos afastadas entre elas[47]” É um meio termo que estabelece essa relação, que cumpre uma função de elo, para que assim se evite conflitos. Porém, segundo o próprio autor[48]há uma tendência de aceitação por parte da mais nova, “(…) a geração mais nova tende a adaptar-se à mais antiga, mesmo a ponto de se fazer parecer mais velha.”

Concluímos que os mais velhos também aprendem com os mais novos, “(…) não apenas o professor educa seu aluno, mas o aluno também educa o professor. As gerações estão em um estado de interação constante[49]E isso é um passo muito importante para a sociedade, pois, a cada dia que passa exige-se cada vez mais essa relação do velho com o novo. Aonde possa existir uma troca de saberes, que enriquecem tanto a uma geração como a outra.

1.3 Cultura

É graças à cultura que surgem os significados sociais, como também novas manifestações que promovem transformações em um determinado grupo ou sociedade. Mas, se nos perguntarmos, o que é cultura, cada autor dará a sua definição. Morin (2003, p.300) diz que,

Uma cultura é um conjunto de saberes, de savoir-faire, regras, estratégias, hábitos, costumes, normas, interdições, crenças, ritos, valores, mitos, idéias, aquisições, que se perpetua de geração em geração, reproduz-se em cada indivíduo e alimenta por geração e regeneração a complexidade individual e a complexidade social. A cultura constitui assim um capital cognitivo, técnico e mitológico não inato[50]

Já, segundo o Dicionário de Sociologia a cultura é algo que “(…) possui aspectos materiais e não-materiais[51]Dessa forma, podemos caracterizar a cultura como algo presente numa determinada geração que está cercada por mitos, credos, costumes e valores do seu tempo. Através da cultura se produzem novos indivíduos que criam e reproduzem novos significados sociais, buscando assim, promover uma nova forma de convívio social.

2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Surgiram em um novo momento, em uma época em que se inicia uma grande explosão tecnológica. Segundo Tapscott(1999), a Geração Digital ou Geração Z corresponde àquela geração de crianças nascidas desde o início da década de 80 e o final da década de 90, período em que o mundo (principalmente os americanos) passou a desfrutar mais a “parafernália tecnológica” no seu cotidiano. O uso comum de aparelhos que são de utilização interativa (tais como computadores e telefones celulares) despertou nas crianças nascidas nesse período uma grande curiosidade de saber como eles funcionam e utilizá-los massivamente[52]Souza). É uma geração que está mais adaptada à relação entre ser humano e tecnologia, a qual acabou por tornar-se parte essencial da vida dessa nova geração. Esse avanço proporcionou, de certa forma, algumas coisas que são caracteristicamente identificadas nessa nova geração como: a dependência tecnológica, o consumo excessivo das mesmas e a dificuldade da própria desenvoltura das relações interpessoais e até mesmo da própria criatividade. Esses fatores são determinantes, pois dificultam situações em que o indivíduo necessite a ser criativo ou até mesmo independente de meios tecnológicos.

2.1 Relação com a Sociedade

É uma geração que possui outra forma de vida, com hábitos e costumes relativamente diferentes das gerações anteriores: facilita para as comunicações virtuais e dificulta para outras formas de comunicação interpessoal. Para eles não é nada fácil conviver em sociedade, pois eles têm por costume viver uma vida mais virtual do que real. Nessa vida virtual eles são heróis, bandidos, enfim, são capazes até mesmo de criar uma nova identidade. Praticamente, no mundo virtual eles são o que quiserem. Além disso, possuem também a liberdade necessária para fazerem o que quiserem nesse mundo paralelo.

Essa forma de sociedade virtualizada[53]tende a dificultar a convivência e o estabelecimento do que chamamos de laços sociais, pois, desenvolve no indivíduo uma vida, de certa forma, mecânica[54]O aparecimento de novas relações tende a diminuir e o distanciamento ou isolamento social tende a se desenvolver, o que é ruim, pois pode se agravar em conseqüências para a sociedade futura, como por exemplo, falta de: interesse, compromisso ou até mesmo de valorização do outro[55]Pois o meu afastamento diante do outro[56]tende a promover a exagerada aproximação de mim mesmo. O que muitos chamam de: “fechar-se no meu próprio mundo.” Impedindo assim que surjam hipóteses para que se possam estabelecer relações sociais.

Vivemos por muito tempo em uma sociedade industrial[57]onde muitos indivíduos, em conseqüência desse próprio modelo social, acabaram perdendo a sua própria vivência humana, perdendo, assim, o próprio significado de sua existência. Esse processo desencadeou de certa forma, a formação de “seres mecânicos”, ou seja, seres semelhantes às máquinas, que só cumprem funções. São essas repetitivas funções, dentro do trabalho industrial, que Marx chama de alienação[58]Ela está presente até os dias atuais, e tende a permanecer, assumindo uma outra característica, são somente referentes ao trabalho.

Presenciamos, atualmente, um processo de transformação ocasionado pelo próprio desenvolvimento tecnológico. Estamos passando da sociedade industrial para a sociedade tecnológica. O que Leonardo Boff(2003, p.19) chama de “era cyberespacial[59]Dessa forma, estamos nos inserindo dentro de um mundo novo, caracterizado por uma “cybercultura”, vemos assim, o nascimento de uma outra sociedade: a sociedade virtual.

2.2 Habilidades

Cabe destacarmos que essa nova geração tem habilidades distintas, como, a facilidade de manuseio aos aparelhos tecnológicos: Conseguem manipular mais de um ao mesmo tempo, como, por exemplo, fazer um trabalho no computador e falar ao celular. Dessa maneira, eles vivem em um ritmo fragmentado por causa das inúmeras atividades distintas que realizam, como, por exemplo: ouvem música, ao mesmo tempo em que estão na Internet e assistem televisão.

Essa habilidade com os aparelhos tecnológicos, a necessidade de querer que tudo seja rápido, que tudo seja para ontem, e o grande recebimento de informações, caracterizam essa peculiaridade dessa nova geração, que vive de uma maneira apressada. Como Tascott(2010) diz: “Eles são “multitarefeiros”, realizam várias atividades ao mesmo tempo[60]

Talvez isso seja uma qualidade ou quem sabe uma dificuldade para quando eles chegarem ao campo de trabalho. Rodrigues diz que, “Esse fato remete a funcionários multitarefados[61]que por um lado pode ser benéfico à organização, mas, por outro lado, se não receberem instruções para focarem suas atividades, serão profissionais dispersos, que se concentram muito menos em uma só ocupação[62]

Essa impressionante capacidade de estarem envolvidos sempre em mais de uma tarefa é uma novidade para a história das nossas sociedades, pois, era uma normalidade fazer uma coisa de cada vez e não ser um “multitarefeiro”. Termo que surgiu recentemente, completamente apropriado para essa geração. Vemos assim, que é uma geração acelerada que tem uma aptidão para exercer multifunções, porém, no próximo ponto analisaremos as suas dificuldades como, por exemplo, a dificuldade de esperar.

2.3 Dificuldades

Já é possível observar que essa nova geração, possui grandes habilidades tecnológicas. Notamos que cada vez mais se desenvolve uma tendência individualista, que poderá desencadear, futuramente, uma grande dificuldade de se estabelecer vínculo com outras pessoas, ou seja, de se estabelecer relações sociais. Com isso, podem aparecer constantes conflitos pela dificuldade de relacionamento, pois, hábitos como o da comunicação pessoal e o prazer de conviver com outros indivíduos tornar-se-ão cada vez mais raros. Estamos vivendo uma forte corrente que influencia para o egocentrismo, tornando os indivíduos cada vez mais infantis e inseguros. Baumann(2001, p.171) diz que, “pessoas inseguras tendem a ser irritáveis; são também intolerantes com qualquer coisa que funcione como obstáculo a seus desejos; e como muitos desses desejos serão de qualquer forma frustrados, não há escassez de coisas e pessoas que sirvam de objeto a essa intolerância[63]Vemos assim pessoas, que para realizarem os seus desejos, acabam utilizando outras pessoas como um objeto, como se fossem “humanos descartáveis”. Assim, as relações tornam-se um meio, mas não um fim para a minha felicidade. “Mark Granovetter sugeriu que o nosso é um tempo de “laços fracos” (…)[64]“(idem) Não mais presenciamos fortes laços, que demonstram parceria, solidariedade, amizade e amor. Mas vemos o enfraquecimento das relações, pois, a minha felicidade não está mais no completar-me no e com o outro, mas, sim, a felicidade está na ideia de usá-lo e jogá-lo fora. Ou seja, em só tê-lo enquanto ele for útil para mim. Essa ideia de transformar humanos em objeto demonstra bem a características dos jovens da contemporaneidade, que estão cada vez mais ligados ao “momentâneo descartável”. Baumann diz que,

(…) o ingrediente da mudança múltipla é a nova mentalidade de “curto prazo”, que substituiu a de “longo prazo”. Casamentos “até que a morte nos separe” estão decididamente fora de moda e se tornaram uma raridade: os parceiros não esperam mais viver muito tempo juntos. De acordo com o último cálculo, um jovem americano com nível médio de educação espera mudar de emprego 11 vezes durante sua vida de trabalho – e o ritmo e freqüência da mudança deverão continuar crescendo antes que a vida de trabalho dessa geração acabe[65](2001, p.169)

Constatamos que essa nova geração promete criar uma nova visão de sociedade, proporcionando um novo modelo de relações sociais, pois possuem características dessemelhantes às gerações anteriores. Vemos que algo que a diferencia é a obtenção de um espaço atemporal, que é denominado por Lévy (1999, p.49) de ciberespaço. “O ciberespaço encoraja um estilo de relacionamento quase independente dos lugares geográficos (…)[66]“. Essa nova forma de viver uma vida, mais virtual[67]do que real, possibilita um novo formato, que além de ultrapassar fronteiras geográficas, ultrapassa também as linhas do humano e do real. O humano ao acessar um ciberespaço pode, a partir daí, não ser mais um humano, mas a identidade ou representação de algo ou até mesmo um falso humano, que é chamado na rede de fake. Os fakes[68](1999) são muito comuns nas redes sociais da internet, pois são utilizados como um meio da pessoa não se expor e assim, se expor através do seu falso personagem. No espaço virtual, indivíduos assumem uma outra vida, aonde muitas vezes, tomam características que na vida real talvez não pudessem assumir. Dessa forma, acaba-se estabelecendo relações, digamos que sócio-virtuais falsas. Vemos assim, a respeito do espaço virtual dois vieses:

Por um lado, representam uma nova forma de comunhão virtual entre os seres humanos, em tempo real, para além do espaço e do tempo (tudo é on line), por outro abrem a possibilidade de simulacros, enganações, mentiras e falsificações que podem levar até a crimes[69](Boff, 2003, p.34)

Analisando esse novo modelo de sociedade, podemos ver que as relações tomarão novas formas e maneiras e, talvez, não mais se viverá o que se vive hoje. O convívio social tomará um novo modelo. Vemos o surgimento de um novo mundo. Inicia-se o que se está chamando de “era cyberespacial[70]Boff, 2003, p.19), a qual possibilita viver uma nova vida, caracterizada pela virtualização, por um novo espaço de tempo que até mesmo ultrapassa as barreiras das regras sociais. Nota-se que é um meio que chegou para ficar, pois a cada dia surgem novos aparelhos que enredam e fascinam pessoas de várias idades; que proporciona o surgimento de um novo mecanicismo que facilita a comunicação ou que talvez dê a oportunidade de viver uma vida não real. Uma vida em que você faz o que quiser virtualmente, na qual você não vive uma vida, mas, como diria Platão, um simulacro (Teixeira, 1999) [71]

O mundo virtual oportuniza, vivermos uma vida, na qual o indivíduo assume uma nova identidade, que se fantasia de outro ser para se relacionar com os outros. Partindo das ideias Durkheim(2008) podemos até caracterizar esse fato como sendo uma espécie de anomia[72]na qual “a sociedade não está suficientemente presente no espírito dos indivíduos[73]e nem os indivíduos estão suficientemente presentes no espírito da sociedade material. Assim, sem essa presença ou participação no mundo real, acaba-se, então, criando um isolamento social, em que os indivíduos afastam-se da sua sociedade de origem e criam o seu próprio círculo social, que nesse caso, podemos chamar círculo virtual. A vida deles passa a sujeitar-se dentro de um mundo paralelo semelhante ao jogo Second Life[74]O sujeito ao perder a sua característica social, ou seja, ao não saber mais qual é a sua função na sociedade, ele acaba, segundo Durkheim, entrando em um estado de anomia[75]Porém, ele pode perder a sua identidade e tornar-se anômico no mundo social, no mundo material dos homens, porém, ainda tem uma chance de assumir uma nova vida no mundo virtual. Ele pode desligar-se do mundo social, mas estar inteiramente conectado ao mundo virtual. Tornando-se assim um avatar[76]

É correto afirmar que atualmente, que todas as idades, mas, principalmente entre os jovens, existem indivíduos que assumem identidades de outros indivíduos, pois, de certa forma, perderam a sua identidade de ser social. Eles vivem uma vida de avatares. Segundo Durkheim, “podemos atribuir à sociedade tudo o que há de social em nós, sem saber, no entanto, refrear os desejos; (…) pode-se viver em estado de anomia,[77]“. O desejo é algo altamente perigoso, pois se não soubermos controlá-lo podemos ser dominados por eles. Tornando-nos seres insaciáveis, ou seja, sem limites. Como o próprio Durkheim(2008) disse, se não soubermos controlá-lo(s), poderemos das duas uma: ou realizá-lo(s), ou entrarmos em um estado anômico. Esse estado pode ser encontrado em alguma parcela da sociedade atual, pois, cada vez mais jovens são envolvidos pelo mundo virtual e acabam substituindo a sua vida real pelo mundo cibernético. Ao se envolverem nesse cyberespaço muitos acabam deixando o mundo real de lado e assumindo a vida de seus avatares. Isso prejudica o seu cumprimento de ser social, ou seja, de um ser de relações que necessita do outro para a sua sobrevivência. O jovem ao envolver-se nesse mundo pode passar de um ser sensível para um ser mecanizado, envolvido por um vício. Tornando-se um indivíduo sem sensibilidade, completamente virtualizado.

Outro fator é também a grande facilidade de massificação de indivíduos, pois, a cada dia que passa, mais deles se inserem nesse espaço. Embora isso tenha seus pontos positivos, pode também ser um problema, na medida em que se perde a possibilidade de formarem-se seres participantes, que possuem a capacidade de movimentar e liderar uma sociedade. Agnes Heller trabalha muito bem sobre essa questão, que nesse caso, pode ser chamado de massa,

A palavra “massa” tem nesse um sentido bastante lato. Não se trata de co-presença efetiva, de um comum papel físico de coro. O que se deseja significar com essa expressão é, sobretudo, que uma sociedade dada favorece exclusivamente – ou em primeiro lugar – a estruturação interna na qual não se podem desenvolver nem a individualidade, nem a comunidade; a socialidade dos homens, então, passa a expressar-se desde o primeiro momento como se todos formassem uma multidão manipulada e como se por todos os lados dominasse uma atitude de dispersão. “Sociedade de massas”, portanto, é uma expressão metafórica para descrever uma sociedade conformista manipulada(2004, p.70)[78].

Cabe destacar também um enfraquecimento da individualidade e uma forte aceitação é relação com aquilo que é proposto. A juventude não mais estabelece gostos, mas sim tem uma grande tendência a aceitar gostos pré-postos. Se compararmos com algumas gerações anteriores, nos parece que o conformismo é algo que está bastante presente nessa atual geração. Como Fisher(1996, p.19) diz em sua tese de doutorado: “Rebeldia, contestação, enfretamento da ordem estabelecida – essas palavras e expressões já não cabem na caracterização dos grupos jovens dos anos 90[79]pois, são jovens que vivem um outro plano, até um tanto mais pacífico, que não se esforça tanto em enfrentar obstáculos[80]

O ciberespaço assumiu uma grande importância na vida das pessoas. Basta sentar-me na frente de um computador que eu posso exercer tudo, pois, até mesmo ações que antes eram praticadas de uma maneira pessoal, agora estão sendo praticadas de uma maneira virtual, como por exemplo, um xingamento que agora é exercido via Twitter[81]. Porém, vemos que não é bem assim, não devemos substituir o real pelo virtual, pois, necessitamos do convívio social, do envolvimento com outros seres, porque somente assim, através do mundo real, é que se gerarão construções e transformações sociais. Caso contrário seremos seres que vivem de ilusões.

Fica claro que se esses jovens, se moverem somente através do virtual, não mais se terá produção e melhorias para a sociedade, pois se desenvolverá um sistema de massa[82]virtual, pois, se perderá o valor significativo de sociedade. Dessa forma, ideias de necessidade, de dependência dos outros, do viver em sociedade, em comunidade, serão substituídas. Porém, essa importante e antiga relação nos proporciona aprendermos, a saber, que não somos o centro do mundo, mais sim, mais um colaborador para o desenvolvimento do social, como diria Frantz(2009), de sermos atores sociais cooperantes[83]

2.4 A Importância do Ciberespaço

Com a virtualização nos dando muitas “oportunidades” e novos “acessos” de comunicação, não conseguimos naturalmente nos mantermos isolados um dos outros, pois é essencial estabelecermos relações, as quais são importantes para o nosso crescimento como indivíduos. Graças a tecnologia on-line, nos comunicamos a um baixo custo com pessoas que estão distantes, recebemos informações rapidamente, obtendo mais chances de expandirmos nossos conhecimentos. Se o jovem souber utilizar corretamente a internet poderá crescer e desenvolver-se como um grande colaborador social.

2.5 O Jovem e o Consumo

Muitas vezes vemos que o mercado tenta dominar os seus consumidores aplicando a ideologia do “compre mais” e “pense menos”. Sendo que seria mais interessante à ideologia do “pense mais” e “compre menos”. Mas, esse é um processo ideológico muito bem elaborado, através de propagandas desenvolvidas pela elite dominante capitalista. São propagandas cada vez mais atraentes que “puxam” os consumidores para os locais de compra promovendo assim, um processo de dominação cada muito sutil e adaptável ao seu público. Esse processo foi se desenvolvendo ao longo dos anos, e está cada vez mais inserido nas novas gerações.

O complexo sistema que envolve produção, comércio e publicidade – dirigido a adolescentes e jovens – acaba por criar e desenvolver uma gramática do gosto, visível nos produtos e marcas que se tornam intensamente desejáveis por meninos e meninas de todas as classes sociais.

“Os objetos e todo o imaginário ao qual estão associados passam a compor um tipo de identidade jovem, cujo local de circulação e veiculação, por excelência, são os meios de comunicação, principalmente as revistas femininas e os programas de televisão, as rádios FM e todas as práticas de lazer (…)[84](Fischer, 1996, p.19)”.

Esses meios nos dão sérias previsões de que se tem um objetivo a cumprir, e este objetivo parece ser o de que o indivíduo perca todos os seus acessos sociais, como, família, política, movimentos, religião, etc., que são bases difíceis de serem destruídas. Segundo Fischer(1996, p.12), (…) a supervalorização da comunicação de massa teria íntima relação com o enfraquecimento dos modos de legitimidade de instância intermediárias, como a comunidade acadêmica, a religiosa, a científica e a cultural (…)[85]. Essa tentativa tem por objetivo fazer com que se aniquilem os principais pilares do indivíduo, pois, assim, se acaba com o essencial de sua vida, que são os pilares sociais, focalizando-o para um único objetivo, que é o de consumir. A razão de sua vida estaria interligada ao consumo. Segundo Boff(2003, p.92), isso é fruto do capitalismo: “O capitalismo criou uma cultura do eu sem o nós. O socialismo criou uma cultura do nós sem o eu. Agora precisamos da síntese que permita a convivência do eu com o nós[86]

Vemos assim, a necessidade de um meio termo, pois, já vivenciamos dois pólos e agora estamos vivenciando uma época na qual presenciamos somente um pólo que é o pólo capitalista, do consumo favorecedor do individualismo. As ligações sociais e os estabelecimentos relacionais possibilitam ao indivíduo a alternativa de conviver em sociedade, estabelecer vínculos que lhe proporcionam o seu autodesenvolvimento.

A criação de novas culturas de massa (tribos) não favorece novas formas de convívio e de criação de vínculos sociais, pois nos proporcionam quase tudo pronto ou semipronto, como diria Boa Ventura de Souza Santos, a era da Mcdonaldização[87]do mundo. Vivemos a era do fast food, como, a comida de microondas, ou, então, pesquisas nas quais não mais utilizamos livros, mas só jogamos num site de pesquisa e copiamos e colamos(o conhecido CTRL+C – CTRL+V). Essa facilidade nos proporciona uma falsa praticidade na qual nos detemos na ideia do descartável, pois usamos e jogamos fora, inclusive as pessoas, e isso pode promover a perda do essencial de uma sociedade que são os laços sociais, pois se tratarmos tudo como sendo descartável, não mais estaremos tratando as pessoas como tais, mas sim, como meros objetos.

O avanço tecnológico nos faz repensarmos aonde iremos se continuarmos a deixar sermos manipulados por esse novo meio de acesso que possibilita tanto construções como também novas formas de destruições.

O estabelecimento de uma nova forma social cabe bem a nós que estamos em uma era apática aonde às pessoas se esqueceram do ser social e só praticam na maioria das vezes coisas conseqüentes da massificação. Ou em outras vezes desenvolvem demais o individualismo esquecendo que para se viver em sociedade é mais que necessário desenvolver não o individualismo mais sim a individualidade, a ideia de que eu sei o que sou, mas que também dependo do outro para minha sobrevivência.

Na verdade, esta disciplina se interessa pela juventude na medida em que determinados setores juvenis parecem problematizar o processo de transmissão das normas sociais, ou seja, quando se tornam visíveis jovens com comportamentos que fogem aos padrões de socialização aos quais deveriam estar submetidos, (…)[88]

Referente a isso é que nos detemos a realizar esse estudo, devido às mudanças ocorridas durante esses últimos anos. Resolvemos buscar através de pesquisas algumas respostas para esse novo modelo de juventude que está inserida num mundo de consumo e ao mesmo em um mundo paralelo (o mundo virtual).

3 ANÁLISE DA GERAÇAO Z (MÁQUINA DE DANÇA)

A nova época em que vivemos nos mostra uma nova geração de pessoas que dominam de uma maneira mais acessível os meios tecnológicos, as chamadas geração Z, que é a geração que compreende aos nascidos mais ou menos na mesma época da grande explosão do avanço tecnológico, que é a década de 1990. Esta geração tem um grande domínio sobre esses novos equipamentos em que os adultos têm mais dificuldade de manusear como computadores, celulares, mp3 e seus derivados. Um exemplo são as máquinas de dança. Alguns dias atrás quando eu ia passando pelo Shopping Monet daqui de Santa Maria, conheci uma dessas máquinas de dança (que se chama Pump It Up) na qual era muito utilizada principalmente por jovens com uma faixa etária bastante diversificada. Vendo o grande fascínio dos jovens por essa máquina, resolvi analisar melhor e freqüentar mais vezes esse local para ver quais eram os que mais jogavam: se eram mais crianças, se eram mais adolescentes ou então se eram os jovens adultos[89]

Vemos assim que o shopping é um lugar de bastante significado para os jovens, pois, os encontramos em grande quantia. Pegando as ideias de Frúgolli, “É importante notar que a diversão, a roupa e o consumo articulam um universo interligado. Um dos exemplos disso é a importância adquirida pelos shoppings centers como local de lazer (Frúgolli, 1988)[90].” Notamos assim, que o shopping é interessante para a juventude, pois dentro dele existe um universo juvenil que faz com que qualquer jovem se sinta em casa. É certo afirmar que é um lugar tanto atraente como também interessante para os mesmos.

Depois de algumas análises, vi que havia uma grande diversidade de idades, o público se estendia: tinham crianças de três anos e até jovens mais maduros de 25 anos. Mas o mais interessante é que os principais freqüentadores da máquina eram os adolescentes que variavam dos 13 anos até 17 e 18 anos, logo os jovens que correspondem à geração Z. Por isso, para entendermos melhor o que é e como funciona a máquina Pump It Up ou simplesmente máquina de dança, coloquei aqui abaixo uma matéria de um site que fala de seu “benefício” para os jovens e mais adiante mostrarei uma entrevista feita com um adolescente no shopping.

3.1 O que é uma Máquina de Dança

Monografias.com

Figura 01 – Off-Tap – Máquinas de Dança

Deveriam aproveitar e tornar esta uma excelente oportunidade de incentivar a dança propriamente dita. A matéria abaixo, do Terra, se refere àquelas “máquinas de dança” (foto) muito populares nos shoppings e casas de jogos eletrônicos do Rio e outras cidades:

O Estado norte-americano de West Virginia, que tem o pior índice de obesidade infantil dos Estados Unidos, está seguindo com os planos de usar o videogame “Dance Dance Revolution”, da Konami, para combater o problema nas escolas. O Estado, que planeja colocar o videogame em cada uma de suas escolas públicas, informou na quarta-feira que uma pesquisa sugere que o jogo ajuda a evitar ganho de peso.

Resultados preliminares de um estudo de 24 semanas que acompanhou 50 crianças obesas com idades entre 7 e 12 anos, mostraram que os jovens que jogaram o game em casa por pelo menos 30 minutos durante cinco dias por semana mantiveram seu peso. Elas registraram também uma redução em alguns fatores de risco de doença coronária e diabetes.[91]

3.2 Entrevista com Adolescentes em Relação à Máquina de Dança (Pump It)

Havia um jovem com 24 anos, no qual ele disse que havia já 7 anos que jogava naquele tipo de máquina (Pump It). Vimos que esse jovem já dominava muito bem o jogo e não encontrava nenhuma dificuldade em passar os níveis e avançar para fases mais difíceis, pois, praticamente ele já conhecia toda a estrutura do jogo. Mas o mais interessante é que outro jovem aparentando ter uns 17 anos jogava praticamente no mesmo nível que o jogador de 24 anos, porém, a diferença está que ele começara a jogar a somente um mês. Assim, vemos certa diferença de adaptação à máquina. Dessa forma vemos claramente a diferença de adaptação tecnológica de uma geração para outra. O jovem mais novo aprendeu mais rapidamente que o mais velho.

O interessante é que o Pump It Up é um jogo que exige bastante raciocínio interligado com atenção, agilidade e coordenação motora. É uma que desafia limites. Pois está sempre provocando a pessoa a melhorar cada vez mais a sua agilidade e a coordenação tanto dos pés como das mãos, mas principalmente a dos pés. Os passos são cada vez mais ligeiros, e isso exige uma grande sintonia de cérebro, visão, e pés (quando não são utilizadas outras partes do corpo, como joelhos, mãos e etc.). Os jovens conseguem entrar em sintonia com a maquina. Já um adulto dificilmente.

Através de um jogo se forma um grupo, um pequeno núcleo de indivíduos, que acaba desenvolvendo uma rede social. Podemos dizer que surge a (…) formação de uma “subcultura” – um sistema próprio de valores e padrões de comportamento (…), que desenvolvem sistemas próprios do meio, como: gírias, maneira de se vestir, etc.[92] Vemos claramente, que através de um jogo, se forma um grupo de jovens com a sua própria identidade social, que se entendem e dividem uma mesma realidade que nesse caso é a do jogo. Além disso, as características do game acabam fazendo com que pessoas com o mesmo gosto ou, nesse caso, preferência de jogo acabem se relacionando por causa do mesmo. Formando assim um pequeno grupo inserido na nossa sociedade com uma identidade própria, que segundo ABRAMO, seria o início de uma (…) formação de tribos (bandos, estilos, subculturas, culturas).[93]

4 AS TRIBOS

Nota-se que há muito tempo, o mundo é composto por grupos[94]caracterizados por culturas distintas que desenvolvem hábitos e costumes próprios daquele meio. Mesmo hoje, isso ainda acontece. Atualmente ainda existem povos que conservam as suas mesmas características a centenas ou até mesmo milhares de anos. Segundo Reis,

A denominação – tribo, recorrente no vocabulário antropológico, referiu-se inicialmente às várias etnias nativas nos locais alcançados pelos exploradores europeus. Designa hoje, pelo mesmo título, os grupos urbanos, em geral formados por adolescentes, que proliferam desde os anos 60, sobretudo nas grandes cidades.[95]

Porém, hoje analisamos e reconhecemos um novo estilo de tribo, que são as tribos urbanas, que estão inseridas dentro de uma sociedade maior, na sociedade dita “globalizada”. Que é nada mais que: “Uma característica dos tempos atuais, resultado do aumento demográfico e do acelerado e irreversível crescimento urbano.”[96]

Esse crescimento demográfico possibilitou a expansão de novas tribos que assumem novas identidades que podem ser caracterizadas pela

(…) combinação entre fatores biológicos, classes sociais, opções sexuais, de crença, de gênero e ainda outros, que surgem no horizonte à medida em que cresce a massa dos conhecimentos e a diversidade de atitudes sociais possíveis(ibidem)[97].

Assim, as tribos não se referem, necessariamente, às minorias que contrastam com a grande massa, posto que, nesse sentido, também esta se constitui como uma outra tribo. Podem ser identificadas, então, mais pelo conjunto dos traços comuns, reconhecidos entre seus próprios membros. Esses grupos podem ser reconhecidos “(…) pela análise de suas roupas, músicas e atitudes, de que maneira esses estilos assumem forma expressiva e também o que eles expressam(ABRAMO, 1994).”[98] Assim, através de gostos e estilos podemos reconhecer tribos dentro do nosso meio social, jovens que se expressam de uma maneira diferente do resto da sociedade. Mas isso seria uma forma do jovem revelar-se na sociedade, de destacar-se em relação aos outros indivíduos. São caracterizados por algo diferente, algo novo, que podemos chamar de modernidade.

A modernidade é de suma importância para a formação de tais tribos, uma vez que uma de suas faces leva à fragmentação da identidade, à medida que o indivíduo perde os referenciais característicos da sociedade precedente, com a desconstrução dos antigos modelos de família, escola, Estado, religião, que se deslocam sequencialmente enquanto cada novo deslocamento sucede outro que lhe é anterior(REIS)[99].

O moderno tende a “quebrar-se”, a romper com o antigo modelo de sistema, principalmente no que diz respeito à costumes, pois o novo visa gerar mudanças que nem sempre são bem vistas pelo modelo tradicional. Assim esses novos grupos tendem as criar o seu próprio estilo de vida, uma identidade própria.

A psicologia identifica o processo de elaboração de uma identidade própria como o processo básico da adolescência. Salem refere-se ao mesmo fenômeno como processo de individuação, “isto é, a demarcação de um território próprio e de uma identidade mais singularizada, fenômeno que envolve a possibilidade de recusa dos valores e normas considerados fundamentais pelos pais” (Salem, 1986, p. 33).(ABRAMO, 1994, p.12)[100]

Esses jovens ao desenvolverem uma identidade própria ou individução[101]começam a formar pequenos grupos, com hábitos e costumes próprios.

No interior desses grupos, os adolescentes desenvolvem rituais, símbolos, modas e linguagens peculiares, visando marcar sua identidade distintiva de outros grupos etários. Parsons fala de (…)uma subcultura juvenil derivada da cultura geral dos adultos, a esta contraposta mas não necessariamente e não normalmente hostil ou antagônica a ela. A subcultura juvenil estaria, assim, cumprindo a função de promover a transição para a condição social adulta (Parsons, 1942). Como aponta Eisenstadt (1976), ela cobre os aspectos não trabalhados pelo sistema educacional. Nesse sentido, pode ser perfeitamente funcional à transição geracional na sociedade moderna, garantido ao mesmo tempo a continuidade social e a abertura para a modernização dos costumes.(ABRAMO, 1994, p.17)[102]

O surgimento de novas tribos pode até criar diferentes modelos sociais que servirão de moldes para as sociedades futuras. Muitas coisas do passado que surgiram através das tribos são reaproveitadas pelos jovens de hoje, como por exemplo, coturnos, tênis All Star, jaquetas de couro, calça jeans rasgada, roupas coloridas. Enfim, o novo resgata coisas do passado e dá a eles uma diferente adaptação para a atualidade, uma “nova roupagem”.

Vemos que em cada época, surgem novos grupos juvenis que criam estilos diferentes no qual geram como diz Abramo(1994, p.15), a “(…) formação de uma “subcultura” – um sistema próprio de valores e padrões de comportamento (…)”.[103] A respeito dessas novas tribos Abramo também diz que,

(…) estes jovens se apropriam de forma peculiar de objetos providos pelo mercado, pela indústria cultural, imprimindo neles novos significados, pela inversão de uso ou pela reunião de diferentes objetos num conjunto inusitado, criando assim um estilo subcultural.[104] (idem)

Essa formação de uma nova subcultura proporciona uma nova visão de mundo, que para a sociedade tradicional pode ser um tanto escandalosa, pois, o novo sempre tende a causar espanto, geralmente por causa do “(…) modo espetacular de aparecimento.(ibidem)”[105] que se diferencia até de mais do tradicional. Podemos dar como exemplo as roupas, que geralmente são chamativas e diferentes em relação ao modo de vestir das outras pessoas. Em relação isso, Abramo(1994, p.32) nos diz que:

Um dos grupos que causou mais alarde, em função do seu aparecimento espetacular, foi o dos teddy boys¸ surgido nos subúrbios de Londres em torno de 1953. Jovens de famílias operárias desenvolveram uma vestimenta a partir de uma mistura e ternos como os usados pelos jovens aristocratas ingleses (Teddy é o apelido do príncipe Edward), gravatas como as de personagens dos filmes de cowboys norte-americanos, e camisas de cores berrantes, inusitadas para a época. Freqüentavam bares onde podiam ouvir nas juke Box, o rock”n roll recém-nascido nos Estados Unidos.

Depois dos teddys, outros grupos semelhantes se formaram (como os skinheads, os mods, os rockers e outros, na Inglaterra; os blusões negros na França e muitos outros), articulados em torno de outros símbolos de identidade, mas sempre em função do tempo de lazer e de atividades de diversão, invariavelmente com muito rock”n roll.[106]

Podemos ver que o surgimento de tribos não é algo novo, a cada época surgem grupos que se manifestam como que em resposta a determinado tempo. Assim, como na década de 1950 havia os chamados teddy boys, agora, temos outras tribos como à dos emos, indies e coloridos[107]que expressam um pouco da realidade do nosso tempo.

Dessa forma, estamos vivendo em um novo momento. Como diz Abramo citado por Fischer(1996, p.20), estamos vivendo o tempo do “desaparecimento do binômio “juventude-rebeldia”, que cede lugar a uma multiplicação de “tribos” (punks e darks, por exemplo), quase sempre ligadas a “estilos musicais e modos espetaculares de aparecimento” (…)”.[108]Através de um estilo subcultural as tribos representam aquilo que o jovem quer expressar, servindo como apoio para que ele possa representar seus sons, imagens e emoções, pois, através de um grupo, será mais fácil de ser transmitido para outras pessoas.

4.1 A música

Podemos dizer que a música sempre foi e sempre será parte da vida, algo natural de todo ser vivo. Ela é algo muito antigo, que está junto com o humano desde os primórdios, do tempo dos homens das cavernas. Segundo a definição de Alencar(2010): “música é uma palavra de origem grega – vem de musiké téchne, a arte das musas – e se constitui, basicamente, de uma sucessão de sons, entremeados por curtos períodos de silêncio, organizada ao longo de um determinado tempo[109]

A música é algo fundamental que vem se modelando e adaptando-se ao longo de cada época.

A música é um dos principais elementos da nossa cultura. Há indícios de que desde a pré-história já se produzia música, provavelmente como conseqüência da observação dos sons da natureza. É de cerca do ano de 60.000 a.C. o vestígio de uma flauta de osso e de 3.000 a.C. a presença de liras e harpas na Mesopotâmia(idem)[110].

Podemos também dizer que a música é a manifestação da interioridade do indivíduo. É a expressão pura de um sentimento. É a reação de algo expressado em som. Para o jovem a música é quase que sua alma, ela é parte integrante da vida desses. Sem ela, praticamente, o jovem não vive, principalmente tratando-se do jovem urbano contemporâneo, pois ele possui grande dificuldade de estar em silêncio, necessita sempre de algum barulho[111]É através da própria música que surge a “(…) formação de tribos (bandos, estilos, subculturas, culturas) ligadas a determinados estilos musicais e modos espetaculares de aparecimento(ABRAMO, 1994, p.43)”[112].

Podemos assim dizer música é mais que um simples som, “(…) a música tem muita coisa junto: tem a poesia, tem a dança, e acaba sendo sempre uma arma de expressão muito forte(idem).”[113] Essa grande capacidade de força que tem a música, proporciona aos indivíduos novas formas de convívio social, diversas inter-relações que não seriam possíveis se não fosse por ela. A música cria um envolvimento no jovem, que o faz tornar-se um ser de estilo. E é assim que surgem “(…) diversos grupos juvenis articulados em torno de um estilo espetacular, cuja diferenciação se dá através da música, da roupa e de adereços, da postura e do comportamento no lazer(ibidem)”[114]. A música desenvolve no jovem um novo comportamento pelo qual ele acaba tornando-se um representante daquilo que ela visa representar. Dessa forma, em relação ao jovem, podemos definir a música

(…) como elemento centralizador de suas atividades e da elaboração de sua identidade, e caracterizando-se também por um imenso investimento na construção de um estilo de aparecimento (modo de vestir, expressão facial, postura de corpo e gesticulação) como sinalizador de sua localização e visão de mundo(ibidem)[115].

Embora a música seja algo muito antigo, podemos destacá-la como influência e destaque conjuntamente com o início das bandas de rock. Abramo(1994, p.96) diz que,

(…) a reelaboração realizada pelos grupos ingleses nos anos 60 (fundamentalmente os Beatles e os Rolling Stones), que ele intitula o “ciclo pop do rock”, inaugura uma nova história do gênero, montando-o como um campo permanente de reinterpretação e inovação, na qual cada nova geração introduz uma ruptura e inicia um novo ciclo[116]

Esse novo ciclo proporciona ao rock sempre uma adaptação. A cada tempo ele se reformula e se molda à época. Isso talvez se dê pelo fato de que o rock tem certa facilidade de ultrapassar culturas e de ter uma característica de “estrangeirice”.

Caiafa também chama a atenção para este caráter estrangeiro do rock, a partir de sua origem básica de mistura de diferentes referências, e que lhe dá a possibilidade de se acoplar às diversas linguagens e continuar sendo sempre rock.[117]

Por isso, podemos dizer que o rock ultrapassa fronteiras e é algo “globalizador”. Como exemplo, vemos a longa trajetória da música através do rock que a cada tempo vai se adaptando conforme o contexto. Podemos ver que bandas de rock surgem geralmente através de jovens que inspirados pelos seus ídolos sentem-se incentivados e buscam assim também criar a sua banda com sua própria música. “A idéia de fazer música, de montar a própria banda, como centro de uma atuação, é uma questão fundamental de todo o fenômeno(ABRAMO, 1994, p.125)”[118]. Vemos que é um fenômeno permanente, pois, foram muitas bandas que surgiram e que se destacaram até mesmo mais que a banda de seus ídolos. Muitas vezes a ideia de criar-se um “rock de garagem” transformou-se em um rock de bom gosto que acabou atingindo ouvintes de várias regiões do mundo. De um sonho acabou por tornar-se motivo de outros sonhos para outros jovens.

Em relação à Geração Z são várias as bandas que se identificam com essa juventude, temos atualmente bandas como NX Zero, Fresno, Cine e Restart, que são as chamadas bandas “teen[119] promovidas através de uma grande “enxurrada” de propagandas, aqui principalmente pela Rádio Atlântida FM, fora além de outras rádios FMs que também desenvolvem um grande incentivo à esse estilo musical.

4.2 Vestimenta (estilo de vida)

A juventude, desde algumas mudanças ocorridas na sociedade, decorrentes do século passado, está criando como forma de expressão pequenos grupos, que podem ser chamados de tribos.

(…) alguns grupos de jovens vão construir um estilo próprio, com espaços específicos de diversão e atuação, elegendo e criando seus próprios bens culturais, sua música, sua roupa, buscando escapar da mediocridade, do tédio da massificação e da própria imposição da indústria da moda(ABRAMO, 1994, p.83)[120].

Inicialmente esses grupos visam criar um estilo próprio, que não seja reproduzido pela mídia. Eles o criam simplesmente como forma de expressão. “No entanto, o risco de transformação do estilo em moda possa a ser uma das grandes preocupações de tais grupos: como evitar a mudança do seu estilo em modismo e, portanto, a diluição de seu propósito expressivo?(idem)”[121] Muitas vezes, em reposta ao meio massificador eles tendem a negar-se ou até mesmo fugir de questões que envolvam mídia e poder, pois, os modismos surgem, principalmente, pela influência do meio midiático que incentiva os jovens a escutarem as músicas que oferecem. E isso não é o objetivo de alguns grupos.

Os modismos, porém, já possuem outro objetivo que é realmente incentivar o consumo. Os jovens tendem a se vestirem como os seus ídolos, que são criados pela própria propaganda. Dessa forma, os indivíduos passam a desenvolverem uma sensibilidade[122]característica daquele ídolo e daquela música, que acabará marcando a identidade do jovem consumidor, pois esse, provavelmente se identificará com aquilo que fora proposto pela mídia. Isso pode ser chamado de estilo, porém, de um estilo que é proposto por ele, pois, “o sentido mais comum do termo “estilo” remete a um modo peculiar de expressão e atuação.”[123] De acordo com Abramo(1994, p.87),”(…) o estilo subcultural envolve a organização internacional de objetos numa determinada configuração, que assume uma forma expressiva de uma identidade e uma posição no mundo diferenciada do padrão dominante”[124]. A ideia do “diferenciar-se” acaba muitas vezes sendo substituída pela ideia do “assemelhar-se”. Geralmente, essas subculturas surgem de pequenos grupos que não tem por objetivo atingir campos midiáticos, mas de somente se expressar em resposta a algo que está proposto pela sociedade.

Mas, para manter o mercado em constante movimento, deve-se muitas vezes estes estilos comercializáveis. Dessa forma, manipula-se, através da mídia, um dos principais consumidores que são os jovens, pois estes tendem a querer aquilo que é novo e que está na moda, principalmente os produtos dos seus ídolos preferidos, como CDs, roupas, etc.

Através do consumo, cria-se também um estilo, que para uns é considerado como um mero modismo e para outros é uma forma de não só destacar-se, mas também de identificar-se e ser identificado na sociedade. Conforme Abramo(1994, p.149-150):

È com essa conotação que os estilos juvenis são classificados por alguns como modismos vazios: como aparatos sem conteúdo.

Na argumentação que tento aqui articular, ao contrário, é justamente a dimensão da exibição, da demonstração pública de algo, através de um aparato exagerado construído para atrair a atenção e comunicar um conteúdo, que reside nesses fenômenos.

(…) Heloísa Fernandes no seu ensaio sobre o modo de atuação da polícia nas ruas de São Paulo. Segundo sua interpretação, essa atuação apóia-se no exibicionismo, num dar-se a ver¸ na montagem de um espetáculo baseado na mobilidade e na visibilidade: a polícia “encena um espetáculo de poder” (1989).

A idéia de encenação também permite compreender a questão da artificialidade do estilo, ou do estilo como uma máscara ou fantasia que se veste e se desveste. O estilo não é uma representação do ser do jovem que o exibe, ou do seu modo de vida, mas das idéias que ele quer expressar: que ele quer comunicar através do espetáculo.

É por isso que podemos dizer que esses fenômenos não dizem respeito ao âmbito do privado: a encenação é justamente uma “ação que se torna pública” (Dicionário Caldas Aulete). O sentido do público aqui é aquele que Hanna Arendt (1989) define como uma primeira dimensão do conceito: justamente a dimensão da aparência¸ no sentido daquilo que aparece para os outros que pode ser visto e ouvido por todos, que se torna público[125]

Vemos que o traje desde muito tempo vem sendo algo que representa determinado grupo social e que expressa inúmeras coisas como: hierarquia, poder, classe, ou, então, como um modo de simplesmente diferenciar-se. Ele pode também ser caracterizado como preferência de determinado grupo que adere a um estilo musical, ou, então por determinado esporte ou como identidade de determinada região. Enfim, o vestir-se está estritamente ligado com a identidade do ser social que faz parte de determinado grupo e que partilha algumas semelhanças que o fazem unirem-se por essa semelhança. Assim, podemos dizer que a roupa nada mais é do que a expressão de um estilo de vida. Assim, surgem

(…) grupos articulados em torno do estilo. São fenômenos que se desenrolam justamente no cruzamento dos campos do lazer, do consumo, da mídia, da criação cultural e lidam com uma série de questões relativas às necessidades juvenis desse momento. Entre elas, a necessidade de construir uma identidade em meio à intensa complexidade e fragmentação do meio urbano (…)(idem)[126]

Essa identidade caracteriza o jovem dentro do imenso meio urbano, composto por diversas subculturas. E nada mais “identificável” que a roupa para determinar de que “tribo” o jovem é. Basta vermos uma franja acompanhada de uma vestimenta de cor roxa e preta para sabermos que aquele jovem faz parte do grupo dos emos, ou então um cabelo tingido de rosa, amarelo, ou azul com uma roupa semelhante a do estilo emo, porém com cores mais chamativas para sabermos que é um colorido, ou, um meio termo desses dois para sabermos que é um indie. Basta focarmos isso para sabermos quem é quem. Segundo Abramo, a roupa possui um papel fundamental para o jovem, pois,

a roupa e a imagem corporal assumem uma importância particular para os jovens, por vários fatores. Um deles é que a preocupação com a própria imagem assume um significado todo particular nesse momento da vida, motivada pela transformação recente do próprio corpo, e com a atenção exagerada que o adolescente acaba voltando para si mesmo. A busca de exigir sinais seguros e visíveis de pertencimento a um determinado grupo faz parte do processo de definição de identidade característico dessa fase(1994, p.71)[127].

Isso são características próprias do jovem de querer destacar-se no meio social, porém ao mesmo tempo assemelhar-se com outros jovens que partilham os mesmos gostos. Acaba-se fazendo com que esse desenvolva uma identidade que os destaque na sociedade por serem, de certa forma, diferentes da maioria, porém semelhantes em sua tribo. Outra questão interessante é que embora ele torne-se semelhante na sociedade, pode muito bem destacar-se na sua família. “A roupa, para os jovens, torna-se o item principal na sua hierarquia de consumo da família,” (ZALUAR,1985, p.103)[128] Embora muitos jovens se vistam, na sociedade, de maneira semelhante, dentro de sua casa, muitas vezes eles são os únicos que se vestem de uma maneira um tanto diferente do “normal”, e isso chama muito a atenção, pois nem sempre aquela maneira de se vestir é bem compreendida pela família, e assim, o jovem é tido muitas vezes como: rebelde, vagabundo, anarquista, louco, …

Vemos assim, que o estilo de vida, além de ser uma forma de manifestar uma identidade é também uma maneira de manter o mercado na ativa, uma vez que favorece aos modismos, fazendo com que surjam a cada dia novos produtos que são consumidos pela juventude.

4.2.1 Body Modification[129]

Uma das modas atuais é a chamada Body Modificantion. Esse estilo consiste em promover mudanças pelo corpo (roupas, cabelos, piercings, tatuagens,) algo que nem sempre é bem visto pelos pais, pois, encaram como algo estranho, complexo, esquisito. Segundo Da Mata(1998, p.16), ele diz que, “Cada sociedade (e cada ser humano) apenas se utiliza de um número limitado de “coisas” (e de experiências) para construir-se como algo único, maravilhoso, divino e “legal”…”[130]Assim, também para os jovens, essa transformação chamada de body modification que eles chamam de arte, nada mais é do que (embora eles fiquem um tanto estranhos) uma forma deles se acharem únicos, legais. Ou seja, destacar-se com o seu próprio estilo dentro da sociedade.

4.2.2 Moda Alternativa

A moda alternativa considerada mais leve que o body moficication, pois ela está mais voltada para a roupa, embora consiste, também, em promover algumas transformações como: cortar o cabelo com navalha, fazer as próprias roupas, fazer o que eles chamam de maquiagem alternativa, pintar o cabelo com anilina, etc. O objetivo como o próprio nome já diz é ser alternativo. A criatividade é mais que essencial. Os jovens fazem moda brincando com a mistura de cores. As roupas são compradas, porém, são alteradas, eles rasgam, pintam, e até costuram as roupas, pois, o objetivo é modificar.

Importante observar que a maior parte das coisas (como pintar as unhas, se maquiar, pintar e cortar o cabelo) geralmente, são feitas por eles mesmos. Os amigos se reúnem e uns estilizam os outros, pois há uma relação de ajuda mútua. Em que uns auxiliam na transformação do outro, gerando assim, um sujeito alternativo.

4.2.3 All Star[131]

Os All Stars são tênis que há muito tempo são usados, e na atualidade continuam sendo uma “febre” entre os jovens. São tênis confortáveis os quais existem em várias cores e vários formatos, o que influencia para que jovens que estão inseridos em tribos diversas usem-os. Além de ser um tênis barato é também fácil de encontra-lo nas lojas.

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Figura 02 – Vários modelos do tênis All Star, para serem usados por diferentes estilos de jovens.

Fonte: nota de rodapé da p.40

4.2.4 Mad Rats

O Mad Rats é uma marca tradicional de tênis muito apreciada na década de 1980 pelos skatistas e ainda hoje ele é muito utilizado por essas tribos. São semelhantes aos All Stars, porém mais largos. É usado principalmente pelos emos. Abaixo estão imagens de Mad Rats que são chamados de Mad Bull.

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Figura 03 – Modelos de tênis Mad Rats

Fonte[132]

4.4 Góticos

No limiar do século XXI, nos primeiro anos da década de 2000, o movimento gótico foi bastante forte, atingindo, principalmente, a juventude adolescente. O movimento gótico era uma tribo que pretendia resgatar algumas características da Idade Média (Idade das Trevas). Alguns desses resgates diziam respeito: a música, a vestimenta e até mesmo a prática de visitas regulares a cemitérios, que, segundo eles, era para se apreciar a arquitetura gótica que era encontrada principalmente nos túmulos antigos. De certa forma, o objetivo era resgatar um pouco da arte gótica da Idade Média. Sendo assim, pegaram o antigo estilo gótico e adaptaram para os tempos atuais, dando assim uma repaginada no mesmo.

A respeito da música, uma das principais bandas de renome (porém, que não se dizia ser do estilo, mas que era muito admirada por este grupo) era a banda Evanescence. Sua líder, a bela jovem vocalista e pianista Amy Lee, através de sua voz doce, encantava jovens de várias partes do mundo com músicas melancólicas que, geralmente, tratavam de amor, crises, frustrações, enfim, realidades que dizem respeito ao adolescente. Eram músicas que se identificavam com o público ouvinte, pois conquistara uma legião de fãs que se identificam e se vestiam ao estilo da banda. Quantas garotas queriam ser como a Amy Lee, e até mesmo se esforçavam para cantar igual a ela.

Na banda Evanescence existia uma mescla de obscuridade com uma espécie de belo exótico, característico da Idade Média. Foi algo diferente, que fez com que, principalmente, o adolescente se identificasse e fizesse relação com o seu cotidiano. Por ser a adolescência uma fase de autoconhecimento, buscas, incertezas e até mesmo uma fase um pouco conturbada da vida, serviu de principal meio para que o estilo gótico servisse de inspiração para muitos adolescentes. Foram muitos os adeptos que abraçaram a causa gótica. Dando assim, início a “(…) formação de uma “subcultura” – um sistema próprio de valores e padrões de comportamento (…)”(ABRAMO, 1994, p.15)[133].

Assim, fizesse chuva ou fizesse sol, os jovens saiam às ruas, principalmente as meninas, com suas roupas pretas longas, bem estilo medieval, e geralmente com uma maquiagem que deixasse o rosto o mais branco possível e destacasse através de uma cor escura os olhos e a boca, dando assim uma visão de pessoa pálida, morta. Esses jovens dificilmente sorriam. Dessa forma, dava para notar que o objetivo disso tudo era realmente demonstrar tristeza.

No que diz respeito à roupa vemos dessa maneira um grande significado. Pois, “O uso da roupa sem o sentimento ou a idéia a que ela está vinculada vira apenas uma moda, e deixa de fazer sentido(idem)”[134]. Porém, para esses jovens percebia-se que eles estavam inseridos no contexto. A roupa que usavam demonstrava o que queriam expressar. Para eles aquela roupa possuía uma grande significado. Assim como todos aqueles jovens que estavam inseridos no grupo dos góticos. Segundo Abramo,

No interior desses grupos, os adolescentes desenvolvem rituais, símbolos, modas e linguagens peculiares, visando marcar sua identidade distintiva de outros grupos etários. Parsons fala de uma subcultura juvenil derivada da cultura geral dos adultos, a esta contraposta, mas não necessariamente e não normalmente hostil ou antagônica a ela. A subcultura juvenil estaria, assim, cumprindo a função de promover a transição para a condição social adulta (Parsons, 1942). Como aponta Eisenstadt (1976), ela cobre os aspectos não trabalhados pelo sistema educacional. Nesse sentido, pode ser perfeitamente funcional à transição geracional na sociedade moderna, garantido ao mesmo tempo a continuidade social e a abertura para a modernização dos costumes(ibidem)[135].

Vemos que isso dura só um momento, uma fase. Pois a grande maioria dos jovens daquela época, embora saíssem geralmente a noite, e buscassem como base de credo as Wiccas[136]e tudo mais o que envolvia o universo gótico, não mais se vestem ou então abraçam a causa gótica. Simplesmente passou um momento de próprio reconhecimento do adolescente, no qual e identificava-se com aquele estilo. Teve outras bandas como o Nightwish, mas a que mais se destacou foi a Evanescence.

Passado um tempo, como todo o modismo, o movimento gótico foi aos poucos se apagando e dando espaço para o aparecimento dos emos.

4.5 Emos

A tribo emo tende, segundo fontes pesquisadas, tem suas raízes da música punk. É uma música derivada desse estilo, porém, em um ritmo mais acelerado caracterizada por músicas mais introspectivas e melancólicas. Os que aderem a esse estilo chamam de música hard core, ou então de emo core. Emo ou Emocore (abreviação do inglês emotional hardcore) é um gênero de música derivado do hardcore punk. O termo foi originalmente dado às bandas do cenário punk de Washington, DC que compunham num lirismo mais emotivo que o habitual.[137]

Os emos embora criticados por muitos pelo seu estilo um tanto andrógeno[138]e até mesmo feminino, conquistou muitos fãs e seguidores jovens[139]Com essa explosão mercadológica, a qual, a mídia tornou-se a protagonista e principal promotora de propagandas, gerou-se, assim, uma grande venda de produtos referentes ao estilo emo.

De certa forma, a mídia, principalmente a fonográfica, influenciou para que jovens tomassem gosto por jovens cantores que demonstrasse algo novo na sociedade, o que acabou dando certo.

Vemos que ao longo dos anos surgem tribos, movimento e subculturas que pretendem agir em reposta a alguma coisa na sociedade. Talvez os emos possam ser considerados um grupo de contestação, a essa sociedade, com valores individualistas, em que seus pais passam o dia inteiro trabalhando, para suprir as necessidades materiais de seus filhos e muitas vezes esquecendo-se das necessidades emocionais e afetivas das quais seus filhos necessitam. Dessa forma, essa tribo pode ter surgido em resposta a uma carência na qual a nossa sociedade atualmente se encontra, pois esse movimento visou quebrar alguns sérios preconceitos da nossa sociedade.[140]

O estilo emo (no qual a palavra emo deriva de emoção) destaca músicas com um estilo bastante envolvente, pois representam principalmente a sensibilidade, ou seja, a expressividade dos sentimentos do jovem, o lado sensível que cada ser humano possui. Essa tendência musical acabou gerando jovens mais interessados com questões sentimentais, como amor, tristeza, alegria, etc. Surgiram também através desse estilo meninos mais sensíveis, que choram e não tem medo de expressarem os seus sentimentos, mas que constantemente são taxados de gays.

Isso acarretou várias discussões por vivermos uma sociedade um tanto machista e conservadora. O movimento emo não foi visto por muitos com bons olhos, pois, segundo alguns, estimularia os jovens adolescentes[141]ao homossexualismo, o que não necessariamente seja uma verdade. Embora nestas tribos tenham meninos mais afeminados, não quer dizer que eles realmente sejam gays[142]Essa característica feminina pode ser apenas uma identidade da própria tribo.

Vemos também que dentro dessa subcultura[143]existe a necessidade dos jovens desenvolverem uma nova visão de sexualidade, aonde não existe diferença hierárquica[144]e nem um grande afastamento entre homem e mulher, mas sim, uma imensa proximidade de ambos[145]Notamos que o objetivo é demonstrar que tanto um como outro são humanos, são sensíveis, e assim, demonstrar também que não existe um sexo forte e um sexo frágil, mas, sim, indivíduos iguais ao que diz respeito aos sentimentos. Dessa forma, vemos assim uma modernização de costumes, pois, através da manifestação desses jovens, que trazem uma nova visão, acaba-se quebrando com ideias tradicionais como, por exemplo, que homem não chora que o homem é o que manda que é o mais forte[146]etc.

Em relação a música uma das primeiras bandas estrangeiras nesse estilo foi o Good Charlotte, uma das bandas estrangeiras que mais se destacou nesse campo. Recentemente, no Brasil, surgiu a banda HEVO84 que em suas músicas mistura elementos eletrônicos, e seus temas giram em torno das experiências do universo jovem. Temos também outras bandas estrangeiras como Paramore e bandas brasileiras como Fake Number e NX Zero. São bandas que encantam os jovens e que conseguem sempre envolvê-los, pois tratam sempre de temas do universo juvenil.

Podemos dizer que as tribos emos duraram um bom tempo, porém, atualmente está havendo uma mudança. Os originais emos tristes estão sendo, praticamente, substituídos por emos felizes, denominados, popularmente, de coloridos. Vemos assim uma característica própria do mercado, que precisa se renovar constantemente para que assim possa sustentar-se.

4.5.1 Acessórios Emo

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Figura 04: Acessórios que indicam os jovens pertencentes ao grupo emo.

Fonte[147]

4.6 Indies (Underground)

Os Indies são um movimento jovem que se contrapõe um pouco a ideia emo. Eles são uma espécie de jovens que tem o seu próprio modo e estilo de vestir. O termo indie, do inglês é a abreviação (no diminutivo) de independent (em Português, independente)[148]. Essa tribo em relação aos punks tem a semelhança de ter surgido de uma maneira independente, “(…) no Brasil o interesse dos garotos pelo punk começou a instalar-se independentemente de estratégias de marketing e até mesmo relativamente ao largo da mass media (ABRAMO, 1994, p.92)”[149]. E os Indies também surgiram dessa maneira.

Esse estilo independente caracteriza jovens que mesclam um pouco de outras tribos, como, por exemplo, os emos, e dão um novo estilo tendo por objetivo desenvolver a originalidade. Embora sendo um tanto mais antigo que os emos eles também se distinguem por possuírem uma maior qualidade na sua sonoridade musical. Geralmente na música mesclam sons desenvolvendo um rock bastante alternativo. Umas das primeiras bandas primeiras bandas a darem origem ao estilo indie rock foi a banda norte-americana The Get Up Kids, e no Brasil é a banda Fresno (suas músicas tratam geralmente de sentimentos e de desilusões amorosas). Essas bandas geralmente lançam seus produtos sem gravadora. A internet é o principal meio que eles se utilizam para lançar e distribuir os seus produtos.

4.7 Coloridos (Happy Rock)

Como tudo tem seu tempo, foram-se os emos e surgiram os coloridos. Esses, são grupos de jovens que se formam através de tribos ou subculturas que se vestem de uma maneira chamativa. Suas roupas são caracterizadas por cores vivas, como, verde limão, amarelo, rosa, laranja… São praticamente um “novo estilo emo“, um emo mais alegre. De certa forma, surgiram em reposta à falta de cor do estilo emo[150]A fluorescência das roupas destaca o estilo dos grupos que são mais alegres, são mais do momento “agora” do que do momento “depois”. Usam geralmente óculos gigantes e coloridos que não possuem lente. Levam uma vida baseada em festas, o que visa para eles o significado de alegria. Alguns, além das roupas coloridas, aderem também a uma mescla de roupas, pegando um pouco do estilo hip hop como o chamado “boné panelão” e os tênis de skatista. Outra marca dos coloridos são as apertadíssimas calças Skinnye as blusas com decote em V.

Para os coloridos, valores tradicionais da sociedade, como, educação, família e relacionamentos duradouros, como, por exemplo, os namoros são, praticamente, descartados e substituídos pelo ficar, pois para eles o ideal é o momento. As principais bandas que representam esse novo estilo são: Banda IZI, Cine, Restart e Caps Lock.[151] Esse estilo de rock é denominando pela mídia de happy rock, sendo um fenômeno teen pop, pois influencia uma grande quantidade de adolescentes, que seguem o estilo dos seus ídolos.

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Figura 05: Estilos e cores de calças usados pelos coloridos.

Fonte[152]

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Figura 06: Boné Panela ou Panelão[153]

4.7.1 Acessórios (pulseiras de mola, madonna, brincos,…)

Os jovens sempre seguem os seus ídolos e, assim, estão sempre atualizados, querendo saber o que eles estão usando o que está na moda o que já saiu, enfim, querem estar inseridos na “onda do momento”. E assim também não deixa de ser com as chamadas pulseiras de mola, ou pulseiras de fio de telefone, ou simplesmente pulseiras coloridas. As pulseiras de mola são uma nova febre surgida a partir do chamado movimento colorido. Os jovens que usam as chamam de pulseira do Restart, que é o nome da banda que começou a utilizar esse apetrecho[154]Outro acessório são os chamados piercings. São vários os estilos de piercings utilizados pelos jovens. Vejamos alguns:

Piercing Madonna (Figura 07), esse piercing lembra uma pinta e geralmente é usado acima da boca.

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Figura 07: Piercing Madonna

Fonte[155]

Brinco Zíper

Surgiu a partir de uma atriz que a utilizava em uma novela.

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Figura 08: Brinco Zíper

Fonte[156]

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Figura 08: Brinco Alargador

Fonte[157]

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Figura 09: Brinco Alargador Colorido

Fonte: [158]

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Figura 10: Brinco Alargador Caracol

Fonte: [159]

5 APARELHOS ELETRÓNICOS

Querendo ou não estamos em uma nova era, caracterizada pela invasão tecnológica. É um novo momento em que a tecnologia está muito presente no ser humano, em especial na vida dos jovens. Segundo Boff(2003, p.21),

“está começando a era da pós-televisão, a revolução das imagens numéricas, sintéticas e virtuais. Graças às técnicas de visualização estereoscópica, o espectador se sente imerso na imagem, participando do mundo de imagens que se cria ao seu redor, por todos os lados e ângulos. A tecnologia está se desenvolvendo a ponto de produzir televisões (chamadas TV 3D) de efeitos estereográficos que permitem o espectador “entrar” na imagem [160]

Muda-se o patamar e inicia-se, assim, um novo momento da história. Estamos inseridos na era tecnológica, em que começa a surgir uma sociedade também tecnológica.

5.1 Computador

O computador é um objeto que com o decorrer dos anos foi recebendo grandes transformações que deram a ele mais adaptabilidade como também mais acesso a vários sistemas. Vemos que ao longo dos anos de uma macro máquina ele acabou se transformando em uma micromáquina. Nunca esse objeto tornou-se tão presente na sociedade como hoje, sendo que atinge várias faixas etárias e ainda tornara-se mais do que um objeto de uso. Podemos até dizer que tornou-se um pedaço da vida de muitos. O computador possui muitas utilidades tornando-se assim algo bastante atrativo. Por possuir muitas funções acaba, muitas vezes, “dominando” os indivíduos, deixando-os dependentes, sendo até mesmo incapazes de viverem sem o mesmo.

Um dos avanços do computador foi a possibilidade de gerar um mundo virtual através da ferramenta chamada Internet[161]bastante utilizada por computadores do mundo inteiro. Através da Internet promoveram-se conversas ao vivo, as chamadas conversas on line. Para Boff,

(…) tem mudado as relações humanas, inclusive afetivas. Por um lado, representam uma nova forma de comunhão virtual entre os seres humanos, em tempo real, para além do espaço e do tempo (tudo é on line), por outro abrem a possibilidade de simulacros, enganações, mentiras e falsificações que podem levar até a crimes(idem)[162].

Notamos assim um avanço tecnológico no qual expande-se o acesso à comunicação. Temos também uma nova alternativa, a possibilidade de representar uma vida nova, como Leornardo Boff diz, de criar-se um simulacro, ou seja, de exercermos uma simulação de algo, que é muito comum nos perfis dos jovens (orkut, facebook, twitter, sonico, etc).

A respeito da Geração Z, podemos dizer que eles passam um tempo considerável em frente ao PC[163]aonde fazem, trabalhos, escutam música, se comunicam com seus amigos pela internet, jogam, e o mais incrível é que geralmente é tudo ao mesmo tempo! Essa característica nova, sendo própria dos atuais adolescentes, acaba fazendo com que nos perguntemos se realmente esses jovens conseguem fazer tanta coisa ao mesmo tempo, ou se eles tentam fazer tudo ao mesmo tempo e acabam não fazendo nada?

Constatamos que todas essas funções se estabelecem dentro de uma máquina que possui vários utensílios. O computador disponibiliza vários recursos que podem ser utilizados ao mesmo tempo. Essa vasta mansidão de coisas, como DVD Player, Navegador, Sistema de Arquivos, e outros acessórios mais, acabam centralizando, muitas coisas num lugar só. Essa centralização de coisas acaba fazendo com que se passe mais tempo nessa máquina do que em outras, pois é mais lucrativo que eu escute música e faça um trabalho, do que pegar uma máquina e escrever e ligar o rádio. Assim, torna-se evidente e clara a razão da expansão do computador dentro da nossa sociedade.

Além disso, notamos que ele se torna algo cada vez mais adaptável para várias idades, porém, tornando-se sempre mais acessível aos jovens. A facilidade do seu manuseio parece sempre mais apropriado para as novas gerações. Tanto que, “se for necessário recuperar um programa no computador, basta chamar o adolescente mais próximo(DE SOUZA, 2010, p.10)[164]“. De certa forma, nos parece que o jovem a respeito dessa questão, está mais à frente do adulto, pois, “aprender com os jovens que ser multimídia e ficar conectado a inúmeros aparelhos permite trocar conhecimentos com mais pessoas simultaneamente e receber informações amplas sobre o mundo(idem)”[165] .

Para aprofundarmos os nossos estudos, decidi fazer uma pesquisa com jovens adolescentes de uma escola estadual de Santa Maria(Região central do Estado), os quais foram divididos em turmas. Também estão inseridos nessa pesquisa alguns jovens da região fronteira-oeste do Rio Grande do Sul, para analisar se há alguma diferença em relação aos acessos tecnológicos de uma região para outra. O objetivo é tentarmos chegar a uma conclusão prática se realmente os jovens da Geração Z estão inseridos aos sistemas tecnológicos.

Quadro 01: Número de Meninas e Meninos por turma.

Turma Meninas Meninos Soma Final
301 14 12 26
302 10 9 19
304 10 6 16
305 12 9 21
306 15 7 22
307 14 10 24
308 14 15 29
309 10 9 19
Região Fronteira 7 6 13
Total 106 83 189

Fonte: Quadro elaborado pelo próprio aluno.

Ao estudar sobre a juventude, elaborei um questionário para 189 jovens, de variadas classes econômicas, que nasceram de 1990 para cá, analisando a sua relação de consumo de tecnologias. Desses jovens pesquisados, 106 eram do sexo feminino e 83 do sexo masculino.

Gráfico 01: Perfil dos Entrevistados

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Fonte: [166]

Aos fazermos uma pesquisa, notamos que o acesso dos jovens em relação ao computador e a Internet é relativamente alto. Num total e 189 jovens entrevistados, 106 (56,45%) eram meninas e 83(43,55%) meninos. Dessas 106 meninas, 100 possuíam computador e também acesso a internet e somente 3 disseram que não possuíam acesso a esses meios.

Quadro 02[167]Meninas que possuem computador e acesso a Internet

Turma Meninas Possuem Computador Acesso a Internet Não possuem esses acessos tecnológicos Religião
301 14 14 13
302 10 8 10
304 10 10 10
305 12 10 9 1 Católica
306 15 15 15
307 14 13 13 1 Adventista
308 14 13 13 1 Evangélica
309 10 10 10
Região Fronteira 7 7 7
Total 106 100 100 3

Notamos com o gráfico abaixo que se fizermos uma comparação podemos constatar que o número de computadores é relativamente proporcional ao número de meninas.

Gráfico 02 – Meninas que possuem Computador

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Fonte: [168]

Em relação aos excluídos dos acessos tecnológicos, vemos que é um número relativamente pequeno se tomarmos por base os gráficos abaixo.

Gráfico 03 – Meninas que possuem acesso a Internet

Monografias.com

Fonte: [169]

Gráfico 04 – Meninas que não possuem esses acessos tecnológicos

Monografias.com

Fonte: [170]

Gráfico 05 – Gráfico comparativo (Meninas)

Monografias.com

Fonte: [171]

Em relação aos meninos também não foi muito diferente. Dos 83 meninos entrevistados, 79 possuíam computador e 82 acesso à internet e somente um disse que não possuía acesso.

Quadro 03 – Meninos que possuem computador e acesso a Internet

Turma Meninos Possuem Computador Acesso a Internet Não possuem esses acessos tecnológicos
301 12 12 12
302 9 9 9
304 6 5 6
305 9 9 9
306 7 6 7
307 10 10 10
308 15 15 15
309 9 9 9
Região Fronteira 6 4 5 1 Católica
Total 83 79 82 1

Fonte: [172]

Notamos que se fizermos uma comparação assim como fizemos também com as meninas, constatamos também, com base na tabela abaixo, que o número de computadores é relativamente proporcional ao número de meninos.

Gráfico 06 – Meninos que possuem Computador

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Fonte: [173]

Gráfico 07 – Meninos que possuem acesso a Internet

Monografias.com

Fonte: [174]

Gráfico 08 – Meninos que não possuem esses acessos tecnológicos

Monografias.com

Fonte: [175]

Vemos também que o número dos que não possuem acessos tecnológicos é relativamente muito pequeno.

Gráfico 09 – Gráfico Comparativo (Meninos)

Monografias.com

Fonte: [176]

Os entrevistados foram adolescentes nascidos respectivamente pós anos 1990[177]sendo de classes econômicas bastante variadas. Notamos assim que a acessibilidade dos jovens a computadores e a Internet é bastante alto. Vemos que os jovens estão inseridos a esse meio. Mesmo aqueles que não possuem computador ou Internet em casa, buscam outros meios alternativos como, por exemplo, a Lan House, e assim, se inserem na sociedade tecnológica.

5.2.1 Internet

Embora tenhamos hoje a Internet como algo doméstico e de fácil acesso, podemos ver que isso é resultado de um longo processo histórico e que o motivo do seu surgimento deu-se por outras razões.

Nos anos 60, em plena Guerra Fria, grandes computadores espalhados pelos Estados Unidos armazenavam informações militares estratégicas diante do perigo de um ataque nuclear soviético. Surgiu assim a idéia de interconectar, criar elos entre os vários centros de computação (redes), de modo que o sistema de informação continuasse funcionando mesmo que um ou mais centros fossem destruídos. Com base nesse sistema de informação estratégico-militar, em 1969 foi criada a semente que viria a ser a Internet, chamada Arparet, a partir da interligação de pequenas redes locais operadas por centros de pesquisa e universidades norte-americanos. Sua grande expansão ocorreu no início dos anos 90, com a difusão dos microcomputadores, dos cabos telefônicos de fibra óptica e das empresas de serviços on-line(SATHLER, 2010, p.14)[178].

Inicialmente a Internet tinha outros objetivos, mas ao longo dos anos foi cada vez mais adquirindo um maior espaço e se inserindo nas casas, ou seja, no meio doméstico. Essa invasão internética propiciou várias mudanças nos lares e também a idéia de conexão com o mundo, “(…) a grande quantidade de dados na internet criou uma sensação de hiperinformação[179]de que podemos ter tudo ao nosso redor(SCHRÃ-DER, 2010, p.14)”[180]

Essa explosão de informação acabou gerando indivíduos altamente informados ou então inseridos em determinado campo ou até envolvidos em outro mundo[181]O processo de hiperinformação propiciado pela Internet, acabou gerando indivíduos altamente informados sobre tudo o que se passa pelo mundo, mas que não sabe muitas vezes o que se passa à sua volta.

A pesquisa com os jovens, demonstrou que o maior acesso à Internet se dá dentro de casa, em segundo lugar no trabalho e um pequeno número acessa nas Lan Houses.

Gráfico 10 – Locais de acesso a Internet (Meninas)

Monografias.com

Fonte:[182]

Gráfico 11 – Freqüência de acesso (Meninas)

Monografias.com

Fonte: [183]

Com base no gráfico acima, vemos que a maioria acessa a Internet todos os dias, e outras em alguns dias da semana, mas vemos que a maioria acessa a Internet toda a semana.

Gráfico 12 – Freqüência de acesso a Internet por dia (Meninas)

Monografias.com

Fonte: [184]

Com respeito à acessibilidade diária, vemos que a maioria das jovens acessa diariamente acima de 4 horas, tendo em segundo lugar aquelas que acessam até 4 horas. Vemos assim, que é um bom tempo por dia. O que nos leva a perceber que há uma grande relação dos jovens com a Internet.

Com base no gráfico abaixo, vemos que os locais que os meninos acessam a Internet já é bem menos diversificado. A maioria dos meninos acessa a Internet em casa, tendo uma pequena quantia que disse que acessava em outro local.

Gráfico 13 – Locais que acessam a Internet (Meninos)

Monografias.com

Fonte: [185]

Tento por base a tabela abaixo, vemos que a maior parcela possui acesso a Internet todos os dias e uma minoria marcou que acessa em alguns dias da semana ou então que acessa em alguns dias por mês.

Gráfico 14 – Freqüência de acesso (Meninos)

Monografias.com

Fonte: [186]

No que diz respeito ao acesso diário, os meninos disseram acessar acima de 4 horas, tendo em segundo lugar aqueles que acessam em torno de 2 horas. (Veja o gráfico abaixo).

Gráfico 15 – Freqüência de acesso a Internet por dia (Meninos)

Monografias.com

Fonte: [187]

5.2.1.1 OrkutQual brasileiro, sendo que a maioria possui acesso a Internet, não possui Orkut? Grande parcela da população está inserida na página pessoal chamada Orkut[188]Embora se diga que a página pessoal mais utilizada no mundo seja o Facebook, o Orkut ganhou muitos adeptos aqui no Brasil e acabou desbancando o Facebook. O Orkut virou mania e adquiriu o seu lugar. Basta fazermos um cadastro rápido de senha para em instantes criamos o nosso perfil. Assim, podemos adicionar os nossos amigos, conhecidos e até mesmo desconhecidos e dessa forma, estabelecermos laços virtuais. Algo interessante de ser destacado no Orkut são os jogos virtuais.

5.2.1.1.1 Jogos do Orkut (Games Sociais)O Orkut é uma grande ferramenta que se bem utilizada propicia ao usuário um fácil acesso aos seus amigos. Tanto os que estão distantes como também os que moram perto, acabam equiparando-se a uma mesma distância. Além disso, é uma rede que serve também para se fazer novas amizades. Dentro do próprio Orkut surgiram várias outras ferramentas como, por exemplo, as apps[189]que são aplicativos que dão ao usuário, mais acessibilidade e maior entretenimento. Essas ferramentas com que o usuário passe mais tempo dentro desse sistema, pois através das apps os internautas sentem-se mais motivados a passarem mais horas conectados ao Orkut. Para ser ter uma idéia, parece que são mais de 200 aplicativos (apps), assim, são muitas as opções que o indivíduo tem de acessar e de se envolver nesse meio orkutiano. Como por exemplo, uma horta aonde os seus amigos lhe roubam os frutos da sua plantação ou então uma mini-fazenda aonde se pode fazer compras para assim desenvolver a fazenda, ou então bonequinhos que o representam no mundo online que são os chamados Buddy Poke[190]que promovem a ação de Pokear que significa enviar um carinho para seus amigos no Orkut. Dessa forma vendo a influência dessas apps, decidi atentar-me especificamente em duas que são a Mini-fazenda e a Colheita Feliz que se tornaram febre não somente entre a juventude como também na geração mais velha[191]

5.2.1.1.1.1 Colheita FelizA Colheita Feliz surgiu no fim de 2009. Esse jogo proporciona ao jogador tornar-se um grande “perito” em plantações e colheitas virtuais. Nele é possível plantar vários tipos de árvore e flores; cuidar de animais como galinhas, porcos, vacas e cavalos e ainda pode “roubar” a produção de seus vizinhos ou então ajudá-los a cuidar das pestes e pragas da plantação. Começa-se jogando a partir do nível 0(zero) e o objetivo é passar de nível para poder conseguir comprar mais coisas e, assim, melhorar a produção da fazenda. Pode-se expandir terras, adquirir animais, como, o cachorro que protege a fazenda dos roubos. Também pode-se comprar alimentos para os outros animais (galinha, vaca, burro,…) e fertilizantes para acelerar o desenvolvimento das plantações.

Embora seja um jogo virtual[192]também se pode usar dinheiro de verdade para comprar as chamadas moedas verdes. Se digitarmos na Internet “Colheita Feliz”, logo aparecerá um link que leva a algum site que dá dicas de como se conseguir essas moedas gratuitamente. Geralmente são necessárias para se comprar coisas raras, que não podem ser compradas com moeda comum.

É um jogo um tanto viciante e impulsivo, pois alguns dos jogadores chegam a acordar cedo, ou até mesmo não dormir durante a madrugada para não deixar que os outros lhe roubem.

5.2.1.1.1.2 Mini-fazendaComo o próprio nome já diz é uma mini-fazenda aonde o jogador cria o seu próprio personagem[193]dando a ele características que podem até ser bastante semelhantes às suas como: barba, cor do cabelo, roupa, óculos, chapéu, etc. Esse bonequinho é o responsável por cavar, plantar e colher aquilo que “tu” plantaste. O jogo consiste em administrar uma fazenda aonde se plantam várias coisas, como, pimentões, flores, arroz, etc. Além disso, existem animais que podem ser criados desde pequenos e assim, com o tempo, depois de tornar-se um animal adulto, retirar aquilo que ele produz, como, por exemplo, o leite da vaca, a lã da ovelha e por aí vai. Esse jogo é bastante envolvente, pois faz com que o jogador fique sempre esperando que a sua plantação esteja pronta para a colheita ou então que a sua vaca virtual esteja apta para ser ordenhada, e assim por diante. O Mini-Fazenda é um jogo que tem encantado tanto jovens como adultos, e a sua jogabilidade é empolgante, pois seguidamente ele necessita de mudanças e atualizações. O Mini-Fazenda oferece aos jogadores, sementes de frutas, árvores, e várias outras coisas do ramo. Além disso, existem, cabana, barraca, oficina, poço, celeiro, moinho de vento, etc… Existem também opções que fornecem mudança de cenário aonde você pode construir, enfeitar e ampliar a sua fazenda.

Podemos dizer que o principal objetivo do jogo é administrar sua fazenda ganhando o máximo de dinheiro possível. Para assim tornar-se um grande fazendeiro. A diferença desse jogo em relação ao Colheita Feliz é que neste não existe o roubo. Quanto mais amigos fazendeiros você tiver melhor será para a sua expansão. Para que você se torne um grande fazendeiro é necessário ser um bom vizinho, adubando as plantações dos seus amigos. Tanto no jogo Colheita Feliz com também do Mini-fazenda necessita-se de uma grande interação com o mundo virtual, em que se exige o maior número de indivíduos que estejam inseridos nesse meio. Constituindo, assim, uma rede social virtual.

5.3 Máquina Digital

A Máquina Digital tornou-se algo de fácil manuseio não mão dos adolescentes. Se pararmos para pensar, qual adolescente que não gosta de tirar fotos e expor no álbum da sua página pessoal? Já se tornou praticamente um vício tirar fotos fazendo diversas poses (principalmente aquelas fotos que os jovens saem fazendo biquinho). Tornou-se uma diversão da galera jovem publicá-las nos seus perfis da internet para depois seus amigos comentarem.

É interessante como eles se dedicam e são criativos aos fazerem poses, simbologias, expressões, enfim. É quase que uma arte tirar fotos com os amigos ou até mesmo sozinho. O principal objetivo é fazer com que as fotos se tornem interessantes. É uma maneira de exercer o “aparecimento”, do “fazer-se ser notado”.

5.4 Celular

O celular[194]é outro aparelho que está englobado na vida dos jovens. Do total das 106 meninas entrevistadas, 102 disseram possuir celular, contra 4 meninas que disseram não possuí-lo.

Quadro 04 – Meninas que possuem Celular

Turma Meninas Possuem Celular Não Possuem Celular
301 14 14
302 10 10
304 10 10
305 12 10 2
306 15 14 1
307 14 14
308 14 14
309 10 9 1
Região Fronteira 7 7
Total 106 102 4

Fonte: [195]

Gráfico16 – Meninas que possuem Celular

Monografias.com

Fonte: [196]

E com os meninos também não é muito diferente. Do total de 83 meninos entrevistados, 80 disseram possuir celular e somente 3 disseram não ter aparelho celular.

Quadro 05 – Meninos que possuem Celular

Turma Meninos Possuem Celular Não Possuem Celular
301 12 12
302 9 9
304 6 6
305 9 8 1
306 7 7
307 10 9 1
308 15 14 1
309 9 9
Região Fronteira 6 6
Total 83 80 3

Fonte: [197]

Gráfico 17 – Meninos que possuem Celular

Monografias.com

Fonte: [198]

5.5 Aparelhos de Áudio

Outro aparelho tecnológico também utilizado pela juventude, porém em menor proporção são os aparelhos de áudio. Do total de 106 meninas entrevistadas, 43 disseram possuir MP4, 25 disseram ter MP3 e 38 disseram não possuir nenhum aparelho de áudio portátil. Em menor proporção algumas jovens disseram ter outros aparelhos para escutar música como: celular, MP7, Ipod, Iphone,…

Quadro 06: Aparelhos de áudio portátil (Meninas)

Aparelhos de áudio portátil
Turma Meninas MP4 Não Possuem MP3 Iphone Pen Drive Celular MP7 MP5 Ipod
301 14 8 3 3
302 10 3 2 4 1
304 10 4 4 3
305 12 3 7 1 1
306 15 3 9 3 2 1
307 14 8 3 4 3
308 14 5 4 5 1 1 1
309 10 6 3 1 1 1
Região Fronteira 7 3 3 2
Total 106 43 38 25 1 1 6 2 2 2

Fonte: [199]

Gráfico 18: Uso de aparelho de áudio portátil (meninas)

Monografias.com

Fonte: [200]

Dos meninos a maioria também possui MP3 e MP4. De 83 meninos entrevistados, 21 disseram ter MP4, 25 disseram ter MP3 e 29 disseram não possuir nenhum aparelho de áudio portátil. Alguns assim como também foi com as meninas, disseram usar outros aparelhos como: celular, MP5, Smartphone, Ipod, MP15,…

Quadro 07: Uso de aparelho de áudio portátil (meninos)

Aparelhos de áudio portátil
Turma Meninos MP4 Não Possuem MP3 Celular Smartphone MP5 Ipod MP15 MP16 MP7 MP12
301 12 2 1 5 3 2 1
302 9 1 1 4 2 1
304 6 3 1 3
305 9 2 3 2 1 1
306 7 3 4 2 1 1 1
307 10 4 4 2 1 1 1
308 15 2 9 2 2 1 1
309 9 2 3 4
Região Fronteira 6 2 3 1
Total 83 21 29 25 9 1 5 2 1 1 1 1

Fonte: [201]

Gráfico 19 – Uso de aparelho de áudio portátil (meninos)

Monografias.com

Fonte: [202]

5.5.1 Fones de Ouvido

Nunca na história da sociedade os Fones de Ouvido foram tão utilizados. Basta sairmos à rua que logo veremos alguém escutando música, através de aparelhos de áudio portáteis. Tornou-se algo muito comum, de certa forma, um entretenimento para os ouvidos. Grande parte dos jovens utilizam seus Mps, Ipods e celulares para escutarem a sua música preferida, e assim, estarem atualizados, inseridos, no campo musical que é muito vasto. Essa prática de escutar música solitariamente identifica claramente uma das características da nossa sociedade contemporânea, o individualismo. Cada um escuta a sua música, sem atrapalhar o outro, porém, eu ao me fechar-me na minha música, nos meus fones de ouvido, acabam muitas vezes me isolando do mundo social. Essa prática do escutar música impede, algumas vezes, que se exerça a comunicação verbal, pois se está tão concentrado na música que não se consegue ficar sem ela. O jovem atual dificilmente consegue ficar em silêncio e a presença cada vez maior dos fones de ouvido afirma esse fato.

Muitas vezes, por esse próprio exercício individual acaba-se fazendo com que as relações pessoais acabem-se mais se distanciando cada vez. Os fones de ouvido dão ao sujeito uma nova forma de mundo, um mundo musical, no qual acaba somente existindo aquilo que se está dentro dos fones. Dessa forma, aquilo que está fora dos fones, ou seja, ao seu redor é esquecido. Os fones dão ao indivíduo certa maneira de isolamento do mundo social. Por exemplo, eu estando na rua escutando a minha música, muitas vezes, não paro para perceber as pessoas que estão à minha volta, que cruzam por mim, pois pode até ser um conhecido meu. A própria prática do olhar, do observar, do contemplar, acaba-se perdendo.

6 GLOBALIZAÇAO, MÍDIA E CONSUMO[203]

Ao tratarmos sobre a juventude contemporânea é correto dizer que querendo ou não as palavras globalização, mídia e consumo. São três motores que se inserirão em alguma parte desse contexto, pois, esses três itens estão inteiramente relacionados com o jovem atual. Podemos dizer que neles se estabelecem uma interelação, devido a influência de um sobre o outro. Esses três estando unidos tornam-se grandes influentes da nossa sociedade, e logo, também estão inseridos na vida da juventude.

Na sociedade moderna, não existe algo tão influente como a mídia. Ela é uma das maiores potências de manipulação e informações desse mundo, exercendo uma forte influência sobre o jovem. Além de ser uma grande transmissora de informações, é também a responsável por manipular e muitas vezes transmitir a sua visão e posição de algo para as pessoas, como, por exemplo, incentivar na compra de alguma coisa, ou então, fazer as pessoas se manifestarem ou protestarem sobre algo. A respeito do jovem, a mídia há muitos anos vem movimento e provocando influências através de músicas, filmes e propagandas. É graças a ela, que a invasão cultural foi conquistando o seu espaço. No Brasil, “(…) a invasão cultural começou a aparecer, inclusive pelas técnicas de “marketing”, ou seja, pela propaganda, nos fins de 1966.”[204] Ou seja, há mais de 44 anos que ela se insere na vida dos brasileiros. A mídia é uma grande influenciadora para que objetos sejam comprados ou vendidos e isso promove e mantém a existência de outro motor, o consumo.

Embora, no que diz respeito às necessidades básicas, tenhamos o suficiente para o sustento de toda população, não nos damos por satisfeitos e nos tornamos alvos fáceis da mídia consumista. Como diz Gandhi[205]“a terra é suficiente para as necessidades básicas de todos, mas não para a voracidade dos consumistas”. Vivemos assim, um pouco fora da normalidade, pois, nos movemos para e pelo excesso. Algo que para a nossa sociedade chega até tornar-se natural. Parece normal querermos mais e mais. Como diz Durkheim: “O que, ontem, achávamos suficiente, hoje nos parece abaixo da dignidade humana; e tudo faz crer que nossas exigências serão sempre crescentes.”[206]

Para Boff(2003, p.88) não é diferente, ele nos caracteriza:

(…) como um ser de necessidades. Ora, a experiência e os sábios de todos os tempos sempre testemunharam que as necessidades humanas são ilimitadas. Em conseqüência, para satisfazê-las, o desenvolvimento deve ser também ilimitado. Ocorre que elas nunca, obviamente, poderão ser satisfeitas plenamente. Logo, na medida em que o ser humano se orientar por suas necessidades, haverá sempre insatisfação[207]

O humano quando consegue suprir uma necessidade, acaba partindo para uma nova busca, uma nova conquista, uma nova satisfação. Essa insatisfação, segundo a mídia, pode ser suprida pelo consumo exacerbado. E assim, muitos só se sentem satisfeitos quando estão consumindo. Por isso, é comum observarmos pessoas que passam quase todo o dia, horas e horas dentro de um Shopping Center, buscando preencher o seu vazio de insatisfação através do consumo.

Cabe destacar que a mercadoria possui uma grande função que é a de estabelecer relações de indivíduo para indivíduo. Segundo Van Zanten(1999, p.52), “(…) é a mercadoria que, na verdade, produz a relação, entre ela mesma e as várias pessoas que trabalham com ela, mas também a relação entre estas pessoas ao longo da cadeia[208]A mercadoria possui até mesmo uma função social, de estabelecer relação entre vendedor e comprador. Uma pessoa que vai em uma loja comprar acaba muitas vezes estabelecendo relações com aquela pessoa que está lhe vendendo. E assim, cria-se um laço social, embora sendo um laço de comércio.

Esses laços são característicos do próprio sistema consumista que nos proporciona um “mundo descartável”, “do comprar”, “consumir e ser feliz”. É o tempo do momentâneo, prático e rápido, no qual é só usarmos as coisas poucas vezes e depois jogá-las fora, sem ao menos nos preocuparmos com o destino daquilo que agora se tornou um lixo e que gerará conseqüências para nós mesmos. O consumo atingiu um novo patamar, o chamado consumismo que através das propagandas ganha força e adquire espaço na vida das pessoas que se tornam consumistas, meras marionetes desse sistema. É essa necessidade ilimitada de insatisfação, inerente aos homens, que faz com que estes consumam aquilo que é proposto pela mídia. Tornando-os alvos fáceis. A mídia, através da propaganda, favorece que as pessoas consumam mais, e que com a globalização o acesso a esse consumo se torne mais fácil e que com esse consumo exista um maior acesso tanto da globalização como também da mídia na vida das pessoas. Como diz Boff(2003, p.86): “a globalização transforma tudo num imenso Big Mac, o mesmo estilo de hotéis, de vestuário, de filmes, de vídeos, de música, de programas de TV[209]Esses três andando unidos conseguem manter o mercado em constante movimento e assim também a permanência do capitalismo.

Agindo dessa forma, torna-se mais fácil para que jovens de grande parte do mundo tornem-se consumidores de aparelhos tecnológicos que são lançados no mercado mundial. Pois isso só se dá através do grande papel que a globalização possui.

A globalização produz uma grande homogeneização. Pelo mundo todo, os mesmos valores do sistema global, as mesmas tendências culturais, o mesmo estilo de consumo. A virulência do mercado está destruindo as culturas indefesas. Tudo fica monotonamente igual no centro do Rio, no centro do México, no centro de Praga, igual ao centro de Paris, ao centro de Nova York e ao centro de Berlim(BOFF, 2003, p.83)[210].

Ocorre a homogeneização de tudo, pois, dessa forma, torna-se mais fácil expandir o mercado. Porém, isso acaba sendo algo prejudicial para o jovem no que diz respeito a sua cultura, sua autonomia, modo de ser, etc. Entre alguns itens, Abramo(1994, p.155) cita o consumismo como sendo um dos fatores influenciadores que dificultam o desenvolvimento do jovem na atualidade.

Algumas das questões e mesmo das respostas encontradas são comuns a outras gerações juvenis, como por exemplo a busca de intensidade no lazer em contraposição a um cotidiano que se anuncia como medíocre e insatisfatório, mas muitas outras são colocadas pelo momento histórico específico, como a desvalorização da educação, a exarcebação do consumismo e a crise que dificulta a estruturação de projetos individuais e coletivos de futuro[211]

Percebe-se que o jovem atual possui também semelhanças com os jovens das gerações anteriores, no que diz respeito à inquietude e a expectativa de mudança. Porém, o atual modelo consumista impede a construção de jovens sonhadores, capazes que construírem projetos tanto individuais como coletivos, tornando-os acomodados, devido a própria época na qual esta juventude está inserida.

6.1 Credo (Religião)

Embora, diga-se que os jovens não são dotados de religião, que geralmente são tidos como seres descrentes, vemos claramente através de pesquisas que essa ideia é falsa. Muitos de fato não possuem religião, entretanto, detêm uma religiosidade, isto é, uma crença em Deus ou em algo que seja superior a eles. O quadro abaixo confirma isso.

Quadro 08[212]Crenças (Meninas)

Meninas
Turma Católica Evangélica Espírita Não Pratica Test. De Jeová Acredita em Deus Agnóstica Luterana Umbanda Candomblé Indefinida Adventista Total
301 7 3 3 1 14
302 6(2 Não Praticantes) 1 3 10
304 3 1 5 1 10
305 10(1 Não Praticante) 1 1 12
306 8 1 2 1 1 1 1 15
307 11 1 1 1 14
308 10( 2 Não Praticantes) 1 1 1 1 14
309 6 (1 Praticante) 1 1 1 1 10
Região Fronteira 6 1 7
Total 67 7 12 8 1 1 3 1 2 1 1 1 1 106

Com base no gráfico abaixo vemos que a maioria das meninas pesquisadas se dizem católicas (62%), seguido por 11% que se dizem espíritas.

Gráfico 20: Crenças (Meninas)

Monografias.com

Fonte: [213]

Quadro 09: Crenças (Meninos)

Meninos
Turma Católica Evangélica Espírita Não Pratica Luterano Indefinida Agnóstico Ateu Dout. Do Evang. De Deus Acredita em Deus Rastafari Umbanda Total
301 8 1 1 1 1 12
302 6 1 1 1 9
304 5(1 Não Praticante) 1 6
305 6 1 1 1 9
306 3 2 1 7
307 8 1 10
308 10 1 1 1 1 15
309 4 1 2 1 9
Região Fronteira 6 6
Total 56 2 6 1 2 2 1 5 1 1 1 1 83

Fonte: [214]

Entre os meninos a maioria se diz católico (68%), seguido de 8% que se dizem ser espíritas.

Gráfico 21: Crenças (Meninos)

Monografias.com

Fonte: [215]

Embora estejamos vivendo em uma era tecnológica os jovens ainda acreditam ou temem algo extraterreno que seja mais forte, ou então, mais poderoso que eles. No que diz respeito à religião estamos também vivendo um outro momento. Segundo Boff(1998, p.98) “Perdeu-se a visão do ser humano como ser-de-relações ilimitadas, ser de criatividade, de ternura, de cuidado, de espiritualidade, portador de um projeto sagrado e infinito[216]Estamos na era da massificação de indivíduos, aonde prevalece a chamada Teologia da Prosperidade. [217]

Mesmo os jovens pertencendo a uma determinada religiosidade, vemos que muitos carecem de uma religião, pois como diz Boff(2003, p.72): “A religião procura re-ligar todas as coisas, o consciente com o inconsciente, a mente com o corpo, a pessoa e o mundo, o masculino e o feminino, o humano com o Divino [218]Na sociedade atual, perdeu-se muito dos chamados laços sociais, que em tempos anteriores, a religião era uma das responsáveis para que isso acontecesse. Os indivíduos ao encontrarem-se para fazerem seus ritos, estabeleciam relações de contato, trocavam ideias, encontravam conhecidos, reencontravam pessoas que a muito tempo não viam, enfim, estabelecia-se e fortifica-se as relações sociais. Hoje, cada um desenvolve a sua espiritualidade à sua maneira, isoladamente, quebra-se a ideia de participação na fé com outro. Encontramo-nos, hoje, em uma época que cada um constrói o seu próprio Deus, e, dessa forma, com tantos deuses criados, acaba, muitas vezes, o deus de um entrando em conflito com o deus do outro. E assim, criam-se muitas vezes vários deuses, um para cada tipo de personalidade.

Nota-se que atualmente os jovens estão cercados por muitas igrejas, então vem o dilema: Qual dessas escolher? Qual dessas é a correta? Segundo Sorj:

Esse crescimento é tanto expressão da frágil integração do catolicismo, do caráter pragmático e experimental das relações que a população brasileira tem com a religião, como da crescente individualização que transforma a religião em opção pessoal.

Nesse sentido a expansão dos grupos evangélicos no Brasil é parte da experiência moderna de criação de um amplo mercado religioso. A conversão religiosa é uma opção pessoal constitutiva do processo de individualização e de perda de referências tradicionais, do desejo de construir e recriar a própria história pessoal, de uma segunda oportunidade de construir a vida. Também é o caminho no qual uma população majoritariamente (mas não exclusivamente) pobre encontra sentido em um mundo onde as condições sociais e econômicas produzem constantemente sofrimento e solidão. Esse contexto dá ao evangelismo brasileiro fortes traços carismáticos, milagrosos, que resultam numa sensação de proteção, conforto e esperança. Mas esses cultos não têm apenas um sentido individual, oferecendo também a possibilidade de participação num exercício periódico de caridade e solidariedade. Sem dúvida, as Igrejas são hoje (em suas diversas manifestações) a principal fonte de filantropia no Brasil.

Apesar da relativa perda de importância, a Igreja católica continua a ter um peso relevante na sociedade brasileira e tenta reciclar-se com programas de televisão e o surgimento de grupos carismáticos que efetuam curas e competem com os grupos evangélicos. A diminuição da importância dos grupos de base ligados à teologia da libertação deve-se em parte às transformações internas da Igreja católica em âmbito internacional, mas reflete também transformações da sociedade brasileira. Perdeu peso a mensagem que enfatizava a ação coletiva como instrumento de melhoria social e se fortaleceram o individualismo e a luta pessoal pela sobrevivência. A Igreja “progressista” ocupa, no entanto, vários espaços importantes na sociedade brasileira, especialmente em círculos da liderança do PT e do MST.

Inclusive os grupos ecologistas e os grupos de promoção da consciência negra e das raízes africanas podem ser considerados parte dessa tendência de formação de novas identidades com ênfase nas dimensões subjetivas e culturais que mobilizam pessoas que buscam uma alternativa pessoal de vida.[219]

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