Quais as investidas de Renan Calheiros contra Michel Temer


 

Gabriela Terenzi 29 Mar 2017 (atualizado 13/Abr 12h15) Críticas preocupam o Palácio do Planalto, já que o senador pode atrapalhar a tramitação da reforma da Previdência

FOTO: ADRIANO MACHADO/REUTERS – 15.12.2016 O PRESIDENTE MICHEL TEMER E O SENADOR RENAN CALHEIROS APÓS O ANÚNCIO DE UM PLANO DE ESTÍMULO ECONÔMICO

Desde que deixou a presidência do Senado, em fevereiro de 2017, Renan Calheiros tem investido contra o governo do presidente Michel Temer.

Os dois peemedebistas não são próximos – e em alguns momentos foram até antagonistas nas disputas internas de partido. As recorrentes críticas públicas de Renan, no entanto, têm deixado os aliados de Temer preocupados.

A mais recente investida ocorreu na terça-feira (28), quando o parlamentar, que é líder do PMDB no Senado, enviou ao Palácio do Planalto, ao lado de outros oito colegas da Casa, um pedido para que o presidente não sancionasse o projeto de terceirização aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 22 de março.

O presidente ainda não tomou a decisão. “A terceirização da forma como foi aprovada na Câmara é o ‘boia-fria.com’. É retroceder nas relações do trabalho e precarizar definitivamente” Renan Calheiros líder do PMDB no Senado, ao sair de reunião com a bancada do partido A regulamentação da terceirização é um dos pontos-chave da agenda econômica do presidente, assim como a reforma da Previdência – outro alvo recente de Renan.

Em vídeo divulgado em suas redes sociais, o senador classifica o projeto enviado pelo governo para mexer nas aposentadorias públicas como “bastante exagerado”.   No plenário do Senado, o congressista disse ainda que o governo Temer “precipitadamente já inviabilizou a reforma da Previdência”. Também em discurso na Casa,

Renan afirmou que o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, hoje com Eliseu Padilha, estaria em disputa por aliados de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso desde outubro de 2016, e insinuou que o ex-deputado ainda mantinha forte influência sobre o governo. Renan é alvo hoje de vários inquéritos da Lava Jato.

A suspeita é de que ele seja um dos beneficiários do esquema de corrupção da Petrobras.

O político alagoano é réu em um caso no qual é acusado de usar indevidamente verba de seu gabinete. O poder de Renan Hoje, o senador alagoano é líder do PMDB no Senado.

Não detém tanto poder como quando comandava a Casa, mas ainda tem nas mãos decisões importantes. Uma delas preocupa especialmente o Planalto: ele é o responsável pela indicação do relator da reforma da Previdência no Senado – o que ainda não fez. A demora pode atrasar a tramitação da proposta na Casa.

A reforma, atualmente, está em uma comissão especial da Câmara. O governo quer aprová-la ainda no primeiro semestre de 2017. Renan é conhecido como hábil articulador.

No passado, foi de líder do governo de Fernando Collor a apoiador do impeachment do ex-presidente. Foi ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso e aliado de Luiz Inácio Lula da Silva. No governo Dilma Rousseff, manteve postura dúbia, ora atacando, ora apoiando a petista.

Entre a aceitação do processo do impeachment, em dezembro de 2015, e sua abertura pela Câmara dos Deputados, em abril de 2016, sua opinião sobre o tema era uma incógnita. No julgamento, Renan votou pelo impeachment da petista, mas foi um dos articuladores para que ela não perdesse seus direitos políticos. A tensão com Temer não é de hoje

O PMDB é um partido com várias lideranças, e Renan e Temer são duas das principais delas: aliados em algumas causas, adversários em muitas outras. A tensão na relação entre eles é conhecida no partido. “O Ministério da Cultura não vai quebrar o Brasil, mas sua extinção quebrará a nação porque coloniza a sociedade” Renan Calheiros em maio de 2016, após Temer anunciar o fim do Ministério da Cultura, decisão da qual recuou “É preciso ter compreensão com o quadro no qual esse governo assumiu e paciência quanto aos resultados.

Eu quero ajudar o Brasil. É meu dever e o governo Michel Temer é a única saída posta” Renan Calheiros em junho de 2016, após a queda de três ministros do primeiro escalão do governo Uma conversa gravada em março de 2016 pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, delator da Lava Jato, é reveladora sobre a relação entre Renan e Temer.

Ainda antes do impeachment de Dilma, Machado conversava com o senador Romero Jucá, quando este deu a seguinte declaração: “Só o Renan que está contra essa porra [colocar Temer na Presidência]. Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha [ex-presidente da Câmara hoje preso pela Lava Jato]”.

Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/03/29/Quais-as-investidas-de-Renan-Calheiros-contra-Michel-Temer

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