ARTIGO – Capitalismo Social ou Socialismo Capitalista?


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Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso
há 6 anos

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Desde 2004, ano sim, ano não, eclode uma crise financeira com repercussões econômicas mundiais. Tenho feito reflexões que gostaria de compartilhar, especialmente porque agora em 2011, voltamos a uma crise com problemas iguais ou piores que o mais grave período de 2008. Vivemos um período de transição do capitalismo e welfare state para algo que ainda não sabemos bem o que é.

Neste sentido surgem duas conclusões: (a) o capitalismo como o conhecemos vai mudar; (b) o que substituirá o modelo atual será influenciado pelo modelo chinês.

O capitalismo atual baseado no consumo individual crescente, no elevado estado de bem estar social, não se sustenta pela finitude dos recursos. O modelo foi induzido por crédito e finanças artificiais, as quais ultrapassaram em muito a produção e os recursos materiais efetivos. Esta realidade fica mais evidente na crise dos Estados Unidos. O ciclo virtuoso iniciado com Keynes em 1929 se exauriu por um colapso na confiança geral decorrente do endividamento público e por um sistema financeiro descolado, autônomo da economia real.

O período de transição que antecedemos será marcado, dentre outras coisas, pela inversão de capital em ativos reais, notadamente ouro, imóveis e moeda dos BRICs. Isso vai criar uma elevação artificial de ativos (até em Cuiabá o m2 de um imóvel subiu dez vezes em quatro anos). Arrisco dizer que o modelo chinês veio para ficar e vai afetar o mundo porque as reservas chinesas em U$ 3 trilhões é igual ou maior que o programa de ajuste individual das economias do G7.

A lógica chinesa será determinante neste processo, ela não é orientada pelo consumo crescente, mas sim para o controle de custos, regulação de margem de lucros, restrição de direitos econômicos. O tigre estabelece crescente infraestrutura pública como fator de tração econômica, amplitude e escala com preços reduzidos, público alvo na cauda longa e seletividade estatal interativa de produção e consumo. Logo, em um extremo temos o modelo do G7, e noutro extremo o modelo chinês de um capitalismo social (ou sei lá.. de um socialismo capitalista).

Na história da humanidade o novo modelo se estabelece pela colisão e conflito (guerras, dominação, colonialismo, espionagem, terrorismo beligerante ou econômico, etc). Penso que neste primeiro momento o conflito beligerante está afastado porque iria destruir ativos que são lastro para o crédito. Mas em um segundo momento, um ajuste entre produção e consumo pela guerra redutora da população só pode ser evitado pelo crescimento compensador dos BRICs e pela rediscussão de direitos coletivos, adequando-os.

Na direção do desenvolvimento dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) considero que Brasil, e Mato Grosso, precisam acelerar sua infraestrutura econômica, erradicar o isolamento dos municípios, diversificar a produção e democratizar acesso aos bens e serviços (públicos, inclusive). É necessário incorporar a industrialização e os excluídos, ampliar escala e atuar também na cauda longa, produzindo a custos e preços decrescentes. Em resumo, há necessidade de se repensar o nível e a qualidade dos gastos, adequando-os tanto no setor público como privado a uma nova realidade, preferencialmente vinculada a efetiva capacidade de produção e obtenção de meios suportados pelo ambiente.

Marcel Souza de Cursi

Secretário Adjunto da Receita Pública

Advogado Tributarista e Fiscal de Tributos Estaduais

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