Sexo, amor e traição: a história de Jackie, Bobby e Onassis


Capa do livro 'Nêmesis – Onassis, Jackie O. e o triângulo que derrubou os Kennedy', da editoria Intrínseca

Robert Kennedy odiava Aristoteles Onassis e afirmava para quem quisesse ouvir que o casamento entre o magnata grego e Jackeline Kennedy, a viúva de seu irmão John, só aconteceria por cima do seu cadáver. Ele estava certo: somente depois do assassinato de Bobby – que também frequentava a cama de Jackie – os dois se casaram. O que não se sabia até o lançamento de “Nêmesis – Onassis, Jackie O. e o triângulo que derrubou os Kennedy” (Intrínseca, 368 pgs. R$ 49), do jornalista britânico Peter Evans, é que Onassis pode ter ordenado e financiado o atentado que matou Bobby, em 1968, quando ele iniciava sua campanha pela Presidência dos Estados Unidos. Tudo começou quando, em janeiro daquele ano, o terrorista palestino Mahmoud Hamshari, militante da Al Fatah, procurou o milionário, em seu mítico apartamento na Avenue Foch, em Paris.

A tese de Evans é ousada, mas sua demonstração, ao longo das quase 400 páginas do livro-reportagem, não é inteiramente convincente, ainda que o autor traga à luz informações e circunstâncias intrigantes, que justificam uma teoria conspiratória. Mesmo que a tese principal do livro seja frágil, ainda assim trata-se de uma leitura saborosíssima como crônica de uma época, cheia de detalhes picantes e escândalos sexuais da alta-roda. Amigo de “Ari”, Evans já tinha escrito a principal biografia do bilionário armador grego quando se deu conta de que a “verdadeira história” ficara de fora – a teia de intrigas, mentiras, sabotagens, subornos e adultérios em torno do triângulo Bobby-Jackie-Onassis. Para escrever o novo livro, Evans voltou a entrevistar Onassis até poucos meses antes de sua morte, em março de 1975.

Além da disputa pelos favores da mesma mulher, interesses econômicos e políticos também opunham Bobby e Ari – e faziam o armador se sentir perseguido e ameaçado. O ódio entre os dois era recíproco e começou desde o primeiro encontro, num coquetel em Nova York oferecido por Pamela Churchill (uma socialite que inspirou a protagonista do roman à clef “Súplicas atendidas”, de Truman Capote), em 1953. O autor apresenta de forma clara as disputas de bastidores em torno de acordos comerciais, parcerias e traições envolvendo, por exemplo, a compra de propriedades em Mônaco e a aquisição por Ari de uma companhia aérea, a Olympic Airways.

Mas o melhor do livro é mesmo o retrato psicológico de Onassis – um “psicopata charmoso” que não se submetia a nenhum imperativo moral – e o registro de suas aventuras amorosas – que incluíram a irmã de Jackie, Lee Radziwill, e a diva da ópera Maria Callas – bem como de seus dramas familiares, como a morte do filho Alexander e a difícil relação com a filha, Christina. Jackie, por sua vez, é retratada de forma pouco generosa, como uma mulher ambiciosa e capaz de tudo – inclusive de aceitar um convite para visitar o iate de Onassis quando John Kennedy ainda era vivo. Ela acabou se casando com Ari, mas segundo Christina Onassis, o casamento só durou de verdade algumas semanas.

Emigrante pobre que se estabeleceu na Argentina no começo da década de 1920, depois que os turcos prenderam seu pai, Onassis ergueu um império mundial da navegação comercial, mas desde sempre atuou de forma pouco ortodoxa, nos negócios e na vida afetiva. Boa parte do livro descreve sua competição com outro bilionário grego, Stavros Niarchos – que acabou se casando com a ex-mulher e mãe dos filhos de Ari, Athina (Tina) Livanos. As declarações de Onassis sobre as mulheres ao longo do livro deixariam as feministas de hoje de cabelo em pé: “Trato toda mulher como uma amante em potencial”; “Todo grego bate na mulher; aquele que bate bem, ama bem”; “Se é para ser uma mulher de má reputação sem ganhar dinheiro com isso, é melhor ser honesta”.

A biografia do empresário virou uma sucessão de tragédias com as mortes em série na família: em 1973, seu filho, Alexander, num acidente de avião; em 1974, sua primeira mulher, de overdose. No ano seguinte, o próprio bilionário começou na apresentar os sintomas de miastenia, uma doença degenerativa. Christina, a filha caçula, se tornou, assim, a única herdeira da imensa fortuna deixada por ele, mas, de personalidade frágil e vulnerável, sofreu não longo de quatro casamentos, o último com o francês Thierry Roussel, pai de Athina, batizada em homenagem à avó materna. Quando a filha nasceu, em 1985, Christina descobriu que o marido também era pai de um menino, fruto de seu relacionamento com a modelo sueca Gaby Landhage. Em 1988, Christina foi encontrada morta, aos 37 anos, na banheira de sua mansão em Buenos Aires, vítima de um infarto causado por anos de abuso de álcool e medicamentos.

A epopeia dos Onassis continua, com um tempero brasileiro. Hoje com 33 anos, Athina Onassis, filha de Christina e única herdeira do armador, foi casada durante 11 anos com o cavaleiro brasileiro Doda de Miranda Neto, que tinha sido seu instrutor de hipismo. No ano passado, após Doda competir nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, o casamento terminou em um divórcio litigioso, em mais uma disputa bilionária que ainda está sendo travada nos tribunais.

Livro 'Nêmesis – Onassis, Jackie O. e o triângulo que derrubou os Kennedy', da editoria Intrínseca

(Fotos: Divulgação)

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