Santos diz que doará dinheiro do Nobel da Paz às vítimas na Colômbia


Quase R$ 3 mi irão para fundações e programas relacionados às vítimas.
Acordo de paz foi rejeitado em referendo; presidente negocia com opositores.

Do G1, em São Paulo

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, faz pronunciamento nesta segunda-feira (3) sobre diálogo com os opositores ao acordo de paz com as Farc (Foto: Reprodução/ YouTube/ Presidencia de la Republica - Colombia)O presidente colombiano, Juan Manuel Santos em imagem de arquivo (Foto: Reprodução/ YouTube/ Presidencia de la Republica – Colombia)

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que ganhou o Nobel da Paz na última sexta-feira, anunciou neste domingo (9) que doará o prêmio monetário para reparar as vítimas do conflito armado interno de mais de meio século.

 

Nobel da Paz 2016
Juan Manuel Santos ganha prêmio

“Este grande prêmio Nobel, que alguns consideram o mais importante de todo o planeta, vem acompanhado de um prêmio também monetário. Quero anunciar a vocês que esta noite me reuni com minha família e tomamos a decisão de doar esses oito milhões de coroas suecas (US$ 923 mil ou quase R$ 3 milhões) para que as vítimas possam ser reparadas”, disse Santos após uma cerimônia religiosa com afetados pelo conflito armado em Bojayá (no noroeste da Colômbia).

Acompanhado por sua esposa, seus filhos e vários membros de seu gabinete, o mandatário colombiano assegurou que entregará a quantia do prêmio “a obras, fundações ou programas que tenham a ver com as vítimas e com a reconciliação”.

“Vamos perseverar, vamos persistir, persistir, persistir e persistir até que consigamos implementar o acordo assinado com as Farc”. Se tiver que fazer ajustes ao que já acordamos então faremos ajustes”, acrescentou.

Santos foi um dos líderes da negociação que chegou ao acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O acordo, entretanto, foi rejeitado em referendo.

O Nobel da Paz será entregue em Oslo em 10 de dezembro.

Esforço pela paz
O acordo de 297 páginas, que foi elaborado durante 4 anos em Havana, aconteceu após três tentativas fracassadas durante os governos de Belisario Betancur, César Gaviria e de Andrés Pastrana. A vitória do “Não” no plebiscito tinha sido considerada um duro golpe ao governo de Santos e teria colocado em dúvida o sucesso do processo para superar o conflito.

O resultado apertado das urnas – 50,21% para o “Não” e 49,78% para o “Sim” – evidencia um país dividido sobre como alcançar a paz que todos dizem almejar. Grupos contrários ao acordo, liderados pelo ex-presidente Álvaro Uribe, acusam o governo de ceder demasiadamente à pressão das Farc e de deixar abertura para que os guerrilheiros não sejam punidos.

Apesar da rejeição, o cessar-fogo continua. Agora Santos negocia com opositores para tentar chegar a um acordo que agrade à maioria.

O conflito na Colômbia provocou a morte de 260 mil pessoas e deixou quase 7 milhões de deslocados internos e 45 mil desaparecidos.

A presidente do Comitê Nobel norueguês, Kaci Kullmann Five, relativizou a reprovação do acordo no referendo de domingo (2). “O fato de a maioria dos eleitores ter dito não ao acordo de paz não significa necessariamente que o processo de paz está morto”, disse.

Propostas para o acordo
De acordo com a agência EFE, o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe reiterou neste domingo sua proposta para modificar o acordo de paz. Em comunicado intitulado “Votamos Não, seguimos pela paz. Urgência e Paciência”, Uribe insistiu na “reclusão, como pena privativa de liberdade”, de cinco a oito anos para os guerrilheiros, mas esclareceu que esta opção deve ser cumprida “em lugares alternativos, como fazendas agrícolas”.

Segundo ele, isso seria feito com o intuito de evitar “a impunidade total dos maiores responsáveis de crimes atrozes”, já que não castigar geraria um “mau exemplo, criador de novas violências, além de provocar incerteza jurídica”.

Na proposta deste domingo, Uribe também disse que os “privilégios” dados ao partido político que os integrantes das Farc querem criar e a elegibilidade de guerrilheiros para cargos públicos deve ser “excluída” do acordo ou “repensada”.

Por fim, ele pediu para que as discussões sobre a modificação do texto final pactuado com a insurgência “sejam públicas para evitar tergiversações”.

Nesta segunda-feira será realizada uma nova reunião em Bogotá entre membros do governo nacional e defensores do “não”.

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