Projeto da USP usa realidade virtual para diminuir riscos de trabalhadores


Universidade esteve na Siggraph, feira de computação gráfica nos EUA.
Temas eram manutenção em linhas elétricas e análise de sítio arqueológico.

Bruno AraujoDo G1, em Anaheim (EUA) – o jornalista viajou a convite da Qualcomm

A realidade virtual não se limita a games e entretenimento. A USP levou para a Siggraph 2016, feira de computação gráfica em Anaheim (EUA), em julho, dois projetos brasileiros aplicando a tecnologia ao mundo de trabalho. E não foi só isso. A convenção californiana também discutiu soluções na medicina e no bem-estar. Assista ao vídeo acima.

Um dos projetos da Universidade de São Paulo é um passeio virtual por um sítio arqueológico em Itapeva (SP). De acordo com Roseli Lopes, professora da Escola Politécnica, a aplicação foi desenvolvida inicialmente com a pesquisa em mente, mas logo acabou ganhando fins educacionais.

“O usuário pode visitar antes da escavação, depois, e ver o que foi retirado de lá”, diz Roseli ao G1. “Como modelamos todos os cenários e objetos encontrados, isso pode ser usado pelos arqueólogos sob o ponto de vista da análise. Mas como é muito difícil visitar um sítio arqueológico, ou até proibido, é possível fazer um passeio sem riscos”.

O outro projeto da USP é um simulador de treinamento para manutenção em linhas elétricas. “Se você tem problema em um transformador, a pessoa tem que fazer a manutenção sem desligar a energia. É uma operação de alto risco”, diz a professora. “Então, desenvolvemos um simulador em que você consegue treinar o operador para ele saber qual é a sequência correta de tarefas dependendo do tipo de problema que ele encontra em campo”.

Lopes ressalta que o simulador funciona como um game, mas que seu objetivo é mostrar que as falhas de execução podem acarretar em incidentes sérios na vida real. “Nesses ambientes, você pode expor as pessoas a determinadas situações de risco para evitar que elas não consigam desempenhar as funções delas”.

Qualidade de vida
Apesar de ser uma área que ainda precisa de mais tempo, a medicina está nos planos da realidade virtual. Walter Greenleaf, neurocientista comportamental da universidade de Stanford (EUA) que trabalha na área há quase 30 anos e ajudou a conceber o termo “realidade virtual”, diz que a tecnologia será transformadora.

“A medicina será mudada pelo VR. A tecnologia vai nos permitir entregar o tratamento médico a qualquer momento, em qualquer lugar, usando a telemedicina. E não apenas para problemas clínicos, como depressão, reabilitação após um derrame ou cirurgia. Mas também para saúde e bem-estar”, comenta.

Algumas aplicações já podem ser baixadas no celular para uso com acessórios de realidade virtual, como o Gear VR, mas as aplicações clínicas ainda vão demorar um pouco, diz Greenleaf. Mas o neurocientista afirma: o que foi mostrado aos pacientes agradou.

“Em alguns casos, usamos a realidade virtual para a ajudá-los a se distrair da dor. E eles não querem devolver. Também usamos para ansiedade, distúrbios de comportamento. Os pacientes ficam muito animados”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s