Clausmar, perseguido político


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Numa tentativa covarde de manipular e pressionar trabalhador a pedir demissão, petroleiro resiste na Petrobrás

Por Vanessa Ramos, jornalista da FNP

Em setembro de 2014, numa quarta-feira de manhã, depois de desembarcar no aeroporto Santos Dumont, Clausmar Luiz Siegel recebeu uma ligação do gerente de terra da plataforma P-38, localizada na bacia de Campos. Na época, o gerente pediu que ele não embarcasse, ao invés disso, fosse ao escritório dele, em Macaé.

Desconfiado do que viria pela frente, uma vez que já tinham sumido com uma candidatura de Clausmar para a CIPA, o trabalhador perguntou sobre o que iriam tratar. O gerente desconversou e disse que só queria o bem dele e reforçou o pedido de comparecimento na sala, na manhã seguinte.

Na quinta-feira, pouco depois das 8 horas, o petroleiro chegou ao escritório do gerente e foi surpreendido com a notícia de era um ótimo operador, mas, estava sendo, segundo o gerente, subaproveitado na P-38. Portanto, a partir daquele momento teria sua função trocada para o de fiscal de contrato internacional.

A gerência avisou que passaria a embarcar no FSO-Cidade de Macaé (maior navio no Brasil), da empresa japonesa MODEC e alocado pela Petrobrás, também na Bacia de Campos. Clausmar respondeu que não aceitaria a nova função, e considerava aquela transferência uma perseguição política da gerência da Petrobrás.

Coincidência ou não, o fato é que o trabalhador é militante do PSTU desde 1999, liderou várias mobilizações na plataforma da Bacia de Campos, em campanhas de ACT’s e PLR’s. Participou ainda de 4 chapas de oposição à direção do Sindipetro-NF (CUT), foi eleito delegado de base para vários congressos da FUP, da FNP, da Conlutas e da CSP-Conlutas.

No entanto, sem opção, Clausmar passou a embarcar no FSO-Cidade de Macaé como “aprendiz de fiscal”. Curiosamente, permaneceu embarcado por 11 meses como fiscal aprendiz, no regime 14 x 21.  Caso tivesse aceitado o novo cargo, intrigantemente, Clausmar seria o único trabalhador da Petrobrás a bordo do navio.

Sem a garantia prevista na ACT, de que a Petrobrás deve respeitar a integridade da família, Clausmar foi isolado do convívio com a sua. O petroleiro tem esposa e mãe idosa, que carece de atenção e cuidados. Ambas residem em Santa Catarina. A mãe, de 76 anos, tem vários diagnósticos de doenças crônicas e necessita ir ao médico 2 ou 3 vezes por semana. O petroleiro é filho único e depende, agora, da solidariedade da esposa para cumprir a agenda médica de sua mãe.

“Me sinto mal, de modo especial por não estar auxiliando a minha mãe, que depende de mim lá em Timbó-SC”, desabafou Clausmar. O trabalhador está na Petrobrás desde 2003, portanto, 13 anos.

Mas, as investidas em pressionar o trabalhador a pedir demissão não pararam por aí. Em julho do ano passado, Clausmar foi convocado para “trabalhar” em terra no Rio de Janeiro, sob o argumento de que os gerentes tentariam uma nova localização de trabalho em plataformas.

Em dezembro do ano passado, o petroleiro foi “desimplantado” e colocado definitivamente para trabalhar em terra, no regime administrativo no Rio, gerando mais uma redução de adicional na folha de pagamento. Como tem sua residência familiar em Santa Catarina, a mais de mil quilômetros do Rio, que inviabiliza o convívio com a família. Atualmente, ele ganha 60% do que ganhava quando estava na P-38.

Hoje, Clausmar luta para voltar a embarcar como operador no regime de 14 x 21. Regime, inclusive, que viabilizava convívio com a família. “Quando eu trabalhava embarcado na P-38, era possível dividir a tarefa de ajudar a mamãe com a minha companheira, que agora faz tudo sozinha”, contou.

Assim, para fortalecer a luta de Clausmar, vale a pena visitar o pensamento de um dos maiores poetas russos do século XX. “Que os meus ideais sejam tanto mais fortes quanto maiores forem os desafios…” Assim dizia Vladimir Mayakovsky. Uma reflexão que vai de encontro ao que passam alguns trabalhadores, perseguidos políticos da Petrobrás.

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