Venezuela condena líder opositor


 Venezuela condena líder opositor

 O líder opositor venezuelano Leopoldo López foi condenado na noite desta quinta-feira (10) a 13 anos e 9 meses de prisão por promover a violência nos protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro, em 2014, informou seu advogado, Roberto Marrero.

“A juíza (Susana) Barreiros condenou Leopoldo a 13 anos, 9 meses e 7 dias. Local da reclusão Ramo Verde”, informou o advogado no Twitter, em referência à prisão militar onde López permanece detido desde 18 de fevereiro de 2014. Ao se dirigir ao juri, antes de ouvir o veredito, López disse à juíza que “se a sentença for condenatória você terá mais medo de pronunciá-la do que eu de escutá-la porque sabe que sou inocente“.

Após a condenação, a mulher do opositor disse que a condenação é “injusta” e evidencia que a Venezuela vive “uma ditadura”.

O líder opositor e quatro estudantes foram julgados por fomentar os protestos contra o governo de Nicolás Maduro que deixaram 43 mortos entre fevereiro e maio de 2014.

Um dos estudantes foi condenado a dez anos de prisão, e os outros dois a quatro anos cada um.

López, um economista de 44 anos com mestrado em Harvard, foi o principal promotor da estrategia conhecida como “La Salida”, que tentou derrubar o presidente da Venezuela por meio da pressão nas ruas.

O líder opositor foi condenado por promover a perturbação da ordem pública, danos à propriedade, incêndio e associação criminosa. O advogado Carlos Gutiérrez, que participou da defesa de López, disse que o julgamento foi repleto de irregularidades, que refletem a “falta de independência” da justiça venezuelana.

Na noite desta quinta-feira, dezenas de militantes do partido Vontade Popular, fundado por López, permaneciam de vigília em uma praça do município de Chacao, na região de Caracas, que haviam ocupado mais cedo para rezar pela absolvição, constatou a AFP.

Após saber da condenação, várias mulheres que participavam da vigília choraram. A notícia da condenação provocou um forte panelaço nas imediações do tribunal, no centro de Caracas, para repudiar a decisão. Durante o dia, a tranquilidade foi quebrada em torno do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) quando “chavistas” enfrentaram membros do partido de López, a Vontade Popular (VP).

A VP denunciou que um de seus militantes morreu de infarto durante os incidentes, deflagrados quando um grupo de “chavistas” agrediu um partidário de López.

Vestidos com camisas vermelhas, os manifestantes “chavistas” agrediram os opositores com paus, obrigando-os a abandonar a esquina que ocupavam no centro de Caracas,.

Pouco depois, efetivos da Guarda Nacional Bolivariana e da Polícia Nacional evitaram que os militantes “chavistas” seguissem em direção ao grupo da VP. Defesa

Juan Carlos Gutiérrez, advogado de Leopoldo López, disse que recorrerá da sentença, que qualificou de “mera complacência” sem “base jurídica sólida”. “Não é uma sentença com uma base jurídica sólida, que tenha uma análise de estrito apego à legalidade, é uma mera complacência, não é um ato jurisdicional, não contém argumentação, análise probatória e muito menos análises jurídicas”, afirmou.

Já Freddy Guevara, coordenador nacional do partido de López, o Vontade Popular (VP), pediu “ao povo da Venezuela que se mantenha firme nestes momentos de frustração e aguarde o chamado de Leopoldo”. Guevara explicou que amanhã será apresentada uma carta escrita por López com “uma mensagem à Venezuela” após a publicação de sua sentença.

Em entrevista à emissora americana “CNN en Español”, o secretário-executivo da aliança opositora Mesa pela Unidade Democrática (MUD), Chuo Torrealba, considerou “uma provocação” a sentença do julgamento de López já que “o governo está interessado em promover a violência e gerar uma situação de ruptura” diante da possibilidade de ser derrotado nas eleições legislativas de 6 de dezembro.

Já Henrique Capriles, candidato derrotado duas vezes nas eleições presidenciais e governador do estado de Miranda, escreveu no Twitter que “a Justiça venezuelana está podre. Hoje, entendemos que o caminho para a liberdade de Leopoldo, e de todos os outros, começa no dia 6 de dezembro“, em referência às eleições parlamentares.

Reação dos EUA

A subsecretária de Estado dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson, se mostrou “profundamente preocupada” com a pena.

Em seu perfil no Twitter, Roberta escreveu que está “profundamente preocupada com a condenação de Leopoldo López” e pediu que “o governo proteja a democracia e os direitos humanos na Venezuela“.

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