VHS – Velocidade de Hemossedimentação


Mulher branca, de 74 anos, dentista aposentada, viúva, vai ao consultório do geriatra para avaliação anual de rotina antes de viajar com a turma de formatura, para estância climática nas montanhas. Seus únicos sintomas são de diminuição da audição há cerca de dois anos e fadiga generalizada nos últimos quatro meses. Está atenta durante a consulta  e bem comunicativa. Não apresenta qualquer alteração da pele, apetite ou visão; seus hábitos intestinais e urinários estão normais. Seus sinais vitais e cardiovasculares não revelaram qualquer anormalidade. Abdomem normal. Peso inalterado em relação ao exame do ano anterior.

Após 1 semana retornou com os exames laboratoriais, com algumas alterações surpreendentes. Seu nível de hemoglobina era de 8,7 g/dL (n=13 a 16). As contagens de leucócitos e plaquetas normais. A velocidade de hemossedimentação foi de 92 mm/hora. A dosagem das proteínas, mostrou total de 10 g/dL e albumina de 2,3 g/dL. Os testes de função hepática estavam normais.

Como entender a velocidade de hemossedimentação (VHS) e o caso em si?

A VHS aumenta com a idade em pessoas normais. As fórmulas geralmente aceitas para determinar um VHS aproximadamente “normal” são: nos homens idade/2 e nas mulheres (idade+10)/2. Portanto, a VHS desta mulher está bem acima da VHS normal esperada, e é causa de preocupação. Em pessoas saudáveis, o primeiro passo deve ser repetir o exame; muitas vezes o resultado do teste repetivo é normal. Se o teste repetido também for alterado, pode haver uma doença subjacente. Quando maior for o valor da VHS, maior a chance de uma doença em fase aguda.

Velocidade de hemossedimentação – a velocidade de hemossedimentação (VHS) é verificada através da queda ou sedimentação de hemacias numa coluna de líquido (sangue diluído). A VHS diminui se há atrito ou repulsão entre os resíduos negativos do ácido siálico da superfície das hemacias. Enquanto estas cargas persitem, as células se repelem e permanecem em suspensão. Uma vez neutralizadas as hemáceas se juntam e se precipitam.

Fase aguda das inflamações – Mediadores inflamatórios, especialmente a interleucina e o fator de necrose tumoral (FNT) fazem com que os hepatócitos produzam proteínas que se sabe serem reagentes de fase aguda, tais como fibrinogênio, proteína C-reatina, amilóide A, haptoglobina, complemento e ceruloplasmina. O fibrinogênio é muito eficiente em neutralizar as cargas de ácido siálico das hemáceas, deixando a VHS elevada. Muitas proteínas do mieloma têm a mesma característica do fibrinogênio.

A VHS reflete a atividade da doença. Quando está alta significa que a doença está ativa, quando normal, que a doença está sob controle.

Valor normal da VHS primeira hora – mulheres até 8 mm ; homens até 10 mm -VHS segunda hora – mulheres até 25 mm; homens até 20 mm.

Hipoalbuminemia – Os mesmos mediadores inflamatórios que aumentam os marcadores de fase aguda também promovem diminuição da síntese de albumina pelo figado. Portanto, um nível baixo de albumina pode ser resultante de um processo inflamatório, não evidência de má nutrição.

Comentários finais – O exame de VHS elevado, a anemia, a hipoalbuminemia com hiperproteinemia, aliados a clínica de fadiga, faz suspeitar de Mieloma Múltiplo. Certamente, o nível de hemoglobina abaixo do normal será um grande problema para a viagem para a estância climática nas montanhas, pois o risco de um problema cardiológico ou pulmonar é muito grande.

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