Steve Jobs: tumor no pâncreas pode ter reaparecido ou atingido outro órgão


Especialistas em câncer do pâncreas disseram estar confusos sobre a doença que está molestando o presidente-executivo da Apple, Steve Jobs, porque não está claro quão sérios são seus problemas de saúde e qual a sua relação direta com seu histórico de câncer.

Na semana passada, Jobs informou que tinha um “desequilíbrio hormonal” de fácil tratamento que estava subtraindo as proteínas de seu organismo. Na quarta-feira (14), entretanto, o executivo de 53 anos disse que os problemas eram “mais complexos” do que ele imaginava anteriormente, o que o levaria a se afastar da companhia por seis meses.

Os médicos entrevistados, que não cuidaram de Jobs, disseram que poderiam apenas especular sem informações mais completas, mas informaram que o tumor tratado em 2004 pode ter atingido outro órgão ou reaparecido no pâncreas, exigindo cirurgia ou outro tipo de tratamento.

Em 2004, Jobs foi tratado de um tipo raro de câncer no pâncreas conhecido por tumor neuroendócrino. Esse tipo de tumor pode ser maligno ou benigno, mas normalmente ele demora a crescer e é menos fatal que outros tipos de tumores no pâncreas.

Câncer Raro

A Sociedade Americana de Câncer estima que 37.680 norte-americanos sejam acometidos de câncer no pâncreas por ano, mas poucos têm o tipo raro que Jobs teve. Os tumores são facilmente removidos cirurgicamente, mas podem voltar em quase metade dos pacientes, disse o médico Roderich Schwarz, cirurgião da Universidade do Texas.

Clay Semenkovich, endocrinologista da Universidade de Washington, disse em entrevista por telefone que “Jobs pode ter um novo tumor que está alterando substancialmente sua fisiologia e causando a perda de peso”.

Jobs também pode ter adquirido deficiência de insulina e se tornado diabético, segundo os médicos, uma vez que o pâncreas é o órgão que produz as enzimas usadas na digestão e o tipo de câncer que ele sofreu pode causar uma produção excessiva de algumas delas, como a insulina.

Essa hipótese, entretanto, não explicaria a razão do afastamento da companhia por seis meses, pondera Semenkovich.

Por isso, o médico aponta que ele pode necessitar de uma cirurgia e que para isso seis meses seria um tempo razoável para preparação, realização e recuperação da mesma.

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